12 de junho de 2026

É toda a autonomia universitária que está sob mira, por Luis Felipe Miguel

Ele diz que vai cortar verba de universidades que fazem "bagunça e evento ridículo", como eventos políticos, manifestações partidárias e festas.
Foto Correio Braziliense

É toda a autonomia universitária que está sob mira

por Luis Felipe Miguel

Não se trata apenas de incompetência, burrice ou cegueira ideológica. O comportamento do ministro é criminoso. Trata-se de um projeto de destruição da educação superior brasileira.

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Ele diz que vai cortar verba de universidades que fazem “bagunça e evento ridículo”, como eventos políticos, manifestações partidárias e festas. Mostra, com a declaração, limitação de vocabulário e desconhecimento do dia a dia universitário, ambos chocantes em alguém que ocupa o cargo que ocupa.

Já foram atingidas a UnB, a UFBA e a UFF.

Instado a definir “bagunça”, Weintraub explicou: “Sem-terra dentro do campus, gente pelada dentro do campus”.

Sem-terra no campus é a universidade cumprindo seus deveres de inclusão social e diálogo com a sociedade. Gente pelada no campus é um tributo às fantasias do olavismo, que nem Freud explica.

Imagino que intuindo que suas explicações eram bem insatisfatórias, ele improvisou, dizendo que as instituições atingidas, presumivelmente por causa da “bagunça”, estavam apresentando desempenho aquém do exigido. Mas não apresentou nenhum dado.

Até porque os dados o contradizem. Cito a matéria do Estadão:

“No entanto, elas se mantêm em destaque em avaliações internacionais. O ranking da publicação britânica Times Higher Education (THE), um dos principais em avaliação do ensino superior, mostra que Unb e UFBA tiveram melhor avaliação na última edição. Na classificação das melhores da América Latina, a Unb passou da 19.ª posição, em 2017, para 16.ª no ano seguinte. A UFBA passou da 71.ª para a 30.ª posição. A UFF manteve o mesmo lugar, em 45.º. Segundo a publicação, as três se destacam pela boa avaliação em ensino e pesquisa. E Unb e UFBA aparecem entre as 400 melhores instituições do mundo em cursos da área da saúde.”

O que há, pura e simplesmente, é perseguição ideológica. Não atinge só UnB, UFBA e UFF: é toda a autonomia universitária que está sob mira.

Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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3 Comentários
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  1. Raimundo Nonato Neves de Menezes

    30 de abril de 2019 12:10 pm

    Quem frequenta a Universidade Pública brasileira é a Classe Média, a burguesia brasileira. Ela não vai se manifestar? Não vai defender seus privilégios? Nem isso a Classe Média brasileira é capaz de fazer?

  2. MARTA METELLO JACOB

    30 de abril de 2019 1:33 pm

    Os grandes alvos da quadrilha no poder são educação e meio ambiente. Golpeando a educação, em todos os níveis, se preparam gerações de zumbis prontos para incensar os governantes de plantão.
    Com o meio ambiente destruído, e a humanidade junto, os adoradores da Ignorância que nos governam pensam que podem agradar ao agronegócio. Na verdade estarão destruindo nossas fontes de água, vital não só para o agronegócio,mas para a vida da humanidade.
    Diga-se de passagem, nem Lula nem Dilma realmente se importavam com o MMA. Pelo menos não estavam empenhados em destruí-lo, exceção feita a Belo Monte e outras hidrelétricas na Amazônia, verdadeiros crimes.
    Pobre Brasil!

  3. Anônimo

    30 de abril de 2019 9:43 pm

    Se liga, meu povo: “bagunça e gente pelada” é só uma desculpa.
    O que se pretende é um sufocamento estratégico e gradual que possa justificar a cobrança de mensalidade dos alunos e, ou, a privatização por “impossibilidade econômica do estado” em manter o ensino superior, enquanto não se vota a desvinculação do ensino das obrigações constitucionais.

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