
A autocrítica da esquerda, por Fernando Horta
Não sei se vivemos num divã de psicanálise, num confessionário católico ou numa sessão de terapia para casais, mas o fato é que nos últimos quatro anos a esquerda vem sendo acusada e vilipendiada por “não fazer autocrítica”. Os setores da direita não usam esta rebuscada palavra, preferem mesmo que a esquerda se imole em praça pública. Os pedidos incessantes (e irritantes) vêm de pessoas da própria esquerda que acreditam que política advém da legitimidade ética. Assim, tomar banho na rua, lavando suas partes pudendas (como diria minha avó) traria, de alguma forma, um enfraquecimento dos setores fascistas e golpistas.
Definitivamente eu não entendo esta lógica, muito porque os mesmos grupos que fazem esta defesa não conseguem – com suas supostas trajetórias límpidas e alvas – se colocar contra o golpe ou o crescimento do fascismo no Brasil com alguma efetividade. Parece que as evidências não ajudam à tese da pureza da alma transmutando-se em pureza política e mais uma vez em votos. Há qualquer coisa aqui, mal explicada ou mal-entendida, que faz com que este caminho não seja nem direto nem evidente. E os resultados ainda mais duvidosos.
A tese da autocrítica é filha da tese do sequestro da ética pela esquerda. É uma filha caçula da errônea ideia de que toda a esquerda é ética e toda direita vil. Eu usei o termo “toda” para dar uma força ao argumento que ele não tem. Contudo, diminuir a força da generalização não diminui o erro do argumento. Toda esta linha narrativa, que força a entrada de uma moral cristã nos caminhos da esquerda, é parte da criação política que foi usada para atacar Stalin, depois da segunda guerra. Quatro figuras retóricas aqui são essenciais: uma releitura de Maquiavel negando-se que os fins justifiquem os meios, a construção mítica do revolucionário ético e superior perseguido e morto pelo estalinismo (Trotsky), o apelo à moral religiosa cristã em oposição ao comunismo ateu (marca de uma das linhas de ataque mais usadas contra a URSS) e o ato fundador da autocrítica inicial, exaltada pelo ocidente e que foi causa das fraturas na esquerda. Falamos, por óbvio, das “denúncias” de Krushchev, no famoso 20º Congresso do Partido Comunista.
Ocorre que estes quatro fatores são construções falhas com dados empíricos tremendamente errados. Fruto de uma luta de narrativas entre 45-60, momento em que o capitalismo ocidental temia – com fundadas razões – ser superado pelo socialismo real soviético.
O mito do revolucionário eticamente impecável, o qual encarnou em Trotsky após sua morte, é uma terrível construção baseada em erros imensos. As pesquisas atuais mostram que Trotsky foi tão brutal quanto Stalin na construção do modelo soviético. Trotsky defendia, por exemplo, castigos físicos e prisão para trabalhadores que não alcançassem metas, no início da URSS. Trotsky foi responsável direto pela dizimação dos soviets na Ucrânia, quando provocou o exército alemão ao extremo, sem aceitar seus termos e nem ter condições de se opor a eles na negociação de Brest Litovsky. Diversas fontes mostram os contatos de Trotsky com o mundo ocidental (especialmente a Inglaterra) ainda quando dentro da URSS. Após seu exílio, Trotsky aumenta o tom das críticas ao modelo soviético, ao mesmo tempo que dissimula seus contatos com o ocidente. O objetivo de Trotsky era semelhante ao dos EUA, Inglaterra, França e mesmo da Alemanha: fazer cair o regime de Stalin. Mas Trotsky já havia dado inúmeras provas de que seu idealismo turvava suas análises. Ele acreditava poder controlar a remoção de Stalin para “recolocar” a “revolução” em seu prumo, com ele, Trotsky, na figura de timoneiro. Stalin não pagou para ver o quanto haveria de boa vontade do ocidente para com a URSS.
A leitura de que “o fim NÃO justifica os meios”, se opondo inicialmente a Maquiavel é outra tremenda incongruência. Primeiro porque não se encontra em Maquiavel esta frase ou mesmo esta ideia da forma como está posta. Diversas leituras de Maquiavel imputam a ele pensamentos que não foram seus e, especialmente, preocupações que não estão expressas nos livros do italiano renascentista. Gramsci ajuda nesta crítica ao fazer a releitura a partir da ideia do “príncipe moderno”. Em Maquiavel, a centralização do poder não tem como objetivo outra coisa que não afastar a barbárie, ainda que haja a necessidade do uso moderado dela. A figura do centauro, constante nos escritos de Maquiavel, explica o papel do governante. Ora racional como homem, ora bestial como o cavalo. A forma do argumento contra Maquiavel era destinada especificamente a Stalin. No sentido de que a imagem futura do comunismo e todas as suas vantagens morais, materiais e históricas não poderia valer a violência do presente. Ocorre que o ocidente nunca agiu conforme esta regra. E, enquanto financiava diversos materiais propagandísticos com este argumento, a CIA mandava matar Jacobo Arbenz, Patrice Lumumba e Chê Guevara, por exemplo.
A denúncia de Kruschchev no 20º congresso é também outra parte deste quebra-cabeças que foi usada de forma errada. O discurso “secreto” foi conseguido pelas agências de inteligências de Israel e repassada aos EUA. Nele Kruschchev denuncia Stalin por “crimes” e racha toda a esquerda do mundo. Até hoje, quase a totalidade do que se conhece dos “números” das “atrocidades” de Stalin vem somente daquele discurso! A partir de 2005, com a abertura de arquivos e documentos sensíveis, as pesquisas empíricas mostram que Stalin não se diferenciou de NENHUM líder da época. Nem Roosevelt, Churchill, Truman ou De Gaulle quanto ao uso civil da violência ou o uso das instituições jurídicas contra opositores. Para os amantes da morte, que eu chamo de “necrocontabilistas”, as fontes atuais colocam as mortes do período de Stalin na casa das centenas de milhares (e não dezenas de milhões). Nestes números incluem-se o resultado de políticas ou de ações de governos locais que hoje sabe-se tinham muito maior autonomia frente ao governo central soviético do que se supunha na década de 70. Neste novo contexto, a monarquia da Inglaterra e o rei da Bélgica se tornam os maiores genocidas da História. Qualquer pesquisa sobre a África ou a Índia vai mostrar que aqueles tempos eram monstruosos para todos os lados e a História foi usada como propaganda.
O quarto elemento que compõe a tese que sustenta a “autocrítica” da esquerda é a moral Cristã. Interessantemente o mais fraco e mais conhecido argumento de todos os quatro. Primeiro porque se sabe de toda a construção narrativa sobre Jesus. A história fala em “Cristo histórico” para se referir ao agitador social que teria nascido na Galileia por volta do ano 7 antes de Cristo. Sim, por erros de matemática, Cristo nasceu no ano 7 antes de Cristo. E este homem – frise-se homem – é fantástico pelo seu valor histórico. Mas, era preciso recontar a sua história, apagando as qualidades de questionador dos poderes constituídos, humanista, justo, e voltado para a coletividade e inseri-lo numa narrativa de justificação das diferenças sociais, da promessa de vida eterna em troca de submissão na vida terrena a uma moral conservadora e da outorga a ele do título de “rei”. Sabemos, pelas pesquisas atuais que o Cristo histórico jamais aceitou ser colocado na condição de separação simbólica entre os homens. Como que portador de um direito de superioridade por nascimento (que depois viria a criar a noção do direito divino dos reis e mais adiante ser transformado num dos princípios do poder do Estado). De qualquer forma, por muito tempo a Igreja trabalhou para construir um elemento moral aglutinador que não está presente no Cristo histórico, nem na história da Igreja antiga, nem na Igreja moderna e muito menos neste bando de Pastores contemporâneos que exploram a boa fé das pessoas mais humildes com o silêncio cúmplice do Estado brasileiro.
A esquerda e especialmente o PT precisam sim fazer autocrítica. Mas isto é uma questão apenas interna. E eu espero que ela seja feita nos termos mais clássicos do pragmatismo marxista. Espero que ela seja feita com vistas à manutenção e aperfeiçoamento das utopias que deram origem à esquerda, mas sem deixar de perceber a materialidade política. Mais do que isto, não dou o direito a nenhum apoiador do capitalismo, das ditaduras ou da sociedade atual de cobrar em bases morais uma “autocrítica”. E também não dou o direito de dissidentes intelectuais idealistas que repetem estes mesmos ataques morais sem, contudo, nunca terem tido a responsabilidade ou experiência real de governo de cobrarem “autocrítica” de quem quer que seja. A História se encarregará de criticar a tudo e a todos, até lá é à senhora Política que devemos responder. E ela é pragmática e certamente não vê sentido de que alguém, no meio do campo de batalha, se ajoelhe e peça perdão pelos seus pecados. A menos, claro, que seus defensores queriam com este ato dar a “extrema-unção”.
Dandara2
2 de maio de 2018 1:10 pmEnquanto isso, em algum lugar da Trumplândia…
Jim, Jack & Joe – Dois deles agentes da CIA, e um, agente do Departamento de Estado dos EUA – conversam entre si bebendo uísque…
Joe — Friends, soube que nosso novo protocolo de intervenção em países subalternos não emprega mais golpes militares; agora, implementamos golpes parlamentares e judiciários, com o apoio da mídia nativa. Me expliquem: como é que funciona?
Jim — Fácil. Imagine um governo de esquerda, desses que aplicam políticas desenvolvimentistas e nacionalistas… inclusão social… e tudo o que vá contra os nossos interesses…
Joe — Imagino que esse tipo de governo seja muito difícil de derrubar, pois vai ter grande popularidade!
Jack — Aí é que está. Nenhum governo é perfeito. Sempre comete alguns erros… E você sabe, na economia globalizada, volta e meia aparecem crises que afetam países periféricos…
Jim — Justamente. Ficamos alertas, esperando que surja algum motivo de descontentamento popular no país governado pela esquerda – qualquer coisa, mínima que seja. No Brasil, bastou um aumento de vinte centavos nas passagens de ônibus na cidade de São Paulo…
Joe — Mas como? Um assunto municipal pode afetar a popularidade de um governo federal?
Jack — Claro que pode. No Brasil, o prefeito de onde teve o aumento das passagens era do mesmo partido que o governo federal: o PT! E, nunca se esqueça: sempre contamos com a grande mídia para trabalhar por nós, detonando governos nacionalistas! A grande mídia é porta voz do capital financeiro… Está sempre contra o povo, e do nosso lado!
Jim — No Brasil, temos o melhor parceiro do mundo: a Rede Globo de Televisão. O povão inteiro assiste. Não tem um fucking lugar público onde não haja uma TV sintonizada na Globo: restaurante, sala de espera, cabeleireiro…E a Globo sabe exatamente o que fazer para desmoralizar um governo de esquerda!
Joe — Mas como o governo de esquerda permite um monopólio de mídia jogando contra ele tantos anos?
Jim — Por ingenuidade. Esse povo de esquerda tem mania de democracia. “Liberdade de imprensa”, toda essa bullshit… kkkkk… Morrem de medo de ser autoritários, policialescos. Não investem em inteligência. São transparentes demais… Só estreitam os laços com as Forças Armadas dos seus países em casos muito especiais, como na Venezuela…
Jack – Aliás, se Chávez não tivesse tido o apoio da maioria das FFAA venezuelanas, hoje a Venezuela ainda seria quintal americano. O apoio militar dos nativos ao Moreno é que está tornando tão difícil derrubarmos aquele son of a bitch, apesar de todos os seus vacilos…
Jim — Não derrubamos, é verdade. Mas também não deixamos governar… Kkkkkk!
Joe — Mas continuem a me explicar como foi a operação lá no Brasil. Sei que está sendo um sucesso…
Jack — A Globo passou anos manchetando tudo que pudesse trazer descontentamento popular durante os governos de esquerda. Escondeu, minimizou, todas as vitórias do governo. E espalhou suspeitas de corrupção contra os políticos do partido dos trabalhadores. Inventou, quando foi necessário…
Joe — Taí outra coisa que eu não entendo. Essas acusações de corrupção feitas contra governos nacionalistas brasileiros têm sido sempre as mesmas, há tantos anos. Getúlio, Kubistcheck, Goulart, Lula… Será que os brasileiros não percebem? “Fulano tem apartamento em praia chique…” E logo que o político é retirado do poder, morre ou é cassado, ninguém fala mais no assunto… Até porque era tudo mentira… Fuck! Ninguém no nosso Departamento tem imaginação pra inventar uma acusação original contra os políticos brasileiros que nos desagradam? Já está dando na vista!
Jim — Nota-se que você não entende nada mesmo de Brasil. É muito fácil enganar quem tá a fim de ser enganado. Não é preciso ser original! Não é preciso ter provas! Serve até prova falsa!
Jack — As elites desses shit-countries estão sempre prontas a aceitar ajuda estrangeira contra seus inimigos internos: os pobres, pretos, índios… Odeiam conceder direitos aos subalternos. Não se conformaram com o fim da escravidão… Aceitam qualquer mentira contra governos de esquerda.
Joe — Ah, entendo… Funcionam como nossos supremacistas brancos lá dos estados do Sul! Umas toupeiras!
Jim — Exatamente. O Brasil está cheio de supremacistas: brancos, letrados, concursados, etc. Ricos e de classe média… viciados em desigualdade social. Querem preservar seu modo de vida, baseado em privilégios e superexploração. Ficam irritadíssimos quando negros e pobres começam a reduzir o abismo que os separa deles, dividir espaços de prestígio e poder com eles. Só aguentam isso enquanto estão ganhando muito dinheiro… Basta vir uma crise à toa, para ficarem com ódio de governos que promovem a ascensão social dos mais pobres. Aí, as elites supremacistas brasileiras passam a aceitar qualquer pretexto para derrubar esses governos. Qualquer coisa mesmo! Vão pra rua, fazem passeata, batem panelas…
Jack — E crise sempre vem, mais dia menos dia. Até porque, temos grande expertise em sabotagem econômica…Sabemos como potencializar uma crise num país estrangeiro, quando necessário…
Joe — Mas ainda não entendi como foi que derrubaram o governo esquerdista do Brasil…
Jim — Foi muito fácil. Arranjamos um punhado de juízes e procuradores afinados com os nossos interesses. Treinamos e financiamos os caras… Fizemos a Globo chantagear todo o mundo que se opunha a eles. Demos a esses juízes e procuradores a receita para obter poder absoluto…
Jack — Foi lindo. Nossos parças implantaram uma força tarefa — tal de Lava a Jato – com o pretexto de combater a corrupção, blá, blá, blá. Logo começaram a prender e condenar um monte de políticos de esquerda…mesmo sem provas. Os caras são tão ousados que até falsificaram provas contra nossos desafetos! Com a Globo fazendo a maior lavagem cerebral na população, apoiando isso tudo…
Jim – Em 2016, tinha passeata “contra a corrupção” em todas as grandes capitais brasileiras. Quase que só classe média, mas fazendo um barulho danado!
Jack — Com o clima de caça às bruxas já fervendo, subornamos parlamentares de direita, através de intermediários bem escolhidos, para impixar a presidente de esquerda, em 2016. Bastou um pretexto bobo. As elites nativas já estavam devidamente doutrinadas pela Globo a acreditar que a esquerda era culpada de todos os problemas do país… Que a Corrupção era a causa maior de toda a crise econômica e que a Esquerda era inventora ou campeã da Corrupção. Que o Estado brasileiro tinha sido corrompido. Que, por isso, o Brasil precisava privatizar tudo, a qualquer preço! Era tudo o que nosso empresariado queria! Kkkk!!! Tomamos o petróleo, as empresas estatais, os mercados internacionais dos brasileiros… praticamente de graça!
Joe — Mas não houve resistência? Condenar sem provas… o Judiciário brasileiro aceitou isso?
Jim — Aceitou. A Globo criou um clima de ódio contra os políticos de esquerda… nenhum juiz iria contra a corrente arriscando ter a própria reputação assassinada pela Globo. Lembra quando espalhamos que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa? Quem contestasse isso…
Joe – … na época, seria linchado por traição! É verdade. Funciona! Quem tem a mídia, tem tudo…
Jack — E mais. Os juízes brasileiros são uma casta altamente elitizada. Recebem gordos salários, e ainda têm um monte de “auxílios” ilegais… Os golpistas tiveram o cuidado de aumentar ainda mais os salários e jabás do Judiciário, para que juízes e procuradores aceitassem melhor o golpe…
Jim — A receita é infalível. Guerra híbrida! Estamos comandando uma variante dela na Nicarágua. Funciona que é uma beleza! Paraguai… Honduras… Já estão no papo!
Jack — Em Honduras, foi só subornar os juízes do Tribunal Eleitoral para validarem uma fraude na contagem de votos, a favor do “nosso” candidato. Piece of cake!
Jim — Muito melhor manipular a população desses shit- countries, comprar meia dúzia de juízes, subornar parlamentares, que gastar $$$ invadindo. Poupamos vidas americanas…
Jack — Claro. Até porque, as vidas de não americanos não valem nada mesmo…
Jim — Com a grande mídia em nossas mãos, é muito fácil! Basta aprofundar as fraturas que existem naquelas sociedades primitivas… Aquilo não são nações de verdade. Basta mentir um bocado, omitir outro bocado… espalhar fake news contra os líderes populares…
Jack — Pois é. Nesses países fajutos, as elites e classes médias estão sempre mais preocupadas com seus inimigos internos que com os externos… Não se importam em lamber nossos pés. Até suplicam para fazer isso. Desde que não tenham que pagar impostos…
Jim — Justamente. Estão dispostos a tudo para manter o povo pobre na submissão — e garantir seus privilégios…
Joe — Mas, depois que emplacamos o golpe, os brasileiros melhoraram de vida?
Jim — Claro que não. Só umas mil famílias estão ganhando dinheiro. O restante está perdendo ou patinando. Quem ganha dez agora, poderia estar ganhando mil, num governo com política econômica mais soberana… O desemprego explodiu. A miséria aumentou. A desigualdade voltou a piorar…
Joe — E tudo isso não pode criar as condições de um retorno da esquerda ao poder?
Jim — A Globo está espalhando a tese de que a crise atual ainda foi causada pelo governo esquerdista que ajudamos a derrubar. “Herança maldita”! Pelos próximos vinte anos, tudo o que der errado vai ser posto na conta dos governos petistas. Se alguma coisa der certo, aí será creditada aos governos de direita!
Joe — Não acredito que as elites brasileiras sejam tão estúpidas a ponto de engolir essa xaropada…
Jack (às gargalhadas) — Você, realmente, não conhece as elites brasileiras. A classe média brasileira, então… É incrível. Adora gozar com o cock dos ricos, por procuração. Até pensa que também é rica, mesmo enquanto empobrece mais e mais…
Joe — Mas isso pode acabar mudando. O descontentamento dos mais pobres pode gerar algum tipo de insurreição popular!
Jim — As Forças Armadas brasileiras vão sufocar qualquer insurreição popular. Elas não têm doutrina própria. Também foram lobotomizadas pela Globo! Você sabe, milico não prima pela perspicácia… nem aqui nem no Brasil…
Jack — Os milicos brasileiros pensam que ser nacionalista é entregar todas as riquezas do país nas nossas mãos, para que os ajudemos a manter a ralé brasileira no cabresto…
Joe — Ainda acho que os brasileiros vão acabar desconfiando que tem dedo nosso no golpe de 2016. Não podem acreditar que é coincidência estar acontecendo a mesma coisa em tantos países latino americanos, ao mesmo tempo!
Jack (suspirando) — Pois é. Não fosse a esperteza do tal Erdogan, hoje teríamos um governo capacho até na Turquia. Mas no Brasil, está fácil demais. Agora só falta envenenarmos o Lula na cadeia, e ajudarmos a eleger Marina Silva… Até o Bolsonaro tá servindo. O cara é doido varrido, mas tá do nosso lado…
Jim — É maluco, e um tremendo motherfucker… Se eleito, vai acabar de vez com o que resta de nação lá no Brasil! Aí, é só entrarmos catando a xepa! Kkkk!
(Pano rápido!)
—
http://thehill.com/blogs/pundits-blog/international/275051-attempted-coup-in-brazil-seeks-to-reverse-election-results
https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/234923/Especialista-americano-denuncia-apoio-dos-EUA-ao-golpe.htm
https://www.brasildefato.com.br/2018/04/30/wikileaks-eua-criou-curso-para-treinar-moro-e-juristas/
Rei
2 de maio de 2018 1:13 pmAUTOCRÍTICA ENQUANTO SOFRE BULLYNG
Quando se é criticado em tempo integral por todos os setores da sociedade… fazer autocrítica se torna 100% dispensável… até prejudicial!
Enquanto a esquerda faz autocrítica…
-FHC DIZ QUE MUDOU O BRASIL
-A DIREITA FALA QUE ELIMINAR O ESTADO VAI SALVAR O BRASIL
-MBL FALA QUE IMPOSTO É ROUBO
-OS PENTECOSTAIS E MAÇONS DOMINAM TODO PODER EXECUTIVO…
Rui Ribeiro
2 de maio de 2018 1:29 pmA esquerda tem que fazer auto-crítica na prática
A esquerda tem que fazer auto-crítica na prática matando fascistas.
“Las Revoluciones no son juegos de niños, ni debates académicos donde sólo las vanidades quedan heridas en furiosos encuentros, ni justas literárias en las que sólo se derrama profusamente la tinta. La Revolución significa guerra, y incluye la destrucción de hombres y cosas. Naturalmente, es una lástima que la humanidad no haya inventado todavía un medio más pacífico de progreso, pero hasta el presente todo paso adelante en la historia sólo se ha conseguido tras un bautismo de sangre. En esta cuestión, la reacción poco puede reprochar a la Revolución sobre este punto; siempre ha vertido más sangre que ella.” – Bakunin, La Revolución es el derrocamiento del Estado.
Se os Fascistas derramam mais sangue do que a esquerda, eles é que devem, primeiramente, fazer auto-crítica, e não exigir dos esquerdistas que se auto-critiquem.
ze sergio
2 de maio de 2018 1:47 pma autocrítica….
E 1964 não acaba nunca para nosso Fanatismo Ideológico. A Esquerdopatia Tupiniquim não precisa fazer autocritica nenhuma. Ela precisa ficar assim como está, morrendo arcaica, entre a cadeia e plantações de chuchu. O Morde-assopra de nossas Elites (Elite que não é elite) e Quartéis chegou ao fim. Este discurso embolorado e ditatorial fantasiado de democratico não empolga mais ninguém.
Dandara2
2 de maio de 2018 1:53 pmJim, Jack & Joe atacam novamente…
Jim – E, o melhor de tudo: enquanto o Brazil vem abaixo, graças ao nosso beautiful light coup, conseguimos dividir as esquerdas, paralisando qualquer reação…
Joe – Como conseguimos isso?
Jack – Piece of cake: temos gente infiltrada no meio esquerdista. Vocês os reconhecerão facilmente. Adotam uma postura moralista semi-religiosa. Acusam seus próprios partidos e lideranças de traição aos princípios, impureza e pecado…
Jim – Convocam dia e noite os companheiros a se flagelar em público… Publicam artigos de “auto-crítica” na mídia, nas redes sociais… E sempre encontram quem os siga. Como a esquerda brasileira é burra!
Joe – Oh my god! Não acredito. No meio da guerra híbrida, perdendo todas as batalhas, eles desperdiçam as forças que têm, brigando entre si? Acusando uns aos outros, ou se auto-flagelando?
Jim – Of course. Acusam-se uns aos outros para aliviar toda a raiva que sentem do inimigo… até porque são tão bobos, que sequer conseguiram identificar o verdadeiro inimigo comum – nós e os nossos…
Jack – Chicotear a si mesmo ou ao companheiro do lado dá a eles algum sentimento de potência. Deve ser isso. Porque aderem ao bullshit da autocrítica, em massa! E em público!
Jim – Os brasileiros são católicos. Adoram confessar seus pecados, e se comprazem na culpa. Devem pensar que a auto-flagelação lhes trará alguma piedade divina…
Joe – Acho que traz é prazer, isso sim. Tenho um amigo que só consegue transar se uma mulher o amarra e chicoteia…
Jack – Whatever. O importante é que isso divida e engesse a esquerda brasileira. Se partissem para aprender pragmaticamente com os próprios erros, seriam mais eficientes. Poderiam imitar o Erdogan…
Joe – Shut up! Shut up! Kkkkk!
Mário Mendonça
2 de maio de 2018 2:45 pmPrezado Fernando Horta
Bom
Prezado Fernando Horta
Bom dia
A nossa esquerda precisa é perder a ingenuidade e perceber que nunca o Brasil foi uma democracia republicana!
Vivemos numa eterna luta de classes, onde morrem mais de 60 mil pessoas por ano.
A direita faz o que e quando quer e ainda querem nos mandar para o divã?
Vou, mas só se for com uma AK-47!
Abração
jcordeiro
2 de maio de 2018 3:25 pmDitado
Nassif: será que o Fernando sabe em que Delegacia foi a reunião? Porque só lá a esquerda brasileira fica junta…
Luís Henrique Donadio Baptista
2 de maio de 2018 4:02 pmRemetente errado…
Essa cobrança por uma autocrítica moral vem é de trolls de direita.
A autocrítica necessária é política. E não está sendo feita, e essa lacuna vai nos levar de novo a outro desastre do mesmo calibre de 2016.
É a autocrítica do modelo nacional-desenvolvimentista. Mas esse parece sagrado: continuamos a correr atrás de um pedacinho da burguesia pra chamar de nosso – enquanto a burguesia em seu conjunto já adotou, há muito tempo, a inserção subordinada ao imperialismo como o seu projeto político. Há muito tempo mesmo: não foi outra a causa do golpe de 1964: enquanto o PTB e o PCB sonhavam com a revolução burguesa, a burguesia enfileirava todinha atrás do projeto hegemônico norte-americano.
Colocar a culpa em Trotsky, na teologia da libertação, no PSTU, no Kruschev, ou em releituras de Maquiavel não vai ajudar. Não são esses os problemas que entravam a esquerda no Brasil. É o Getúlio e o Jango, a tradição reformista do PCB, as leituras ingênuas da realidade brasileira como pré-capitalista, o nacionalismo “de esquerda” que constituem a dificuldade da qual não queremos sair.
Dandara2
2 de maio de 2018 4:31 pmE o que você propõe?
Só por curiosidade. Guerrilha urbana? Guerrilha rural? Sublevação militar à esquerda, como a Revolução dos Cravos? Ou anexação do Brasil aos EUA?
Luís Henrique Donadio Baptista
2 de maio de 2018 9:44 pmProposta
Não proponho guerrilha de tipo nenhum, nem urbana nem rural (até por que guerrilhas são quase sempre nacionalistas).
Proponho somente que se rediscuta essa estratégia. Não vamos conseguir que um pedaço da burguesia adira a um projeto popular, a não ser a curtíssimo prazo. Então vamos precisar encontrar outra rota, que não seja a de tentar obrigar a burguesia a fazer uma revolução que ela não quer fazer.
Quem sabe está na hora de discutir socialismo?
Dandara2
3 de maio de 2018 12:41 amSocialismo pelo voto? Ou…
Você quer trocar uma agenda muito difícil por outra praticamente impossível.
Há exemplos de países atrasados, periféricos, onde a burguesia aderiu a um projeto nacionalista e popular. É raro, mas existe (aqui mesmo perto de nós, temos a Bolívia e o Uruguai).
Qual foi a última revolução socialista que aconteceu no mundo? Por que meios? Em que circunstâncias?
Obrigar a burguesia a ganhar dinheiro numa economia que combine iniciativa privada e estatais já é difícil. Obrigá-la a aceitar expropriação, que eu saiba, só pela força das armas.
Quantos batalhões você tem sob suas ordens, amigo?
Rui Ribeiro
3 de maio de 2018 1:32 pmSalvador Allende, socialista eleito pelo voto, foi assassinado
“Os comunistas rejeitam dissimular as suas perspectivas e propósitos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social até aqui. Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar.
Proletários de todos os países, uní-vos!”
Marx e Engels, Manifesto Comunista
Não é o Boeshit
2 de maio de 2018 4:14 pmEmpacado.
Toda vez que falam de direita e esquerda (qual, qual?), eu empaco. Não sei, deve ser cognitivo. Isto, felizmente, não faz eco com a história de que direita e esquerda não existem mais (como se um banqueiro e um sem-terra estivessem nas mesmas condições objetivas). A questão é de práxis. De construção de estratégias. Isto se dá no campo político. O campo jurídico está – em grande parte – desgastado e é inconfiável; difícil constatação, donde não derivo alguma apologia de qualquer ordem. Para o campo da estratégia política, a difícil relação entre a construção da realidade num discurso, os princípios (que, segundo entendo, somente se poderiam colocar, de modo pleno, no mundo futuro; embora ainda possa se pensar numa propaganda pela ação, pelo “exemplo”) e das ações a serem realizadas.
A autocrítica só teria valor se isto servisse pra construir aquela práxis. Se for pra apontar o dedo, não é apenas dispensável, mas também perda de tempo precioso. O poder não descansa.
De minha parte, alguns discursos de sindicalistas que tenho ouvido e presenciado somente são justificáveis pela situação que estamos, de tão ruim que está esta situação. Agora, do ponto de vista prático e de uma reflexão política e estratégica, são as mesmas práticas. É desolador. Vc pode objetar, nem todo sindicalista é de “esquerda” (aspas, por causa do que escrevi acima) e que o sindicalismo representaria apenas uma parte da prática política. OK. Mas está complicado, vc vê por exemplo, uma policial militar feminina sendo altamente repressora, ou um policial negro, e vc não constroi uma interpretação que dê conta desta situação real, de vítimas contumazes das políticas econônmicas seculares e, curiosamente, as vítimas entram na corporação e se tornam impermeáveis a uma parte do discurso que a eles se refere.
Acho que o autor começa o texto ironicamente, falando de um divã para a “esquerda”. Mas colocar a sociedade no divã seria uma saída pra renovar o discurso e arejar as próprias ideias. Mas o analista precisa fazer análise, também.
Rui Ribeiro
2 de maio de 2018 5:04 pmEu vou pagar a conta do Analista
Eu vou pagar a conta do analista
prá nunca mais ter que saber quem eu sou
saber quem eu sou
pois aquele garoto que ia mudar o mundo
mudar o mundo
Agora assite a tudo em cima do muro
em cima do muro
Cazuza, Ideologia
Rodrigo Roal
2 de maio de 2018 6:28 pm7 milhões
7 milhões de pessoas anualmente é o que a OMS estima ser o número de mortes por causa da poluição.
Aí, como é saudável, limpinho e cheiroso o capitalismo…
Muito boa essa autocrítica da autocrítica.
Já era tempo.
Pedro ABBM
2 de maio de 2018 7:37 pmE por acaso…
E por acaso, não existia poluição sob o regime comunista?
Rui Ribeiro
3 de maio de 2018 1:28 pmPorventura a pluição comunista justifica a poluição capitalista?
Justificar a infâmia capitalista com a suposta infâmia comunista é o cúmulo do absurdo. É como se o Pedro ABBM fosse acusado de praticar estupro e, em sua defesa, alegasse que um certo trabalhador também praticou estupro.
Isso não é defesa, isso é confissão.
JORGE DE SOUZA SANTOS
7 de maio de 2018 2:05 pmA autocrítica da esquerda, por Fernando Horta
Esse artigo fornece elementos importantes para uma pauta de discussões políticas. Discussões no âmbito da esquerda política, diga-se de passagem, não vejo incluídos nesse os que têm um pensamento político de direita.
No campo da esquerda, as questões que estão colocadas pelo autor não são, em si, uma novidade – são quase tão velhas como a posição de defecar. O eixo das argumentações tem um viés de origem reconhecidamente como comunista originária dos antigos partidos comunistas que gravitavam em torno do PC da URSS. Não estou fazendo qualquer ilação sobre as convicções ideológicas do autor, nem reduzindo a importância do artigo, apenas fazendo deduções a partir dois elementos presentes no texto. Ali estão as afirmativas que propõem uma releitura das atuações políticas de Stálin e Trotsky numa tentativa (ou tese) de inversão do que tem sido consignado como os papéis históricos dessas duas figuras, a relativização dos crimes do primeiro e a inclusão do outro no mesmo saco dos criminosos políticos. Também a questão da necessidade, do valor eficaz e do âmbito das chamadas autocríticas. A rigor, a redução da sua importância como argumento para não realizá-las. Por fim, o debate permanente sobre o caráter e o conceito da ética na história política, instrumento com o qual a burguesia ocidental se armou para atacar Trotsky e que foi brilhantemente rechaçado pelo dirigente proscrito em suas notas “Moral e Revolução – a nossa moral e a deles” .
Essas questões, como disse anteriormente, não são novidades no campo da esquerda política. Elas são marcos que ainda dividem ideologicamente a esquerda política internacional e separam, simplificadamente, os chamados trotskistas daqueles que seguiram as linhas de atuações stalinistas à frente do PC da URSS, mais tarde a “desestalinização” com as revelações do discurso “secreto” de Kruschev até o desmonte total do PC da URSS por Gorbachev.
São questões que emergem quando se busca uma união de movimentos de esquerda na conjuntura atual. Elas são lentes ou instrumentos de leituras e avaliações de propostas e compromissos – por exemplo, elas afastam o partido PSTU, ideologicamente trotskista, do movimento de aglutinação política em torno da questão do golpe que derrubou a Dilma e levou o Lula à prisão. Porém, outros grupos, também de origem trotskistas, entendem a importância dessa aglutinação com outros movimentos, incluindo com o próprio PT, e buscam superar as divergências (em que âmbito se daria uma autocrítica, por exemplo). É o caso dos dissidentes do PSTU que tentam se organizar no PSOL, além do próprio PSOL.
Enfim, são questões importantes e que devem ser pensadas permanentemente, mas partem de um princípio comum: a organização social deve se estabelecer baseada em uma ordem que não admita a exploração do ser humano por outro (natureza intrínseca do capitalismo) e que a felicidade não deve ser o privilegio de alguns, mas uma meta para toda a humanidade – o nome disso é socialismo ou, para quem não tem medo do termo: comunismo. ####