21 de maio de 2026

A captura simbólica das polícias brasileiras, por Roberto Uchôa

A captura religiosa, entretanto, não se esgota no discurso. Ela inclui infraestruturas institucionais que avançam sobre a laicidade.
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A captura simbólica das polícias brasileiras pelos discursos religioso‑conservadores e de extrema‑direita: riscos para a democracia

por Roberto Uchôa

A ascensão simultânea do neopentecostalismo e da extrema‑direita no Brasil inaugurou um ciclo inédito de sobreposição entre moral religiosa, militarismo e política de segurança. A interpenetração desses domínios tornou‑se particularmente visível dentro das polícias, sobretudo nas polícias militares estaduais, que concentram quase meio milhão de profissionais armados. Embora a presença de capelanias seja antiga, o que se observa desde meados dos anos 2010 é um salto qualitativo, não se trata apenas de prestação de assistência espiritual, mas de um processo de formação de identidade corporativa tutelado por pastores e líderes políticos que convertem valores confessionais em doutrina operacional e visão de mundo.

Diversos fatores favoreceram esse quadro. Primeiro, o vácuo de políticas sociais provocado por restrições orçamentárias empurrou a segurança pública para o centro do debate eleitoral, criando terreno fértil para atores que prometem “resgatar” a ordem a qualquer preço. Segundo, a própria estrutura militar das polícias militares, hierárquica, fechada à sociedade civil e marcada por rituais de coesão, facilita que narrativas maniqueístas prosperem sem contestação interna. Terceiro, o bolsonarismo, ao amalgamar símbolos cristãos, nacionalismo e culto às armas, ofereceu um repertório pronto que passou a circular em grupos de WhatsApp institucionais, tornando‑se parte do cotidiano dos quartéis. Reportagem da revista Piauí sobre cultos e jejum de oficiais em batalhões é ilustrativa: ali, a tropa não se enxerga apenas como agente do Estado, mas como “escolhida” para uma guerra espiritual contra o mal encarnado no crime e, por extensão, em opositores ideológicos.

Esse fenômeno ganha densidade política quando se converte em votos. O Instituto Sou da Paz detectou um recorde de candidaturas de policiais nas eleições municipais de 2024, movimento descrito como “policialismo eleitoral”. Esses candidatos chegam ao parlamento sob a promessa explícita de fortalecer a corporação, flexibilizar regras de uso da força e ampliar o porte de armas. O resultado é um círculo virtuoso para o conservadorismo, a lei, antes instrumento de limitação do poder policial, passa a ser moldada por quem carrega a mesma farda. No âmbito federal, as bancadas da bala e da Bíblia firmaram alianças que bloquearam projetos de controle de armamentos e engavetaram propostas de desmilitarização, evidenciando como a captura simbólica transborda para a arena legislativa.

O estopim que tornou visível o perigo institucional foi o ataque golpista de 8 de janeiro de 2023. Relatórios do Gabinete de Segurança Institucional e da Polícia Federal descrevem tanto omissão quanto conivência ativa de segmentos da Polícia Militar do Distrito Federal, alguns dos quais entoavam cânticos religiosos entre os invasores. A lacuna de comando naquele domingo é reveladora: quando a identificação ideológica se impõe sobre a disciplina constitucional, a cadeia de autoridade civil se desfaz. A democracia depende, no limite, da obediência das armas ao veredito das urnas; ao negar‑se a reprimir os golpistas, parcelas da tropa sinalizaram que reconhecem uma autoridade transcendental (Deus, pátria ou líder messiânico) acima do Estado laico.

No plano cotidiano, a captura manifesta‑se em práticas seletivas de policiamento. Estudos qualitativos com cadetes da Universidade de Brasília mostram que a figura do “inimigo” é construída por critérios morais; moradores de rua, usuários de drogas, defensores de pautas identitárias ou religiões afro‑brasileiras são percebidos como ameaças não apenas legais, mas espirituais. O passo seguinte é o afrouxamento do filtro da legalidade, se o oponente é visto como demoníaco, a violência letal converte‑se em exorcismo. Não surpreende, portanto, que os três estados com maior proporção de policiais evangélicos (Rio de Janeiro, Goiás e Pará) tenham altos índices de letalidade policial, ainda que fatores socioeconômicos concorram para explicar o quadro.

A literatura internacional sobre securitização moral fornece lentes úteis para compreender esses processos. Buzan, Wæver e de Wilde (1998) demonstram que, ao transformar um tema em ameaça existencial, o Estado legitimará medidas excepcionais. No Brasil, a moral evangélica faz esse papel: crimes contra a família, contra “pessoas de bem” ou contra “valores cristãos” são elevados a categoria de anomia total, justificando o emprego ilimitado da força. À securitização soma‑se o populismo punitivo, conceito que articula a noção de justiça à antipolítica. O policial deixa de ser mero executor da lei e torna‑se o braço armado do “senso comum honesto”, dispensando intermediação judicial. Daí não apenas o uso ampliado das armas, mas a recusa crescente a mecanismos de controle externo, sejam corregedorias, ouvidorias ou Ministério Público e até mesmo o uso de câmeras corporais.

A captura religiosa, entretanto, não se esgota no discurso. Ela inclui infraestruturas institucionais que avançam sobre a laicidade. Em 2021, o Ministério da Justiça inaugurou o programa “Assistência Espiritual para Profissionais de Segurança Pública”; o objetivo era o “cuidado integral da alma do guerreiro”, linguagem que rompe a neutralidade republicana para abraçar uma visão messiânica da função policial. Além de boinas e bíblias, viaturas passaram a ostentar adesivos com versículos; em redes sociais, oficiais orgulham‑se do “racha de Satanás” promovido por suas operações. Muito antes de se institucionalizar, porém, o ideário já circulava em vídeos de funk gospel que retratam policiais fardados invocando “o sangue de Jesus” antes de entrar na favela. Esse imaginário performativo cimenta laços de solidariedade entre fé e farda, tornando‑os quase indissociáveis aos olhos da tropa e da comunidade religiosa de origem.

A convergência com a extrema‑direita opera em três níveis. No simbólico, ambos compartilham a retórica do “nós versus eles”, fortalecendo a gramática do inimigo interno. No programático, defendem agendas de endurecimento penal, armamentismo e combate a temas tidos como “ideologia de gênero”. No organizacional, articulam campanhas políticas e redes de financiamento que abastecem templos, influenciadores e associações de classe. O resultado é uma rede de poder que combina capital religioso, eleitoral e bélico, apta a obstruir qualquer tentativa de reforma que ameace sua hegemonia.

Os efeitos sobre a democracia são profundos. Ao infiltrar‑se em organizações dotadas de monopólio da violência legítima, esse movimento minimiza o custo de contestar decisões civis. Não se trata mais de lobby tradicional, mas de potencial veto armado às políticas que frustrem sua visão moral do mundo. A política deixa de ser espaço de negociação para converter‑se em arena de redenção e, como recorda Carl Schmitt, quem define o inimigo decide sobre a exceção. No Brasil de 2025, as audiências públicas sobre câmeras corporais evidenciam a dificuldade de implantação de sistemas de supervisão imparciais, associações policiais evocam “autonomia de culto” para rejeitar sensores que captem áudio enquanto repetem slogans bolsonaristas contra “advogados de bandidos”.

Vencer esse impasse exige estratégias multissetoriais. A primeira é fortalecer controles externos independentes, blindados contra pressões corporativas. A segunda envolve redirecionar a formação policial para uma ética laica de direitos humanos, na qual liberdade religiosa seja direito individual e não diretriz institucional. A terceira passa pela diversificação interna: mulheres, negros e não cristãos precisam ocupar posições de comando para romper a homogeneidade ideológica que facilita a captura. Há precedentes: experiências de polícia comunitária em Pernambuco e no Ceará, capitaneadas por oficiais civis, reduziram letalidade sem sacrificar autoridade, prova de que a profissionalização não enfraquece a corporação, mas lhe devolve legitimidade.

No plano cultural, é preciso disputar narrativas nas mesmas plataformas onde a captura avança. Projetos audiovisuais que retratem policiais defendendo a Constituição e não o “pecado zero” podem ressignificar heroísmos. Iniciativas de mediação comunitária que envolvam terreiros, coletivos LGBTQIA+ e conselhos de segurança ampliam o repertório ético da tropa, mostrando que a função policial é proteger a pluralidade democrática, não um conjunto particular de valores.

Nada disso, contudo, surtirá efeito sem vontade política de alto nível. As eleições de 2026, já prenunciadas como plebiscito entre continuidade e ruptura, colocarão o tema no centro do debate público. Se forças conservadoras lograrem ampliar a bancada armada, a janela de oportunidade para reformas pode fechar‑se por uma geração. Em contrapartida, uma coalizão democrática capaz de unir partidos de centro‑esquerda, movimentos sociais e parcelas da sociedade civil religiosa comprometida com direitos humanos talvez reabra caminho para a tão adiada desmilitarização.

A cooptação das polícias brasileiras por discursos religioso‑conservadores e de extrema‑direita não representa fenômeno periférico, mas epicentro de riscos à democracia. Quando armas se unem a convicções de salvação e ao populismo punitivo, o projeto republicano de neutralidade se desfaz, e o Estado transforma‑se em instrumento de cruzada moral. Se a sociedade não reagir com firmeza, poderemos assistir à consolidação de um complexo policial‑religioso‑autoritário que, sustentado por legitimidade eleitoral e amparo espiritual, minará as instituições por dentro. O Brasil já provou em 2023 quão frágil pode ser a linha que separa ordem democrática de aventura golpista. Evitar que essa experiência se converta em norma histórica depende, em última instância, de nossa capacidade de resgatar a laicidade, democratizar a segurança pública e reafirmar que, em uma república, não há espada que pese mais do que a soberania civil.

Referências

BARRERA, César; RUSSO, Mauricio B. “O Ronda do Quarteirão – relatos de uma experiência”. Revista Brasileira de Segurança Pública, v. 6, n. 2, p. 282‑297, 2012. Disponível no Repositório da UFC. https://revista.forumseguranca.org.br/rbsp/article/view/121

BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Portaria nº 483, de 9 nov. 2021. Regulamenta os Eixos de Valorização dos Profissionais de Segurança Pública (inclui a assistência espiritual). Diário Oficial da União, 11 nov. 2021. https://in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-mjsp-n-483-de-9-de-novembro-de-2021-359080774

BUZAN, Barry; WÆVER, Ole; DE WILDE, Jaap. Security: A New Framework for Analysis. Boulder: Lynne Rienner, 1998. https://www.rienner.com/title/Security_A_New_Framework_for_Analysis

CAMPOS, Rodrigo D. E. “Pastores no coração da tropa: como as capelanias militares se tornaram um instrumento de pregação evangélica”. Revista Piauí, 24 mar. 2025. https://piaui.folha.uol.com.br/pastores-capelania-militar-policias/

CNN Brasil. “8 de janeiro: PF detalha falhas de segurança e classifica grupos de atuação; veja o que diz o relatório”. Brasília, 29 out. 2024. https://www.cnnbrasil.com.br/politica/8-de-janeiro-relatorio-da-pf-aponta-omissao-de-autoridades/

GABINETE DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL do Distrito Federal (GSI‑DF).Relatório sobre os atos de 08 de janeiro de 2023. Brasília, 2023. https://static.poder360.com.br/2023/01/1-RELATORIO-FINAL.pdf

INSTITUTO SOU DA PAZ. Eleições 2024: panorama das candidaturas das forças de segurança. São Paulo, 2024. https://soudapaz.org/wp-content/uploads/2024/12/Eleicoes-2024-Panorama-Das-Candidaturas-Das-Forcas-De-Seguranca-Atualizado.pdf

MARONNA, Cristiano. “A Polícia Militar se tornou uma célula de extrema‑direita”. Entrevista ao programa Boa Noite 247. Brasil 247, 17 abr. 2025. https://www.brasil247.com/entrevistas/a-policia-militar-se-tornou-uma-celula-de-extrema-direita-diz-cristiano-maronna

MENEZES, Lucas. Extrema‑direita e Polícia Militar: a gramática moral dos policiais. Dissertação (Mestrado), Universidade de Brasília, 2023. https://www.repositorio.unb.br/handle/10482/51263?mode=full

PREFEITURA DO RECIFE. Portal Rede COMPAZ – “O que é o COMPAZ?”. Acesso em 22 abr. 2025. https://compaz.recife.pe.gov.br/quem-somos

SCHMITT, Carl. O Conceito do Político. Trad. Alexandre Franco de Sá. Lisboa: Edições 70, 2015. https://bibliografia.bnportugal.gov.pt/bnp/bnp.exe/registo?1892492

SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL – Pernambuco. “Pacto pela Vida completa 14 anos de êxito na redução da violência”. 6 maio 2021. https://www.sds.pe.gov.br/noticias/11337-pacto-pela-vida-completa-14-anos-de-exitos-na-reducao-da-violencia-em-pernambuco

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  1. Paulo Dantas

    22 de abril de 2025 8:25 pm

    Capturaram o tráfico !!

    No Rio tem o tráfico evangêlico.

    🙂

  2. Lênin and The Ulianovs

    22 de abril de 2025 9:33 pm

    Há falhas no texto, em parte, provocadas pela compreensível necessidade de confirmar a ideia de partida.

    As polícias, como bem ressaltou o autor, sempre foram impregnadas pela presença da religião (católica).

    Como instrumentos de repressão de classe, as polícias (mormente as estaduais) sempre se prestaram a manter os pobres confinados nos seus territórios de pobreza geográfica, mas também no aspecto simbólico.

    Com isso, as polícias reagiam às pautas conservadoras e suas demandas com igual obediência, como na questão da luta pela terra, nos movimentos por moradia, drogas, aborto, etc.

    Mesmo assim o comportamento paradoxal, também derivado da própria sociedade, era perceptível.

    Chutava o caixote do apontador do jogo do bicho, mas fazia a segurança estatal e oficial do Sambódromo.

    Por outro lado, a concepção do “inimigo de Estado” sempre foi a tônica das políticas militarizadas de combate ao crime, principalmente o varejo do tráfico.

    A letalidade também existia em escala de guerra civil, e não há nenhum dado que autorize a noção de que a presença evangélica aumentou esse fenômeno.

    A concepção do inimigo moral, por sua vez, também sempre esteve presente.

    A novidade, talvez, seja a recente visibilidade desses grupos identitários, que parecem não mais concordar com a invisibilidade, que permitia uma repressão silenciosa e impune.

    Ou seja, antes não havia esse conflito porque os grupos identitários sequer eram enxergado como humanos que pudessem reinvindicar algo.

    Bastava então, às polícias, manter a institucionalidade repressiva silenciosa.

    É onde, talvez, o discurso pentecostal mais intolerante seja mais útil a reação da tropa.

    No quesito politização partidária das polícias, embora o fenômeno religioso seja importante, é bom recordar que essa transição era de se esperar, já que, como apêndices das FFAA, tão onipresentes na política nacional, assumiram de vez o protagonismo, já que durante cada golpe ou regime militar, as forças policiais se mantiveram como assessórios políticos, mas atuaram firmemente como instrumento repressor.

    Parênteses:

    As forças policiais brasileiras sempre atuaram como mano militari de movimentos políticos, doando seus quadros para as fileiras dessas facções, sejam as Brigadas Militares gaúchas, a Força Paulista no golpe de 1932, chamado de Revolução Constitucionalista.

    Com a anistia de 1979, a senha foi dada, e passo a passo, a medida que as desigualdades sócio econômicas aumentavam as tensões, alimentando a histeria classe média, que exigia repressão policial violenta, as polícias “entenderam” o jogo, e vislumbraram um fértil campo de atuação.

    Em resumo:

    Não é a “conversão” que tornou as polícias instrumentos políticos ultra conservadores.

    É o contrário, elas se tornaram terrivelmente evangélicas porque já eram uma versão da Inquisição.

    Digamos que a recente modernização da igreja católica, que se tornou “mais aberta”, deixou um espaço a ser conquistado pela força emergente, os evangélicos.

    A religião evangélica dá uma legitimidade ao que já era organicamente estruturado desde 1808.

    Repito, a peça policial chama-se inquérito, de inquisição, Ordenações Manoelinas, direto dos Autos de Fé.

    Enfim, cabe dizer que o processo de partidarização não foi exclusivo das polícias, mas veio desde as FFAA, com diversos generais ocupando os mais altos cargos da República recente, e 6 militares nomeados em diversos escalões do governo Bolsonaro.

    Ao mesmo tempo o judiciário e o MP seguiram o mesmo caminho.

    Isolar o problema apenas no aspecto policial é um erro.

    1. Lênin and The Ulianovs

      23 de abril de 2025 7:23 am

      “(…)6 mil militares nomeados (…)”

    2. Roberto

      23 de abril de 2025 10:02 pm

      Lênin, maravilha seus questionamentos que dão uma alerta/afinada ao texto do Uchôa, também muito importante, mesmo não tendo observações ou citações de fatos herdados na história política e institucional em que as PMs brasileiras foram criadas. Nem só de Bíblia e falsos pastores fazem a cabeça da tropa, mas andam pesando um bocado.

  3. José de Almeida Bispo

    23 de abril de 2025 8:20 am

    Ou seja a loucura nazista está pronta para explodir: torturar e matar em nome de Deus. (Ou do que der)

  4. evandro condé

    23 de abril de 2025 8:03 pm

    Enquanto isso, o debate de PQ duas polícias está esquecido em alguma gaveta.

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