Jornal GGN – Ainda no quesito leituras, o artigo de Renato Souza Santos discorrendo sobre a classe média brasileira, obteve quase 76 mil leituras. Renato discutiu um tema controverso, para a própria classe média que o lê, que é a meritocracia. O artigo foi alvo de elogios e críticas, trazendo para o blog e GGN novos comentaristas, novas visões em discussão. Este artigo também ganhou espaço na blogosfera e nas redes sociais.
Leia o artigo de Renato Souza Santos, da UFSM/RS
Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira
A primeira vez que ouvi a Marilena Chauí bradar contra a classe média, chamá-la de fascista, violenta e ignorante, tive a reação que provavelmente a maioria teve: fiquei perplexo e tendi a rejeitar a tese quase impulsivamente. Afinal, além de pertencer a ela, aprendi a saudar a classe média. Não dá para pensar em um país menos desigual sem uma classe média forte: igualdade na miséria seria retrocesso, na riqueza seria impossível. Então, o engrossamento da classe média tem sido visto como sinal de desenvolvimento do país, de redução das desigualdades, de equilíbrio da pirâmide social, ou mais, de uma positiva mobilidade social, em que muitos têm ascendido na vida a partir da base. A classe média seria como que um ponto de convergência conveniente para uma sociedade mais igualitária. Para a esquerda, sobretudo, ela indicaria uma espécie de relação capital-trabalho com menos exploração.
Então, eu, que bebi da racionalidade desde as primeiras gotas de leite materno, como afirmou certa vez um filósofo, não comprei a tese assim, facilmente. Não sem uma razão. E a Marilena não me ofereceu esta razão. Ela identificou algo, um fenômeno, o reacionarismo da classe média brasileira, mas não desvendou o sentido do fenômeno. Descreveu “O QUE” estava acontecendo, mas não nos ofereceu o “PORQUE”. Por que logo a classe média? Não seria mais razoável afirmar que as elites é que são o “atraso de vida” do Brasil, como sempre foi dito? E mais, ela fala da classe média brasileira, não da classe média de maneira geral, não como categoria social. Então, para ela, a identificação deste fenômeno não tem uma fundamentação eminentemente filosófica ou sociológica, e sim empírica: é fruto da sua observação, sobretudo da classe média paulistana. E por que a classe média brasileira e não a classe média em geral? Estas indagações me perturbavam, e eu ficava reticente com as afirmações de dona Marilena.
JB Costa
25 de dezembro de 2013 1:02 pmMuito boa a idéia de repostar
Muito boa a idéia de repostar os textos mais lidos que ao cabo acabam sendo os mais expressivos.
Este foi, na minha avaliação, um dos melhores(está entre os dez primeiros) de 2013 e fica também, a depender do meu juízo, incluído entre os melhores de toda a história do blog.
Seu mérito distinguível é o de desnudar através de uma argumentação lógica, consistente e empiricaente sustentada essa etérea expressão “classe média” que, diferentemente, das demais de seu gênero(alta, baixa) é difícil não só a caracterização, mas, e principalmente, de apreensão do seu animus.
Juliano Santos
25 de dezembro de 2013 5:09 pmUm dos melhores do ano, senão
Um dos melhores do ano, senão foi o melhor, entre os colaboradores do Nassif. Corajoso e agudo sem apelar para proselitismo, ajudou a reflexão sobre uma classe ambígua, mais dificil de ser analisada do que a duas dos extremos da pirâmide.
Altamente recomendável para os “pagadores de impostos” que queiram entender a sociedade brasileira e a si mesmos para além do lugar-comum.