
A pragmática, o desemprego, o desalento e a Folha de S.Paulo
por Madrasta do Texto Ruim
Além da sintaxe e da semântica, a linguística também estuda a pragmática da frase, ou seja, a disposição dos dados de uma oração. Ponham reparo:
1) Eu tomo café todo dia
2) Café, eu tomo todo dia
3) Todo dia, eu tomo café.
A introdução deste texto já meio que deu um spoiler pra pergunta que eu vou fazer agora: A informação das três frases acima é a mesma? A resposta é não. Temos os mesmos dados linguísticos nas três frases, sintaticamente classificados da mesma forma (eu = sujeito; café = objeto direto; todo dia = adjunto adverbial de tempo). Mas a disposição desses dados dá a ênfase pro que eu quero que você pense. Essas três frases contêm três tópicos diferentes. Em 1, a oração conta o que eu faço; em 2, fala de café; em 3, da periodicidade de uma determinada ação.
A primeira palavra da oração, ou o tópico pragmático (que os jornalistas chamam de o abre da manchete) revela o assunto da dita. E não me venham falar em ain, é a ordem inversa porque isso é desculpa esfarrapada de professor pra não explicar direitinho os paranauês da mudança de ordem dos constituintes de uma oração! É Pragmática que chama!
Então, se a digníssima Folha de S. Paulo estampa em sua capa de sexta-feira [https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/05/desalento-recorde-limita-alta-na-taxa-de-desemprego-diz-ibge.shtml] a manchete
Desalento recorde limita alta na taxa de desemprego, diz IBGE ,
Temos uma manchete que não fala de desemprego nem de IBGE, mas de desalento. E, ao menos prototipicamente, desalento não tem nada a ver com desemprego. Então, por que não estampar a manchete
Desemprego só não é maior por causa do ‘desalento’, diz IBGE ?
(Manchete é um troço contado em caracteres. Então, a manchete da Folha tem 62 caracteres; a minha tem 60. Diferença mínima para ocupar o espaço destinado ao título da matéria. De nada.)
Flavio Martins e Nascimento
21 de maio de 2018 11:38 amÉ resumo do ‘jornalismo’
É o resumo do ‘jornalismo’ brasuca: muito mais neurônio queimado e tempo gasto para ‘armar’ um lead, do que para simplesmente informar, ou melhor explicar os fatos como são.
Tem uns caras nuns jornalecos aí que precisam de uma madrasta má mesmo, para distribuir umas chineladas. Sem metáfora!!!
Vladimir
21 de maio de 2018 11:42 amPerda de tempo analisar
Perda de tempo analisar qualquer coisa de um panfleto que escolheu um rato como mascote e,depois,achando que havia “evoluído”,adotou uma môsca.
Jose mestre Carpina
21 de maio de 2018 11:59 amé a..
“FALHA” DE SÃO PAULO !!
Naldo
21 de maio de 2018 12:25 pmO jornal do rato morreu faz
O jornal do rato morreu faz tempo….
É um zumbi fétido teimando em deitar…..
Eduardo Outro
21 de maio de 2018 12:42 pmMas, mas, Madrasta, a sra. é
Mas, mas, Madrasta, a sra. é culta, inteligente, bem informada, certamente sabe com quem está lidando. Interessa à Folha falar de desemprego ? Os que a leem atualmente são aposentados que não mais tem preocupação com emprego. Mais, são bem velhinhos, lotam uma kombi e produzem a maior dúvida na Barão de Limeira: “Quem morrerá primeiro, os da kombi, deixando o Jornal sem leitores, ou o Jornal, deixando os velhinhos sem o que ler ?”. (Esclarecimento mais do que necessário: Uma senhora que, com sacrifício enorme, “pagineia” esse jornal talvez na esperança, coitada, de encontrar um texto bom, é digna da maior admiração, é atividade profissional, não entra na estatística de kombi não). E, esclarecimento mais ainda necessário : A culpa de verdade pelo desemprego é o desempregado. Se este não existisse, aquele também não (Nem Socrates, Platão e Aristoteles juntos conseguiriam um pensamento tão elevado). O desalentado não passa de um vagabundo que não quer trabalhar, não tem um pingo de meritocracia. Há trabalhos acadêmicos consistentes, de sociólogos da atualidade, provando que procedem em grande parte da Nacão Quilombola, não servindo sequer para procriar.
Letícia Sallorenzo
21 de maio de 2018 5:26 pmÔ fio…
o “o quê” e o “por
Ô fio…
o “o quê” e o “por quê?” Eu entendo, nem vou entrar nessasconsiderações.
me dou aqui ao trabalho de explicar o “como?” Da coisa!
Photios Andreas Assimakopoulos
21 de maio de 2018 1:20 pmNunca imaginei
Algumas coisas, apesar de ter comemorado meu quase sesquicentenário, conseguem surpreender. Nunca imaginei que os dados estatísticos da quantidade de pessoas desempregadas dependesse do humor das pessoas sem emprego. Quando ouvi isso do Usurpador, imaginei que fosse uma besteira de hábito, como: “vou ser canditado à reeleição”, ” o Brasil voltou 20 anos em 2″ dentre outros quetais.
Sério que não é piada? Comemorar o desalento que diminui o desemprego?
Só falta recomendarem Biotônico Fontoura para essa situação.
Que chineladas nada. Melhor um azorrague nessas pessoas que culpam o trabalhador. A culpa NÃO é do desempregado.
Rpv
21 de maio de 2018 2:13 pmA Folha até poderia agradecer
A Folha até poderia agradecer a Madastra caso seu objetivo fosse informar.
Mas seu objetivo é outro. É deformar, ou melhor, propagandear suas ideias. Assim, une o útil – ganhar dinheiro -, com o agradável – satisfazer sua alma conservadora*.
* Para o conservador, quem tem muito deve ganhar ainda mais e, quem tem pouco, até isso deve perder para aqueles que tem muito. É uma espécie de lei divina. Todo rio, por menor que seja, sempre corre para o imenso mar. E assim deve funcionar a sociedade. Os pobres devem perder, para os ricos ganhar. Se não for em termos absolutos, pelo menos que seja relativamente.
Renato Lazzari
21 de maio de 2018 2:25 pmLi numa dessas milhares de
Li numa dessas milhares de TVs da empresa “Eletromídia”, Madrasta, que fica passando mini-micro-clipes de notícia nas praças de alimentação de shoppings, elevadores de prédios de consultórios, nos ônibus e nos trens do metrô… em todo lugar:
“Folha: Dados históricos apontam que a recuperação econômica nunca foi tão pequena.”
Chega a ser gozado como essa firma consegue enfiar o termo “recuperação” numa frase que aponta que está tudo indo prás cucuias. Isso sem considerar a imagem de fundo da tal “notícia”, hein?
(***)
O futuro chegou e já passou. Para onde quer que você olhe tem um aparelho audio visual mostrando a cara do Grande Irmão a martelar mentiras criadas pela iniciativa privada do dólar disfarçada de estado.
Pena… a gente não podia ter deixado a iniciativa privada se apoderar dos estados nacionais. Que sirva de lição: privatista em cargo público nunca mais!
PauloBR
21 de maio de 2018 8:40 pmDesta vez, a coisa é mais simples.
O que a Folha fez foi colocar uma frase inteira “diminui o índice de desemprego no país” logo depois de “desalento recorde”, expressão que não faz muito sentido para muita, muita gente. A mensagem que é “entendida” pelo leitor apressado ou com dificuldade de leitura, portanto, é: “diminui o índice de desemprego no país”. Bingo!
Mais ou menos como dizer: “Defenestrado covardemente, fulano foi atirado pela janela”. Pouca gente perceberá o pleonasmo…
Lembro que “país”, em referência ao Brasil, deveria ser escrito com maiúscula. Mas do jeito que a realidade vai, para que ser purista com a língua portuguesa?
AMORAIZA
23 de maio de 2018 1:35 amAnálise gramatical
Tivesse eu que fazer análise gramatical de qualquer texto, sob qualquer aspecto e eu deixaria de escrever.
Só tive essa paciência até os 15 anos, aliás, por obrigação curricular.
Mas, cara madrasta, nem por isso vou me privar da palavra.
Até em respeito ao citado pragmatismo, vejo que esse título peca pela falta de lógica,
A afirmação:
“Desalento recorde diminui o índice de desemprego no país”
não faz o menor sentido quando é fato notório que o desalento aumenta o índice de desemprego
Mais que contraditória, a manchete ficou mentirosa.