15 de junho de 2026

A saída do Reino Unido da União Européia e algumas perguntas polêmicas

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por Matê da Luz

Já começo dizendo que será polêmico, porque foi assim durante o final de semana e todas as conversas que mantive sobre o tema. Peço, então, que aqueles que desejarem somente criticar ou agredir em comentários sem argumentação construtiva e opiniática, se poupem – e me poupem também, de gastar caracteres. 

Escrevo porque desejo saber, expandir, conhecer – e, talvez, por ter a cara de pau de jogar na roda assuntos originalmente ácidos. Vamos lá. 

1- Alguns fundamentos culturais têm como base a caridade que, ao meu ver, vem sendo deturpada ao longo dos séculos e, mais ainda, cultivada pela perpetuação da ideia bizzara de reservas sem fim que sei lá eu quem disse que existiriam: reserva, quando mal administrada, tem fim, é fato. Então, dentro deste contexto, vale dizer que só dá ajuda quem pode dar, repetindo o mantra aéreo que diz que “em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão do teto e (enfim), cada qual deve colocar a máscara primeiro em si e só depois socorrer que está do lado, caso este não possa colocar a máscara em si mesmo” o que, na miha opinião, é um dos exemplos bobos mais simples para determinar que eu só posso ajudar alguém quando estou bem. Outro exemplo destes vem quando um bombeiro, um salva vidas daqueles de praia, sabe?, dá uma espécie de gravata na pessoa que se afoga, afim de lhe confundir os sentidos e, então, conseguir realizar o salvamento – isso porque uma pessoa que se afoga pode muito bem levar o salva vidas pro fundo. 

“Ah, mas que absurdo!”- aí é que está: por que é absurdo pensar que o Reino Unido deve pensar primeiro em si para, então, conseguir amparar os países europeus que submergem frente à crise econômica que assola o mundo? 

2- O capitalismo vem devorando o que nos resta de humanidade. Afirmação com a qual chego a concordar tanto que nem sei como expressar mas, oras bolas, vivemos neste sistema há tanto tempo e ainda não aprendemos as regras do jogo? Não sabemos fazer a matemática báscia do dia a dia e reclamamos no final do mês quando as contas apertam, culpando o governo/o emprego/a economia/os filhos/os pais pela nossa própria condição. Emotividades à parte, e olha que este é um exercício bem difícil pra mim, os abismos sócio-econômicos são uma realidade latejante, rotineiramente batendo à nossa porta: em que momento nos faltam as ações em prol de modificações que devem começar no nosso próprio micro-universo interpessoal, jogando toda a responsabilidade em terceiros que nem sempre têm os olhos voltados para as pequenices que, sim, fazem a real diferença? Por que é a que gente tem essa mania de culpar os superiores mas continua fechando as janelas e virando o rosto para o pobre no farol? 

“Ah, mas o impacto das deciões maiores afeta diretamente as pequenas ações rotineiras” – proporcionalmente, as ações rotineiras afetam as decisões maiores. Peguei um táxi semana passada e o motorista reclamava da corrupção generalizada. Lá pelas tantas, cansado de escutar minha opinião sobre o assunto, ele lança: “mas se tem uma pilha de dinheiro dando sopa, tá todo mundo pegando, eu pego mesmo, você não pega?”, percebe? Por que é que a gente culpa o outro de roubar e acabar com o País mas, quando a coisa vem em benefício próprio, só vale o nosso? 

3- Protocolos grandes como este, o da União Européia, devem ter um estatuto, não é mesmo? Ninguém pensou na possibilidade de um dos países não desejar fazer mais parte, visto que a participação é uma escolha (pelo que tenho entendido)? Como é feito um tratado desta abrangência, com que bases não contempla a saída ou exclusão de países relevantes para o funcionamento básico da coisa? Quais são as regras deste jogo e, quero mesmo saber, como é que não está preparada para que um ou outro país decline os ideiais e, então, deixe de fazer parte? 

e 4- Sou totalmente empática à situação dos menos favorecidos, dos refugiados, dos países em eterna guerra, que vivem atrocidades que sequer temos condições de discorrer sobre, por conta do tal “não dá pra efetivamente se colocar no lugar deles se você não vive como eles”. Mas sou empática, desejo que melhore, reeduco minhas ações para que reverberem positivamente no mundo maior. E entendo que política não funciona assim, que é um conjunto de decisões sociais, econômicas, culturais, estruturais e que age em tantas e diferentes esferas que não devemos manter o foco apenas em uma direção. De novo: para ajudar o outro, é preciso um planejamento que não quebre as contas, pra dizer o mínimo. Senão serão dois quabrados, me parece óbvio – mesmo que as lágrimas e o ensejo por um mundo melhor venha ao mesmo tempo dessa sensação de que estou sendo uma pessoa horrível ao pensar em contas enquanto pessoas morrem ao redor do mundo. 

Minha pergunta é: quando vamos perceber que esta crise que contamina o mundo tem mais a ver com o uso de recursos e planejamento de próximos passos do que com má intenção de um povo sobre o outro? 

Pronto, lançadas as polêmicas, aguardo (eu e meu calmante natural, conhecendo o eleitorado aqui do blog) as respostas que desejam contribuir para a construção de ideias. 

Mariana A. Nassif

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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5 Comentários
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  1. Hans Bintje

    27 de junho de 2016 7:41 pm

    Visite a Inglaterra de verdade

    Visite a Inglaterra de verdade e evite a “tourist trap”. Explico:

    “Na Grã-Bretanha hoje, 63% das crianças pobres crescem em famílias nas quais só um adulto trabalha. Para essas, a arapuca já se fechou. Mais de 600 mil residentes na segunda maior cidade da Grã-Bretanha, a Grande Manchester, estão, dizem um estudo, ‘conhecendo os efeitos de pobreza extrema’ e 1,6 milhão já escorregaram para a miséria.

    Pouco dessa catástrofe social é vista pela mídia, especialmente a BBC. Durante a campanha do referendo, praticamente nenhuma análise aproveitável conseguiu furar a muralha da histeria-clichê sobre ‘deixar a Europa’ – como se se tratasse de a Grã-Bretanha decidir que o país mergulhe em correntes marítimas hostis em alguma praia do norte da Islândia.

    Na manhã depois da votação, um repórter da BBC recebia políticos no estúdio, como se todos fossem velhos amigos. ‘Pois muito bem’ – disse o repórter a ‘lord’ Peter Mandelson, o amaldiçoado arquiteto do Blairismo –, ‘por que essa gente tanto quer a coisa?!’ ‘Essa gente’ é a maioria dos britânicos.”

    Fonte: http://blogdoalok.blogspot.com.br/2016/06/um-passo-real-favor-da-paz-e-da.html

  2. Dudek

    27 de junho de 2016 7:46 pm

    Dei 3 estrelas por que me fez

    Dei 3 estrelas por que me fez pensar… mas de certo modo, pensando apenas individualmente é que um monte de gente racional se torna uma multidão ensandecida.

  3. Roberto S

    27 de junho de 2016 8:02 pm

    Apoiado !

    Escrevi logo após a decisão maios ou menos nessa linha: os dirigentes estão pisanto tanto na bola que os despossuidos não querem mais saber de UE. Querem pragmatismo. Veja no meu blog:

    http://freituk.blogspot.com.br/2016/06/brexit-nenhuma-surpresa-brexit-no.html

  4. André W.

    28 de junho de 2016 1:48 am

    Não quero agredir, apenas

    Não quero agredir, apenas aconselho a, se tiver oportunidade apagar o parágrafo 1 e renumerar os outros pois deu vergonha alheia.

    Não se pode ser infantil com coisas que exigem maturidade. Obviamente que dará muito mais trabalho ajudar uma pessoa em estado de pânico, então a soma de vidas com chance de se salvar será menor se você ajudar o outro primeiro. Deve haver uma estatística sobre isso. Faltou  o exemplo do médico que tem que decidir quem ele salva quando tem recursos limitados para atender a várias emergências ao mesmo tempo. É preciso maturidade para se colocar na posição dele. Como não se pode ser democrático, por exemplo, pedindo para os engenheiros votarem qual peça do carro deve ser mais lubrificada.

    É louvável o ponto de vista da caridade, e acredito que há pessoas que realmente o praticam, mas você parte do pressuposto que a Europa está bem e não está. Os castelos lindos estão lá a séculos mas a vida das pessoas está estagnada há décadas. Você sabia que os franceses são loucos para emigrarem para os EUA? Que o Brasil recebeu uma nova onda de imigração européia nos governos Lula?

    Sobre o Brexit, falam mal do eleitorado Brasileiro mas a Europa era uma grande zona rural até a Segunda Guerra, a Itália elegeu o Berlusconi que eu não aceitaria nem para  corretor de seguros e os USA estão quase elegendo o Trump, ora, o Trump…

    O mundo é Jeca e acredita em soluções mágicas…

  5. thais stefany

    30 de junho de 2016 1:49 am

    Muito bom me ajudou bastante
    Muito bom me ajudou bastante no trabalho para a escola!!!!..

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