França, Inglaterra e Itália: crise e decomposição dos regimes liberais europeus
Por Marcus Atalla*
O General Inverno nem se quer chegou a Europa, mas a crise causada pela adesão a proxy war da OTAN/EUA contra a Rússia, já se estende nos principais países do velho continente.
Itália
A Itália está em polvorosa, após áudios do Senador Silvio Berlusconi terem sido vazados ou “autovazados”. O mais curioso é que a crise acontece justamente porque Berlusconi nunca falou tantas verdades em sua vida pública. Em conversa com senadores e deputados de seu partido de extrema-direita (Forza Italia), Berlusconi explicara:
“Foi assim: em 2014 em Minsk, Bielorrússia, foi assinado um acordo entre a Ucrânia e as duas repúblicas recém-formadas de Donbass para um acordo de paz sem que ninguém atacasse o outro. A Ucrânia joga esse tratado no inferno um ano depois e começa a atacar as fronteiras das duas repúblicas. As duas repúblicas sofrem baixas entre os militares que chegam, segundo me disseram, há 5-6-7 mil mortos. Zelensky chega, triplica os ataques às duas repúblicas. Desesperadas, as duas repúblicas enviaram uma delegação a Moscou e finalmente conseguiram conversar com Putin. – Dizem: ‘Vladimir não sabemos o que fazer, você nos defende?’
Ele é contra qualquer iniciativa, resiste, está sob forte pressão de toda a Rússia. E então, ele decidiu inventar uma operação especial: as tropas tinham que entrar na Ucrânia, chegar a Kiev em uma semana, derrubar o governo em exercício, Zelensky, etc., e montar um governo já escolhido pela minoria ucraniana de gente boa e de bom senso, em uma semana ele voltaria. Ele entrou na Ucrânia e se viu diante de uma situação inesperada e imprevisível de resistência por parte dos ucranianos, que começaram a receber dinheiro e armas do Ocidente no terceiro dia. E a guerra, em vez de ser uma operação de duas semanas, tornou-se uma guerra de duzentos e um anos. Então, esta é a situação da guerra na Ucrânia”.
Com isso, Berlusconi desmanchou toda a narrativa OTAN que a imprensa corporativa e o Governo Italiano vêm a meses contando a população ítalo. Ademais, seu partido, Forza Italia, junto ao Lega Nord fazem parte da coalizão de extrema-direita que dá sustentação à Primeira-Ministra Giorgia Meloni (Fratelli d’Italia), gerando uma crise entre os partidos do governo.
“Meu governo será firmemente atlantista. A Itália nunca será o elo fraco no Ocidente”. “Minha posição na política externa é inequívoca: UE-OTAN ou fora do governo” disse a Primeira-Ministra Meloni, a qual recusa-se em aceitar o Ministro do Exterior que seria de indicação do Forza Italia. Ela acusa Berlusconi de sabotar o seu governo.
França
A França lida com um desabastecimento de combustíveis há semanas.

(Evolução da escassez de combustível. Taxa de postos sem diesel ou sem gasolina livre de chumbo, calculado na escala das comunidades urbanas).
Há 25 dias, estão em greve os trabalhadores da gigante petroleira TotalEnergies. Os grevistas insistem em 10% de aumento salarial. Na semana passada a empresa propôs a adição de 5% nas remunerações e mais 2% nos salários individuais. Os trabalhadores recusaram, exigindo um aumento real, acima da inflação. A TotalEnergies lucrou, no primeiro semestre deste ano, 11 bilhões de euros.
Os trabalhadores da Esso-Exxo-Mobile iniciaram uma greve no dia 21 de setembro, no entanto, retornaram na sexta-feira passada. Pleiteavam aumento salarial de 7,5%, mas aceitaram 6,5% e um bônus de 3 mil euros.
No dia 18, os quatro maiores sindicatos franceses; Solidaires, FO, CGT e FSU convocaram uma greve geral pedindo reajuste salarial. Mais de 140 cidades aderiram e milhares de pessoas saíram às ruas. Enquanto isso, derrete o Governo Macron, cuja reeleição se deu a muito contragosto do eleitorado. Macron só foi reeleito após a união de diversos partidos para impedir a eleição da candidata de extrema-direita, Le Pen.
Reino-Unido
Após 45 dias de governo, cai a Primeira-Ministra do Partido Conservador inglês, Liz Truss, a qual chegou ao poder após a queda de Boris Johnson, do mesmo partido. A razão foram as medidas econômicas que desvalorizaram a Libra e o encareceram os títulos do governo. O que irritou “o mercado”, a elite e os financistas cujo Partido Conservador representa. Em consequência, Truss perdeu apoio dentro do seu próprio partido, restando-lhe pedir a renúncia.
A “eleição” para a escolha do chefe de governo “ocorrerá” na próxima semana. Porém, não será uma eleição pelo voto popular, a escolha se dará no Partido Conservador, entre seus membros. Um dos apoiados por um amplo setor do partido para ocupar o cargo deixado por Truss é … Boris Johnson.
O que parece estranho tem lógica. A primeira vez que Johnson concorreu ao cargo foi contra Jeremy Corbyn do Partido Trabalhista inglês, Labour, um candidato ligado aos sindicatos. Durante a campanha, Corbyn crescia nas intenções de votos, quando se iniciou uma pesada campanha de fake news pela imprensa corporativa, redes sociais e grupos judaicos ingleses, acusando o candidato de ser um antissemita. Não é possível afirmar quais e quantos desses grupos judaicos foram massa de manobra ou tinham consciência do que fizeram.
A desculpa utilizada à acusação de antissemitismo foi por Corbyn ser um crítico do genocídio realizado por Israel contra os palestinos, ter levado ao Parlamento refugiados da Faixa de Gaza para relatar a situação nos territórios ocupados e ser um defensor da criação de um Estado Palestinos.
Após perder as eleições para Johnson, o Partido Trabalhista suspendeu Corbyn com falsas acusações de antissemitismo. Mas não só Corbyn, mas todos do Partido “trabalhista” ligados aos sindicatos e trabalhadores ou socialista estão sendo perseguidos e impedidos de concorrer. O Partido Trabalhista está expurgando membros de esquerda e dando uma guinada à direita, ao ponto de há alguns meses ter ficado contra trabalhadores em greve.
O jornal investigativo Greyzone teve acesso a vazamentos comprovando a sabotagem sofrida pela Primeira-Ministra Thereza May – do Partido Conservador-, justamente para colocar em seu lugar Boris Johnson, pois se queria a saída do Reino Unido da União Europeia através de um Hard Brexit. Talvez seja “coincidência”, mas Corbyn era contra a saída do Reino Unido da UE. (E-mails vazados expõem golpe secreto da inteligência Britânica para derrubar Theresa May e instalar Boris Johnson)
Marcus Atalla – Graduação em Imagem e Som – UFSCAR, graduação em Direito – USF. Especialização em Jornalismo – FDA, especialização em Jornalismo Investigativo – FMU
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josé Oliveira de Araújo
24 de outubro de 2022 8:57 amÉ ex todo poderoso império britânico rumando tardiamente para o Hades.