5 de junho de 2026

Na terça, governo anuncia Plano Safra superior a R$ 400 bi

Plano Safra 2023/2024 supera em quantia planos anunciados durante o governo anterior. Lula fará o anúncio no Palácio do Planalto  
Responsável por grande parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, a agricultura familiar responde por 77% do número total e 23% da área de estabelecimentos rurais no Brasil. Foto: Acervo FAO

Na próxima terça-feira (27), o governo federal anunciará o novo Plano Safra, do biênio 2023/2024, ultrapassando a marca dos R$ 400 bilhões, maior do que a quantia dos planos anunciados durante o governo de Jair Bolsonaro. 

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Os recursos do Plano Safra bilhões 2022/2023 foram de R$ 340,9 bilhões, já em 2021/2022 foram R$ 251,22 bilhões. No primeiro ano da gestão Bolsonaro, o plano de 2019/2020 ficou em R$ 225,59 bilhões. 

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Carlos Fávaro, antecipou a informação que será anunciada na próxima semana na segunda-feira (19), ao falar a respeito do Plano Safra 2023/2024, programa para custeio e financiamento da produção agropecuária.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, esteve ao lado de Fávaro no anúncio, durante reunião com a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), e tratou dos dados relativos aos pequenos e médios agricultores.

Ele informou que os valores do Plano Safra da Agricultura Familiar 2023/24 também foram estabelecidos e serão superiores aos da temporada atual (R$ 53,61 bilhões), porém não revelou informações específicas.

Boas práticas, menos juros

O orçamento para a equalização de juros à Agricultura Familiar será aumentado, explicou Teixeira, mas a taxa de financiamento para os pequenos produtores permanece no patamar atual de 6% ao ano.

Como será uma prática na disponibilização dos recursos do Plano Safra, “boas práticas” ambientais serão recompensadas, e no caso dos pequenos agricultores o benefício será destinado à redução de juros. Ou seja, o patamar de 6% ao ano pode cair. 

No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), do Plano Safra vigente, foram disponibilizados R$ 43,75 bilhões. Destes, 37,6 R$ bilhões para custeio e comercialização e R$  6,09 bilhões para investimento, com juros de até 8% ao ano.

Questão ambiental

O governo quer conceder benefícios a proprietários com inscrição ativa no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e adotar práticas de reflorestamento, por exemplo. No entanto, ainda falta a definição dos mecanismos. 

“Acho que vai [ser superior a R$ 400 bilhões]. O que falta acertar, que são os últimos detalhes, são os prêmios para as boas práticas de sustentabilidade feitas pelos produtores brasileiros”, declarou o ministro da Agricultura e Abastecimento, Carlos Fávaro. 

O ministro confirmou ainda recursos para investimento em armazenamento de grãos. “Será ampliada a linha de crédito para armazéns também”, disse, ao se referir às linhas de crédito criadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).  

Em abril, o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, anunciou a criação de uma linha em dólar, com taxa fixa de 7,59% ao ano, para financiar a compra de maquinários e outros equipamentos agrícolas. 

Cerimônia no Planalto 

Todo o conteúdo do plano será anunciado em cerimônia no Palácio do Planalto, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que durante esta semana cumpriu agendas na Itália e na França. 

De acordo com Fávaro, os valores do Plano Safra foram definidos na segunda, antes da viagem do presidente Lula. 

O programa é definido por representantes do governo e tem duração de um ano, entra em vigência sempre no dia primeiro de julho de cada ano e segue até o dia 30 de junho do ano seguinte. 

Conforme o Ministério da Agricultura e Abastecimento, o Plano Safra atende a um terço das necessidades de uma safra. 

Qualquer produtor pode ter acesso às linhas de financiamento oferecidas pelo governo federal por meio das instituições financeiras credenciadas.

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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