Imprensa tenta nivelar ação na Cracolândia e massacre do Paraná, por Luciano Martins

A pior maneira de a mídia se relacionar com um fato que tenta inutilmente esconder acontece quando a realidade se manifesta de forma tão intensa que não pode mais ser mantida fora do noticiário

Por Luciano Martins Costa

O “confronto” de Curitiba

No Observatório da Imprensa

A imprensa brasileira descobriu, da pior maneira possível, que existe um estado de tensão entre o governo do Paraná e os servidores públicos do Estado, e que o principal foco dessa situação é o descontentamento dos professores da rede oficial de ensino. A pior maneira de a mídia se relacionar com um fato que tenta inutilmente esconder acontece quando a realidade se manifesta de forma tão intensa que não pode mais ser mantida fora do noticiário.

O evento que obrigou a mídia tradicional a expor aquilo que as redes sociais já vinham denunciando há muito tempo foi a extrema violência com que a polícia paranaense dispersou uma manifestação liderada por professores, contra a proposta de mudança no sistema de financiamento da previdência dos servidores públicos do Estado. Até mesmo o contido apresentador do Jornal Nacional, o telejornal de maior audiência do País, ainda ensaiando o novo estilo coloquial do programa, teve que se render à evidência das imagens.

Ainda assim, os jornais de circulação nacional parecem ter combinado suas manchetes e amanhecem nesta quinta-feira (30/4) falando em “confronto”. Não, senhores editores. Não houve “confronto” entre manifestantes e policiais em Curitiba. O que houve foi uma carga militar, planejada pelo comando da PM, com autorização do governador, contra professores e outros funcionários públicos, transeuntes, curiosos e até contra pais e mães que haviam sido chamados a recolher seus filhos numa escola infantil.

O número de feridos passa das duas centenas, e o total apresentado pelos jornais é subestimado, pelo simples fato de que muitos dos atingidos por balas de borracha, golpes de cassetete e fragmentos de bombas de efeito moral preferiram ir para suas casas ou se reunir na sede de entidades sindicais após o ataque. Apesar da evidente tentativa de relativizar a violência policial nos títulos e destaques das reportagens, as narrativas dos jornais não podem esconder que a responsabilidade pela ação violenta é do governador, e as últimas notícias dão conta de que o risco político de uma desaprovação geral pode causar a demissão do secretário da Segurança Pública ou do comandante da Polícia Militar.

O “curitibaço” e a Cracolândia

Também houve um distúrbio em São Paulo na mesma data, durante ação de cadastramento de usuários de drogas que se reúnem no local conhecido como Cracolândia.

Os dois principais jornais paulistas destacam os dois eventos na primeira página, sendo que a Folha de S. Paulo usa imagens de Curitiba e de São Paulo para ilustrar sua fachada. No entanto, são dois contextos absolutamente distintos, e a única ligação entre eles – uma operação policial – nem de longe pode ser considerada como uma circunstância comum.

Em São Paulo, uma atividade corriqueira que tenta resgatar viciados das ruas oferecendo-lhes treinamento e trabalhos remunerados de zeladoria, descambou para o descontrole quando, durante uma ação para retirar barracas e limpar as calçadas, um estrondo de origem não identificada provocou uma correria. Policiais que patrulham a região foram atacados por um grupo de drogados e um deles disparou para o chão. Fragmentos do projétil feriram dois moradores de rua. A tropa de choque foi chamada a intervir para conter o tumulto que se seguiu.

A operação “De Braços Abertos”, realizada pela prefeitura de São Paulo com apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, enfrenta a resistência de traficantes, que ameaçam os servidores públicos, e, eventualmente, sofre a oposição de autoridades policiais que não acreditam na eficiência do programa. O estado de tensão na região é permanente, como foi relatado por este observador no dia 30 de março (ver aqui), após uma visita à Cracolândia e  conversas com funcionários que atuam na área de saúde pública.

Os incidentes de Curitiba são de outra natureza, e refletem a incapacidade do governo do Paraná de lidar com o direito dos professores e outros servidores públicos de levar às ruas seu descontentamento com o salário e outras questões de seu contrato com o Estado. Por trás desse desentendimento ruge o radicalismo político insuflado pela mídia diariamente.

Também os professores da rede estadual de ensino de São Paulo realizam uma greve parcial há 45 dias. No caso paulista, a versão oficial, que desconhece o movimento (ver aqui), é desmentida por uma sucessão de atos públicos na região metropolitana da capital e em cidades do interior. O leitor de jornais só conhece essa versão oficial.

Até que haja um… “confronto”.

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6 comentários

  1. Levantando ainda mais o tom

    Levantando ainda mais o tom de voz contra o criminoso de guerra Beto Richa.

    @dilmabr enviará drones do Exército p/ vigiar as operações de guerra montadas pelo nazista @BetoRicha contra civis em território brasileiro?

    O @ipeaonline já começou a estudar o estrago produzido na economia do Paraná pelo “criminoso de guerra” @BetoRicha?

    Crimes contra os direitos humanos são federalizáveis.O @MPF_PGR se faz de morto porque o “criminoso de guerra” @BetoRicha é filiado ao PSDB?

    @folha @Estadao @JornalOGlobo defendem o violento crime de @BetoRicha cobrindo um confronto. [email protected] chamou massacre de massacre.

    @folha @Estadao @JornalOGlobo fazem propaganda do “criminoso de guerra” @BetoRicha. [email protected] fez jornalismo imparcial!

    @BetoRicha é, sem dúvida, o responsável pelos crimes da guerra que comandou. @folha @[email protected] são os coiteiros deste criminoso.

    @BetoRicha age como um insano. Ele não deve ser apenas Impedido de governar, deve ser INTERDITADO. E se fugir do Hospício, calmante nele!

    @dilmabr mandará um médico cubano cuidar de @BetoRicha quando ele for internado por razões psiquiátricas?

  2. Se realmente a OAB mudou, ela tem dever de

    ajudar na defesa dos 17 P.M.’s paranaenses que recusaram obedecer á ordem de se transformar em criminais.

    Há 70 anos, por toda a Europa, quantos foram os soldados do pais de Goethe que se recusaram obedecer á ordem de se transformar em criminais?

  3. Paraná

    omo essa história acaba?

    30ABR

    Era uma vez, num mundo não tão tão distante, um país muito grande e diferente. Nele uma mulher muito corajosa, coroada pela maioria de seus habitantes tentava governar para todos, mas enfrentava alguns problemas graves. O maior deles, sem dúvida, se relacionava ao clã dos Tucanos de Grande Narigões. Eles haviam recebido esse nome porque seus principais senhores, Sir Gerald  e Sir Betoh, tinha uma doença genética interessante: seus narizes cresciam toda vez que diziam uma mentira aos jornais locais. Sir Gerald era o senhor do clã Tucano do Norte e Dir Betoh era senhor do clã Tucano do Sul. O primeiro morava num palácio cahmado Bandeirantes, o segundo, num denominado Iguaçu. O clã também havia recebido o nome de clã da república café com leite de soja, ou dos produtores para desejum: era fartos os produtores no clã de suco de laranja, produtos de soja transgênica para empresas de bolo e pães, sucos de soja, entre outros. Os membros do clã do sul também tinham terras distantes, em que produziam arroz, nas quais os ameríndios eram expulsos, sem dó ou piedade. Até com doenças apra as quais eles não tinha imunidade. Os membros do clã do norte publicavam notícias falsas pelo país, pagando profissionais com dinheiro dos impostos e taxas, para espalhar medo e pânico na população.

    Sir Gerald era anestesista. Para dar conta de sua residência, pois a realizou junto com o cargo de vereador em sua pequena vila, ele aplicava anestesias em si mesmo, e em uma pequena horta de chuchus. Desta experiência surgiram dois resultados: ele permanece anestesiado até hoje, e seus chuchus são capazes de anestesiar a população de seu clã, que acredita em tudo que ele afirma. Ele afirma não faltar água, a população, sem banho, sem água para cozinhar, ou colheita, acredita. Ele afirma estar tudo bem, todos ficam felizes. Seus chuchus são extraordinariamente eficazes.

    Dessa forma, havia uma classe muito temida pelos dois clãs. Uma classe que poderia quebrar os feitiços dos chuchus, e suas mentiras. Poderia fazer com que ninguém mais acreditasse nos jornais,  porque libertaria mentes, consciências, e liberdades é o que mais se teme neste clã. São os professores.

    A eles oferecem o pior salário, e os melhores massacres. Os melhores cães treinados para morder, os grandes coronéis instruídos para bater. Não pode escapar um só professor em paz. Eles representam o maior perigo ao clã dos Tucanos. Neles se batiam com balas. Os mestres, armados de giz. E os jornais chamavam o massacre dos professores de confronto. Para não perder o hábito de mentir.

    Como essa história acaba? Depende de você

     

  4. Guarda Nacional afasta governador por UMA estudante negra

    Desafiando a lei, o governador do Alabama George Wallace negava-se a cumprir o direito de 2 jovens negros estudarem em “sua” universidade estadual, até então só de brancos, com o lema “segregação ontem, hoje e sempre”, fechando a entrada para eles pessoalmente e com sua policia.

    Kennedy federalizou a Guarda Nacional, que sobrepôs-se às forças de segurança locais (a “PM”) do governador e garantiu a entrada da menina na escola, afastando-o da porta, com toda a sua “proteção”.

    Alguns questionarão o “custoxbenefício” disso tudo por um par de “negrinhos”.

    Eu diria: incomensurável!

    Filme: https://www.youtube.com/watch?v=1Zr95k-YcxA

    Wikpédiai: http://en.wikipedia.org/wiki/Stand_in_the_Schoolhouse_Door

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