4 de julho de 2026

Bolsonaro propaga crime da ditadura, por Gilberto Maringoni

Bolsonaro elogia a barbárie e encontra diante de si meios de comunicação condescendentes e um público simpático à sua pregação.
Reprodução G1

Bolsonaro propaga crime da ditadura

por Gilberto Maringoni

Nesta segunda (29) pela manhã, Jair Bolsonaro exaltou o assassinato de um opositor da ditadura militar. É algo inédito em termos mundiais para um chefe de Estado. Talvez apenas o hidrófobo Rodrigo Duterte, das Filipinas, seja capaz de semelhante façanha..

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Em público, Adolf Hitler jamais defendeu campos de extermínio. O mesmo pode ser dito sobre Augusto Pinochet em relação à tortura.

Mas Bolsonaro elogia a barbárie e encontra diante de si meios de comunicação condescendentes e um público simpático à sua pregação.

Esse é o resultado do fato de nenhum governo, a partir de 1985, ter buscado fazer um real acerto de contas com os crimes da ditadura.

Tivemos três iniciativas, muito positivas, mas insuficientes:

1. Em 1995, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sancionou a Lei dos Desaparecidos, reconhecendo como mortos 136 desaparecidos políticos. Pela primeira vez, o Estado brasileiro assumiu a responsabilidade violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura. Através da lei, uma série de reparações foram pagas às vítimas das violências e/ou suas famílias;.

2. Em 2009, José Serra (PSDB-SP) criou o Museu da Resistência, na sede do antigo DOPS, em São Paulo, como forma de se perpetuar a memória das brutalidades cometidas entre 1964-85;

3. Em 2011, Dilma Rousseff concretizou a Comissão Nacional da Verdade, que examinou violações de direitos humanos acontecidas entre 1946-88. Foi iniciativa importante, que de disseminou por vários estados, mas não gerou processos judiciais significativos.

Na contramão de tais gestos, em 2010, o governo Lula, através do advogado-geral da União, Dias Tófolli, defendeu arquivamento de ação proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Esta questionava a abrangência da Lei da Anistia (1979) para casos de tortura e crimes comuns, cometidos por civis e agentes do Estado durante a ditadura militar. Por 7 votos a 2, o governo foi vitorioso.

Ao não ter feito uma campanha popular de identificação dos criminosos dos porões – como na Argentina, no Uruguais e do Chile – a porta ficou escancarada para que tipos como Bolsonaro ganhassem força social na defesa dos anos de chumbo.

Em política, não existe raio em céu azul.

Gilberto Maringoni

Gilberto Maringoni de Oliveira é um jornalista, cartunista e professor universitário brasileiro. É professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, tendo lecionado também na Faculdade Cásper Líbero e na Universidade Federal de São Paulo.

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1 Comentário
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  1. Schell

    29 de julho de 2019 5:40 pm

    Engana-se quem pensa que o bolsonada fala assim – apenas – porque é assim. Nada disso. Ele sabe estar falando para os seus eleitores e simpatizantes, que lhes deram mais de 57 milhões de votos (queiramos ou não). Até mesmo os fakenews bombardeados – com os véios da havan pagando, o que é ilegal – foram recepcionados como verdade absoluta pela população atingida. Considere-se, ainda, o fato de que os mourões da vida estavam na chapa com ele e, com ele, continuam, assim, como a maioria das ditas forças armadas, das polícias estaduais (fardadas ou não), da ampla maioria dos vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais (379 votos, comprados ou vendidos, também) e dos senadores. Sem contar os tribunais regionais e o stj e o stf, com os conselhos e tudo. Some-se, também, os promotores públicos e os procuradores da res-publica, aí está a dodge polara que não me deixa mentir… Acrescente-se 95% da mídia escrita, falada e televisada: todos batendo palmas. Portanto, engana-se quem ache que o bolsonazi está falando para as paredes. Ele sabe muito bem o que agrada ao brasileiro em geral: o governo, desde sempre, diga-se, é espelho da sociedade que diz representar: o povo é ruim, sô. Nosostros? Ora, nosostros que nos explodamos.

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