Juiz de Fora 169 anos. A cidade em transformação no Museu Mariano Procópio, por Jorge Sanglard

O primeiro e o mais importante museu mineiro, abriga um dos mais significativos acervos do período imperial no Brasil

Frederico Bracher - Museu Mariano Procópio

Juiz de Fora 169 anos. A cidade em transformação no Museu Mariano Procópio

por Jorge Sanglard

Juiz de Fora tem como símbolo o pioneirismo industrial e a forte inserção cultural no cenário brasileiro. A cidade comemora 169 anos, em 31 de maio,  e a data motiva a reflexão sobre importantes aspectos dessa trajetória. A atividade política também permeia a vida da cidade com intensidade e repercute para além das montanhas de Minas. Apontada por Rui Barbosa como Manchester Mineira e como Barcelona Mineira, Juiz de Fora também foi chamada de Atenas de Minas por Arthur Azevedo. O Museu Mariano Procópio, o primeiro e o mais importante museu mineiro, abrigando um dos mais significativos acervos do período imperial no Brasil, além de uma diversificada coleção de obras de arte, é um dos ícones culturais da cidade, de Minas e do País.

Situado no alto e no centro de um parque de 78 mil metros quadrados, o Museu valoriza ainda em seus jardins a flora exótica e brasileira, sendo considerado o ‘paraíso dos trópicos’. O Museu estabelece a conexão entre a cultura e a sustentabilidade, as artes e o meio ambiente com foco no trabalho de preservação. Ao fazer a ponte entre as questões artísticas e ambientais, o Museu amplia sua perspectiva como núcleo do saber e articula a perspectiva entre a preservação e a renovação.

A luta pela restauração e preservação do Museu Mariano Procópio ganha força junto a amplos setores da comunidade e todo esforço vem sendo feito para reabrir o maior patrimônio artístico e cultural da região polarizada por Juiz de Fora.

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A cidade em transformação se revela por inteiro no acervo de óleos sobre tela do Museu Mariano Procópio. Significativos artistas plásticos pintaram Juiz de Fora e os frutos de sua arte integram o acervo do Museu. Ainda no século XIX, Hipólito Caron deixaria sua marca de grande pintor em dois óleos sobre tela sobre o “Poço Rico: Vista da Serra do Paraibuna”, que foi doado pela Academia de Comércio ao Museu, em 1950, para as comemorações do centenário da cidade, e “Poço Rico Antigo”, mostrando as imediações do antigo matadouro, também doado ao Museu em maio de 1950. Angelo Bigi pintou a obra inacabada “Retrato em grupo”, em 1952, reunindo ninguém menos que Heitor de Alencar, Silvio Aragão, Luis Soranço, Carlos Gonçalves, Américo Rodrigues, Marcos de Paula, Lage das Neves, o próprio Bigi, Armando de Lima, Mario Paulo Tasca e Mario Vieira. E Sylvio Aragão pintou a “Fazenda Manoel Honório, em 1935, e em “Vestígios do passado”, criado em 1943, revelava a antiga residência do Juiz de Fora. Angelo Bigi mostra em óleo sobre tela a “Construção da Represa”, em 1936, e Frederico Bracher Júnior pintou o “Museu Mariano Procópio”, em 1940, mesmo ano em que Silvio Aragão pintou uma “Tarde de Maio”, abordando a Igreja da Glória e o Morro do Cristo.

Heitor de Alencar por sua vez, pintou, em 1948, a “Margem do Paraibuna”. Em 1950, Américo Rodrigues pintaria as “Montanhas de Minas” e Mario Paulo Tasca daria cores à “Estrada da Grama”, em 1951, e Katharina Serenewska Zelentzeff criria um “Recanto do Bom Pastor”, em 1952. Em 1953, Renato de Almeida pintaria uma cena do “Bairro Ladeira” com a arquibancada do Sport Club Juiz de Fora e Frederico Bracher Júnior daria cores ao Fórum Antigo, atual prédio onde se encontra a Câmara Municipal, ao lado do antigo Paço Municipal e atual sede da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage – Funalfa.

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A “Praça da Estação” ganhou o registo pictórico de José Natividade, sem registro de data, e Roberto Gil pintou um “Subúrbio de Juiz de Fora”, em 1957, mesmo ano em que Dnar Rocha pintava uma “Noite de Chuva em JF”, trazendo como destaque o prédio da Caixa Econômica Federal na esquina da Rua Halfeld com a Avenida Getúlio Vargas. Mario Vieira pintaria uma cena de exterior, em 1960. E, por volta de 1961, Luiz Coelho Netto, lançaria luz sobre a “Praça da Estação” e, também em 1961, Carlos Bracher pintaria “A Máquina”, em óleo sobre eucatex, flagrando uma potente locomotiva na Praça da Estação. Carlos Bracher, da janela do Castelinho dos Bracher, vislumbrava no dia dois de julho de 1965 a “Avenida Getúlio Vargas”, criando uma de suas obras primas. Em 1969, Renato Stehling, pintou a “Igreja de São José”, e em 1993 registrou em cores  o “Museu Mariano Procópio”. Por sua vez, Dnar Rocha deu cores intensas às “Hortas da Grama”, em agosto de 1999.

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