31-7-1935
O Rei, cuja coroa de oiro é luz
Fita do alto trono os seus mesquinhos.
Ao meu Rei coroaram-nO de espinhos
E por trono Lhe deram uma cruz.
O olhar fito do Rei a si conduz
Os olhares fitados e vizinhos
Mas mais me fitam, e mortas sem carinhos,
As pálpebras descidas de Jesus.
O Rei fala, e um seu gesto tudo prende,
O som da sua voz tudo transmuda.
E a sua viva majestade esplende;
Meu Rei morto tem mais que majestade;
Diz-me a Verdade aquela boca muda;
E essas mãos presas dão-me a Liberdade.
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Adotou-se neste poema, a versão que tem como fonte a Tese de Doutorado de Carlos Pittella-Leite, Pequenos infinitos em Pessoa: uma aventura filológico-literária pelos sonetos de Fernando Pessoa. A estrutura deste soneto “diverge grandemente da edição da INCM (PRISTA, 2000)”; quanto aos versos 13 e 14, seguem a leitura da organizadora deste volume (*), “que identificou no manuscrito suas variantes finais”.
(*) Cleonice Berardinelli, Fernando Pessoa Antologia Poética, p.73,74, 1ª ed. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2012.
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