Para Roberto Romano, instituições nunca estiveram tão frágeis

Em entrevista, filósofo diz que recentes arroubos de Bolsonaro mostram que ele ‘não está controlando a si mesmo nem o Executivo’

O filósofo Roberto Romano. Foto: Reprodução

Jornal GGN – Os recentes arroubos autoritários do presidente Jair Bolsonaro mostram que ele “não está controlando a si mesmo nem a máquina do Executivo”, ao passo que o Estado brasileiro apresenta uma fragilidade jamais registrada.

A afirmação é do filósofo Roberto Romano, professor de ética e política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em entrevista ao jornal Correio Braziliense. “Quem acompanhou a vida política do Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados e desde o período que ele pertencia ao Exército, nota que ele tem traços muito graves daquilo que o Teodoro Adorno chamaria de personalidade autoritária”, afirma.

“Ele nunca se deu ao trabalho de ter um trato parlamentar no sentido mais clássico da palavra, de agregar, de votar, de discutir. Sempre foi peremptório, passando palavras de ordem, não aceitando o contraditório, o que é complicadíssimo na vida parlamentar”, detalha. “E, quando foi eleito, certamente aquele episódio do atentado contra ele criou uma expectativa muito grande, e isso dava para notar naquele momento, de um certo messianismo. Isso foi exasperado pelos setores chamados evangélicos, que o apoiam, e que, inclusive, fizeram trocadilho com seu nome, o Messias, e tudo mais. Somado a um tipo de personalidade que não pergunta, não dialoga, não discute e não propõe, além do fervor religioso, só poderia ter um governo de cunho autoritário”.

Romano também aborda a insistência de Bolsonaro de, sob o aumento de preservar a economia, acabar com o isolamento social – levando muitos seguidores do presidente a se exporem ao coronavírus.

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“O presidente incentiva os seus seguidores a assumirem uma atitude altamente perigosa contra a imprensa, contra as outras instituições; ele é uma espécie de team leader, ele puxa o coro, ele comanda e puxa o coro. Olha, se não tivéssemos essa pandemia, nós estaríamos em um pandemônio. Imagine todos aqueles que são ofendidos, furiosos com os adeptos dele andando pelas ruas”.

Para o filósofo, o presidente Bolsonaro vai sair menor da pandemia do coronavírus. “Nem ele nem seus assessores estão contando com isso, mas acontece que, por menor que seja, o papel do Brasil na cena internacional, hoje o país é visto com olhos muito críticos por todos os Estados do mundo (…) Ilude-se a pessoa que imagina que, chegando ao ápice do Estado nacional, não terá de enfrentar outros Estados e o juízo de outros Estados. E a performance de Bolsonaro tem sido tremendamente pobre”.

 

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2 comentários

  1. Se Bolsonaro não controla a si e nem a máquina, quem está no controle? Penso que refletir publicamente sobre essas questões faz parte do direito à informação necessário à busca de saídas democráticas dessa imensa crise em que mergulhamos. Onde está a imprensa de ampla abrangência oferecendo aos cidadãos as diversas visões sobre o momento presente?

  2. Quem controla e “bota pilha” no adolinquente são os filhotes zero à esquerda.
    “Papai, vc vai aceitar isso e aquilo? Vai lá e manda tomo mundo TNC!”
    E papai, envergonhado da farsesca macheza que procurou exibir pros filhotes na educação milico-milicianada que lhes deseducou, sob o risco de se mostrar um banana, vai.
    Com aquela entonação “falso-lacradora” e expressão corporal que hipnotiza os mínions do seu cercadinho palaciano e suas redes virtuais intoxicadas.

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