Uma violenta frente de rajada provocada pelo choque entre uma massa de ar frio vinda do Sul e o calor extremo que atingia o Sudeste causou pelo menos cinco mortes, apagões e o colapso no sistema de transportes em São Paulo e no Rio de Janeiro. A ventania, com rajadas que superaram os 120 km/h, transformou o fim de tarde desta quarta-feira (29) em um cenário de destruição no interior, na capital e no litoral dos dois estados.
A mudança brusca no tempo deve-se a um forte gradiente de pressão atmosférica. O ar frio e denso acumulado nas nuvens de tempestade despencou em direção ao solo e se espalhou em alta velocidade, atuando como uma onda de choque antes mesmo da chegada da chuva. Em Itaporanga, no interior paulista, a ventania atingiu 124,9 km/h, velocidade superior ao piso que classifica um furacão de categoria 1 (119 km/h).
Três mortes foram confirmadas em São Paulo. Em Santos, onde os ventos passaram de 111 km/h, um homem em situação de rua morreu atingido por uma árvore na Avenida Almirante Cochrane. O temporal também provocou desabamentos no porto e na estrutura da Receita Federal. Em Cesário Lange, um motorista de 62 anos morreu esmagado por uma árvore que caiu sobre seu veículo. No litoral norte, em São Sebastião, um pescador de 50 anos não resistiu após o naufrágio de sua embarcação; outros sete ocupantes de uma escuna que virou em Ubatuba ficaram feridos.
No Rio de Janeiro, a queda de um muro na Rua Doutor Júlio Otoni, em Santa Teresa, causou duas mortes. As vítimas são o ex-atacante do Botafogo Tássio Maia dos Santos, de 41 anos, e seu amigo Vandré Cordeiro. Em Angra dos Reis, as equipes de resgate buscam um pescador desaparecido após o naufrágio de um pequeno barco no distrito de Mambucaba.
Colapso na infraestrutura e apagão
A força dos ventos causou severos danos aos serviços essenciais da capital fluminense, que entrou em estágio de atenção. Segundo a concessionária Light, cerca de 370 mil clientes amanheceram sem energia elétrica nesta quinta-feira (30) em bairros das zonas Norte, Sul e Oeste. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, afirmou que a intensidade do fenômeno superou as previsões iniciais da meteorologia.
“A gente chegou a ter no estado um milhão de pessoas com falta de energia, muitas ruas impactadas. O aviso que foi feito no início da tarde foi muito menos intenso do que acabou acontecendo“, declarou o prefeito.
O trânsito e o transporte público foram diretamente afetados na região metropolitana do Rio:
- Trens: O ramal Japeri opera com trechos suspensos entre Comendador Soares e Japeri, enquanto o ramal Saracuruna exige transbordo em Campos Elíseos.
- Metrô: Operação foi normalizada nesta manhã, após episódios na noite anterior em que passageiros ficaram retidos em vagões sem iluminação.
- Pontos Turísticos: O Bondinho do Pão de Açúcar suspendeu as atividades por medida de segurança, e a sede do Fluminense, nas Laranjeiras, teve o telhado danificado.
Impacto na aviação e alerta contínuo
A malha aérea do Sudeste também sofreu severos impactos. No Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, 54 voos foram cancelados na quarta-feira e novos atrasos e cancelamentos pontuais persistem para ajustes de malha. No Rio, o Santos Dumont teve o fornecimento de energia interrompido durante a crise e registrou o cancelamento de quatro voos nas primeiras horas desta manhã, enquanto voos previstos para o Galeão precisaram ser alternados para outros aeroportos.
A Defesa Civil mantém o alerta para os dois estados. Embora a frente fria comece a se deslocar, o órgão orienta a população a evitar permanecer perto de árvores, postes, placas e estruturas metálicas, além de prender objetos em áreas externas. A previsão para ao longo do dia é de céu parcialmente nublado, queda acentuada nas temperaturas e possibilidade de pancadas de chuva isoladas com rajadas de vento moderadas a fortes.
Deixe um comentário