O presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Antonio Corrêa de Lacerda, falou ao Jornal do Economista sobre os desafios que o próximo governo deve enfrentar após a devastação econômica deixada pela gestão de Jair Bolsonaro (PL). Leia abaixo:
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por Antonio Corrêa de Lacerda
A semiestagnação do crescimento econômico e o baixo nível de investimentos geraram um passivo social imenso: 27 milhões de brasileiros estão fora do mercado de trabalho, cerca de um quarto da População Economicamente Ativa; mais de 60 milhões padecem de insegurança alimentar, sendo que 33 milhões enfrentam a fome diariamente. Há ainda déficits nas áreas ambiental e dos serviços públicos, como saúde, saneamento, educação, segurança e mobilidade, após o retrocesso de 2019-2022. O atropelo e desintegração do Estado Democrático de Direito, das instituições e da Constituição são notórios.
Reconstruir o País e a Nação envolverá a premência de um governo federal determinado e comprometido com a mudança. Mas também no âmbito estadual, tanto o Executivo quanto o Legislativo terão papel relevante. A própria sociedade também tem sua parcela de responsabilidade e precisa ser mais proativa.
Sob o ponto de vista da política econômica, superar nossas mazelas implicará uma profunda mudança de rumos. Daí a importância do financiamento para a retomada do crescimento da economia brasileira. Especialmente em um momento em que a economia brasileira vive os desafios oriundos da pandemia de Covid-19, que afetou a todos, mas particularmente o Brasil; os reflexos da guerra Rússia-Ucrânia, a nova configuração geopolítica, que tem trazido inclusive implicações para as cadeias internacionais de suprimentos; tudo isso nos coloca enormes desafios, mas também oportunidades para o desenvolvimento brasileiro.
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