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do Outras Palavras
Quem pode nos livrar de Bolsonaro
por Antonio Martins
É tolo olhar com ufanismo para a pesquisa do Ibope. Ela revela, junto com salto de Haddad, crescimento e consolidação da ameaça fascista. Para afastá-la, será preciso repolitizar as eleições – não insistir no jogo de torcidas
A nova pesquisa Ibope, divulgada nesta terça-feira (18/9) fez surgir, entre a maior parte dos apoiadores do PT e o PCdoB, uma enorme onda de otimismo. Eles viram o crescimento notável de Fernando Haddad (de 8% das intenções de voto há uma semana para 19% agora) como a consolidação da ultrapassagem sobre Ciro Gomes (que permanece com 11%). Também rejubilaram-se com o que seria a confirmação do gênio de Lula – capaz de, do cárcere, de comandar as eleições. Dois anos depois do golpe, a vitória e a volta ao governo estariam à vista. Esta visão contém elementos de verdade – e no entanto é parcial, comodista e perigosa. Em especial, porque sugere um caminho (a aposta na polarização petismo x antipetismo) despolitizante, que amplia ao máximo o risco de um resultado devastador. Há, ainda, a chance de evitá-lo.
A ilusão com os números é mais grave porque, na aparência, eles confirmam o script desenhado pelos apoiadores de Haddad. Numa primeira etapa, que parece cumprida, o candidato de Lula viveria um grande salto, beneficiado pela transferência de votos de seu patrono. A partir de então, afastados os adversários no “campo progressista”, bastaria contar com a atração, por gravidade política, da imensa parcela da sociedade que se coloca, desde 2002, contra o domínio secular das elites. Restaria aos demais candidatos de esquerda e centro-esquerda, e ao setor democráticos que restam entre os eleitores de Marina e Alckmin, alinhar-se à hegemonia petista. O pulo de Haddad, graficamente expresso abaixo, é a expressão imagética desta ideia.

Contudo, o Ibope mostra também dois outros fatos imensamente relevantes, que talvez o entusiasmo ofusque. Primeiro: uma impressionante ampliação das chances de Bolsonaro no segundo turno. Há duas semanas (pesquisa de 4/9), o candidato fascista era praticamente um pária: surrado na disputa final por Ciro Gomes (44% x 33%), Marina (43% x 33%), Alckmin (41% x 32%), acima apenas de Fernando Haddad (36% x 37%). Em pouco tempo, as previsões se reverteram. Agora, Bolsonaro vence com folgas Marina (41% x 36%), empata com Alckmin (38% x 38%) e Haddad (40% x 40%) e perde apenas para Ciro, porém na margem de erro (40% x 41%).




A mudança dramática, expressa nos gráficos acima, sugere a normalização do fascismo. Está provavelmente relacionada ao atentado contra Bolsonaro, que o vitimizou. Porém, testemunha igualmente um fenômeno social e político muito mais largo. A extrema direita está se consolidando como tendência política principal do capitalismo, agora também no Brasil. As relações de Bolsonaro com o mercado financeiro são um sinal. Suas reuniões com banqueiros, investidores e corretoras tornaram-se constantes. Há semanas, a bolsa e o dólar oscilam a partir de suas intenções de voto, registrada nas pesquisas. A sobreposição é clara e incontroversa: a cada sinal de força do candidato fascista corresponde um impulso de otimosmo nos índices. Mas o Ibope revela que este movimento, restrito em condições normais às elites, tem profundidade social e eleitoral. O que era antes abjeto está se convertendo em normal. Votar numa chapa cujos integrantes defendem o estupro, e querem uma Constituição escrita por “notáveis” (evidentemente alinhados a suas ideias), já não é anátema – nem para um executivo financeiro, nem para um morador desempregado da periferia que optou, em falta de alternativas, por uberizar-se.
O segundo fato revelado pelo Ibope é ainda mais surpreendente, para as análises convencionais. A pesquisa mostra que, embora cada vez mais polarizadas, as eleições de 2018, continuam, essencialmente, despolitizadas. Há um nítido descolamento entre as tendências hoje majoritárias na sociedade e as opções pelos candidatos. Esta ruptura, fruto de uma disputa rasa (petismo x antipetismo), favorece a direita.
Do ponto de vista socieconômico, o golpe de 2016 está em frangalhos. Michel Temer, o político que o expressa, tem no máximo 5% de apoio popular. Uma série de enquetes demonstrou, nos últimos meses, a rejeição da sociedade a todas as políticas cruciais adotadas nos últimos – privatizações (70% contrários), contrarreformas Trabalhista (72%) e da Previdência (85%), terceirização selvagem. No entanto, repare: esta notável rebeldia não está expressa nas tendências eleitorais. Faça uma conta simples. Compare as intenções de votos nos candidatos favoráveis ao golpe (Bolsonaro, Alckmin, Amoedo, Álvaro Dias e Henrique Meirelles) com as destinadas a quem resiste (Haddad e Ciro). O resultado, visível no gráfico abaixo, é bastante estranho: 42% x 30%, a favor do golpe.

A discrepância é clara, mas é preciso enunciar seu significado com todas as letras: a polaridade petismo x antipetismo não expressa a tensão política real em curso na sociedade brasileira. Ao contrário: falseia-a; e – muito pior – abre um espaço inesperado para a direita, agora representada por sua fração extrema. Em termos concretos, significa que dezenas de milhões de brasileiros contrários à agenda de retrocessos imposta nos últimos dois anos estão sendo levados a defendê-la. Fazem-no porque, no momento, veem o PT como inimigo principal a ser batido.
É possível questionar o que leva a esta distorção. O massacre evidente que a midia promove contra o partido é um fator. A vocação hegemonista do PT – com a qual nos deparamos, a cada instante, todos os que queremos superar o capitalismo – não pode ser desconsiderada. No momento, o menos relevante é estabelecer a culpa. O que importa é enfrentar um problema crucial. Há enorme risco de termos, em vinte dias, eleições que, além de consolidarem o golpe de 2016, levarão a seu aprofundamento trágico.
A esta altura, quando faltam menos de três semanas para as eleições, uma questão parece clara. Fernando Haddad tornou-se o único candidato capaz de vencer Bolsonaro. Ficarão para outro tempo (sabe-se lá em que circunstâncias…) as avaliações sobre por quê chegamos a isso. Mas como vencer, com Haddad e nas condições que temos, a ameaça fascista? Há dois caminhos claramente definidos.
O primeiro é apostar em mais do mesmo. Implica insistir na polarização entre petismo x antipetismo. Inclui fechar-se a negociações com Ciro, esperando que seja obrigado, por gravidade, a apoiar Haddad no segundo turno. Envolve esperar no segundo turno, além das alianças já estabelecidas com o PMDB, as que previsíveis – com o PSDB e “os mercados”. Uma disputa de segundo turno, entre Haddad e Bolsonaro, será dificílima. Além da oligarquia financeira – e toda sua cadeia de influências –, o candidato fascista terá o previsível apoio da velha mídia, e metade do tempo de TV. Estará na reta final da convalescença. Estas circunstâncias anormais, e facilmente manipuláveis, exigirão uma frente vasta para combatê-lo. A que preço Fernando Henrique Cardoso ou José Serra e um ou outro banqueiro entrarão no barco de Haddad?
Há um caminho alternativo – mas exige pensar outra política. Significa desfazer a polarização que tem como centro o petismo. Implica trocá-la por outra, de fato politizadora, que colocará em confronto o que realmente importa. De um lado, os que nos opomos ao golpe e suas medidas.. De outro, os que querem aprofundá-lo. Esta polarização permite pensar no resgate dos direitos e num novo projeto de país. E extremamente viável, do ponto de vista eleitoral.
Porém, exige mexer um ponto crucial. O petismo (ao qual o PCdoB associa-se cada vez mais) estará disposto a abdicar de sua tentação hegemonista? Saberá enxergar que se tornou uma parte – e não o centro – da luta para superar o capitalismo brasileiro, em sua versão cada vez mais financeiraizada e submissa? Aceitará acenar a algo como uma “Geringonça Brasileira” – um governo de que participem Ciro, Boulos e o vasto leque de movimentos que resistem à agenda de retrocessos? Ou preferirá, como tantas vezes, postar-se ao trono e esperar a adesão por gravidade?
Os cenários e desafios de 2018 são certamente inéditos. Lula é um gênio político – mas não alguém capaz de enfrentar sozinho desafios desta monta. Saberemos, juntos, corresponder ao que temos pela frente?
Farias
19 de setembro de 2018 7:33 pmUma notícia boa
Detalhamento da pesquisa Ibope, divulgada nessa terça-feira, 18, mostra que o candidato do PT a presidente, Fernando Haddad, obteve um crescimento de 137,5% entre o eleitorado feminino em relação ao levantamento anterior, divulgado no dia 11; aumento na intenção de votos saltou de 8% para 19% entre as mulheres
https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/369314/Em-uma-semana-Haddad-cresce-1375-entre-mulheres-diz-Ibope.htm
Alexandre Saraiva
20 de setembro de 2018 12:11 pmVejo que estou no local certo
Estou no local correto, no redulto do Petismo.
serei bastante direto por quem sempre gostou muito de matemática, estatisticas e porcentagem coisa não muito forte entre os amantes das ciências humanas, ou seja, aqui.
Com Haddad vcs perderão essas eleições facilmente porque o Antipetismo, os votos dos jovens esmagadoramente pro bolsonaro, esses 7% pró PSDB jamais migrarão para o PT, repito , Jamais !!!
Haddad chegará no máximo onde Lula estava com pouco menos de votos e com rejeição beirando 40%.
lembrando que na última eleição mesmo com a maquina pública quase perderam pro Aécio Neves.
A esquerda só terá chances com Ciro Gomes , candidato que votarei, e mesmo assim com apoio de vocês, porém com vcs longem, muito longe do candidato Ciro.
Só assim vcs vencerão Bolsonaro.
e tem mais deem print nisso que escrevi e guardem !!!
depois eu volto aqui ..
Vcs estão dando a presidência para um Lunático apenas pelo bem prazer de elevarem o nome do Lula.
vcs estão comentando o maior erro político, esquecendo que partidos, PT, Lula e todo o resto é menor …muito menor que o país.
vcs ficaram loucos tamanho o fanatismo político e vejo com graça vcs apontarem o lado de lá como fanáticos tb … um louco reparando a loucura do outro …
kakakakakakak
Abraços e voltarei aqui …
HenriqueMCZ
19 de setembro de 2018 8:24 pmDe fato a recusa do PT em
De fato a recusa do PT em apoiar o Ciro e insistir no Haddad, motivado de forma egoísta na concentração do poder em si, vai levar o haddad ao 2º turno, mesmo com maior risco de derrota para a esquerda. Risco que seria menor com o Ciro no 2º turno, já que o PDTista revela, nas pesquisas, um melhor desempenho no 2º turno em comparação ao atual candidato petista.
Sem dúvida o “massacre evidente que a mídia promove contra o partido é um fator” que contribui para o antipetismo, mas é preciso reconhecer que a insistência do PT em defender alguns de seus membros que inegavelmente cometaram erros e ilícitos, apoiando-os e não os condenando, fere a credibilidade do partido para com alguns cidadãos mais atentos a congruência dos posicionamentos históricos. A carência brasileira de ética e sanções às infrações é que tem fortalecido pessoas como Amôedo.
Marcus Tulio
19 de setembro de 2018 8:32 pmEsse efeito da transmissão
Esse efeito da transmissão quase imediata de votos do Lula para Haddad parece estranho. Pelo que conheço da metodologia de pesquisas eleitorais e do seu nível de erros nos últimos anos não duvidaria nada de algo proposital. O problema é que falsa ou não, essa pesquisa descarta Ciro e Marina e joga Bolsonaro contra o melhor adversário que ele gostaria de ter.
Rpv
19 de setembro de 2018 8:35 pmPerfeita a análise.
A ampla maioria da população brasileira é contra o golpe (arrocho, desemprego, reforma da previdência, etc.).
Grande parcela dessa “ampla maioria” apoia Bolsonaro.
Bolsonaro é o candidato do golpe e a favor do sistema atual, se fazendo passar por oposição ao establishment.
A campanha dos progressistas e democratas, hoje representada pelo Haddad, precisa apontar essa contradição do Bolsonaro e passar uma mensagem contra o golpe e o sistema, nele incluido o mercado financeiro, rede globo, políticos tradicionais, etc.
Do contrário, isto é, ao se aproximar do “sistema atual golpista” (mercado e cia) pode passar a imagem, para a ampla maioria da população de “mais do mesmo”. Quando na verdade essa figura hoje é o Bolsonaro.
Farias
19 de setembro de 2018 9:39 pmEu assino embaixo
Lula a Mourão: não julgue mães e avós pelo seu conceito medíocre!
“Eu e sete irmãos fomos criados por uma mulher analfabeta!”
(Charge: Gilmar)
Do site do Presidente Lula:
Carta de Lula ao General Mourão
Curitiba, 19 de setembro de 2018
“General Mourão, não julgue avós e mães pobres pelo seu conceito medíocre sobre a espécie humana. Se o senhor já pensava assim não deveria ter chegado a general e muito menos querer ser vice-presidente.
Eu e sete irmãos fomos criados por uma mulher analfabeta chamada Dona Lindu e duvido que exista alguém na sociedade brasileira que educou os filhos melhor do que ela. Pode ter igual, melhor nunca.
General, um conselho, faça um curso sobre o Humanismo.”
Lula
Marcos Videira
19 de setembro de 2018 9:48 pmA aposta do PT beneficia a quem ?
Até a última pesquisa, Ciro é o único que vence o fascista no segundo turno. Ciro vence por seus próprios méritos.
Haddad precisa da transferência de votos do Lula para ir ao segundo turno e, desesperadamente, do Voto Útil para vencer o fascista. Reconheçamos: Haddad é o cara certo na hora errada !!!
O boicote do PT à Frente Democrática, uma posição política egoísta e sectária, agora apela para nossa piedade colocando a opção Democracia x Ditadura. Foi o PT que acolheu, por interesses egoistas, essa polarização odiosa, que na verdade é Petismo x Antipetismo.
Lucinei
19 de setembro de 2018 10:43 pmO qie quer dizwr essa tal
O que quer dizer essa tal “tentaçao hegemoista”? Disputar o poder é “tentaçao hegemonista”? Buscar ter uma maior votação e “tentaçao hegemonista”? Adquirir e exercer o poder por dentro das regras institucionais é “tentaçao hegemonista”?
Já não basta a direita acusando, como se isso fosse xingamento, de “hegemonico” um partido que jamais teve sequer 1/6 do Legislativo e com uma maquina de propaganda na grande imprensa toda contra? Tonha que ser menor e insignificante, é isso? Pra direita é obvio que a resposta é sim.
“Partiram pra cima” do PT, PT, PT pura e simplesmente porque é o maior partido do campo da esquerda. Felizmente nem todos na esquerda nanica se cegaram para o fato.
Já passou da hora de pararem de ficar fazendo critica e autocritica na esquerda e enfrentarem a direita que só cresce.
Farias
19 de setembro de 2018 11:03 pmHaddad imita Lula e floripa gosta
Postado no Conversa Afiada
[video:https://youtu.be/H8dAttdO7t0%5D
Hildermes José Medeiros
20 de setembro de 2018 1:22 amComo falar tanto para dizer
Como falar tanto para dizer besteiras. Em primeiro lugar, a pesquisa ao mostrar o crescimento vertiginoso de Haddad em apenas sete dias, mais de 1,5% ao dia, perfazendo 11%, indica também que Bolsonora não cresceu, variou dentro da margem de erro de 2%, indo de 24% para 26%. No segundo turno, nessa mesma pesquisa, seu melhor comportamento deve-se ao rearranjo dos votos, exatamente pela ascenção de Haddad, que não se sustenta, mais à frente, só ver que brancos e nulos reduziram. Que interesse impõe essa distorção sem sentido? Claro, que não é para os apoiadores de Haddad chorarem, mas realmente, nada de ufanismo. Antes de tudo, Lula continua preso, mas o resultado da pesquisa mostra que como já visto pela Vox Populli, no dia 13/09, Haddad já pontuava 22% e Bolsonaro 18%. O Ibope e o DataFolha, velhos conhecidos e instrumentos da Globo & cia., tudo indica estão fazendo política com os números, mais a indicação, basta ver a inclinações das curvas, não demora, esses resultados da Vox serão atingidos e ultrapassados. Dependendo da velocidade de crescimento e se for antecipado o voto útil, grandes chances de tudo se resolver no primeiro turno.
alexis
20 de setembro de 2018 9:39 amManchetes e estratégia
A F de SP na manchete: “Ciro lidera no 2º turno”, segue o jogo comentado ontem aqui de tentar dividir o voto útil da esquerda e frear a explosão de votos em Haddad, provavelmente com algum apoio da própria “Data-falha”, instituto que “errou” em 63% das predições em 2014. Ciro está no seu direito de lutar pela vaga, mas, ao receber apoio da mídia para isso parece-me que o sistema procura um plano B do B. A conferir.
Anarquista Lúcida
20 de setembro de 2018 9:29 pmEsse “mimimi” cirista irrita
Ah, o PT é culpado. De nao desistir de ser um partido e nao abdicar em favor de Ciro… Fala sério.