A História do Mundo – parte II, por Gustavo Gollo

Nosso mundo é ordenado pelo tempo, fato revelado pelo conjunto de fotogramas de uma filmagem qualquer, que evidencia, sempre, a sucessão ordenada de imagens a transcorrer passo a passo.

A História do Mundo – parte II, por Gustavo Gollo

Em texto anterior, descrevi o início de tudo, partindo de um ponto anterior ao próprio tempo, empenho tendente a criar perplexidade e, eventualmente, descrença, uma vez que não estamos acostumados a considerações análogas.

Nosso mundo é ordenado pelo tempo, fato revelado pelo conjunto de fotogramas de uma filmagem qualquer, que evidencia, sempre, a sucessão ordenada de imagens a transcorrer passo a passo. Caso embaralhemos os fotogramas de um filme, podemos, posteriormente, reconhecer e reconstruir sua ordem original; trata-se da ordem temporal, decorrente da existência do tempo.

Suponhamos, em contrapartida, um universo primevo de possibilidades, povoado por entidades únicas e efêmeras, diferenciadas, cada uma delas, de todas as demais, e cujas existências perduram apenas um átimo, esvaindo-se, todas elas, para dar lugar a outras igualmente fugazes e diferentes de tudo o que já existiu. Inexistindo continuidade, não há, também, uma ordem, tornando inútil qualquer referência a um tempo incapaz de ordenar qualquer evento, de modo que um universo de diversidades absolutas, sem repetições, consiste em um universo atemporal.

Podemos supor um universo tão díspar que povoado por quase-partículas que, além de efêmeras, possuam propriedades únicas e diferenciadas, de modo que nenhuma delas possui massa, ou carga, ou spin, mas cada uma possua propriedades únicas que nunca se repetem.

Nesse universo absurdo, podemos supor o surgimento, em meio às infinitas possibilidades, de algo que se mantém, de alguma propriedade que perdura no instante seguinte, compondo, desse modo, uma continuidade, e permitindo com isso a ordenação temporal. Trata-se do surgimento, não só, da continuidade, mas da ordenação, e do tempo.

A primeira parte dessa história foi dedicada a tal universo, anterior à construção do tempo.

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Replicadores

A designação “replicador” é propriamente aplicável a qualquer entidade que possa ser descrita pela equação geral:

R + a → R + R + b,

na qual o replicador R resulta duplicado. (Frequentemente, o processo de replicação pressupõe uma etapa intermediária, sendo mais detalhadamente descrito por:

R + a → M → R + R + b,

onde M descreve um estágio intermediário da replicação).

O surgimento das partículas elementares

Em princípio, a denominação “replicador” é aplicável a propriedades, como energia, ou spin de uma partícula. Podemos imaginar, no mundo pré-material, caótico, o surgimento de uma propriedade estável, como o spin, acoplada a uma quase-partícula. O acréscimo de outras propriedades estáveis, que permanecem no tempo, acabaria compondo as partículas como as conhecemos.

Imaginemos o surgimento da energia em um mundo radicalmente caótico. Consideremos que a energia se conserva de um momento a outro. Suponhamos que toda a energia do universo tenha sido criada em um único instante. A brutalidade de tal suposição nos assusta, a ponto, talvez, de nos levar à descrença: como teria sido possível a criação instantânea de algo tão estrondoso quanto toda a energia do universo?

Em vista de tal perplexidade, parecerá mais plausível imaginar a geração de, apenas, uma unidade de energia. Mas, note, qualquer que seja a quantidade de energia imaginada, ao ser dividida por tudo o que há, ela acaba por corresponder a toda a energia do universo, ainda que, sob tal descrição, essa totalidade seja designada como uma unidade.

É curioso notar que nossa descrença depende fundamentalmente de nos situarmos pequeninos, no interior de um vasto universo, ou imensos, a contemplar um universo nascente, de fora dele.

Assim, sob o conforto propiciado pela geração de uma unidade de energia associada a uma pré-partícula primeva, podemos imaginá-la a interagir com as entidades efêmeras, atribuindo a cada uma delas certa quantidade da propriedade conservativa a que denominamos energia. Teria sido necessária também a geração do spin, do momento, e de todas as propriedades que se conservam, a serem distribuídas por entidades que com elas ganhariam perenidade, acabando por se transformar em partículas. Suspeito terem sido os fótons os reatores de toda essa transformação, enquanto, uma a uma, as propriedades existentes hoje foram nascendo e se somando àquilo que chamamos partículas. Também é pensável que inúmeros experimentos vãos tenham sido realizados, como a construção de quase-partículas de spin 0,281, ou 767,3 ambas sumamente instáveis.

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As suposições acima ilustram a maneira como os fótons poderiam ter usado a pré-matéria original como alimento para sua replicação, assim como todas as outras partículas terão sido geradas através de interações replicativas, impondo-se, todas elas, no mundo, como replicadores, eventos passíveis de representação pela equação:

Υ + p → M → Υ + Υ + m,

onde a interação entre o fóton Υ e a pré-matéria p resulta em 2 fótons e matéria através de etapa intermediária M.

Uma pré-matéria tão extravagante que nem ao menos interagisse com a matéria constituiria um universo paralelo fantasmagórico irrelevante, dada sua inacessibilidade.

E assim, esboça-se a construção de tudo o que há no universo enquanto fruto de uma semente original replicadora.

Veja também:

https://jornalggn.com.br/ciencia/a-historia-do-mundo-i/

https://jornalggn.com.br/noticia/ciencia-e-arte-por-gustavo-gollo/

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