Autoridades e personalidades da fase Forrest Gump brasileira

Corra, Forrest, corra! E das histórias intermináveis de Forrest Gump, que participou da história como um personagem ausente, correm causos desses incríveis portadores de currículos impressionantes.

Jornal GGN – Corra, Forrest, corra! E das histórias intermináveis de Forrest Gump, que participou da história como um personagem ausente, correm causos desses incríveis portadores de currículos impressionantes. A mentira é uma realidade aumentada ou é um projeto para o futuro? Pode escolher. Das passadas de Forrest ao currículo do ministro, muita água escapou pela peneira.

É preciso ser intelectual, mesmo que seja de ocasião. Ler biografias é o passatempo favorito de Sergio Moro, hoje ministro antes juiz. Leu muitas. Mas são tão efêmeras as leituras que citar um só foi complicado, deixou-o sem voz, sem norte e sem memória. E, na Globo, em rede nacional, saiu um ‘não me lembro agora do último que li’. Mentira que foram essas as palavras, mas verdade que nada foi citado. Mas nem se falou em currículo aqui, aliás, bem pobre, assim como o vocabulário. E uma estreia mal contada nos concursos deste país.

O governador Wilson Witzel usou de licença poética em seu currículo Lattes, aquele que sacramenta o caminhar de profissionais respeitados. Lascou ali um doutorado sanduíche em Harvard. Mas Harvard não há, era somente uma intenção para o futuro. Alguém me disse que tinha intenção de ser presidente, e para pavimentar o caminho já estava lançando a pérola em seu currículo Lattes.

No currículo de uns e outros, ministros e quetais, informações pertinentes que caíram na impertinência dos escrutínios. Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, disse que era ‘mestre em Direito Público em Yale’. E afirma isso desde 2012. Mas o ministro não conseguiu manter a balela com a lupa apontada para o currículo. A universidade Yale declarou desconhecer tal ilustre estudante.

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Já Damares Alves, prestimosa titular do ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, declarou, em alto e bom som, ser mestre em educação, em Direito Constitucional e da Família. Ao ser indagada sobre a origem do diploma, Damares subiu na goiabeira do ‘não foi bem isso’ e explicou que sim, era mestre, ‘no sentido de que são mestres todos os que interpretam a Bíblia’. E continuou a interpretar o santo livro dizendo que personagem Disney que fica sozinha é lésbica, que crianças do Nordeste estudam bruxaria e que viu papai do céu na goiabeira. Lá em cima.

Lembram do Ricardo Vélez Rodríguez, o colombiano ministro da Educação? Ele, em seu currículo, afirmou ter a coautoria da obra em que o outro autor morreu em 1859. Mero detalhe. Esotéricos entenderão.

O guru do governo em curso, Olavo de Carvalho, diz ser filósofo, tem aversão profunda por titulação dos outros, levantou a lebre de que nas universidades só aconteciam ‘putarias’, diz que vacinas causam infertilidade, avisa aos incautos que a Pepsi é adoçada com fetos humanos abortados e, pérola maior, é o defensor da tese de que os negros escravizaram os brancos durante séculos. E não é tudo, mas é o suficiente.

Deltan Dallagnol, por outro, o muso da Lava Jato, depois que viu disparos contra ministros que turbinaram seus currículos, tirou da sua descrição de twitter a informação de que seria ‘Mestre em Direito por Harvard’. A informação se foi. Desturbinou a biografia e avisou, no lugar, que falava por ele e nunca pela corporação, acá Lava Jato. Mas tá lá no seu currículo que o curso existe. E, se existe, não deveria ter mantido no twitter?

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Joice Hasselmann, deputada federal pelo PSL-SP e líder do governo no Congresso, foi demitida da revista Veja depois do imbróglio apontado pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná, de que a moça plagiou 65 reportagens escritas por 42 pessoas diferentes entre os dias 24 de junho e 17 de julho de 2014. É campeã em fake News e já carrega algumas reprimendas da Justiça por cria-las e espalhá-las. Mas fazedor de fake News é titulação?

Danilo Gentilli, em entrevista a Marcelo Tass, no novo #Provoca, avisou que leu algumas coisas de Paulo Freire mas, na real, ele não gosta é das pessoas que o defendem. Daí soltou a pérola: “Ele parece um estelionatário falando”. Daí Tass pediu para ele citar uma frase de Freire que ilustrasse esse pensamento. E o Gentilli falou que poderia pegar no Google, pois que já que ele não gosta, nem memoriza. E eu acreditei.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, conseguiu seus feitos. Pulou o mestrado e fez doutorado em 2 anos e esse doutorado foi concomitantemente feito com o pós-doc, que começou antes do doutorado. Está na ficha corrida. Um caso de pós-doc feito antes do doutorado e que o tornou livre-docente no ano seguinte. E nem se fala em plágio aqui, pois que já foi o exemplo da deputada federal do PSL.

Mas as mentirinhas são pessoais. Pior se lembrarmos que Paulo Guedes, o super-mega-blaster-ministro da economia, quer nos vender a Torre Eiffel travestida de benefícios advindos com a reforma da Previdência. Comprovadamente titulado na academia, Guedes afirma que isso equilibrará as contas do governo e tirará os privilégios de tantos que ali se acomodaram. Assim como Victor Lustig vendeu a dita Torre, como se representante fosse da prefeitura de Paris, Guedes, travestido de fiel escudeiro, vende a imagem de que salário de 984 reais por mês é privilégio, e não menciona jamais as filhas de militares que recebem pensão eterna por eternizarem-se solteiras, mesmo casadas. Acho que já contei a história da Maitê Proença.

E se enfeitar currículo dá ibope, governar via redes sociais também deve dar.

14 comentários

  1. Está na hora de alguém tomar coragem e pedir a cabeça desse sinistro da fazenda……é um cidadão totalmente contra o estado e o povo brasileiros………..um cidadão que está apenas ha alguns meses no governo promove um desmonte de todo aparato social, da previdencia, sempre em favor de sua classe, os banqueiros, afrontando a constituição e praticas já consagradas e minguadas de proteção social…….
    Deveria ser declarado persona non grata do povo brasileiro e a oposição lhe pedir a cabeça……idiotice tem limites…..
    Que se dane a reforma da previdencia, fora sinistro!!!!

  2. Isso mesmo Lourdes,voe,voe não tenha medo das palavras se liberte de si mesma vai pra cimaaa sem receio de passar vergonha!

  3. É ótimo poder gargalhar, pelo menos de vez em quando, em meio a tanto absurdo. Excelente texto. Parabéns, e obrigado, Lourdes.

  4. em tempo…
    tirei este meu pensamento escrito, sobre currículos mentirosos, da fala árabe dos peregrinos:

    “só abra a boca se o que tens a dizer for mais belo do que o silêncio”

  5. É talvez por isto que muitos não gostem da educação. E alguns se declaram cristãos e falseiam a verdade.
    Mas vivemos em eras de contradições: Gestores que não sabem gerir. Parlamentares que ao invés de “parlarem”, só gritam com os outros. Interlocutores sem experiência em fazer relações. Embaixador que não sabe elevar o país, mas pelo menos põe a nação para baixo.
    Tempos confusos

  6. Esse texto está um “must”, mas a parte da damares se supera:
    “…..
    era mestre, no sentido de que são mestres todos os que interpretam a Bíblia’. E continuou a interpretar o santo livro dizendo que personagem Disney que fica sozinha é lésbica, que crianças do Nordeste estudam bruxaria e que viu papai do céu na goiabeira. Lá em cima.”
    A profundidade do pensamento da ministra não é um assombro?

    Um oportuno cacófato na biografia do delanhol também merece destaque:
    “‘Mestre em Direito por Harvard”
    Em boa maldosa pronúncia o delanhol seria ” mestre em direito porrada”

  7. Tão grave pessoas que hoje estão no alto escalão do Estado serem estelionatarias de seus curriculos. Mas a sociedade brasileira é tão superficial que nada disso a choca. O que ela quer é um governo que lhe dê condições de consumir e pouco lhe importa os meios. Lula que foi durante muito tempo acusado de ser analfabeto e não possuir diplomas, vê-se que tudo isso não passava de um jogo de aparências para ocultar a luta de classes.

  8. E o caso de rir e chorar ao mesmo tempo; ou vice-versa.
    Pelo que aprendi no meu doutorado em “Rárvarde”(pronúncia do Cirio Gomes), o Brasil longe está de chegar ao nível do trágico por mais trágica que seja a nossa Realidade. O pitoresco, a patomimia, o absurdo, o ridículo, ainda se sobrepõem.
    Talvez seja, afinal, essa “dialética” à espera de uma síntese, na qual o sublime e o patético se revezam no nosso processo histórico, que nos faça tão singulares frente ao Mundo.

  9. As filhas de militares recebem pensão independente do estado civil. E a Maitê é filha de desembargador, não de militar. É mais, a pensão para filhas de militares foi extinta em 2000.

  10. Em terras teutônicas as mentiras curriculares dão demissão a políticos!

    Houve casos de políticos que mesmo tendo realmente concluído seus doutorados, andaram plagiando obras de terceiros e por isso tiveram que pedir o boné.

    País sério é País sério.

    E como o Tio Google desmascara, não é?!

  11. + comentários

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