Superlucros, feudos digitais e o trabalho que ninguém vê: uma leitura crítica de Capitalismo Superindustrial, de Fernando Haddad
por Erik Chiconelli Gomes
O capitalismo que acelera e a ilusão do lucro ordinário
Fernando Haddad publicou, pela editora Zahar, o livro Capitalismo Superindustrial, obra que reúne, com adaptações, as teses de seu mestrado e doutorado em Filosofia defendidos nos anos 1990. O livro se propõe a três objetivos entrelaçados, conforme aponta a resenha de Celso Rocha Barros na revista Piauí (edição 233, de fevereiro de 2026). Primeiro, demonstrar que existem caminhos distintos para a modernidade capitalista e que a trajetória de cada país ao ingressar nesse sistema influencia seu desenvolvimento posterior. Segundo, oferecer uma caracterização do que foram as experiências socialistas do século XX na União Soviética e nos países que nela se inspiraram. Terceiro, propor uma explicação sobre o capitalismo contemporâneo, ao qual o autor dá o nome de “superindustrial”.
O argumento que aqui mais interessa, e que mobiliza o trecho inédito publicado na Folha de S.Paulo, diz respeito à tese de que o capitalismo não foi superado, mas sofreu uma transformação de tal magnitude que exige uma requalificação conceitual. Para Haddad, o ponto de inflexão se localiza na mercantilização do conhecimento. Assim como Karl Polanyi identificou a conversão da terra, do dinheiro e da força de trabalho em “mercadorias fictícias”, a novidade do nosso tempo seria a transformação do conhecimento em fator privado de produção. Essa quarta grande transformação, que Polanyi não chegou a cogitar, estaria na raiz das disputas contemporâneas em torno da propriedade intelectual e dos rendimentos que dela derivam.
A centralidade dos ativos intangíveis na argumentação de Haddad se sustenta em dados conhecidos pela literatura econômica. Em meados dos anos 1990, o investimento intangível ultrapassou o investimento tangível nos Estados Unidos, tendência que se ampliou para outras economias desenvolvidas. Patentes, marcas, direitos autorais, arranjos organizacionais e softwares passaram a representar uma parcela crescente do PIB, especialmente nos países mais integrados ao mercado global e com sistemas nacionais de inovação estruturados. O economista Alain Herscovici, em estudo publicado na Revista de Economia Política, já havia demonstrado que o capital intangível não representa trabalho cristalizado no sentido clássico e que seu valor monetário não mantém relação estável com um valor “real” subjacente (HERSCOVICI, 2007). Essa observação coloca em tensão as categorias tradicionais da economia política, algo que Haddad reconhece mas resolve de modo próprio.
O ponto mais original da tese de Haddad reside na formulação sobre a relação entre lucro e renda. Para ele, quando a inovação deixa de ser um evento esporádico e passa a ser produzida continuamente por equipes criativas contratadas pelas empresas, o superlucro, que classicamente era temporário, transforma-se num fluxo regular. A aceleração do processo inovativo cria o que o autor descreve como uma “ilusão de ótica”, na qual uma sucessão rápida de lucros extraordinários assume a aparência de renda. A metáfora é precisa em termos cinematográficos. Uma sucessão de fotografias, quando projetada em velocidade suficiente, converte-se em filme. O que era descontínuo passa a parecer contínuo. O extraordinário se torna ordinário.
Essa formulação entra em disputa direta com a tese de Yanis Varoufakis, exposta no livro Tecnofeudalismo. Para o economista grego, os rendimentos das grandes plataformas digitais não são lucro, mas renda, no sentido feudal do termo. As plataformas de comércio digital funcionariam como feudos, onde capitalistas tradicionais se convertem em vassalos e os usuários em servos que trabalham gratuitamente alimentando o capital-nuvem. Haddad rejeita essa interpretação. Para ele, os rendimentos das empresas inovadoras, mesmo que aparentem ser renda, continuam sendo lucro, pois derivam da exploração do trabalho e da inovação contínua, não do controle estático de um recurso de oferta fixa. A renda, nos termos de Haddad, seria capitalista e nada teria de feudal.
O sociólogo Ricardo Antunes, em diversas intervenções sobre o trabalho nas plataformas digitais, chamou atenção para o fato de que a precarização e a uberização representam formas atualizadas de extração de valor que mantêm a lógica do assalariamento disfarçado (ANTUNES, 2020). Vitor Filgueiras e Sávio Cavalcante, em artigo publicado na Revista Direito e Práxis, demonstraram que as plataformas digitais de trabalho operam sob um discurso de inovação que oculta a permanência de velhas formas de subordinação e exploração (FILGUEIRAS; CAVALCANTE, 2020). Essas críticas são relevantes porque expõem aquilo que a análise de Haddad reconhece apenas parcialmente. Se a inovação é produzida por equipes criativas que transformam a novidade em rotina, quem são esses trabalhadores? Em que condições exercem seu ofício? Qual é o preço que pagam pela aceleração permanente que alimenta os superlucros das empresas líderes?
A leitura que Celso Rocha Barros faz na Piauí é generosa e atenta. O resenhista observa que boa parte do livro foi extraída de trabalhos acadêmicos, as teses de mestrado e doutorado, e que alguns trechos retirados da filosofia de Ruy Fausto são desafiadores para o leitor comum. Barros também destaca que Haddad propõe um debate entre Marx e Habermas, “dando mais razão para o alemão mais velho”. Há capítulos escritos especialmente para o livro que atualizam a discussão e amarram os argumentos. A melhor parte do livro, segundo Barros, é a dedicada à história da discussão marxista sobre o tipo de sociedade que existia na União Soviética, onde Haddad reconhece na experiência soviética um caso particular de acumulação primitiva de capital. A contribuição de Branko Milanović e seu livro Capitalismo sem rivais (Todavia, 2020) é mobilizada para dialogar sobre o caráter permanente desse processo acumulativo.
O mérito de Haddad, segundo Barros, está na leitura de Trótski e na ênfase sobre o caráter transitório da dominação burocrática. Para o líder revolucionário, a burocracia seria capaz de realizar, com brutalidade e selvageria, a tarefa da industrialização soviética. A industrialização consolidada produziria, por sua vez, novas unidades produtivas que escapariam ao controle do sistema. Essa análise interessa porque o próprio Haddad reconhece que a incorporação da ciência como força produtiva e como núcleo dinâmico da acumulação é o ponto central do capitalismo contemporâneo. As empresas de software são o caso mais evidente, mas o fenômeno se estende a toda atividade econômica submetida à lógica dos intangíveis.
Tabela 1. Comparativo entre as abordagens teóricas discutidas em Capitalismo Superindustrial
| Dimensão | Fernando Haddad (Capitalismo Superindustrial) | Yanis Varoufakis (Tecnofeudalismo) | Teóricos do Capitalismo Cognitivo (Negri, Vercellone, Gorz) |
| Natureza do sistema atual | Capitalismo superindustrial, com caráter industrial expandido a todas as esferas | Tecnofeudalismo, sistema pós-capitalista baseado em feudos digitais | Capitalismo cognitivo, com hegemonia do trabalho imaterial |
| Tipo de rendimento dominante | Superlucro ordinário (fluxo contínuo de lucros extraordinários) | Renda da nuvem (cloud rent), de natureza feudal | Renda do conhecimento, com disputa sobre sua natureza |
| Papel da inovação | Endógena, produzida por equipes criativas dentro da empresa | Secundária frente ao controle monopolista das plataformas | Difusa na sociedade, produzida pelo general intellect |
| Relação com Marx e Polanyi | Mercantilização do conhecimento como quarta grande transformação (Polanyi) | Superação do capitalismo pelo capital-nuvem | Crise da lei do valor pelo trabalho cognitivo |
| Papel do trabalhador | Profissionais criativos que sustentam a empresa líder no topo | Servos digitais que trabalham sem remuneração para alimentar plataformas | Intelectualidade difusa como nova força produtiva |
| Configuração de classe | Crescente desigualdade entre empresas líderes e demais | Senhores do capital-nuvem, vassalos capitalistas e servos digitais | Cognitariado versus proprietários do conhecimento cercado |
| Perspectiva sobre o Estado | Sistema nacional de inovação como suporte da acumulação | Estado cooptado pelo capital-nuvem após 2008 | Regulação necessária para evitar cercamento do conhecimento |
| Uso do prefixo | “Super” (reafirma o capitalismo, distancia do “pós”) | “Tecno” + “feudalismo” (indica ruptura com capitalismo) | “Cognitivo” (enfatiza a natureza do trabalho) |
Fonte: Elaboração do autor a partir de Haddad (2026), Varoufakis (2024), Barros (2026), Negri e Vercellone (2008) e Gorz (2005).
Renda, lucro e a disputa conceitual sobre o capitalismo do nosso tempo
O debate sobre a natureza dos rendimentos oriundos dos ativos intangíveis ocupa lugar de destaque na teoria econômica e social das últimas décadas. A questão não é meramente terminológica. Definir se o rendimento das grandes corporações de tecnologia constitui lucro ou renda implica posicionar-se sobre a continuidade ou ruptura do modo de produção capitalista. Haddad insiste que se trata de lucro, ainda que com uma forma nova. Os teóricos do capitalismo cognitivo, como André Gorz e Carlo Vercellone, argumentam que o custo de reprodução do conhecimento tende a zero e que os direitos de propriedade intelectual criam escassez artificial, gerando rendas que bloqueiam a difusão livre do saber. Varoufakis radicaliza a hipótese e afirma que estamos diante de um sistema diferente, onde a renda substituiu o lucro como motor da acumulação.
A historiografia econômica tem contribuído para situar esse debate em perspectiva mais ampla. O conceito de acumulação primitiva permanente, desenvolvido por Carlos Brandão a partir dos escritos de Marx e Rosa Luxemburgo, e reelaborado por David Harvey sob a categoria de “acumulação por espoliação”, oferece um enquadramento que o livro de Haddad mobiliza parcialmente. A seção sobre a experiência soviética e chinesa, que Barros considera a melhor do livro, examina como diferentes trajetórias nacionais de entrada no capitalismo produziram configurações distintas de acumulação. Nakatani Filho e Paulani, em artigo na revista Economia e Sociedade, demonstraram que o capitalismo contemporâneo se caracteriza por práticas espoliadoras permanentes que coexistem com a reprodução ampliada do capital (NAKATANI FILHO; PAULANI, 2006). No caso brasileiro, essa coexistência se manifesta de modo agudo.
O que está ausente na análise de Haddad, e que uma perspectiva atenta à experiência concreta dos trabalhadores permite perceber, é o custo humano da aceleração permanente. A transformação da inovação em rotina não é um processo abstrato. Ela se realiza por meio de jornadas extensas, pressão por resultados, competição interna e formas de controle algorítmico que reconfiguram a subordinação do trabalho ao capital. A “massa crítica” de profissionais que as empresas líderes contratam para se manter no topo não opera num vácuo social. Esses trabalhadores criativos vivem sob regimes de esgotamento que a sociologia do trabalho tem documentado amplamente. A economia digital não aboliu a exploração. Ela a reformulou.
Herscovici, em outro estudo publicado nos Novos Estudos CEBRAP, observou que na economia imaterial a escassez deixa de ser natural e passa a ser artificialmente construída por meio dos direitos de propriedade intelectual. É a relação causal inversa. Primeiro se criam os direitos e depois se define o que será escasso. Isso tem implicações sérias para a configuração de classe que Haddad descreve. Se os superlucros decorrem da capacidade de proteger ativos intangíveis da contestação, então o sistema jurídico de patentes e propriedade intelectual, consolidado pelo acordo TRIPS de 1994, não é um mero acessório. Ele é constitutivo da dinâmica de acumulação. A disputa histórica sobre quem detém os direitos patrimoniais sobre a inovação, se os técnicos assalariados ou a empresa que os contratou, é uma disputa sobre a apropriação do trabalho, não sobre a natureza do rendimento.
A comparação entre o cenário brasileiro e o de outras economias permite perceber as assimetrias que a tese do capitalismo superindustrial reconhece mas não desenvolve com profundidade. O Brasil se insere nessa dinâmica global de maneira periférica, com um sistema nacional de inovação fragmentado e investimentos em pesquisa e desenvolvimento bem abaixo da média da OCDE. A tabela a seguir sintetiza essas diferenças.
Tabela 2. Comparativo entre Brasil e outros cenários na dinâmica do capitalismo superindustrial
| Dimensão | Estados Unidos | China | União Europeia | Brasil |
| Investimento intangível/PIB | Alto (acima de 14%) | Crescente (acima de 8%) | Médio-alto (entre 10-12%) | Baixo (abaixo de 3%) |
| Sistema de inovação | Consolidado, com forte coinvestimento público-privado | Dirigido pelo Estado, com metas de longo prazo | Diversificado, com assimetrias regionais | Fragmentado, com baixa articulação público-privada |
| Tipo de inserção | Produção e exportação de intangíveis | Produção industrial combinada com avanço tecnológico acelerado | Misto, com fortes setores industriais e de serviços | Exportação de commodities e consumo de intangíveis importados |
| Regulação da propriedade intelectual | Legislação robusta, protagonismo na definição de regras globais (TRIPS) | Adaptação seletiva, com proteção variável | Regras harmonizadas com padrão elevado de proteção | Adesão às regras internacionais com baixa capacidade de negociação |
| Impacto sobre o trabalho | Concentração de renda entre empresas líderes, precarização da base | Industrialização massiva com controles estatais sobre plataformas | Tentativas de regulação do trabalho em plataformas | Uberização acelerada, informalidade e ausência de proteção |
| Configuração da desigualdade | Desigualdade crescente entre setores e regiões | Desigualdade regional persistente, com avanços na renda média | Desigualdade moderada com proteção social variável | Desigualdade estrutural, com acumulação primitiva permanente |
Fonte: Elaboração do autor a partir de dados da OCDE, Banco Mundial e referências bibliográficas citadas.
O que fica de fora quando se olha apenas para o topo
Capitalismo Superindustrial tem o mérito de recusar as saídas fáceis do prefixo “pós”. Ao nomear o sistema como superindustrial, Haddad reafirma que estamos diante de uma continuidade, não de uma ruptura. Isso o distingue de Varoufakis e de boa parte da literatura que vê no domínio das plataformas a emergência de algo qualitativamente distinto. O problema é que a reafirmação do caráter capitalista do sistema, embora correta, não basta para dar conta das transformações efetivas que o trabalho atravessa. A categoria de superlucro ordinário é engenhosa, mas carrega consigo o risco de naturalizar o extraordinário. Se o superlucro se torna fluxo ordinário, o que acontece com os trabalhadores que o produzem? Eles também se tornam ordinários?
A experiência dos trabalhadores de plataformas no Brasil oferece um contraponto vívido às abstrações conceituais do debate entre lucro e renda. Entregadores de aplicativo, motoristas, trabalhadores do cuidado mediados por plataformas digitais, desenvolvedores freelancers em marketplaces globais de software. Todos vivem uma realidade na qual a subordinação ao capital se manifesta por meio de algoritmos, avaliações de desempenho automatizadas e contratos unilateralmente definidos. A tese de que a inovação endógena produz superlucros não é falsa. Ela é incompleta. Porque para cada equipe criativa que inova numa empresa líder, há uma cadeia de trabalhadores invisibilizados que sustenta a infraestrutura dessa inovação. Os cabos submarinos que carregam dados, os data centers que processam informações, as linhas de montagem de componentes eletrônicos na Ásia. A aceleração do topo depende da precarização da base.
A escolha de Haddad pelo conceito de “mercadoria fictícia” para descrever o conhecimento é teoricamente consistente, mas politicamente ambígua. Se o conhecimento é uma mercadoria fictícia no sentido de Polanyi, então sua mercantilização produz necessariamente um contramovimento, uma reação da sociedade para proteger-se da destruição causada pelo mercado autorregulado. Onde está esse contramovimento no livro? A discussão sobre os sistemas nacionais de inovação aparece como moldura institucional, não como arena de conflito. O Estado é apresentado como coinvestidor, não como campo disputado por interesses antagônicos. Essa ausência é significativa. O livro descreve com rigor o funcionamento do capitalismo superindustrial, mas diz pouco sobre quem resiste a ele e de que forma essa resistência se organiza.
A velocidade com que o livro de Haddad chegou ao mercado editorial, num momento em que o autor ocupa o Ministério da Fazenda, inevitavelmente projeta sobre a obra uma leitura política que extrapola seus méritos acadêmicos. Não é possível dissociar completamente o intelectual do gestor público, e a tese do capitalismo superindustrial inevitavelmente será lida como uma justificativa teórica para determinadas escolhas de política econômica. Isso não invalida o argumento, mas exige do leitor atenção redobrada. Um livro que propõe categorias para nomear o mundo em que vivemos é também um instrumento de intervenção nesse mesmo mundo. A escolha por “superindustrial” em vez de “tecnofeudalismo” ou “capitalismo cognitivo” não é neutra. Ela implica que o sistema pode ser reformado por dentro, pela via institucional, sem que seja necessário reconhecer uma ruptura que exigiria respostas mais radicais.
O que se percebe, ao fim dessa leitura, é que a disputa entre lucro e renda, entre capitalismo e pós-capitalismo, entre superlucros e feudos digitais, obscurece uma pergunta anterior que nenhuma dessas formulações teóricas responde satisfatoriamente. A pergunta é sobre a experiência vivida por quem trabalha. Os nomes que damos ao sistema importam menos do que as condições concretas sob as quais milhões de pessoas vendem sua força de trabalho, seu tempo, sua atenção e seus dados. A aceleração da inovação que Haddad descreve com precisão analítica é, para quem a vive do lado de baixo, uma aceleração do esgotamento. As equipes criativas que produzem a inovação contínua sofrem de burnout. Os trabalhadores de plataforma que sustentam a infraestrutura logística dos feudos digitais sofrem de precariedade. E as populações periféricas que fornecem matérias-primas para os componentes físicos dos ativos intangíveis sofrem de expropriação. Qualquer teoria sobre o capitalismo do nosso tempo que não incorpore essas experiências como dado analítico, e não apenas como consequência lateral, permanece incompleta. O capitalismo pode ser superindustrial, cognitivo ou feudal. Para quem trabalha, ele continua sendo, antes de tudo, desigual.
Referências
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BARROS, Celso Rocha. [Resenha de Capitalismo Superindustrial, de Fernando Haddad]. Piauí, Rio de Janeiro, n. 233, p. 46-53, fev. 2026.
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Erik Chiconelli Gomes – Pós-Doutor em Direito pela Faculdade de Direito da USP. Doutor em História Econômica pela USP. Coordenador Acadêmico da Escola Superior de Advocacia (ESA/OABSP).
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