Bolsonaro cumpriu o que prometeu, por Wilson Ramos Filho

Por que o PT se comprometia com a lista tríplice? Os mais puristas encontrarão no “republicanismo” petista a resposta. Mas não é só isso.

Bolsonaro cumpriu o que prometeu

por Wilson Ramos Filho, Xixo

Durante a campanha eleitoral Haddad, para se diferenciar do adversário, assumiu o compromisso de respeitar a lista tríplice do Ministério Público Federal quando fosse nomear o PGR. Bolsonaro, ao contrário, afirmou que nomearia pessoa de sua confiança, independentemente das preferências da corporação.

Apesar disso, como confessou o procurador Carlos Fernando, a corporação fez campanha para Bolsonaro por identificação ideológica.

Bolsonaro cumpriu a promessa. O MPF não pode reclamar.

Por que o PT se comprometia com a lista tríplice? Os mais puristas encontrarão no “republicanismo” petista a resposta. Mas não é só isso. A corporação conta com quase 1.500 procuradores federais, cada um com autonomia. Caso Haddad fosse eleito boa parte destes tornaria um verdadeiro inferno a vida dos ocupantes do Executivo. Abririam centenas de investigações como represália, vazariam depoimentos para a imprensa, decretariam prisões arbitrárias, atuariam como sempre agem, como fizeram na Lava-Jato.

A Direita Concursada não se conformaria com a decisão democrática das urnas se o seu candidato não fosse eleito. O MPF faria de tudo para impedir que Haddad governasse. Uma maneira de tentar minorar a raivosa reação dos procuradores seria respeitar as preferências corporativas escolhendo o PGR entre os integrantes da lista tríplice.

Bolsonaro não precisava disso. Sabia que a Direita Concursada lhe seria fiel em qualquer hipótese.

O novo PGR contará com o apoio da corporação. Aqui e ali se ouvirão sussurradas críticas ao desrespeito à lista tríplice, mas tudo será contornado rapidamente. As “instituições estão funcionando normalmente” e o MPF continuará sendo seletivo na perseguição da esquerda e na inviabilização das políticas públicas para os mais pobres.

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Com os exagerados poderes que a Constituição de 1988 lhe conferiu, seguirá sendo o que sempre foi.

O MPF, com tristeza reconheço, parece ter se tornado uma instituição incompatível com o regime democrático.

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5 comentários

  1. Concordo com Xixo: o MP, tal como está constituído, é incompatível com o Estado Democrático de Direito.
    Por isso defendo que o MP seja extinto, seus membros demitidos e uma nova estrutura seja criada. Com plena responsabilização dos procuradores (inclusive pecuniária) nos casos de ações deletérias sem fundamento legal.

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  2. “Por que o PT se comprometia com a lista tríplice? Os mais puristas encontrarão no “republicanismo” petista a resposta. Mas não é só isso.”
    Resposta: ingenuidade e burrice. A lista tríplice foi uma invenção do PT que MORREU com Lula e Dilma. Só governos ingênuos e burros seguem isso. Ou governos que querem ser depostos.

    Wadih Damous, candidato a comandar o PT-RJ, no PED de amanhã, deu a letra na entrevista concedida ao Cafezinho, em 16.08.2019. Como o Miguel do Rosário virou um maldito entre a petezada, por ter apoiado o Ciro, após quase um mês o vídeo tem inacreditáveis 1.525 visualizações, ou seja, nada.

    A entrevista: https://www.youtube.com/watch?v=7lXT8R0qChs&t=1080s
    Trechos:
    Wadih Damous, em 16.08.2019, ao Cafezinho: “Essa história de nomear o primeiro da lista lá da associação de procuradores da república foi uma invenção do presidente Lula que vai morrer com ele e com a Dilma”
    Minuto 11:16 – “Mas, de qualquer maneira, tanto os nossos governos, quanto nossos ministros da justiça, não entenderam, acho que eles achavam que a luta de classes não aconteceu no aparelho de Estado. Acontece, e acontece de forma renhida. Essa história de nomear o primeiro da lista lá da associação de procuradores da república foi uma invenção do presidente Lula que irá morrer com ele e com a Dilma. Ninguém faz isso, nem é pra fazer. Foi um erro. Eu tive a oportunidade de de dizer isso ao presidente Lula. Eu pegaria essa lista da associação e jogaria na lata do lixo. Quem nomeia…se o Bolsonaro nomear alguém fora da lista estará agindo corretamente, que a Constituição permite que ele faça isso. E não acho que tenha nada de democrática essa história de nomear o primeiro da lista de uma corporação, de um sindicato de classes, como é a Associação Nacional dos Procuradores da República. Um sindicato como é o dos metalúrgicos, como é dos engenheiros.
    Então, acho que nosso grande erro foi ter a ilusão que a democracia estava consolidada e nós poderíamos aprofundar a democracia, sobretudo nos rumos dos direitos sociais, e achar que não haveria reação”.

    Minuto 14:45 – Essa questão de PGR, aquilo estava no DNA do presidente Lula, o que aconteceu foi o seguinte, no final das contas. O PT teve medo, o PT teve medo, os governos tiveram medo. O medo que Bolsonaro não tem, o PT teve em excesso. Medo, excesso de cautela, ministros da justiça absolutamente acoelhados diante de possíveis reações do aparelho de Estado. Repito, falar de fora, falar depois em retrospectiva é bem mais fácil, mas que o PT teve medo, teve.”

  3. Pior é que foi exatamente o PT que inseriu na CF/88 todas as prerrogativas do MP. Sempre otimista. ou pretendendo mostrar otimismo com o ser humano, lá foi o PT, pelo seu então deputado (Plínio de Arruda Sampaio), encher de graças em favor do MP, o texto da Constituição. Porém, ao término dos trabalhos não quis assinar o texto. Agora a sociedade inteira paga o preço da mancada. Não obstante, sempre votei e ainda votarei no PT e , agora, mais precisamente, em quem o Lula indica(dentro da minha pequenez,é como posso homenagear essa grande figura). Mas é preciso dizer, que o Executivo tem como colocar “ordem na casa”, usando apenas a caneta- esse modo é mais difícil, porém é possível sim. Bloquear verbas para a Instituição é uma delas. Até o Bolsonaro, burro como é, peita o MP e não dá em nada, pelo contrário, ate hoje estão a quilômetros da bandalheiras da família.

  4. gostei do texto e da análise..
    o inal expressa mus sentimentos:
    “o MPF, reconheço, parece ter se tornado uma instituição incompatível com o regime democrático”.

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