Ação parlamentar ou para lamentar?; por Chico Alencar

Sugerido por Assis Ribeiro

Do Le Monde Diplomatique Brasil

Ação parlamentar ou para lamentar?

As bancadas que contam no Congresso Nacional são as do agronegócio, das empreiteiras, da mineração, dos bancos, da bola, da bala… Elas se aglutinam como partidos de fato, hegemonizam comissões em que haja matérias de seu interesse e não obedecem ao comando dos partidos formais

por Chico Alencar

É costumeiro dizer que a existência do Parlamento chancela o caráter democrático do regime político. Nossa história, como a de muitos outros países, não confirma isso.

No Império, a partir de 1822, a Assembleia Geral reunia os “representantes do povo”. Mas os eleitos, a exemplo dos que chegavam às câmaras municipais, desde a Colônia, eram os “homens bons”. Machos, brancos, ricos nos padrões da época e… cristãos. A Monarquia parlamentarista brasileira chegou a revezar liberais e conservadores no ministério, auxiliando o sereníssimo e magnânimo D. Pedro II. O trono assentava-se na prosperidade de um “rei” que não era o Pelé, e sim o café. Aristocracia é rima, mas não solução para democracia. Os debates e discursos no Parlamento, entretanto, sempre reverberavam algumas questões candentes da sociedade, por mais elitista que ele fosse. O abolicionismo e a emancipação tardia, com a Lei Áurea, revelam isso.

Na República Velha, dos “coronéis”, dos “bacharéis” ou do “café com leite”, a dominação oligárquica também moldava o Congresso Nacional. Eram inexistentes os representantes dos camponeses – maioria dos que trabalhavam no país predominantemente rural – e da classe operária nascente. O voto de cabresto e os currais eleitorais impediam essa presença. As autoridades da República dita democrática jamais perguntavam, ao colocar em prática suas políticas, sobre os interesses do povo, sobre seus quereres. A plebe marginalizada só era percebida quando, confrontando a lei (do mais forte), se rebelava, dizendo por A mais B, com armas na mão e braveza no coração, que não aceitava mais tanto C de controle e coerção. Foi assim em Canudos, Contestado, Caldeirão, Chibata. E no cangaço.

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A Revolução de 1930 (“Façamos a revolução antes que o povo a faça”, alertou Antonio Carlos, presidente da província de Minas Gerais) não alterou muito esse quadro de debilidade da representação. É verdade que já estavam na cena política brasileira novos atores, oriundos das mudanças socioeconômicas da urbanização. Em décadas anteriores já se organizavam sindicatos operários, de forte influência anarcossindicalista. Uma organização de esquerda, o Bloco Operário e Camponês, chegou a eleger alguns parlamentares no Rio de Janeiro, mas eles foram cassados antes de assumir os mandatos. A incorporação das massas ao processo político só ocorria em espasmos e graças ao seu próprio combate. O voto secreto do eleitor, instituído pela Constituição de 1934, reduzia um pouco o poder dos “coronéis”, mas não os destruía. Os analfabetos, dois terços da população, continuavam impedidos de votar. O “novo” da República brasileira seguia sendo a velha combinação de liberalismo (formal), autoritarismo (patriarcal) e elitismo (patrimonial).

O Estado Novo (1937-1945) dispensou as formalidades e os incômodos do Parlamento, inspirando-se no corporativismo dos regimes fascistas da Europa. Difundiu-se, pela propaganda e pela extrema centralização governamental, que uma elite intelectual de técnicos, militares e políticos “modernos” seria capaz de interpretar os “verdadeiros interesses nacionais e das classes populares”.

Os ares do final da Segunda Guerra Mundial chegaram ao Brasil, e nossa democracia liberal formal, recomposta, estabeleceu o pluripartidarismo e a garantia da expressão de correntes à esquerda, como o Partido Comunista (por breve tempo), o Socialista e o Trabalhista. Getúlio Vargas, que conduzira o país por quinze anos consecutivos e três distintas formas de governo (provisória, constitucional e unitária), já vislumbrava os novos caminhos: “Quando terminar a guerra, em ambiente próprio de paz e de ordem, com as garantias máximas à liberdade de opinião, reajustaremos a estrutura política da Nação, fazendo as necessárias consultas ao povo brasileiro”.

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De uma ou de outra forma, quase sempre controláveis ou manipuláveis, o ente “povo brasileiro” ia adquirindo fisionomia e não podia mais ser ignorado. O chamamento “Trabalhadores do Brasil!” que Vargas fazia, nas comemorações do Primeiro de Maio, para anunciar “benesses” às “classes laboriosas” funcionava como anteparo à influência socialista e comunista entre os “de baixo”. Mas tanto os segmentos populistas quanto os mais ideológicos, defensores da auto-organização dos trabalhadores, iam conquistando espaço, inclusive nos legislativos.O golpe civil-militar de 1964, ao dissolver os treze partidos políticos de então e impor o bipartidarismo entre o “sim” (MDB) e o “sim, senhor” (Arena), empenhou-se em cassar parlamentares defensores das reformas de base. A ceifa foi grande, revelando que o Parlamento já não era tão irrelevante assim.

Após o “intervalo trevoso” da ditadura, chegamos à nossa etapa liberal-democrática atual, sob a égide da Carta Cidadã de 1988. Obtivemos inegáveis conquistas, com a capilarização da ideia de democracia como valor universal, tese do saudoso Carlos Nelson Coutinho. Mas é imperativo reconhecer que vivemos uma “democracia de baixa intensidade”, para usar a expressão de Boaventura Souza Santos. O clientelismo e os mandatos de negócios, que buscam sua reprodução por meio da “fidelização” do eleitorado paternalizado, dão o tom dissonante da democracia real. A participação popular nas decisões de âmbito municipal, estadual ou nacional, embora afixada como princípio constitucional, não é desejada nem estimulada. Os mecanismos desse ativismo são, em geral, esvaziados. Não se viabiliza a saudável combinação entre democracia direta, por meio dos conselhos e plebiscitos/referendos, e a expressão parlamentar. Os partidos ainda pretendem ter o monopólio da representação, apesar de seu escandaloso artificialismo: existiriam de fato 33 correntes de opinião e, consequentemente, de projetos de sociedade, manifestando a visão de distintos grupos e classes no Brasil? A verdade dessa degeneração partidária é que as siglas não correspondem às suas práticas: republicanos, social-democratas, socialistas, democratas, trabalhistas, comumente, não o são. Os nomes das legendas escondem sua real natureza: vínculos com os poderosos para reprodução de mandatos voltados para os bens particulares, e não para o bem comum.

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Hoje, as bancadas que contam no Congresso Nacional são as do agronegócio, das empreiteiras, da mineração, dos bancos, da bola, da bala… Elas se aglutinam como partidos de fato, hegemonizam comissões em que haja matérias de seu interesse e não obedecem ao comando dos partidos formais. Não por acaso, 386 dos 513 deputados receberam financiamento de campanha desses segmentos, e apenas 1% só de pessoas físicas. O derrame do dinheiro das empresas torna as eleições cada vez mais previsíveis. Não foi por outra razão que a Câmara dos Deputados derrubou, em 16 de outubro, emenda para limitar os gastos de campanha e o Senado vetou, em 6 de novembro, a ampliação da prestação de contas, indo na contramão do “clamor das ruas”, que, cinicamente, diziam ouvir.

Apenas uma reforma política substantiva, que só o será com forte participação popular, poderá reduzir a influência do poder econômico na constituição dos executivos e dos legislativos, possibilitando que as maiorias sociais se tornem maiorias políticas. Sem mudança radical no sistema privado de financiamento de campanhas, na concepção e atuação dos partidos e na consciência do eleitor, que precisa se tornar um cidadão de tempo integral, continuaremos neste “museu de grandes novidades”. Vendo, como cantou profeticamente nosso Cazuza, “o presente repetir o passado”.

Chico Alencar é professor de História e deputado federal (Psol-RJ)

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25 comentários

  1. A crise de representatividade expressas nos movimentos de rua

    “As bancadas que contam no Congresso Nacional são as do agronegócio, das empreiteiras, da mineração, dos bancos, da bola, da bala… Elas se aglutinam como partidos de fato, hegemonizam comissões em que haja matérias de seu interesse e não obedecem ao comando dos partidos formais”

    Toda a matéria é uma síntese perfeita da falta de representatividade do congresso, da necessidade da reforma política e proibição do financiamento de campanhas por empresas ou corporações.

  2. Os perigos dos atalhos.

    Prezados e prezadas,

    O deputado Chico Alencar é um dos quadros de destaque da política nacional, e merece todo nosso respeito. É papel das minorias proclamarem a necessidade permanente de mudanças, e isto é extremamente salutar na Democracia.

    Deixemos de lado as provocações inúteis, como aquelas que diriam que o partido do Chico age tal e qual os que ele denuncia, quando se junta com o Demos no Norte do país para ganhar uma prefeitura, ou no Senado abraça algo que está mais a direita que Sarney(se é que isto é possível).

    Creio que as ideias trazidas por Chico estão acima deste estreitamento.

    As lamentações do Chico Alencar procedem, mas elas são só isto: lamentações.

    É óbvio que a correlação e arrumação de forças, que ele descreveu, tornam mais difícil o trabalho de alterar a representação e a qualidade da representação, mas a pergunta crucial é: a maioria da população quer realmente abraçar as teses defendidas por Chico?

    Como se faz o que ele chama de melhoria dos representantes sem alterar o perfil e as escolhas dos representados?

    E caso não esteja ainda maduro o senso de mudança na maioria de eleitores, pode o parlamento fazer em dissonância com esta ausência de ímpeto por alterações do sistema representativo?

    Então teremos, de um lado, a usurpação capitalista dos mandatos, e de outro, a usurpação daqueles que se dizem “as forças do bem”?

    É isto?

    Não temos dúvida: o capitalismo sequestra e confina a Democracia e mandatos, mas alguém tem a ilusão que panaceias como financiamento público, ou uma reforma política “ampla e irrestrita” (seja lá o que isto signifique) conseguirão produzir os efeitos esperados? E mesmo que repercutam, não será mais uma “reforma por cima”, como todos os outros processos elencados pelo nobilíssimo parlamentar?

    Enquanto isto, os espaços de organização popular, capazes de pressionar os mandatários e instrumentos de governança, continuam às moscas, abandonados por todos, inclusive pelo PSOL. E qual motivo? Preguiça cívica?

    Como professor de História, Chico deve saber que ninguém cede espaço, nem poder.

    Martelar a ação parlamentar de nada resolve, a não ser para aquele que desejam solapar o parlamento e introduzir soluções de força.

    Há de se perguntar: a situação está melhor que antes?

    Bom, se considerarmos que está, eu pergunto, é obra de quem? É uma mágica da autodeterminação social que trouxe melhorias para consideráveis parcelas marginalizadas há séculos neste país?

    Por detrás da coerente intervenção do Chico está o desejo, quase indisfarçável, de trilhar atalhos.

    Atalhos e Democracia não rimam.

    Se Chico lamenta a ação do parlamento, poderia renunciar e sair às ruas para organizar as massas.

    Como dizem aqui na Gália, ou o peixe está fresco, ou não está fresco.

     

    • Obelix, acho as suas

      Obelix, acho as suas intervenções muito esclarecedoras. Concordo plenamente com a sua avaliação sobre o texto acima. E acho que a sua sugestão final é perfeita: que o nobre parlamentar deixe o cargo e procure outra atividade em que possa colocar em prática as suas verdadeiras aspirações. Esse lero-lero de apontar o dedo para os problemas, sem lhes apresentar uma solução competente, não costuma dar em nada. Ou melhor, só serve mesmo para dar alguma publicidade a quem não a conquista por meio de realizações importantes.

  3. Mas  as  “soluções “

    Mas  as  “soluções ” preconizadas  pela  mídia podre e  pelos  setores  conservadores,   o  tal  voto  distrital e  a  extinção  do  voto  obrigatório ,  só  irá  agravar  mais  ainda  o quadro exposto  pelo  deputado queridinho do  o globo :  a  soma  dos  deputados  da bancada rural,   evangélica  e empresarial  alcançará  fácil,  fácil,  a  maioria  absoluta.  Aí,  vai  piorar  muito…

  4. sinceramente, sou presidente

    sinceramente, sou presidente lula na veia 4uatro vezes, mas se deixarmos o congresso representar o povo brasileiro aí que o negócio vai pro brejo.. não esqueçamos que o povo elege garotinhos, tucanos (hehe), é um descalabro brasil afora… antes que seja dada educação ao povo não dá pra confiar não, tem que ser voto de cabresto mesmo… 

    saudações caninas (as mais sinceras..hehe)

    a propósito, bem lembrado.. alguém se deu o trabalho de ver fhc no manhatan não sei das quantas… o que foi aquilo? este cidadão ex-presidente quis dizer de maneira oblíqua que o presidene lula foi x9 da ditadura?! ley dos medios já!!!!

  5. acao parlamentar ou pra lamentar
    Maravilhoso e lucido comentario do Dep.fed. Chico Alencar, mais eu gostaria de ve-lo com essa lucidez quando aparecem as denuncias dos crimes contra a nacao por parte da midia golpista encabecada pela sonegadora Globo , que representa esses mesmos interesses dessas bancadas citadas pelo nobre deputado. Mais infelismente nessas oras ele e seus paris do PSOL, cuja a fundadora Heloisa Helena disse estar cheios de “Picaretas”, se associam aos mesmos grupos parlamentar na defesa dos golpistas em nome de uma ipocrita liberdade de expressao.

    • Randolphe, Taques e Miro – Bancada da Veja e do Prevaricador

      Perfeito comentário. E sobre a imprensa pestilenta, é bom rememorar alguns fatos…

       

      A CPMI do Cachoeira surgiu a partir do estouro da Operação Monte Carlo, em fevereiro de 2012. E é bom lembrar que esta CPMI saiu por insistência e articulação direta de Luiz Inácio Lula da Silva. O mafioso Carlos Cachoeira era o editor informal do hebdomadário criminoso da Editora Abril. Durante todo o governo Lula e o primeiro ano de Dilma, o criminoso goiano pautou a imprensa pestilenta, tendo a Veja como cabeça de ponte. O criminoso Cachoeira tinha um despachante de luxo no Senado.

       

      Este despachante de luxo era o quadrilheiro senador Demóstenes Torres, mafioso que a imprensa pestilenta alçou durante 10 anos consecutivos ao patamar de “impoluto e bravo” militante da “ética, da moral e dos bons costumes” de Pindorama. Demóstenes Torres agiu durante uma década tendo a proteção integral da quadrilha oligopólica máfio-midiática. E nesta operação comandada diretamente pelo Capo da Máfia da Imprensa Oligopólica, Roberto Civita, a ponte com o mafioso Carlos Cachoeira era Policarpo Jr., alcunhado pela máfia de ‘Caneta’.

       

      Esta máfia plantava notícias falsas contra desafetos para favorecer os interesses da quadrilha oligopólica máfio-midiática no aparelho de Estado e para garantir negociatas com inúmeras empreiteiras. Uma delas, a Delta, teve todos os contratos firmados com o governo federal examinados com lupa (nem precisava tanto pois os contratos são públicos e sempre estiveram no Portal da Transparência). Nada foi encontrado.

       

      Mas o mais significativo desta CPMI foi a intervenção do Senador Fernando Collor, que bateu de frente com a máfia representada pela Editora Abril, pelo Capo Roberto Civita, pelo garoto de recados Policarpo Jr. e pelo Prevaricador Geral da República Roberto Gurgel, a quem Collor chamou inúmeras vezes de bandido, criminoso, prevaricador e quadrilheiro por ter acobertado o criminoso Carlos Cachoeira, o despachante Demóstenes Torres e por ter soterrado e enterrado a Operação Monte Carlo, que só saiu em função de um pedido do Ministério Público de Goiás.

       

      Lamentavelmente não foi possível convocar os mafiosos Roberto Civita, Policarpo Jr., Roberto Gurgel e alguns outros. E porquê não foi possível convocá-los? Porque a bancada da Rede Globo, da Veja e de Roberto Gurgel impediram toda e qualquer convocação dos mafiosos já citados. Estas bancadas tinham ilustres lideranças, mas as mais destacadas eram os senadores Pedro Taques, Randolphe Rodrigues e o deputado federal Miro Globeleza Teixeira, além de toda a bancada do PSDB, do DEM e do PMDB.

       

      O PSDB, o PMDB, o DEM, bem como o PSOL, o PSB e parte do PDT impediram a convocação da máfia e o resultado da CPMI foi decepcionante.

       

      Miro Teixeira, Pedro Taques e Randolphe Rodrigues, inclusive, disseram na CPMI que a convocação dos mafiosos Roberto Civita e Policarpo Jr. era um “atentado contra a liberdade de imprensa”! E disseram também que denunciariam o Brasil em todos os fóruns adequados se tal “violação” tivesse consequência… São um bando de capachos. Capachos que se acumpliciaram desavergonhadamente com a quadrilha oligopólica máfio-midiática na CPMI do Cachoeira.

    • Que é isso ?

      Tá maluco, desinformado ou é só um mentiroso sem-vergonha ? Na CPI do Cachoeira o Senador Randolfe foi ‘único a se posicionar pela investigação tanto da Delta quanto da Globo, enquanto o PT queria esconder a Delta e o PSDB proteger a Veja, no que chegaram a um acordo de filhos-da-puta que engavetou o relatório final, mesmo fazendo um deputado mineiro passar por uma situação ridícula no papel de relator sendo desautorizado pelo comando de seu partideco.

      • Oh Meu Deus do céu, que coisa

        Oh Meu Deus do céu, que coisa ridícula (não por este post) ver o Marquinho Chilapinha botando banca. O que leva um garotinho desses a crer que haverá uma revolução marxista no México, um dos países que mais crescem no capitalismo e na economia de mercado, e bem na fronteira com os EUA, o guardião da democracia ocidental. 

        Mas que bobagem Marquinho, o nosso querido menino chilapinho…

         

         

    • Mas aí temos um dilema, os

      Mas aí temos um dilema, os partidos, no geral, pouco representam alguma ideia clara e conhecida para serem considerados como um grupo homogêneo com decisões partidárias compreensíveis e previsíveis por parte do eleitor. E no geral, o eleitor vota no candidato e não no partido, o que pode ser questionável para quem defende o fortalecimento dos partidos, mas é como o jogo tem funcionado.

      Diante deste quadro, se a bancada evangélica, pela qual não nutro simpatia, está votando de acordo com o que seu eleitor pensa e acredita, é algo mais democrático que a tradicional democracia de acordos e coalizões, onde o eleitor é só um detalhe de 4 em 4 anos.

  6. Chico Alencar – reforma política.

    Cidadão 24 hs, este é um bom começo, especialmente se tirado do papel Constitucional e colocado de fato, nas ruas e, em cada casa, da mais simples moradia à mais rebuscada mansão.

    Sou mais inclinado a ouvir com respeito, os representantes dos mais frágeis como o Dep. Chico, do que perder tempo com espertezas e ilações inúteis, que só fazem crescer o abismo entre o povo e seus representantes, ao tentar desacreditar os representantes populares.

    Embora não pertença ao PSOL, jamais me atreveria a criticar uma proposta desta natureza relevando claro, os detalhes ideológicos, que de outra forma, qualquer um os teria. O que de fato importa é que a voz vem de baixo, vem dos mais humildes, vem daqueles que não tem espaço social de fato.

    Criticar é fácil, enfrentar o poder econômico, não é tarefa pra qualquer sujeito por traz de um teclado de computador. Exige compromisso, sacrifício, tenacidade e apoio. Isto sim é o que interessa.

    Meu abraço ao Chico Alencar e sucesso em sua boa e honesta demanda.

  7. Bem se todos os parlamentares

    Bem se todos os parlamentares fizessem o que o Chico Alencar  fez,  já estaríamos dando um grande passo. Não com relação as lamentações mas às denúncias. Um parlamentar, de um partido vem a rede e explica o que tá acontecendo. Não interessa de que partido o cara seja, ele vem a rede, expõe a situação e o pessoal compartilha para possibilitar o debate alcançando um maior número de pessoas… é a única forma da sociedade poder participar. Essa conversa de que a rede só alcança uma parcela mínima da sociedade é balela para manter todo mundo ( inclusive o Congresso ) submisso a mídia grande.

    ” Hoje, as bancadas que contam no Congresso Nacional são as do agronegócio, das empreiteiras, da mineração, dos bancos, da bola, da bala… Elas se aglutinam como partidos de fato, hegemonizam comissões em que haja matérias de seu interesse e não obedecem ao comando dos partidos formais”

    Tomando como exemplo o post; ótimo, já sabemos que os caras se organizam em bancadas com interesses específicos; cabe aos partidos denunciarem os que não seguem as orientações das lideranças e a nós a campanha contra eles nas redes sociais.

    Cabe tb aos internautas identificar os parlamentares que usam a mídia grande ou que são usados por ela (  o que dá na mesma ) para passar recados e/ou criar consensos. No caso do post, p. ex. por alguma razão as bancadas religiosa e de mídia, desaparecem ( são contrabandeadas no “etc…” ). Assim como a sociedade precisa escolher melhor seus representantes, tb seus representantes precisam deixar claro se vão trabalhar com a opinião pública ou com a publicada. QQ parlamentar que insista na opinião publicada ( Mídia ), atualmente, demonstra a intenção clara de ludibriar o eleitor na tentativa de, junto com a mídia desqualificar a representação da maioria e forjando via ” clamor das ruas” , uma “maioria” composta por grupos minoritários que não conseguindo voltar ao poder no voto, chegam ao limite de desconstruir o conceito de democracia para retomar o controle do Estado a qq custo.

     

    • Tomando como exemplo o post;

      Tomando como exemplo o post; ótimo, já sabemos que os caras se organizam em bancadas com interesses específicos; cabe aos partidos denunciarem os que não seguem as orientações das lideranças e a nós a campanha contra eles nas redes sociais.

      Mas os partidos não vão se mexer porque ou esses caras que fazem parte das bancadas temáticas são os próprios caciques ou porque trazem muitos votos para o partido, contribuíndo para a eleição dos caciques. O PSOL só “brotou” do PT porque aconteceu uma ruptura clara, mas esse mesmo tipo de ruptura com o partido (no governo) não tem condições para ocorrer num partido como o PMDB, que é naturalmente um “saco de gatos”.

      O caminho para melhorar a democracia brasileira é (mais) participação popular e não “entregar” mais poder para os caciques ou partidos. Não é uma apologia aos “sem partido”, pois tenho partido e acho salutar, desde que a coisa não desande para uma postura de torcedor de futebol, e sim uma defesa da “tomada de partido”, ou melhor, de posição, em todas as questões que são de interesse pessoal.

  8. status quo

    …….     CAro   Chico Alencar – professor de História e deputado federal (Psol-RJ).

     

    concordo com Vc em genero, numero, grau, cor, odor, densidade, balanço, sequencia, em fim, concordo com td.

    a unica coisa q nao concordo eh com o cordeirismo do povo brasileiro, apreciador do besteirol da rede globo, q atrofiou seu cerebro. em contrapartida, os politiqueiros avançam no balcao de negocios q eh nosso congresso.

    o lula, q se faz de tao bonzinho, os burqueses da hoje esquerda nao vao minimamente alterar esse status quo.  ta bao demais sô.

  9. Infelizmente, dada a atuação

    Infelizmente, dada a atuação do psol nestes últimos anos, não confio neles, nenhuma proposta vinda deles pode ser levada com seriedade. Pelo menos eu faço esta leitura.

    Temos de avaliar se tudo isso não passa de desespero do Chico Alencar no sentido de prever que ou não vai se eleger ou vai ter muita dificuldade, já que o partido arreganhou a porteira e muitos oportunistas entraram para aproveitar o voto de legenda nas últimas eleições municipais e podem atrapalhar o Chico nas próximas eleições.

    Em se tratando de psol só vejo isso, ou desespero para manter os poucos mandatos que têm ou crocodilagem mesmo.

  10. Ora vejam. Que grande

    Ora vejam. Que grande novidade nos traz o Chico Alencar: precisamos de uma “reforma politica substantiva”. Ninguém tinha pensado nisso antes. O pior é que ele passa o artigo inteiro dando aula de história, e esquece de dizer qual é a reforma politica que o partido dele defende. Que desperdício …

  11. Disse o “que”, não abordou o “como”

    “Apenas uma reforma política substantiva, que só o será com forte participação popular…”

    Concordo plenamente com a reforma substantiva: é urgente, indispensável, fundamental etcétera e tal. Mas como realizá-la? Quem a realizaria? O Congresso mesmo? Uma Constituinte? Quem a convocaria, de modo a não torná-la um “clone” do Congresso? Não bastam formulações genéricas e algo românticas, como a tal “forte participação popular”, apresentada como chave do enigma, quando não tem sido chave para nada: afinal, o Congresso também é eleito com “forte participação popular”, haja vista os níveis de abstenção, bastante baixos.

    Aguardamos do ilustre deputado propostas concretas, viáveis, realistas, com potencial de fato para fazer mudanças significativas na nossa estrutura político-eleitoral.

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