5 de junho de 2026

Lados opostos, a mesma estratégia, por Ricardo Cappelli

Não há no momento qualquer força maior que o Bolsonarismo ou o Lulopetismo. Quem quiser construir alternativa a esta polaridade, vai ter que tentar juntar um conjunto de forças e atores. Não haverá Don Quixote no meio de dois gigantes.

Lados opostos, a mesma estratégia

por Ricardo Cappelli

Quando se avalia movimentos na guerra, pouco importa os valores que cada um representa. É a análise do que realizam no teatro de operações o que conta.

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Vejam os movimentos de Bolsonaro. Doria ameaça levantar voo e seu jatinho leva um tiro de bazuca do Planalto. Witzel põe a cara de fora e o Capitão escala um sniper para acertá-lo. Moro, o mais popular, é trancado impiedosamente na solitária.

Até Luciano Huck – que não é da turma, mas pode dar umas beliscadas no filé – é alvejado.

O presidente tem uma estratégia clara. Uma agenda ultraliberal na economia e conservadora nos costumes. Reúne evangélicos, financistas, o agronegócio e parte da grande mídia.

Para que o projeto de reeleição fique de pé, não pode permitir que ninguém entre no seu cercadinho. Delimitá-lo bem é uma obsessão. Se Guedes não produzir um desastre econômico, algo entre 25 e 30% dos votos será suficiente para levá-lo ao segundo turno.

Vamos para o outro lado?

Vejam os movimentos do PT. É pouco provável que outro candidato, isolado, tenha mais votos que um petista, seja ele quem for. Na outra ponta do espectro ideológico, o partido de Lula ainda reina soberano.

A pancadaria com Ciro é cotidiana, difícil dizer quem começou. A esquerda tentou ampliar, se juntar com outras forças? Pau nesta “pseudo-esquerda” que abre mão de pautas estratégicas, de direitos, da soberania e etc. A polêmica em torno do movimento “Direitos Já!” é ilustrativa.

O PT não participa porque o movimento pode atrapalhar o seu projeto de poder. A decisão do partido é legítima e deve ser respeitada.

Mas o argumento da ausência da “agenda Lula” como pauta central é um “bode”. Se Lula sair da cadeia amanhã – o que seria ótimo -, arrumarão outro pretexto. Estão errados?

Se a fragmentação lhes garante uma vaga no segundo turno, por que perderiam protagonismo numa Frente? Ninguém deixa de dar as cartas porque é bonzinho.

O cálculo dos companheiros segue uma lógica. Responsabilidade e altruísmo são palavras bonitas que não costumam comparecer às grandes decisões políticas da história.

Na hora H, o que conta mesmo é a velha frase de Stalin: “quantas divisões tem o Papa?”

Bolsonaro tem convicção que derrota o petismo. O PT aposta que derrota o Capitão. Por isso se escolhem como adversários executando táticas parecidas. Radicalizam e defendem suas posições nos pólos com unhas e dentes à espera do tira-teima. Estão equivocados? Qual será o resultado deste eventual embate?

Não há no momento qualquer força maior que o Bolsonarismo ou o Lulopetismo. Quem quiser construir alternativa a esta polaridade, vai ter que tentar juntar um conjunto de forças e atores. Não haverá Don Quixote no meio de dois gigantes.

Remar contra a maré sempre é possível. Mas na guerra as vontades valem pouco. Será preciso encontrar aliados e construir um exército alternativo com urgência.  As eleições municipais estão chegando.

O GGN prepara uma série de vídeos que explica a influência dos EUA na Lava Jato. Quer apoiar o projeto? Clique aqui.

Redação

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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10 Comentários
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  1. Anônimo

    13 de setembro de 2019 9:02 am

    “O PT não participa porque o movimento pode atrapalhar o seu projeto de poder. A decisão do partido é legítima e deve ser respeitada.”

    Não é isso. O PT, PT, PT não participa porque tá cheio de golpista lá, ora. A MANIA de equiparar o Partido dos Trabalhadores aa direita leva a procurar premissas falsas pra montar argumentações. Cerebrinar criticas ao Lula e ao partido que ele lidera virou um simulacro de “neutralidade científica”.

  2. Dorival Moreira da Cruz

    13 de setembro de 2019 10:45 am

    Todos tem projeto de poder, mas poucos tem partido. É isso que os críticos do PT não entendem. O PT tem o Lula e ainda tem uma estrutura partidária.

  3. Stalingrado

    13 de setembro de 2019 10:51 am

    Mais um capítulo na tentativa de demonizar o PT. Tenho muitas críticas ao PT e Lula em particular. Mas o PT não foi alijado do poder pelo que não fez, o foi pelo que fez de positivo.
    Não vejo a mesma cobrança para aqueles que urdiram e executaram o Golpe de 2016. Esquecem este capítulo como se nunca houvesse ocorrido.
    Lamentável !!

  4. Marcos Videira

    13 de setembro de 2019 11:06 am

    “Se a fragmentação lhes garante uma vaga no segundo turno, por que perderiam protagonismo numa Frente?”.
    A resposta a essa pergunta depende dos princípios políticos de cada um.
    Cristina Kirchner, como Lula, liderava as pesquisas pra Presidência e decidiu apoiar outro candidato para derrotar o neoliberalismo. Sua decisão foi baseada num princípio do peronismo: “Primero la Patria, después el movimiento y por último los hombres”.
    Os fatos demonstram que o princípio de Lula-PT é exatamente o oposto de Cristina K.

    1. Eduardo

      13 de setembro de 2019 2:46 pm

      Cristina abdicou em prol de um outro do mesmo partido, com os mesmos princípios. Lula fez exatamente a mesma coisa, desistindo e indicando Haddad. Única diferença é que foi decisão forçada pelo golpe e pelo Judiciário golpista, o que lá não ocorreu, foi voluntária. As viúvas queriam aqui é que Lula abdicasse a um outro de outro partido, Ciro Gomes, do PDT, ambos sem princípios.

  5. Ariane

    13 de setembro de 2019 11:20 am

    Lados opostos e projetos diferentes porque o PT com Lula não é radical de esquerda. Isso tem de ficar bem claro porque penso que não interessa nada ser confundido com uma via revolucionária radical.

  6. Marcello

    13 de setembro de 2019 11:26 am

    Que tal inventar um centro que nao seja golpista? O centro pariu o golpe, sustentou a lava jato, empurrou o PT para a esquerda, (quadrilha… lembra), e sustentou o incontrolavel Bolsonaro. Mas que tal lembrar do essencial: a economia…ou ate o Fraga esta preocupados com a desigualdade social …

  7. Eduardo

    13 de setembro de 2019 11:38 am

    Não há Dom Quixote no meio de 2 gigantes. Pouco importa os valores de cada um, o que conta é a análise no campo de operações, então tanto Bolsonaro como o lulopetismo estão certos, ninguém entrega o protagonismo. Estão errados ? Estão equivocados ? Blá, blá, blá. Alguém poderia me esclarecer o que o articulista deseja, aonde quer chegar ? Me perdi no meio do caminho. Diante da inexorabilidade do bolsonarismo e do lulopetismo, ambos com muito mais divisões do que o Papa, onde encontrar um exército alternativo ? Com Ciro Gomes ? Por falar nele eu sei quem começou a pancadaria, e por ser uma informação valiosa, pouquíssimos têm conhecimento dela, vou mantê-la em segredo.

  8. AmaralJr

    13 de setembro de 2019 12:12 pm

    O PT não participa dessa união dessas pseudo “forças progressistas”, porque nela estão inclusas:
    O PSDB que comandou os golpes contra Dilma, das reformas Trabalhista e Previdência, além de ser alinhado de 1a hora ao Bozo e sua trupe
    Parte do PSB e do PDT, que também apoiam essas reformas contra o povo brasileiro, que possuem nas suas fileiras Tá bata Amaral e Ciro Gomes, além da Rede que apoia a Vaza Jato, sem contar com o PMDB de Jucá e Temer.
    Essa é a “esquerda” do colóquio ” Direitos Já”, portanto o PT com sua história e força eleitoral não podr se alinhar de cabeça esses oportunistas.

  9. Ronaldo Braga

    14 de setembro de 2019 2:20 pm

    Querem por que querem enquadrar o PT e o Lula. Desistam!
    Usando as palavras do articulista:
    1. “vai ter que tentar juntar um conjunto de forças e atores”;
    2. “Será preciso encontrar aliados e construir um exército alternativo”.
    Boa sorte aos aventureiros. Que deixem o PT e Lula em paz!

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