Como a democracia morre no Brasil, por Laurindo Lalo Leal Filho

Mídia contribuiu diariamente, anos a fio, para formar no imaginário popular a necessidade da chegada de um salvador da pátria.

Como a democracia morre no Brasil

por Laurindo Lalo Leal Filho

Agora, a cada domingo, o presidente da República corre atrás das saias protetoras das Forças Armadas.

Começou fazendo de palanque – a porta do Quartel General do Exército em Brasília.

Depois, no domingo seguinte – este último – foi adiante.

Mencionou explicitamente as Forças Armadas em seu linguajar claudicante.

Há mais de trinta anos não se ouvia no Brasil um discurso presidencial desse tipo, tão assustador.

Assustou até alguns militares, talvez com memória suficiente, para lembrar o estrago causado pela ditadura de 64, na imagem dos quarteis.

De uns tempos para cá, têm sido publicados alguns livros tratando do declínio das democracias no mundo.

Um que tornou-se bestseller é este: “Como as democracias morrem” escrito por dois professores da Universidade Harvard.

Num determinado trecho, eles dizem: “Nós devemos nos preocupar quando políticos rejeitam, em palavras ou ações, as regras democráticas em jogo.

Quando negam a legitimidade de oponentes

Quando toleram e encorajam a violência e dão indicações de disposição para restringir liberdades civis de oponentes, inclusive a mídia”.

Soa familiar, não?

Claro, eles estão falando de Donald Trump, o modelo seguido à risca pelo sociopata que nos preside.

O livro é anterior à tragédia miliciana brasileira mas há vários trechos que parecem estar descrevendo cenas de hoje, vistas por aqui.

Centrados na política estadounidense, quando os autores falam de América Latina, derrapam.

São preconceituosos, por exemplo, ao criticarem ações jurídicas do presidente Rafael Correa, no Equador, contra a mídia que o caluniava.

Para eles a mídia é sempre vista como um obstáculo a arroubos autoritários dos governantes.

Sabemos que não é bem assim.

Os golpes militares do século passado, em quase todos os países da América Latina, tiveram apoio da mídia comercial.

No caso brasileiro, essa contribuição para morte da democracia é histórica.

Basta lembrar o apoio ao golpe de 64.

E agora – em anos mais recentes – quando a democracia começava a reviver no Brasil, a mídia não cansou de criminalizar a política.

Contribuiu diariamente, anos a fio, para formar no imaginário popular a necessidade da chegada de um salvador da pátria.

E ele chegou.

Podem não gostar, mas era isso que cevavam.

Será que os donos da mídia não sabiam o que estavam fazendo.

Esqueceram que depois de apoiar o golpe em 64, foram censurados por aqueles que apoiaram?

Mas mesmo apanhando tanto não aprendem.

Continuam dizendo, quase todo dia, que o atual governo foi eleito democraticamente, dando a ele uma legitimidade que não tem.

Escondem que o atual governo é resultado de um golpe jurídico-parlamentar.

E, quase sempre, quando precisam criticá-lo fazem comparações esdrúxulas, com os governos democráticos e populares anteriores.

É assim que as democracias morrem.

E isso não está apenas no nome de um livro.

É a realidade brasileira de hoje, construída com a colaboração entusiasmada da mídia comercial.

Tchau.

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