30 de junho de 2026

Mais um rio de sangue entre excessos e omissões governamentais, por Comissão Arns

Não é concebível que a metrópole convulsione em pânico a cada vez que soldados marcham sobre as vielas para, supostamente, combater as milícias ou os traficantes
Crédito: Tânia Rego/ Agência Brasil

Mais um rio de sangue entre excessos e omissões governamentais

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Por Comissão Arns

A Comissão Arns expressa sua consternação pelas mais de cem mortes, até agora conhecidas, que resultaram da chamada “megaoperação” policial nos Complexos do Alemão e da Penha, ontem, no Rio de Janeiro. Com pesar, estende sua solidariedade às famílias das vítimas, quatro das quais policiais em serviço. Lamentamos também pelas pessoas feridas e aterrorizadas, que sofreram traumas em função do despreparo das autoridades incumbidas de zelar pela segurança pública.
Esta nota vem manifestar também indignação e repúdio. A sucessão de chacinas promovidas por tropas armadas, nas regiões mais pobres da cidade do Rio de Janeiro, vem marcando recordes sequenciais no número de óbitos. O descontrole demonstra que o inaceitável se acomodou em padrão de conduta do Estado, a despeito do direito à vida da comunidade dos cidadãos fluminenses, especialmente dos mais frágeis.

Não é concebível, assim como não é suportável, que a metrópole convulsione em pânico, plenamente justificado, a cada vez que soldados marcham sobre as vielas para, supostamente, combater as milícias ou os traficantes. Como foi possível que a sociedade descambasse a tal ponto, em que a força bruta é o único critério, e um estado de exceção se erige em regra fatal?
O que se pode constatar de tudo isso, desgraçadamente, é que o Estado, além de não ser mais capaz de oferecer segurança pública, segundo as melhores técnicas de ação policial, vem se convertendo em promotor da insegurança, do desespero e do mais absoluto desconsolo.

Os excessos de ontem escancararam, mais uma vez, uma verdade dolorosa: alegando atuar para reprimir bandos de criminosos, as forças públicas, desprovidas de inteligência operacional orientada por senso ético, exacerbam a própria criminalidade.

As declarações constrangedoras do governador Claudio Castro tentando jogar a responsabilidade para o governo federal – logo desmentidas – só pioram o cenário. A União, os estados e os municípios precisam trabalhar em conjunto, ou a catástrofe da insegurança pública jamais poderá ser vencida. Para que isso se dê, no entanto, um mínimo de compostura e de seriedade se faz indispensável – e essa não tem sido a marca do governador fluminense.

Seu descaso com a vida chega a ser infamante, diante dos padecimentos de seus concidadãos. Essa displicente morbidez precisa ser contida imediatamente. Chega de desumanidade. Chega de crueldade. Chega de abuso de autoridade!

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

LEIA TAMBÉM:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados