20 de junho de 2026

Brasil: entre o grotesco e o futuro, por Aldo Fornazieri

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BRASIL: entre o grotesco e o futuro

por Aldo Fornazieri

A votação do impeachment na Câmara dos Deputados, no último dia 17 de abril, não provocou apenas desolação e indignação na consciência democrática brasileira, mas deixou a imprensa e a opinião pública internacionais perplexas diante do grotesco ato histórico, digno de envergonhar não só qualquer sociedade humana razoavelmente civilizada, mas qualquer agrupamento societário animal. Há muito mais dignidade nos animais do que naquele agrupamento de hipócritas e cínicos que desfecharam o golpe parlamentar contra as instituições democráticas, cassando o voto de 54 milhões de brasileiros.

O que se viu na Câmara dos Deputados foi o grotesco na sua manifestação mais perversa e assustadora. Não se estava reivindicando nenhuma tradição do passado, se é que essa existe no Brasil. Não se estava reivindicando as virtudes cívicas, os valores republicanos, o bem da pátria, o interesse comum. Nem mesmo o ser humano ancestral que lutava pela sobrevivência, com coragem, estava presente ali.

O que se viu ali, simbolicamente, eram hordas anômicas, semelhantes às hordas de celerados, de bandoleiros, que não hesitam em praticar qualquer crime para que o interesse pessoal prevaleça a despeito de qualquer sentimento de humanidade ou de qualquer valor cívico. As evocações da família, dos filhos, da esposa, do marido nas declarações de voto soaram tão falsas que até a mentira se tornou uma coisa amena diante falsidade das palavras e expressões dos senhores golpistas.

A votação foi a expressão de uma associação de corruptos que, em nome do combate à corrupção, se preparava para assaltar o botim. Para aquelas mentes não importam as instituições, não importam as leis, não importa a soberania popular, não importa a democracia. A maior parte deles comprou seu mandato com dinheiro grosso e malcheiroso.  Simbolicamente, aquela associação reuniu os piores tipos da história do Brasil: o assassino português que aqui chegou, o pestilento, o matador de índios, o estuprador, o feitor de escravos, o capitação do mato, o sicário, o coronel violento, o traidor, o torturador.

Sim, o torturador, evocado por Bolsonaro, abrigado pelo PSDB e por todos os partidos, deputados e deputadas do golpe. Bolsonaro é o que sempre foi. O PSDB e os ilustres complacentes que albergaram o elogio à tortura mostraram que não são o que disseram que eram: não são democratas, não são civilizados, não são liberais, não são ilustrados. Desceram à mesma condição da pestilência grotesca que se manifestou na Câmara dos Deputados, entregando o poder aos Cunhas, aos Bolsonaros, aos Temer, violentando a legalidade democrática e a soberania popular. Os ilustrados tucanos não poderão se livrar desse pecado capital em suas biografias. Memoriais do golpe terão que ser construídos para que as gerações futuras saibam quem foram os políticos do presente e saibam que não se pode brincar de democrata golpeando o voto popular.

Dizer que aquilo foi uma manifestação fascista seria faltar com a verdade, pois até os fascistas agiam violentamente em nome de algum propósito. Ali não havia proposito algum, não havia futuro algum, não havia passado algum. Foi a manifestação do grotesco pelo grotesco. Foi a manifestação da covardia como prática corriqueira, da traição como modo de vida, do cinismo como expressão do caráter.

Evocando René Char, em Entre o Passado e o Futuro, Hannah Arendt reclamava da ruptura entre as duas dimensões temporais e lembrava a seguinte afirmação do poeta e escritor francês: “Nossa herança nos foi deixada sem nenhum testamento”. Do ato do dia 17 de abril de 2016 não se poderá evocar não só nenhum testamento, mas  também nenhuma herança. Do grotesco não há o que herdar. Do grotesco não pode derivar nenhuma aliança, nenhum contrato, nenhuma fidedignidade, nenhum testemunho para a história, nenhuma disponibilidade para o futuro. O único sentimento que se aplica ao grotesco é a repulsa. Desta forma, se o governo Temer vier, não resta outra saída: não reconhece-lo como legítimo e lutar para derrubá-lo.

Futuro e Esperança

Não há como conquistar direitos sem luta, não há como surgir líderes autênticos e virtuosos sem combate e não há como almejar a glória individual e coletiva sem a esperança de um futuro grandioso, digno, virtuoso, justo e igualitário. Desde os filósofos gregos e em toda a tradição do pensamento político clássico, mais justiça foi assimilada a mais igualdade. A própria democracia moderna, que floresceu nos Estados Unidos da América, em seu alvorecer, foi assimilada à busca de mais igualdade. Tocqueville viu na igualdade o valor principal da democracia, sempre precisando ser temperado pela liberdade.

O confronto principal que está posto neste momento no Brasil é entre mais igualdade e menos igualdade; mais justiça e menos justiça; mais direitos e menos direitos; mais virtudes e menos virtudes; mais futuro ou mais grotesco. Os governos do PT tiveram o mérito de colocar no centro de suas preocupações e de suas ações a questão de mais igualdade. Esse esforço foi interrompido pela crise do governo Dilma, pela falta de reformas que removessem as condições estruturantes da desigualdade, pelos incentivos e subsídios aos empresários que nunca pagaram o pato, levando à crise fiscal do Estado. Ao assumir as mesmas práticas dominantes de financiamento das campanhas e da política em geral, o PT caiu na armadilha mortal das elites justamente naquele valor que o partido havia feito uma bandeira de admiração quando era oposição: a ideia da ética na política e da moralização da vida pública.

A tarefa, neste momento, é a de encetar um novo caminho, carregando as lições positivas e negativas do passado, incluindo os governos petistas, na busca de mais igualdade, mais justiça, mais direitos, mais virtudes, mais liberdade, mais futuro e mais esperança. Este caminho já tem suas picadas abertas na luta presente em defesa da democracia, dos direitos e contra o golpe. Este caminho tem suas balizas na retomada dos movimentos sociais, no surgimento de novos movimentos políticos e sociais, na luta das mulheres, dos negros e de outras demandas por direitos.

Este caminho tem sua força nas frentes que se constituíram – Povo Sem Medo e Brasil Popular. Mas dois grupos constituem a principal potência desse caminho: as mulheres e os jovens. As mulheres, porque é delas que vem o principal animus de luta pela igualdade e justiça, nas múltiplas dimensões que a palavra igualdade significa para elas. Os jovens, porque é neles que a energia viva da esperança pulsa com mais vigor e vitalidade.

Não parece restar dúvida que este caminho está fazendo alvorecer novas formas organizacionais e de luta que, sem recusar os partidos, é também de movimentos; que, sem recusar a política, abriga também o cultural e o social; que, sem recusar a verticalidade, é fundamentalmente horizontalidade; que, sem recusar a organização, é também menos burocracia, mais participação e mais democracia. Os dois principais desafios desse processo são: 1) manter a unidade com pluralidade e diversidade; 2) construir um programa capaz de superar os gargalos educacionais e tecnológicos e de dar conta do desenvolvimento do país com igualdade social e sustentabilidade ambiental.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. 

Aldo Fornazieri

Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política.

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17 Comentários
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  1. Flavio Martins e Nascimento

    25 de abril de 2016 12:39 pm

    Não sou de concordar sempre

    Não sou de concordar sempre com Aldo Fornazieri, mas grande texto; duro, como tem que ser, e construtivo.

    1. JOÃO CARLOS SPEGGIORIN

      26 de abril de 2016 10:29 pm

      Dialética equivocada

      O Professor Aldo Fornazieri era um marxista no seu passado de estudante. Não sei se continua. Pelo texto, creio que sim. NO entanto, permito-me discordar do seu ponto de vista pois o que eesta em jogo, e ainda não se vislumbra uma superação pra esta contradição, é como o Brasil Democrático conseguirá superar a herança deixada pelo Brasil Ditatorial.

      O regime ditatorial deixou-nos uma estrutura econômica concentradora de renda, que tem sua expressão no modo como a riqueza é produzida através da concentração bancaria, da concentração industrial, e de uma agriocultura baseada o agro-business, que exige concentração de terras nas mãos de poucos.

      Nenhum governo do período democrático, que iniciou em 1990, fez qualquer esforço de folego para superar este legado da periodo ditatorial. 

      No período Itamar-FHC a ênfase foi no processo de combate à inflação. Os governos petistas nos venderam a ilusão de que estavam mudando tudo, através de suas políticas públicas, moldadas pelo atávico complexo de vira lata, tão próprio à nossa cultura política, mas desde que tudo ficasse como encontraram ao chegar ao poder.

      A chapa Dilma-Temer mentiu durante as eleições. E a mentira foi grotesca. A matriz Mantega, aliada às pedaladas de 2014 criaram um Brasil falso, imaginário, em que por aqui corria leite e mel, tal qual Canaã.Mentiu para ganhar as eleições a qualquer custo.

      O período petista tornou-se um dos maiores equivocos politicos de que se tem notícia. Para dar migalhas aos setores menos favorecidos da sociedade, fizeram explidir a divida pública, deixarama Petrobras ser saqueada, encheram as burras das montadoras de automóveis e outros setores idustriais oligopolizados com isenções fiscais, sem a contrapartida de baixarem os preços dos bens que produziram no período. Fazendo o encontro de contas, o que se gastou com os ditos “pobres”, nem de longe chegou aos pés do que receberam os “donos da economia brasileira”

      Ao assumir Dilma apresentou a realidade plasmada num ajuste de figurino neo-liberal. 

      A grande contradição nacional, no meu ponto de vista, é uma sociedade herdada da ditadura, cruel e concentradora de renda, que permanece, e para a qual a democracia brasileira nãol deu alternativas até hoje.

       

  2. maria rodrigues

    25 de abril de 2016 12:42 pm

    Faltou referência ao que pode

    Faltou referência ao que pode estar os Estados Unidos fazendo, em conluio com alguns entregusitas, tal como sempre ocorre nos golpes de Estado – vide Getúlio e Jango -, sendo agora a preocupação maior dessa nação gigante brecar os BRICS. 

     

  3. Claudio Melo

    25 de abril de 2016 1:03 pm

    Agora, para completar a
    Agora, para completar a destruição da nossa reputação, só falta a presidenta entrar com uma ação no stf e o julgamento ser transmitido pela globo em um domingo com inicio às 14 h. Aí o mundo conhecerá o que nós já conhecemos -o judiciário à brasileira.

  4. Wilton Santos

    25 de abril de 2016 1:31 pm

    Às vezes é preciso perder para conquistar. Apesar do grande prej

    Às vezes é preciso perder para conquistar. Apesar do grande prejuízo que o golpe poderá causar às instituições democráticas brasileiras, a atual crise trouxe uma contradição benéfica, que foi a mobilização do campo progressista. As manifestações contrárias ao golpe forçaram a esquerda se unir e possibilitou um aumento de consciência política nunca visto nos governos petistas. Abriu se uma janela de oportunidade rara para que todos os atores sociais progressistas entrassem em cena. Ver a quantidade de jovens, mulheres, negros, índios, lgbts e outros grupos oprimidos comungando na mesma luta é algo emocionante e nos traz esperança.  

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=1IagAiOK9go%5D

  5. Joao Maria

    25 de abril de 2016 1:35 pm

    Até as pessoas defensoras do

    Até as pessoas defensoras do golpe estão envergonhadas.

  6. Brnca

    25 de abril de 2016 2:10 pm

    Análise precisa

    Excelente. Acrescentaria apenas que os partidos golpistas bem enumerados aqui e seus desdobramentos no Judiciário, que sempre posaram de vestais da moralidade, agora mostraram suas verdadeiras garras sujas de lodo verde. Diria que eles abraçaram por mando ou comando dos Estados Unidos, não se sabe ainda até que ponto, a destruição do Brasil grande e sua entrega a bandidos tal qual fizeram com o México hoje envolto em rapinagem e violência descontrolada.

  7. Brnca

    25 de abril de 2016 2:10 pm

    Análise precisa

    Excelente. Acrescentaria apenas que os partidos golpistas bem enumerados aqui e seus desdobramentos no Judiciário, que sempre posaram de vestais da moralidade, agora mostraram suas verdadeiras garras sujas de lodo verde. Diria que eles abraçaram por mando ou comando dos Estados Unidos, não se sabe ainda até que ponto, a destruição do Brasil grande e sua entrega a bandidos tal qual fizeram com o México hoje envolto em rapinagem e violência descontrolada.

  8. SergioMedeirosR

    25 de abril de 2016 2:54 pm

    In nomine Dei – ainda há tempo para a razão

    Ainda que, durante algum tempo, os defensores do impeachment continuem a assistir a Globo News e a grande mídia e a se pautarem por elas, o caso é que, em um, ainda incerto momento, inevitavelmente terão que se ver frente a realidade, frente a verdade e, sem dúvida, nesse instante verão entre horrorizados e incrédulos, a imensa farsa de que foram vítimas – acresço, no entanto, sem inocência que possa ser alegada.

    Infelizmente, em decorrência desta insanidade, poderão estar conduzindo a morte anônima, pois disfarçada de fome, doença, falta de assistência, miséria, milhões de seres humanos.

    Mas, quando chegar o devido tempo, como em uma revelação lhes virá ao pensamento uma advertência simples: “conheceis a verdade, e a verdade vos libertará”, e, neste instante, ficarão silentes,  estupefatos, porque ela sempre esteve ali, límpida a sua frente, e bastaria um pouco de boa vontade para conseguirem visualizá-la em toda sua inteireza.

    E, neste doloroso momento, mais que compreender, verão a si próprios como prisioneiros de  toda a mentira que defenderam, de toda a corrupção que fingiram  desconhecer,  de toda falta de humanidade que lhes faltou, e lamentarão não terem tido coração para escutar os lamentos dos oprimidos e da falta de senso e intuição, que lhes impediu de abrir os olhos e verem a injustiça que estavam a cometer .

    In nomine Dei – ainda há tempo para a razão.

    Que este momento não tarde, pois, dentro de pouco tempo, talvez nos reste apenas choro e pedidos de perdão.

    Porque, nesse instante, se infelizmente chegar, encarecidamente lhes digo, peçam perdão, primeiro aos muitos homens, mulheres e crianças que foram, estes sim, vítimas inocentes da tua ignorância.

    A seguir, peçam perdão pelo ódio que lhes nublou a visão, porque, em seu íntimo,  sabiam, de que substância são feitas pessoas como Eduardo Cunha, como Bolsonaro, como Caiado, como Marco Feliciano, e, ainda assim, os adoraste, como em uma época pretérita, outros adoraram os bíblicos bezerros de ouro.

    E, lavem as mãos, porque somente neste momento as verão tintas de sangue, deste sangue inocente.

    Por fim, depois de tanto rogos de perdão,  se acreditarem, peçam perdão a Deus, pois incessantemente  usaram seu nome pra satisfazer sua intolerância, e, de forma in(direta), provocaram a morte de milhões de pessoas e talvez, por sua culpa, outras  ainda continuem sob alvo nesta rota assassina, algumas submetidos a práticas de tortura, outras sob o manto da fome e das precárias condições de vida.

    Tudo isso, pois seguistes falsos profetas, que desde cedo se revelaram o oposto de Deus, exalavam ódio e intolerância,  mas não tivestes olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, estavas cego para a compaixão e surdo para os gritos de vida.

    Depois disso, haverá um silencio interminável.

    Então, talvez sob o sol do apocalipse, de que nos fala a Bíblia dos cristãos, tenha chegado a termo este período de miséria e turbulência.

    E, se ainda for possível, libertos de todo este mal, talvez tenha chegado novamente o tempo, de,  sob ruínas morais, materiais, humanas, voltar os olhos para a vida, e ai sim, talvez, entre dores e lágrimas, possamos novamente falar com Deus, qualquer que seja Ele, ou apenas com nossas consciências, sem ódios e com escolhas feitas de amor, e, assim, buscar,  se for possível, reconstruir  o simples conviver humano.

    1. altamiro souza

      25 de abril de 2016 3:43 pm

      mais um texto excelente de

      mais um texto excelente de sergio…

      lembrei do poema desespero da peidade de vinicius de moraes…

      o cara pede piedade de todos os males do mundo,…

      e no final, desesperado, diz:

      e se piedade vos sobrar, Senhor,

      tnde piedade de mim…

  9. João de Paiva

    25 de abril de 2016 3:32 pm

    Bom artigo, em que pesem

    Bom artigo, em que pesem resquícios daquela técnica que sempre identifico nos escritos e falas do autor: “uma no cravo, outra na ferradura”. Voltem ao 2º parágrafo do 2º tópico, intitulado “Futuro e Esperança” e leiam o trecho final, abaixo reproduzido.

    “Ao assumir as mesmas práticas dominantes de financiamento das campanhas e da política em geral, o PT caiu na armadilha mortal das elites justamente naquele valor que o partido havia feito uma bandeira de admiração quando era oposição: a ideia da ética na política e da moralização da vida pública.”

    As perguntas que o articulista nunca respondeu são as seguintes. Conseguiriam Lula e Dilma governarem com foco na área social se o PT não dispusesse dos recursos para a campanha? Como um partido de esquerda poderia competir numa eleição presidencial em que os os partidos de centro e de direita recebem doações milionárias do empresariado? Teria o PT condições de eleger e reeleger Lula e Dilma, contando apenas com a contribuição dos filiados e voluntários? De qua valeria o discurso puritano de Lula e dos líderes petistas se jamais tivessem conseguido chegar ao governo federal, para pôr em prática um projeto de País?

     

    1. Alexander

      25 de abril de 2016 5:42 pm

      Ótimas considerações João de

      Ótimas considerações João de Paiva. E outra que se poderia fazer também é a própria questão da igualdade apontada pelo autor: Por que só o PT é punido de forma tão enviesada e mesmo sem provas consistentes segundo o Direito e de maneira que nunca foi aplicada antes? Para usar uma expressão a que se tem lançado mão, se vai ter cobrança e punição, no mínimo o tal pau que dá em Chico tem que dar também em Francisco. Mas o pior é que já se constatou que esse tal pau só enxerga e acerta o Chico.

      1. Mário Mendonça

        27 de abril de 2016 8:51 am

        Alexander
        O pt como “poder”

        Alexander

        O pt como “poder” (se é que podemos considerar que é ou foi),  não conseguiu bater nem chico, quanto mais em francisco!

  10. altamiro souza

    25 de abril de 2016 3:47 pm

    memorável, duríssimo repúdio

    memorável, duríssimo repúdio ao golpe.

  11. Pedro Augusto Pinho

    25 de abril de 2016 7:15 pm

    A DEFESA DA NAÇÃO
    “Tendes
    A DEFESA DA NAÇÃO

    “Tendes de vos haver com um povo novo: ele possui muita
    coragem e terá todo o entusiasmo que se encontra nos homens
    ainda não gastos pelas paixões políticas” (carta de Napoleão
    Bonaparte ao Duque de Berg, em março de 1808)

    Manifestos, que circulam na internet, sobre a ação das Forças Armadas na atual crise política do País, dão conta de seu papel de defensora da Nação e não de eventuais governantes. Está correto, não cabe, como órgão do Estado, às Forças Armadas nem a defesa nem o combate aos governos.
    Mas é preciso ter bem definida a Nação Brasileira. Qual é esta Nação? As 100 famílias que se aproveitam do País ou a sua maioria mestiça que busca um lugar ao Sol?
    No século XVI, o gênio poético de Camões cantava a memória dos reis que “foram dilatando a Fé, o Império, a as terras viciosas”. Longe de mim tentar explicar política e história a meus amigos leitores nestas terras “viciosas”.
    Mas acompanhando a atual historiografia brasileira, dos talentosos e profundos estudiosos João Fragoso, Manolo Tolentino, Roberto Guedes e Thiago Krause, dentre outros, deparo-me com uma descrição muito apropriada à leitura das atuais ocorrências nacionais.
    A colonização pela Inglaterra, Espanha e Portugal do Novo Mundo ocorreu da virada do século XVI ao século XVIII. E foram distintos seus modelos institucionais. O inglês, face às revoluções que ocorriam – Industrial, “Puritana” – não foi linear. Algumas colônias como Virgínia e Massachussets foram estabelecidas por companhias de comércio, outras, como Maryland, por aristocratas – Lorde Baltimore, Lorde Carlisle – e outras, ainda, por populações individuais, que não deram um caráter homogêneo e integrador, o que só ocorreria posteriormente. Espanha e Portugal, ao contrário, tinham uma uniformidade institucional, ainda que operacionalmente próprias.
    Ater-me-ei somente ao caso que nos interessa, a colonização portuguesa, mas chamo a atenção que todos processos coloniais nas Américas adotaram a escravidão africana, sendo o do Brasil o mais duradouro.
    Por que teríamos por tão largo tempo a escravidão como matriz da economia brasileira? Porque o modelo difundido por Portugal não aproveitava as revoluções que corriam na Europa, mas, ao contrário, reagia ao capitalismo com um sistema mercantilista pluricontinental. Havia um só Reino, uma só Nobreza e diversas capitanias, num conjunto incrivelmente similar do Extremo Oriente à América Lusa: câmaras municipais, corpos de ordenanças e irmandades, conforme o pacto padrão entre a coroa e as famílias – as elites locais.
    Ora estas elites locais não se apresentavam como Nação, mas com seus projetos e interesses individuais. No magnífico trabalho – O arcaísmo como projeto – Fragoso e Tolentino demonstram que o horizonte referencial das famílias era o enriquecimento mercantil e a propriedade territorial, para “viver de rendas”, copiando a indolência e ociosidade da aristocracia estrangeira, além de calcada na desumanidade da escravidão e de uma ampla segregação.
    Nossa infelicidade maior é a que, ao se tornar uma Nação, por um acidente histórico – Reino Unido – ainda no período colonial e posteriormente com a monarquia “nacional”, continuou prevalecendo o mesmo modelo lusitano das famílias e suas orientações, acordos e referencias no além-mar.
    Hoje esta sujeição ao estrangeiro está na submissão ao capital financeiro internacional. Prosseguindo uma nova escravidão, pelas dívidas, a mesma meta da ociosidade rentista e a discriminação racial, social e econômica.
    Quando no Governo, as Forças Armadas procuraram pela ação do Estado – empresas públicas e de economia mista – o desenvolvimento nacional de modo que o Brasil passasse a ser um país capitalista industrial. Foram os acertos e não os erros que levaram a sua destituição. Novamente estas mesmas famílias, verbalizadas pela mídia oligopolista, aliada ao capital financeiro internacional, promoveram com discursos humanitários, totalmente ausente de sua própria prática, o fim do “ciclo militar”.
    Agora o discurso é cinicamente moralista e ético, como assim o fossem seus mais proeminentes representantes. Não bastasse, como afirmam os blogs, o Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo ser um rentista e não um industrial, o promotor do impeachment da Presidente Eleita responde por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
    O Diretor de Redação do Monitor Mercantil (Fatos & Comentários, 15/04/2016) se “arrisca palpitar” o day after do impeachment: juros elevados, fim da partilha na área do petróleo e volta ao financiamento de empresas nas campanhas políticas.
    Acrescentaria eu que o “sacrifício” que se pede ao povo, nesta pinguela para o passado, estaria no gradual sucateamento das universidades e escolas técnicas constituídas nestes últimos 12 anos, na desativação de serviços do SUS, na correção de salários abaixo da inflação e no congelamento de aposentadorias e pensões, como já ocorreu nos oito anos de Fernando Henrique Cardoso, e como a cereja do bolo, no fim dos processos criminais que atingem os capatazes dessa elite.
    Confio nas Forças Armadas. Espero que mais uma vez defendam a Nação da invasão estrangeira, não por tropas mas pelo poder do capital e com apoio das elites locais, verdadeiro inimigo interno. Perguntem-se pelos financiadores dos movimentos, qual as “primaveras árabes”, que começaram a insuflar os jovens desde 2013. Pelos denuncismos, sempre em meias verdades ou delações escolhidas. Como escolhe-las? Há suspeita bastante realista da consequência das espionagens estrangeiras, não por simples acaso focadas na maior empresa brasileira, detentora de tecnologia própria e de ponta, e incentivadora da industrialização brasileira. Estas propostas atuais não honram definitivamente o melhor do nosso passado.
    Pedro Augusto Pinho, avô e administrador aposentado.(15/04/2016)

  12. Mário Mendonça

    26 de abril de 2016 8:57 am

    Nassif
    Democracia é uma

    Nassif

    Democracia é uma utopia em terra de bandoleiros a serviço do capital.

    Acorda Dilma

  13. luiz cezare vieira

    27 de abril de 2016 9:43 pm

    desabafo

    O artigo desabafo de Fornazieri pegou na veia. Indignados estamos todos nós. Indignado também com a adesão do PT à governabilidade monetária. Defendiamos tanto a mudança na política, a ética e ao mesmo tempo bradiamos contra a tese de que os fins justificam os meios.  Meu deus, se fosse num governo de FHC que acontecesse tanta corrupção na Petrobrás por exemplo, imagine a reação dos petistas. Não devemos perder a coerência, hoje vejo intelectuais colocando a corrupção em segundo plano. Ora que democracia, que república é possível com todos estes aassaltantes dos bens públicos? Infelizmente uma cúpula de petistas rasgou as bandeiras do partido e se lançaram ao seu projeto tresloucado de poder. Tudo o que acontece hoje é também culpa disto. Não sejamos hipócritas. 

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