Guedes em Davos, uma economia à deriva, por Andre Motta Araujo

Guedes não tem o que apresentar em Davos a não ser VENDER PATRIMÔNIO NACIONAL, que não foi ele quem construiu.

World Economic Forum/Walter Duerst

Guedes em Davos, uma economia à deriva

por Andre Motta Araujo

Todo o estrago que está sendo executado na área de relações internacionais, educação, cultura, previdência, saúde pública, meio ambiente, pelo governo reacionário é, e será MENOR, que o estrago que está sendo provocado na economia brasileira por uma turma de alucinados ideológicos aferrados a uma concepção de Estado absurda para qualquer Pais e muito mais ainda para um Pais emergente, que precisa de um Estado liderando a economia, que para funcionar de forma integrada precisa de coordenação entre políticas públicas e mercado privado, cada qual no seu papel.

O ESPAÇO DO MERCADO

O mercado tem um espaço DENTRO da economia onde ele opera com eficiência. MAS ISSO É APENAS UMA PARTE DA ECONOMIA. Uma parte maior e mais estratégica é a que o ESTADO PILOTA, como se faz na China, na Índia, na Rússia, na Indonésia, países emergentes como é o Brasil.

Mesmo nas grandes economias ricas, o Estado é um fundamental coordenador e impulsionador de política econômica, a começar pelos EUA.

O ESPAÇO DO ESTADO NA ECONOMIA AMERICANA

É um espaço enorme, decisivo, muito maior do que fazer crer os “neoliberais de Chicago”, que infestam o pensamento econômico brasileiro.

1.POLÍTICA ENERGÉTICA – O programa do ETANOL DE MILHO nos EUA é estatal do início ao fim, é resultante de um programa de governo que se inicia em 1992 pelo CLEAN AIR ACT, depois se consolida em 2005 pelo ENERGY POLICY ACT e em 2007 pelo ENERGY INDEPENDE AND SECURITY ACT.

Toda a política do ETANOL americano é POLÍTICA DE ESTADO e hoje os EUA são o maior produtor e exportador mundial de etanol. [aqui]

2.INVESTIMENTOS EM DEFESA – Dinheiro público é a base do crescimento, dos empregos, da pesquisa e dos lucros das indústrias aeroespacial, aeronáutica, eletrônica, naval, empreiteiras, parte da indústria de moradias (Veterans Administration) e parte da indústria química (combustíveis especiais), há também um setor paralelo de serviços à defesa, transportes, segurança das bases, alimentação no exterior, medicamentos e saúde, tudo depende desse orçamento.

O dispêndio anual gira em torno de $700 a 800 bilhões de dólares, 3% do PIB americano, 2 milhões de empregos diretos vem da indústria de defesa.

3.SUBSÍDIOS AGRÍCOLAS – Nem pensar no Brasil, nos EUA 800.000 agricultores de soja recebem US$20 bilhões de subsídios em dinheiro do Tesouro, mais há SEGURO RURAL para casos climáticos, COMPRA de safra para estoque do governo, CRÉDITO RURAL SUBSIDIADO (Commodity Credit Corp e Farm Credi Administration). Só subsídio ao ETANOL DE MILHO de 2000 até 2018 custou ao Tesouro US$ 185 bilhões, em nome de uma política de Estado.

4.BANCOS PÚBLICOS – Os neoliberais caboclos querem vender Banco do Brasil, Caixa e todos os bancos públicos. Nos EUA há uma enorme REDE DE BANCOS E AGÊNCIAS PÚBLICAS DE FINANCIAMENTO, para exportação o EXIMBANK, para o crédito rural a FARM CREDIT ADMINISTRATION e a COMMODITY CREDIT CORP., para pequenas e médias empresas a SMAL BUSINESS ADMINISTRATION, que já emprestou US1.3 trilhão às pequenas e médias empresas americanas, a MARITIME COMMISSION que, desde 1933, financia a construção de navios PARA MANTER ABERTOS OS ESTALEIROS AMERICANOS, as duas financiadoras/seguradoras de crédito imobiliário, FANNIE MAE e FREDDIE MAE, o banco de financiamento para exportação de material e serviços bélicos a DEFENSE SECURITY CREDIT AGENCY, a VETERANS ADMINISTRATION financia casas para militares. Os EUA criaram, capitalizaram e sediam os dois maiores bancos de fomento globais, o WORLD BANK e o INTERAMERICAN DEVELOPMENT BANK, este por inspiração do Presidente JK.

5.TRANSPORTES: Rodovias, aeroportos, portos, metrôs, ônibus coletivos nas cidades, TRENS DE PASSAGEIROS (Amtrak) deficitários mas mantidos porque 15% dos idosos do País não podem viajar de avião, É TUDO ESTATAL, dinheiro público, não tem “inversionista” privado da linha Paulo Guedes.

6.RESGATE DO MERCADO FINANCEIRO EM CRISES – Na crise de 2008 foi o Tesouro dos EUA, através do programa TARP, quem salvou 200 bancos e grandes empresas de seguros, como a AIG e de manufatura como a GENERAL MOTORS, com recursos de US$708 bilhões. Os ativistas neoliberais brasileiros OMITEM esse fato, fazem questão de desconhecer o papel decisivo do Estado em situações de crise nacional de colapso financeiro dos mercados, de alto desemprego, de fome generalizada, de inadimplência gigantesca de pessoas físicas e jurídicas, SITUAÇÕES DE ESTADO que o mercado não pode resolver nem que quisesse resolver. Os americanos reconhecem perfeitamente quando e onde o Estado é necessário, NÃO EXISTE NEOLIBERALISMO IDEOLÓGICO nos EUA, ao contrário do Brasil, eles são PRAGMÁTICOS, a economia funciona com uma COMBINAÇÃO DE ESTADO E MERCADO, não há qualquer hesitação quando é necessário o Estado agir, na crise de 2008 a ação do Tesouro foi autorizada pelo Presidente Obama em uma semana.

A EXTINÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS NESSE GOVERNO

Na sua alucinação, que é resultado da introjeção de uma vulgata do credo neoliberal que nunca foi ensinado de forma tão primitiva, foi o mau aluno quem absorveu por insuficiência de entendimento das aulas de Friedmann, que não poderiam ser tomadas como religião, como se viu na crise de 2008.

Abaixo o obituário de Friedman e a sua revisão histórica. Friedman pode ser lido, mas não é guru de seita e não deve ser tomado por tal função.

Apresentar reformas e projetos de lei NÃO É UM PLANO ECONÔMICO DE CRESCIMENTO, como tem Índia, Rússia e China. Para estrangeiros são rearranjos burocráticos domésticos, ISSO NÃO É UM PLANO DE CRESCIMENTO. Seria como um empresário mostrar a investidores sua empresa dizendo: “Olha como minha empresa é boa, cortei minha folha em 30%”. Sim, MAS E DAI? Onde as reformas levam o Brasil? Qual é o PLANO DE CRESCIMENTO depois das reformas? Qual é o PROJETO DE PAÍS para a indústria, a tecnologia, a educação? A ECONOMIA NÃO FUNCIONA NO VÁCUO, qual é o País onde ela está?

GUEDES EM DAVOS PARA VENDER O BRASIL

Guedes não tem o que apresentar em Davos a não ser VENDER PATRIMÔNIO NACIONAL, que não foi ele quem construiu. O certo seria vender parceria em um PLANO DE DESENVOLVIMENTO, com PROJETOS CONCRETOS, coisa de US$1 trilhão em 4 anos, como o Presidente Juscelino fez quando iniciou seu governo em 1956. Foi à Alemanha e trouxe a nata das empresas alemãs para o Brasil para seu plano 50 ANOS EM 5, que ele realizou através de 31 BLOCOS DE PROJETOS, cada um coordenado por um Grupo de Trabalho, tudo muito organizado com metas e roteiros de execução.

O símbolo ruim de Guedes em Davos: ele convidou empreiteiras estrangeiras para vir ao Brasil. ELE DEVIA PROMOVER EMPREITEIRAS BRASILEIRAS NO EXTERIOR, para obras em outros países, esse é o papel de VENDER O BRASIL, vender a capacidade técnica e empresarial do Brasil para executar projetos em outros mercados, capacidade que o Brasil tem de sobra em construção de USINAS HIDROELÉTRICAS, PONTES, AEROPORTOS E RODOVIAS.

Invés disso foi lá vender aquilo que construímos em 200 anos de Nação, construído por outros e não pelos neoliberais. Triste economia à deriva.

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7 comentários

  1. Prezado André

    Grande artigo. Cada vez que vejo ou escuto este sujeito que senta-se na cadeira de ministro, me lembro daqueles estelionatários aplicando um “171”; mas em nós.

  2. A privatarização do braZil, iniciada significativamente pelos fernandos (collor e cardoso, assim mesmo em minúsculas), permitiu a transferência de lucros públicos* para lucros privados (além de empregos, know-how, papel de desenvolvimento e controle), boa parte para o estrangeiro (Vivo/TelefÓnica, Santander, AES/Enel, Boeing, Nippon Steel, etc) e usando à época financiamento brasileiro do BNDES (ex: Embratel).
    Agora vamos também exportar impostos (o famigerado “dinheiro público”)…
    Para bolsos privados e estrangeiros.
    Mas quem se importa?
    Podemos ser empresários de panos de chão em semáforos ou atendentes do mês no McDonald’s…
    Com uma folga a cada 4 semanas!

    PS:(*) o papel dos governos em empresas públicas deficitárias é transformá-las em lucrativas ou, se já tiverem cumprido seu papel de desenvolvimento, vendê-las em condições benéficas à sociedade e não à compradores “parças”.

  3. Beleza de aula…
    Guedes deve saber muito que a coisa mais valiosa que existe é a experiência

    se a intenção é destruir o país, e é mesmo, fico imaginando quanto deve estar recebendo de quem compra por tal absurdo, para fingir que não sabe

  4. Pior são os políticos de meia tigela, que não passam de despachantes, não perceberem que estão deixando matar a galinha dos ovos de ouro: empresas públicas e as receitas do orçamento da União. De onde virão, o dinheiro, e os cargos para os cupinchas???

  5. O Mundo Industrializado e Desenvolvido com Suas Marcas Nacionais alavancados por seus Poderosos Governos Nacionais. Mas queremos reinventar a Humanidade e o Capitalismo com Nossas Privatarias alavancadas com Empresas e Dinheiro Internacionais a partir de Estrutura Ditatorial e Obtusa desde 1930, replicado em Governo Dutra, replicado em Governo JK. Paralisado momentaneamente até ser reimplantado em Governo Tancredo/Sarney, Collor, FHC, Lula, Dilma Temer, Bolsonaro,…O resultado é este século de tragédias. Mas temos certeza que ainda dará prósperos resultados. Afinal, abram as janelas e vejam a estrada que já construímos? Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação. (P.S. As Universidades Federais são um microcosmos do Estado Ditatorial Absolutista Caudilhista Esquerdopata Fascista. Surgiram exatamente neste Governo Ditatorial. 89% dos seus Orçamentos são gastos em Folha de Pagamento. Ou seja a sustentação de uma Elite (diz aí Dallari, quem recebe mais de 40 mil reais nas Cátedras com equiparação exigida por STF, fora as Elites AntiCapitalistas das Instituições Públicas?) Instituições usando apenas cerca de 40% destes 89% para o restante do funcionamento, inclusive ‘salários dos braçais’. Todos Investimentos e todo restante que são necessários, ficam com cerca de 10%, quando sobram. A saída é buscar Dinheiro de fora dos Orçamentos Estabelecidos constituindo Dividas que serão jogadas para Gerações e Orçamentos Futuros. Não é a História Brasileira destes últimos 90 anos?)

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