Meus dois tostões sobre 2013 e as declarações de Luiz Inácio, por Luis Felipe Miguel

Há uma enorme diferença entre uma mobilização ser capturada pela direita e ser pensada, deflagrada ou patrocinada pela direita.

Meus dois tostões sobre 2013 e as declarações de Luiz Inácio

por Luis Felipe Miguel

Quando eclodiram as manifestações em 2013, eu me coloquei do lado dos “céticos”, por assim dizer. Enquanto alguns amigos saudavam a eclosão da revolução popular, eu julgava que um movimento tão carente de organização e de liderança dificilmente teria força para ser mais do que a expressão pontual de uma insatisfação latente. Sou “old fashioned” demais para pensar diferente.

Não fui capaz de prever a captura de 2013 pela direita, mas, quando ocorreu, ela pareceu bastante óbvia. O MPL não tinha força para comandar protestos tão gigantescos. Aos partidos à esquerda do PT também faltava base social para tanto.

E o próprio PT estava em situação complicada. Era um alvo da insatisfação, já que controlava o governo federal. E a reação inicial de Fernando Haddad, então prefeito de São Paulo, às reivindicações também não contribuiu para legitimar o partido como interlocutor, muito pelo contrário. (Lembrando que 2013 não começou nem terminou em São Paulo, mas foram as manifestações paulistanas que ganharam a atenção nacional e, assim, transformaram aquele momento na onda que se tornou.)

Não há, no entanto, nenhum indício de que as manifestações de 2013 tenham começado como parte do golpe, como disse o ex-presidente Lula em entrevista à Telesur. Não há nenhum indício de que os movimentos de transporte público estivessem a serviço de grupos de direita ou do imperialismo estadunidense, ou infiltrados, ou manipulados.

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Absolutamente nada sustenta tal tese. Nem provas, nem mesmo convicções.

Há uma enorme diferença entre uma mobilização ser capturada pela direita e ser pensada, deflagrada ou patrocinada pela direita.

As declarações de Lula, portanto, foram enormemente irresponsáveis (para usar uma palavra amena).

E o uso de uma velha entrevista de Elisa Quadros por uma parte de sua tropa de choque, uma entrevista defendendo en passant a libertação de alguém que muitos anos depois revelou ser um terrorista de extrema-direita, só pode ser denominada como calhorda.

Elisa Quadros pode ter sido ingênua, precipitada, desavisada, radicaloide, o escambau, assim como a liderança do MPL pode ser criticada de diversas maneiras. É um bom tema para debate. Mas não dá para chamá-los de quinta coluna, traidores, agentes ianques, nada disso.

É bem mais honesto reconhecer que, muito antes de serem tomadas por coxinhas mobilizados pela Rede Globo, as manifestações de 2013 levaram as ruas uma massa de insatisfeitos com os limites do arranjo lulista.

Oferta de empregos, sim, mas de baixa qualificação e baixo salário. Inclusão social, mas mais pelo consumo do que pela oferta de serviços socializados. Combate à miséria, mas convivência com a desigualdade profunda.

E o espaço da cidade, fulcro da pauta do MPL, é aquele em que as diversas assimetrias – de classe, de gênero, de raça – e as violências associadas a elas se manifestam com clareza.

O governo Dilma Rousseff e o PT, infelizmente, preferiram conter o movimento e focar na minimização de danos para as eleições do ano seguinte, em vez de buscar um diálogo real com as ruas, que permitisse uma mudança no arranjo vigente, em condições mais favoráveis ao campo popular.

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Talvez uma disposição diferente, por parte do governo e de seu partido, tivesse dificultado a captura do protesto pela direita. Mas é mais fácil culpar os manifestantes.

A demonização de 2013 por Lula segue essa lógica. O povo na rua atrapalhou o governo, colocou em risco a reeleição, logo estava a serviço dos adversários.

É melancólico ver o maior líder popular da nossa história, forjado nas jornadas memoráveis de 1978, condenando liminarmente manifestações populares, como se fossem “estorvos” para a ação política.

É a demonstração máxima da conversão total e absoluta do lulismo à política institucional, aquela que começa e termina nas urnas, nos parlamentos e nos tribunais. O que, aliás, leva a um péssimo prognóstico para a resistência necessária aos retrocessos em curso.

Esse é o drama da esquerda brasileira:

Por um lado, apesar de declarações soltas que permitem vislumbrar algo diferente, mas que logo se dissipam, Lula mantém os dois pés fincados na estratégia de acomodações sucessivas – cujo esgotamento, no entanto, vem sendo provado cabalmente desde o golpe de 2016.

Por outro lado, Lula permanece sendo o maior depositário de duas virtudes das quais a esquerda brasileira precisa desesperadamente: a capacidade de comunicação com as massas mais amplas e o sentido de urgência, de busca de respostas imediatas para problemas prementes, em vez de desenhar cenários grandiosos para um futuro indeterminado.

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48 comentários

  1. Dessa vez discordo do autor. Análise demasiada e injusta com a opinião de Lula. Ele não está construindo uma interpretação histórica, e sim uma narrativa política e que, ainda que eventualmente não “verdadeira”, é verossímil. Afinal, quantas vezes já vimos “movimentos populares” ou “reivindicatórios” fazerem o trabalho sujo para a direita? E foi o que ocorreu com as jornadas de 2013.

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    • Não vai ter copa! Copa pra quem ! Serviços padrão Fifa discurso de uma esquerda do quanto pior melhor fale o que quiser mas contestar os iiibavanços do governos Lula e Dilma é cegueira seletiva. O movimento não foi capturado pela direita más repassado por uma esquerda que a achou que sobraria algo pra ela.Os EUA tentaram usar as mesmas táticas na Turquia e depoís na Rússia durante a copa se deram mal nos dois,
      O povo desses países não
      se deixaram passar por massa de manobras do Império.

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    • Ao fim da leitura de mais um corretíssimo artigo do professor LFM, conciso, esclarecedor, certeiro, repito a manifestação de júbilo que era empregada pelo fundador de um destacado sítio noticioso que, de uns tempos pra cá, descarada e desavergonhadamente, passou a fazer parte da “tropa de choque” lulista. E que, por meio de alguns artigos sórdidos de seus editores, também atacou calhordamente a militante Elisa Quadros:

      “Clap, clap, clap!”

      É texto, como se dizia, para ser emoldurado.

      Obrigado, Professor. Faço minhas …

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    • Atenção, lulistas, em entrevista ao destacado sítio noticioso mencionado acima, às 12h13min de hoje, o próprio Líder declarou não ter prova nenhuma de que o heroico movimento de redução das passagens de 2013, que expôs as fraquezas dos governos petistas (o que por si já expõe o quão fraco ele foi), foi financiado, estimulado, conduzido, programado, arquitetado, tramado, urdido, por mãos estrangeira, pelo departamento de estado dos EUA, CIA, NSA etc. Ele apenas acha. Ou seja, o Líder baixou a bola. Deixou os liderados com a brocha na mão. Recomendo que assistam à entrevista amiga, no sítio da “tropa de choque”, para que possam se realinhar.

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      • Até hoje tem idiota que acredita no movimento contra o aumento de passagem em R$0,20. Foi só no começo, e logo foi capturado por profissionais treinados lá fora. Algum dos Black Block que promoviam quebradeiras de bens públicos foram identificados?

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    • Juruna (terça-feira, 07/01/2020 às 13:40),
      Avalio que você está bem certo em dizer que a opinião de Lula sobre as manifestações de junho de 2013 não é uma construção de “uma interpretação histórica, e sim uma narrativa política”. Todo analista precisa considerar a narrativa do político dentro do mundo político.
      Agora, além do direito de fazer a análise histórica da narrativa política, Luis Felipe Miguel tem um pouco de razão no texto dele. Primeiro acho válido e necessário fazer a análise histórica das manifestações de junho de 2013. Aliás, eu tenho demandado isso desde os primeiros momentos. É preciso saber as origens das manifestações, a sua caracterização e as suas consequências.
      Primeiro é preciso saber fazer a distinção dos dois momentos das manifestações de junho de 2013. E nesse ponto há o acerto de Luis Felipe Miguel em destacar os dois momentos, o primeiro com base mais de esquerda e o segundo com base de direita.
      Eu questiono muito o caráter de esquerda dos atuais movimentos que acontecem na América Latina. São movimentos conduzidos por reivindicações individuais ou de grupos pequenos. O Movimento Passe Livre vai nessa direção.
      A quem interessa o passe livre: aos país dos estudantes mais pobres e aos empresários (ou aos empregadores de empregadas domésticas) que pagam o salário do empregado e mais as despesas de transporte.
      As reivindicações individuais devem ser feitas na justiça. As reivindicações de grupos de interesses são reivindicações orçamentárias e nesse caso é preciso levar em conta as restrições orçamentárias e devem ter palco no parlamento. É claro que os grupos de interesse podem e devem fazer manifestações, mas é preciso reconhecer esses dois aspectos: as limitações orçamentárias e o local exato por onde as reivindicações terão de passar: o parlamento.
      Para dar caráter mais genérico, as manifestações buscavam os recursos para o passe livre nos recursos aplicados na construção dos estádios ou faziam reivindicações por mais educação e saúde.
      Sem dúvida que a construção de centros de saúde pelo país seria mais prioritário do que a construção de estádios de futebol. Aqui, entretanto, não se deve olvidar que o governo vinha investindo mais em saúde e educação, e assim, essa crítica a construção de estádios, ainda mais que a melhoria nos estádios estavam vinculados com aumento da mobilidade urbana, é fruto do desconhecimento do funcionamento do sistema capitalista pela esquerda (a direita também desconhece esse funcionamento).
      E não é só do desconhecimento do funcionamento do sistema capitalista que turva as vistas da esquerda. A esquerda também não aceita a superioridade sob o aspecto de maior eficiência no aumento da produção do capitalismo.
      É claro que é preciso reconhecer que o capitalismo tem na sua gênese o mesmo inconveniente ético do sistema escravocrata, ou seja, permitir a acumulação de capital com o trabalho (remunerado no sistema capitalista e escravizado no sistema escravocrata) de terceiro.
      A esquerda, enquanto o sistema capitalismo é mais eficiente, deveria buscar combater a desigualdade que a maior eficiência do sistema causa. E o que há de mais distributivo no sistema capitalista é o pleno emprego. E o combate à desigualdade é benéfico ao próprio sistema capitalista, pois na concentração absoluta ele se destrói.
      Esta tarefa de combater a desigualdade que o sistema capitalista causa não pode ser feita de uma só vez, pois de um lado é importante a formação de grandes grupos, pois eles são mais eficientes que os pequenos e de outro é o ganho maior do capitalista que impulsiona o aumento da produção. Enfim é preciso atuar com parcimônia sobre o ganho maior do capitalista, para não quebrar o processo de investimento, primordial para o aumento de produção que o capitalismo assegura.
      Como a esquerda quer sempre agilizar o processo de redução da desigualdade e ao mesmo tempo combater o capitalismo ela se põe contrária a políticas como a formação de grandes grupos econômicos, nem aceita o direcionamento de recursos para as construções de grandes estádios que além da melhora da qualidade do lazer do cidadão, representa desenvolvimento tecnológico da nossa engenharia na construção de grandes obras.
      É bom que se destaque que esta incompreensão do funcionamento do sistema capitalista atinge também a direita que defende o modelo liberal dos austríacos e que na sua melhor forma pode ser resumido no livro popular do economista de origem germânica, mas cidadão inglês Ernst Friedrich Schumacher, “O negócio é ser pequeno” (Small is Beautiful).
      O modelo liberal dos austríacos é uma ficção. Só existe nos livros. Nenhum país no mundo segue os ensinamentos deles. Assim só uma massa de pessoas com baixo conhecimento sobre o funcionamento do sistema capitalista se deixa seduzir pelas lições teóricas de anacoretas nefelibatas que só validam seus conhecimentos no seu mundo de farta fantasia.
      Eu tentei fazer análise das manifestações de junho de 2013. Pensei que havia feito algum comentário junto ao post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado” de quinta-feira, 20/06/2013, aqui no blog de Luis Nassif com texto com mesmo título e de autoria de Rafael Araújo, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo e da PUC-SP. Quando se acessa o post não se vê nele nenhum comentário.
      De todo modo, desde praticamente o surgimento do post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado”, eu lhe tenho feito menção e ele podia ser visto no seguinte endereço:
      https://jornalggn.com.br/politica/a-cegueira-branca-do-estado-e-o-gigante-iluminado/
      Junto ao post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado”, não há nenhum comentário nem meu nem de outro qualquer. Às vezes acontece de vir post antigos sem os correspondentes comentários. Neste caso, eu não sei o que ocorreu, mas como disse menciono o post com frequência.
      Se não enviei nenhum comentário para “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado” provavelmente isso se deve ao fato de eu andar envolvido em analisar o post “O grande momento da cidadania” de quinta-feira, 20/06/2013 às 08:00, de autoria de Luis Nassif e do post dele e que podia ser visto no seguinte endereço (mas hoje esse endereço não mais funciona):
      http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-grande-momento-da-cidadania
      Este post seria importante se ele ainda existisse como no original. Hoje, entretanto, só há o post sem os comentários, como se pode ver no seguinte endereço:
      http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-grande-momento-da-cidadania
      De todo modo, o post mostra uma faceta importante do blog de Luis Nassif que é de manter um caráter eclético para ter o maior número possível de pessoas como comentaristas. A intenção é evitar que o blog vire um nicho de uma opinião única e perca densidade. Assim, oportunisticamente ou não, Luis Nassif, na época, colocava as fichas nas manifestações.
      E em meus comentários junto ao post “O grande momento da cidadania”, que foram dois para Luis Nassif, embora eu não tenha feito referência ao post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado”, faço menção a alguns comentários e vale destacar parte do meu comentário em que eu rebato a ideia defendida por um comentarista que pedia para acabar com os trocadores. Disse eu então:
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      “É interessante que além de não se preocupar com o problema da distribuição de renda como eu mencionei em meu comentário atualmente na segunda página, os manifestantes não se preocuparam também com o problema da geração de emprego. E aqui neste post “O grande momento da cidadania” vi comentaristas fazerem intervenções que faziam lembrar o comentário de Boris Casoy sobre os garis. É o que se pode ver do comentário que RCampos enviou hoje, quinta-feira, 20/06/2013 às 11:17, para junto do comentário de Paulo Toledo enviado também hoje, 20/06/2013 às 10:32. Disse Paulo Toledo em uma observação curta, e ao meu ver precisa e correta:
      “Tá tudo muito bom. Tá tudo muito bem.
      Se fosse aprovado o passe livre, onde é que se enfiariam os trocadores?
      Responda com educação, por favor”.
      Em resposta, RCampos disse:
      “Trocadores são uma excrecência que só existem no Brasil”
      Bom, para fazer uma comparação vou transcrever a opinião de um prócer da ditadura militar e que apesar de técnico serviu a ela com afinco serviço pelo qual eu espero que a própria consciência dele tenha-lhe cobrado ao longo da longa jornada dele. Diz então Antonio Delfim Netto no artigo “Metas Inflacionárias” publicado no jornal Econômico de terça-feira, 04/10/2011:
      “A igualdade de oportunidade é objetivo fácil de ser enunciado, mas esconde enormes problemas conceituais e práticos. De qualquer forma, deve começar com a chance de todo cidadão ganhar a vida com o seu esforço. De todos os desperdícios de recursos naturais de uma sociedade, nenhum é mais injusto, mais prejudicial à integração social e à autoestima do cidadão, do que negar-lhe a oportunidade de viver honestamente e sustentar a família com o resultado de seu trabalho”.
      No post aqui no seu blog intitulado “As metas inflacionárias, por Delfim Netto” de terça-feira, 04/10/2011 às 11:38, há a transcrição do artigo “Metas inflacionárias”. O post “As metas inflacionárias, por Delfim Netto” pode ser visto no seguinte endereço:
      http://dc-5bfcb017.projetobr.com.br/blog/luisnassif/as-metas-inflacionarias-por-delfim-netto
      [Este endereço já não existe mais. Assim ponho o outro link que leva ao artigo de Antonio Delfim Netto, mas mais uma vez sem os comentários:
      https://jornalggn.com.br/economia/as-metas-inflacionarias-por-delfim-netto/
      É uma pena que a maioria que isso tenha acontecido em tantos posts nos blogs antigos de Luis Nassif.]
      A frase de Antonio Delfim Netto que parece frase de algum marxista redivivo precisava ser levantada em cartazes carregados por todos os manifestantes que realmente se preocupassem mais com os problemas brasileiros mais graves e não com os problemas que ocorrem (Corrupção, má qualidade da educação e da saúde) em todos os países em desenvolvimento em até grau maior do que no Brasil, mas que a grande mídia conseguiu convencê-los de que aqui seriam os nossos maiores problemas e que eles podem ser resolvidos em razão de grandes manifestações.
      A bem verdade a mídia não convenceu os manifestantes que os problemas podem ser resolvidos de uma vez. A grande mídia deu a entender que os problemas são maiores do que ele realmente são e que no Brasil eles seriam no nível ainda maior do que ele ocorre em países parecido com o nosso.”
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      Faço referência a seguir a dois posts nos quais indico o post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado”. Um é “O espanto de Jabor ante o mundo novo” de terça-feira, 10/09/2013, no blog de Luis Nassif em que Luis Nassif faz chamada para o artigo de Arnaldo Jabor no Estadão intitulado “O futuro já era”, sendo que o post pode ser visto no seguinte endereço:
      https://jornalggn.com.br/midia/o-espanto-de-jabor-ante-o-mundo-novo/
      Há um longo comentário meu enviado terça-feira, 10/09/2013 às 23:24, para junto do comentário de FabioJ enviado terça-feira, 10/09/2013 às 17:14, em que eu chego a transcrever parte do texto de “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado”.
      O segundo post é “O caos que precede a nova ordem” de sexta-feira, 21/06/2013 às 08:00, aqui no blog de Luis Nassif e de autoria dele e que podia ser visto no seguinte endereço:
      http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-caos-que-precede-a-nova-ordem
      O post de Luis Nassif era muito ruim. Ele fazia elogio à reunião do Movimento Passe Livre que ele foi assistir e no final ele termina assim:
      “. . . . .
      O governante que conseguir entender os novos tempos e criar instrumentos eficientes de participação, dominará a cena política nos próximos anos.
      Quem não conseguir decifrar o enigma, será devorado pela esfinge.
      Aliás, a declaração do Ministro Guido Mantega de que não há espaço para medidas fiscais em favor do transporte público é a demonstração cabal de nos grandes momentos políticos, quem é pequeno tende a se apequenar cada vez mais.”
      Post ruim de Luis Nassif que ficou ainda pior sem os comentários. Eu fiz se não me engano dois comentários junto ao post e um dos comentários, o para Hugo, enviado sexta, feira, 21/06/2013 às 11:17, tinha uma informação interessante. Trago o trecho aqui porque muitos negam que o movimento tenha sido contra a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. No entanto, no comentário de Hugo há a seguinte passagem:
      “Nassif, vou dar um pequeno relato do que aconteceu em São Carlos ontem.
      Cerca de 15 a 20 mil pessoas saíram às ruas para protestar, haviam cartazes de todo tipo, da redução da tarifa de ônibus até a implantação do voto distrital.
      No meio das manifestações existiam muitos cartazes contra o atual inacreditável prefeito tucano, que de tão incompetente já perdeu 5 secretários em seis meses de governo. E graças a sua incompetência e centralismo não consegue ninguém para ocupar as vagas.
      A questão do transporte de da administração local deveriam ser, a princípio a principal manchete dos jornais e portais locais, certo?
      Claro que não. Em todos eles na primeira página aparecem os cartazes escrito Fora Dilma.”
      E eu fiz dois comentários. Um para IMG que previa dias sombrios para o Brasil e eu respondi dizendo que aparentemente o PIB não fora afetado com o movimento e, portanto, não haveria consequências ruins provocadas pelas manifestações.
      E o outro comentário fora para Luis Nassif que reproduzo a seguir:
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      “Luis Nassif,
      Insisto que sua louvação ao movimento vai muito no sentido de capitalizar para o blog uma aproximação com os manifestantes e não no sentido de expressar uma interpretação do que de fato ocorre. O que há de louvável no movimento é a participação em si do movimento no sentido de que a participação é uma manifestação de cidadania.
      Agora, interpretar o que está ocorrendo é muito difícil. Só um superhomem que conseguisse entrar na consciência de cada participante e processasse todas as informações conseguiria chegar a este ponto.
      O que eu queria manifestar aqui é só a minha discordância de duas idéias que estão no título e que podem ser vista na frase deste seu post “O caos que precede a nova ordem” de sexta-feira, 21/06/2013 às 08:00, trazendo a sua Coluna Econômica desta data e que transcrevo a seguir:
      “Ora, não se queira racionalidade ou foco em um fenômeno social. Está-se no olho do furacão, no início do processo de transformações, no caos que precede a nova ordem”.
      Não penso que se pode falar em caos a menos que o caos a que você se refere é o do movimento. As manifestações por não possuírem liderança e por não trazerem objetivos claros acabam em caos. É o caos do movimento, mas não no país, sob aspecto econômico e sob o aspecto institucional. Haveria caos se as manifestações tivessem repercussão no PIB, mas se vê pelos manifestantes que tal não ocorre.
      E a previsão de nova ordem é insustentável.
      O Brasil não inventou nada no mundo. Nem o futebol que quando estamos mal ainda nos encontramos entre os melhores é invenção dos brasileiros. O que temos é aperfeiçoado sistemas desenvolvidos alhures. Acho a democracia brasileira ainda que tenhamos uma desigualdade de renda muito grande que enfraquece bastante a democracia sob o aspecto material é sobre o aspecto formal uma das mais modernas do mundo.
      Para se instalar uma nova ordem seria necessário pôr todo esse arcabouço institucional abaixo. Não vejo a possibilidade de uma nova ordem nem mesmo no mundo nos próximos cinquenta anos.”
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      O que pretendia dar relevo em meu comentário foi a minha dificuldade em entender as manifestações de junho de 2013 e o meu entendimento de então de que a economia não seria afetada. Além disso eu fui então muito resistente a ver coisas boas nas manifestações.
      Em meus alfarrábios há um comentário que ficou pela metade. Parece que eu ia enviar para Luis Nassif e pode ser que depois eu levei meu comentário para o post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado”, onde teria finalizado. Ou então eu fiquei a cata de algum artigo que tratasse sobre a ideia da tarifa zero.
      No final da década de 70, um professor no Curso de Administração Pública na Fundação João Pinheiro em Minas Gerais, apresentou uma proposta de Tarifa Zero observando que havia em torno de 90 milhões diários de compra de passagem em ônibus urbano no país.
      Eu lembro que utilizei aqueles dados para propor, em um trabalho para outro professor, uma forma de aumento da carga tributária e que consistia em dobrar o preço da passagem sendo que metade seria imposto. 90 milhões x algo como atualmente 5 reais vezes 265 dias e teríamos quase 120 bilhões (119.250 bilhões de reais) de arrecadação. Em dez anos daria para cobrir os ganhos da atual reforma previdenciária. O professor de esquerda não aplaudiu a minha sugestão.
      Bem, o comentário não foi concluído e eu não tenho prova de que ele fora enviado. E parece que se eu fosse o enviar o enviaria para Luis Nassif. De todo modo a parte que fora feita eu transcrevo a seguir.
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      “Vou fazer uma digressão, mas que vem a calhar sobre o seu post. Ontem você trouxe para o blog um artigo bastante instigante. De autoria de Rafael Araújo, Professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo e da PUC-SP, o artigo intitulado “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado” deu origem ao post com o mesmo nome “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado” de quinta-feira, 20/06/2013 às 15:10 e que pode ser visto no seguinte endereço:
      http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-cegueira-branca-do-estado-e-o-gigante-iluminado
      Os quatro primeiros parágrafos são muito bons. Transcrevo o início de uma frase no primeiro parágrafo em que Rafael Araújo diz:
      “De fato é difícil encontrar explicações exatas e fazer previsões”
      Eu iria um pouco mais além e diria que é quase impossível.
      O quinto parágrafo tem uma interrogação que, pelo menos para mim, é importante que seja feita e eu a transcrevo a seguir:
      “Há uma crise de racionalidade pelo fato do Estado de direitos não ser capaz de cumprir com aquilo a que se propõe. Os articulistas têm repetido isso como um mantra, mas até que ponto trata-se de uma crise exclusivamente brasileira?”
      Em seguida ele faz outro questionamento importante e dá um encaminho que a meu ver não foi expresso com clareza, mas se foi o que eu entendi, também vai em direção ao que eu penso. De novo vale transcrever o que ele diz:
      “Até que ponto podemos associar o descontentamento do povo ao descaso e à corrupção? Esse é o raciocínio de superfície que estrutura os meios de comunicação tradicionais e que está por toda parte: nas músicas, filmes e novelas, nos sermões e discursos políticos, nas conversas de bar e de família, nas fábricas e escritórios, nas ruas e praças”.
      Pelo que eu entendi, o descontentamento do brasileiro com a corrupção tem sido apresentado pela mídia e se manifesta em toda a parte. Aqui eu entendi do modo que eu concordo. Se ele quis dizer outra coisa não foi essa outra coisa que eu entendi.
      Só que a seguir, em meu entendimento ele embaralha. Para ele, as empresas de comunicação falam do descontentamento do brasileiro com a corrupção porque é isto que a população quer ouvir. Eu tenho chamado atenção para o fato que as reivindicações do movimento são muito decorrente do que se tem na mídia. O que eu acho que ele embaralha é porque ficou parecendo da forma que ele diz que o sentido da formação do caráter descontente do brasileiro com a corrupção que existe no país vem da população e vai para as empresas de telecomunicações que então apenas atendem a sede da população em ouvir notícias sobre corrupção.
      Em minha avaliação os problemas complexos são simplificados pela mídia em decorrência de a mídia não ter competência técnica para tratar de problemas complexos. Não se trata de um problema da mídia brasileira, mas é da mídia mundial pois o problema só é complexo se ele assim o for em todo lugar no mundo. Quando o problema deixa de ser complexo em algum lugar no mundo logo se repassa para todos os quadrantes a solução do problema. A corrupção é um problema complexo. O sistema tributário é um problema complexo. Ai o que qualquer um que já percebeu a complexidade inerente a problemas desse tipo pensa quando lê um comentário na mídia sobre esses assuntos é observar quão simplória é o conhecimento do problema que se expressa no texto lido.
      Então, depois de se louvar a manifestação pelo aspecto de cidadania inerente as manifestações populares em geral, vale sim juntar o de mais expressivo ou mais repetido brota das manifestações. O passe livre foi de certo modo o desencadeador da manifestação. Considero que o peso financeiro do passe livre é um custo que em um prazo menor do que vinte anos é impossível ser praticado. Impossível aqui é relativo. Por que não se cria a CPMF em que 30% seria para educação, 30% para a saúde e 40% para custear o passe livre?
      Sobre a questão do passe livre que há mais de vinte anos me foi apresentado pelo professor João Luiz da Silva Dias, eu menciono um comentário que eu enviei para você quinta-feira, 20/06/2013 à 14:11, junto ao post “O grande momento da cidadania” de qui, 20/06/2013 às 08:00, consistindo a sua coluna Econômica de ontem, e que agora quando já constam 258 comentários para o post, ele se encontra no meio da terceira página, podendo ser visto no seguinte endereço:
      http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-grande-momento-da-cidadania?page=2
      Como no meu comentário eu sou um tanto crítico ao passe livre, mantendo a minha crítica que eu fazia ao professor João Luiz da Silva Dias, um economista de prestígio aqui em Belo Horizonte e petista de carteirinha daquele estilo antigo, eu remeto aqui para dois comentários trazendo textos em defesa do Passe Livre e que pode ser visto junto ao post “A questão dos transportes e os caminhos possíveis” de quinta-feira, 20/06/2013 às 18:00, aqui no blog de Luis Nassif e trazendo a transcrição do comentário de Edú Pessoa junto ao post “O grande momento da cidadania”. O endereço do post “A questão dos transportes e os caminhos possíveis” é:
      http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-questao-dos-transportes-e-os-caminhos-possiveis
      Os dois comentários para os quais eu queria chamar atenção foram feitos por Paulo Augusto e enviados o primeiro sexta-feira, 21/06/2013 às 00:11, e o segundo logo depois às 00:14. No primeiro ele transcreve artigo de Marcelo Miterhof, jovem (38 anos) economista do BNDES e que escreve semanalmente na Folha de S. Paulo às quinta-feira. O artigo intitulado “Ônibus gratuito” foi publicado quinta-feira, 28/12/2013 e pode também ser visto no seguinte endereço:
      http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelomiterhof/1238079-onibus-gratuito.shtml
      No segundo comentário Paulo Augusto transcreve artigo publicado na revista The Economist defendendo o transporte gratuito. O endereço do artigo “Maybe buses should be free” é:
      http://www.economist.com/blogs/gulliver/2013/06/fares
      Então sobre a questão do passe livre, uma das poucas bandeiras clara das manifestações, não tenho muito mais o que acrescentar. Penso que ele é de difícil execução atualmente no Brasil. É bom perceber que atualmente praticamente só a família do estudante é que paga a passagem diretamente. Para o empregado o custo é bancado pela empresa através de vale transporte. A dificuldade reside no fato de que para o passe livre haverá necessidade de provavelmente arrecadar de 1 a 2% de arrecadação para custear a passagem o que necessitaria de um tributo como a CPMF ou um adicional no imposto de renda (O adicional no imposto de renda com destinação específica precisaria de emenda constitucional).
      – – – – – – – – – – – – – – –
      Eu ainda ia continuar pois há o início de uma frase. “A segunda crítica comum ao.. . . .” No entanto a frase ficou só nisso.
      Chamo atenção para um erro meu. O professor Rafael Araújo defende uma ideia antiga que eu tenho e eu não o soube elogiar. Ele defende que a mídia atende os reclamos do povo. O povo que ouvir sobre corrupção e então a mídia fala sobre corrupção. Eu concordo com isso, mas no pedaço do meu comentário eu pareço descordar.
      Talvez o que eu queria dizer é que a população não gosta de corrupção. E culpa o governo pela corrupção e então a mídia aparece apenas para tornar mais visível o problema da corrupção.
      Aliás há um comentário mais elaborado meu sobre essa relação entre o povo e a mídia e em que eu menciono de forma mais de acordo com as minhas ideias o post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado”. Trata-se de um longo comentário meu enviado quarta-feira, 29/06/2016 às 02:18, para João de Paiva junto ao comentário dele de segunda-feira, 27/06/2016 às 23:36, no post “O que os leitores querem: um jornalismo isento ou um espelho daquilo que pensam?” de segunda-feira, 27/06/2016, aqui no blog de Luis Nassif e que por sugestão de Cíntia Alves reproduziu o artigo de Alexandre Marini publicado no Observatório da Imprensa cujo título é “Isenção ou identificação?”
      O endereço do post “O que os leitores querem: um jornalismo isento ou um espelho daquilo que pensam?” é:
      https://jornalggn.com.br/midia/o-que-os-leitores-querem-um-jornalismo-isento-ou-um-espelho-daquilo-que-pensam/
      E vale também mencionar o post “A juventude autonomista antes das manifestações de junho em livro” de sábado, 20/12/2014, aqui no blog de Luis Nassif e com chamada de Patrícia Faermann para comentário de Leo Vinicius que fizera referência com uma sinopse ao livro “Antes de junho: Rebeldia, Poder e Fazer da Juventude Autonomista” de autoria dele e disponível para download.
      Em meu comentário para Leo Vinicius, primeiro eu faço menção ao post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado”. Depois eu reproduzo uma frase em que faço um resumo sobre as manifestações de junho de 2013. Disse lá eu:
      “O movimento não apresentou nada de novo exceto as redes sociais e não apresentou nada de bom exceto as manifestações em si que provam o vigor de nossa democracia ou que há vida na nossa democracia embora esta me parecesse faltar no movimento.”
      E acrescento:
      “E o movimento se assentava na falta de conhecimento que as pessoas têm sobre a democracia (O processo democrático na democracia representativa caracterizado pelo toma-lá-dá-cá), sobre o capitalismo, sobre a função do Estado em um sistema capitalista e sobre o orçamento público em um sistema capitalista.”
      E então falo sobre o efeito das manifestações de junho de 2013 na popularidade da ex-presidenta às custas do golpe:
      “E as manifestações fizeram a popularidade da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff cair em quase trinta pontos. Nunca em um país democrático que não estava em guerra contra outro país houve uma queda tão grande de popularidade de um governante e em um prazo tão curto. Tudo que a mídia tentou fazer durante três anos e onze meses e não conseguiu, as manifestações de junho de 2013 conseguiram fazer em um mês.”
      E na sequência comento sobre o efeito imediato das manifestações na economia:
      “E como não havia trabalhadores nas manifestações elas não afetaram o PIB que no segundo trimestre de 2013, cresceu a uma taxa bem alta quando se compara com o trimestre imediatamente anterior. Da primeira vez que o índice foi apresentado o crescimento em relação ao trimestre anterior fora de 1,5% que corresponde a pouco mais de 6% ao ano e da última vez o crescimento foi de 2,0% o que corresponde a um crescimento anualizado de mais de 8%.”
      Só que os efeitos de longo prazo apareceram já no PIB do terceiro trimestre de 2013, com a taxa de crescimento dos investimentos, caindo drasticamente. E essa queda se manteve durante muitos trimestres e só recente é que está havendo recuperação dos investimentos.
      E ainda sobre a queda os investimentos eu lanço o repto que venho fazendo desde então e que consiste em questionar porque não se fez ainda uma análise sobre a queda dos investimentos. E além disso recuso a aceitar que a mudança no comportamento empresarial ou teria sido estatal em reduzir os investimentos não decorreu do engajamento da mídia em combater o governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Transcrevo então esta sequência:
      “E precisa de explicação a queda do PIB que ocorreu no terceiro trimestre de 2013 e que só viemos a saber no final de novembro de 2013. E explicação que para mim vincula com a mudança de expectativa da população e também dos empresários. Mudança de expectativa que se acusa à mídia provocar, mas que na verdade ela tenta fazer, mas nunca conseguiu alcançar qualquer influência na economia em qualquer país, quer a mídia seja livre, quer não o seja.”
      Bem, há então um novo argumento. Eu faço menção a Lei de Wagner. Eu costumo dizer que as manifestações de junho de 2013, podiam carrega um cartaz em que se lia queremos a Lei de Wagner, queremos a Lei de Wagner. Transcrevo então um parágrafo do meu comentário para Leo Vinicius em que eu menciono o economista alemão Adolph Wagner. Disse eu:
      “E a segunda interpretação diz respeito a semelhança que existiria entre as reivindicações dos manifestantes nas manifestações de junho de 2014 e o que previra no final do século XIX, o economista alemão Adolph Wagner na que ficou conhecida como a Lei de Wagner segundo a qual a medida que a renda per capita de um povo aumenta, aumenta também a busca por mais serviços públicos e por serviços públicos de melhor qualidade e portanto elevando os gastos do Estado. A Lei de Wagner fora expressa em termos de gastos públicos, mas poderia ser expressa também em termos de arrecadação tributária. Assim as reivindicações dos manifestantes de junho de 2013m embora sem o saber, apresentavam implícita a reivindicação do aumento da carga tributária.”
      E por fim, eu digo que uma reivindicação com caráter autonomista, é uma reivindicação mais de direita. Ela é de esquerda no sentido de ser em favor da autonomia de vontade, ou seja, de mais liberdade. Só que este é um desiderato também de direita. E a esquerda deve assumir esse desiderato, mas de modo que ele seja em confluência ao desiderato de solidariedade. E assim mesmo no seu primeiro momento as manifestações tinham caráter de direita.
      E um último post que eu gostaria de mencionar aqui é “Livro analisa influência da mídia no julgamento da AP 470” de quarta-feira, 13/11/2013 às 11:23, publicado no blog de Luis Nassif, em que por sugestão de Assis Ribeiro se transcreve artigo do Conjur de Robson Pereira que fala sobre livro que analisa influência da mídia no resultado da AP 470. O link para o post “Livro analisa influência da mídia no julgamento da AP 470” é:
      https://jornalggn.com.br/midia/livro-analisa-influencia-da-midia-no-julgamento-da-ap-470/
      O livro objeto do post é “AP 470 — Análise da intervenção da mídia no julgamento do mensalão a partir de entrevistas com a defesa” e foi escrito por 26 advogados. Ele defende a tese de que foi a mídia que forçou o direcionamento do julgamento da Ação 470 no STF para a condenação dos réus.
      Em meu comentário eu faço menção ao post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado” porque ele faz o questionamento de que as pessoas dão valor aquilo que reproduz aquilo que eles pensam e que depois foi retomado por Alexandre Marini no artigo dele “Isenção ou identificação” no Observatório da Imprensa e que virou o post “O que os leitores querem: um jornalismo isento ou um espelho daquilo que pensam”.
      Resumindo eu ponho como gênese das manifestações de junho de 2013 vários aspectos. Pelo lado da esquerda o desconhecimento do funcionamento do orçamento e do capitalismo. Pelo lado da direita esses mesmos ingredientes e o fato comprovado estatisticamente que a direita cresce em momentos de crise econômica.
      Tenho falado muito sobre essa relação entre o crescimento da direita radical e a crise econômica. E menciono trabalhos com levantamento estatísticos sobre esse crescimento. Nesse sentido menciono o post “O Grande Mal Estar, por Diogo Costa
      Por Diogo Costa” de quarta-feira, 25/10/2017, aqui no blog de Luis Nassif e de autoria Diogo Costa. A indicação vale de imediato pelo post em que Diogo Costa mostra que a situação atual no mundo assemelha com a que aconteceu na crise de 30. O endereço do post “O Grande Mal Estar, por Diogo Costa” é:
      https://jornalggn.com.br/opiniao/o-grande-mal-estar/
      Além disso eu procuro deixar vários links que reforçam o que Diogo Costa mostra no texto dele. Todos eles valem serem objeto de análise mais cuidadosa.
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 13/01/2020

      • Juruna (terça-feira, 07/01/2020 às 13:40),
        Em meu comentário acima enviado segunda-feira, 13/01/2020 às 23:05, para você junto ao seu comentário de terça-feira, 07/01/2020 às 13:40, eu não deixei o link para o post “A juventude autonomista antes das manifestações de junho em livro” de sábado, 20/12/2014, aqui no blog de Luis Nassif e com chamada de Patrícia Faermann para comentário de Leo Vinicius que fizera referência com uma sinopse ao livro “Antes de junho: Rebeldia, Poder e Fazer da Juventude Autonomista” de autoria dele e disponível para download. Desta vez então deixo o link. O post “A juventude autonomista antes das manifestações de junho em livro” pode ser visto no seguinte endereço:
        https://jornalggn.com.br/literatura/a-juventude-autonomista-antes-das-manifestacoes-de-junho-em-livro/
        Aproveito este acréscimo para fazer outro acréscimo indicando o post “Xadrez para entender as teorias conspiratórias, por Luis Nassif” de segunda-feira, 06/01/2020, aqui no blog de Luis Massif e de autoria dele e que pode ser visto no seguinte endereço:
        https://jornalggn.com.br/recado-do-nassif/xadrez-para-entender-as-teorias-conspiratorias-por-luis-nassif/
        Segundo Luis Nassif os críticos das “teorias conspiratórias” explicam essas manifestações dizendo que “[h]á um conjunto de fenômenos sociais e políticos deflagrados pelas novas tecnologias e pelas grandes mudanças provocadas pela globalização que explica todos esses episódios.” Já os defensores das “teorias conspiratórias” afirmam que “[e]sses movimentos foram planejados e construídos inteiramente pelos Estados Unidos”.
        E Luis Nassif já faz a crítica dessa teoria conspiratória em relação a explicação das origens das manifestações de junho de 2013, acrescentando que o entendimento de que os movimentos foram induzidos pelos Estados Unidos é “como se todos os atores internos não passassem de meros fantoches”.
        Para Luis Nassif, “[n]os dois lados, há uma dificuldade crônica incompreensível de juntar as duas pontas, como se fossem incompatíveis”. Eu não creio que o correto seja juntar as duas pontas, mas analisar com mais atenção e senso crítico cada possibilidade além de aventar outras. Serve como exemplo de alternativas considerar os estudos estatísticos que mostram que a extrema direita cresce em períodos de crise econômica.
        A razão principal para eu chamar atenção para o post “Xadrez para entender as teorias conspiratórias, por Luis Nassif” decorre de comentário de Leo Vinícius, o mesmo do post “A juventude autonomista antes das manifestações de junho em livro” de sábado, 20/12/2014, que tenta mostrar porque a direita apropriou das manifestações de maio de 2013. O comentário de Leo Vinicius enviado segunda-feira, 06/01/2020 às 12:24, foi destacado junto ao post “Xadrez para entender as teorias conspiratórias, por Luis Nassif”. Na verdade, o comentário completo pode ser visto junto ao artigo de Leo Vinícius “Bem além do mito “Junho de 2013”” de segunda-feira, 23/07/2018, no site Passa Palavra no seguinte endereço:
        https://passapalavra.info/2018/07/121756/
        É um texto bem complexo que só uma leitura atenciosa permitiria uma análise com mais correção. Ele tenta explicar como e porque a direita apropriou das manifestações de junho de 2013. Vale a leitura. Não vi muito foi referência aos valores autonomistas a que ele se refere na sinopse que ele faz do livro “Antes de junho: Rebeldia, Poder e Fazer da Juventude Autonomista” de autoria dele e que foi transformada no post “A juventude autonomista antes das manifestações de junho em livro” de sábado, 20/12/2014, cerca de 3 anos e meio antes.
        Clever Mendes de Oliveira
        BH, 14/01/2020

  2. Black-Blocks infiltrados entre manifestantes, destruindo patrimônio e levando a ação violenta da polícia são sim, um claro indicador de que o movimento foi conduzido pelos EUApar retirar das ruas a esquerda e manter a direita que tirava selfies com a PM. SILIGA MANÉ oldfashion

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    • Dizer que as manifestações tinham a ver com a qualidade dos empregos criados, depois de ver Temer e Bolsonaro acabarem com emprego digno, estabilidade, direitos, aposentadoria e tudo o mais sem ninguém se importar…
      Espero que o professor não esteja começando a “costear o alambrado”, como dizia o Brizola.

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  3. O professor Luis Felipe Miguel é uma pessoa a quem respeito, assim como suas opiniões, mas pera lá…
    Então, o MPL e os partidos de esquerda não haviam planejado isso antecipadamente para tomar espaço do PT e, não mais que de repente, a Direita e os EUA, em dois meses, desencadearam todo esse movimento pelo senso de oportunidade…
    Entendi.

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  4. Alguns complementos:
    Os golpistas estrangeiros não precisam criar manifestações para imporem suas tramoias. Basta esperar algum e, como reconhece o autor, capturar e adensar manifestações que podem começar com propósito honesto de algum grupo, mas depois viram um bando “contra tudo que está aí”.
    Haddad ignorou o MPL num primeiro momento, como fizeram e fazem todos os prefeitos. O MPL automaticamente se manifesta após aumento de passagens. A novidade de 2013 foi a virulência orquestrada contra uma ação legal e necessária da prefeitura, de aumentar passagens para calibrar o subsídio ao transporte que não tem como ser gratuito.
    Quanto à ação de Dilma, o autor erra. Ela chamou para si a negociação e mobilizou o governo em busca de diálogo. O que falhou foram os interlocutores. De um lado, “esquerdas” que não sabem contra o que lutar. De outro, empresários e mercado já plantando tufão para colhes tempestade perfeita.
    E ao redor de tudo e de todos, nossa mídia terrorista.

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    • Lembro-me de que Dilma, muitíssimo a contra gosto, chamou para uma conversa em palácio, mas não sabia por onde começar, o que dizer, estava inteira e completamente per-di-da, falando coisas desconexas, ideias ultrapassadíssimas, vocabulário idem. Uma vergonha. Dava pena assistir a um quadro como aquele. A proposta era claríssima: o não aumento, depois a redução, e por fim a eliminação das tarifas. Como assim, os interlocutores falharam?! Estavam lá, altivos, certos de sua atitude e com grande disposição ao diálogo. Só o ranço não permite que se veja isso. Me admiro você escrever algo assim!! Que esquerda caduca!!

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    • Excelente vídeo, Marly!!! Não o conhecia, e pena não ter sido mais divulgado na época… Também acredito que Luís F. Miguel esteja equivocado, pois lembro-me bem em 2013 a estranheza que senti e cheguei a comentar com familiares sobre as manifestações e os vários comentários tendenciosos como os do tal Cláudio Tognolli (acho que escreve assim…), do Villa na TV Cultura e outros que hoje fazem parte do Antagonista/Revista Isto É/Veja, assim, de repente!!!! E a Rede Globo através da Época/JH/JN/JG com Sardenberg, A. Garcia etc. só na malhação política e econômica, e muuuiita divulgação em horários nobres e estas me deixavam em estado de choque… Claro que as manifestações não surgiram do nada, nem foram por conta de 10 ou 20 centavos… Evidente no vídeo que a repressão aos atos pelas PM’s dos estados e suas governanças refletiram em Dilma, a responsabilizaram e ao Haddad, na época… Além disso tudo, ao meu ver, as maquinações começaram, na verdade, em 2009, com amplo movimento exterior do “dividir para conquistar”. Abraços.

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  5. Respeito sua opinião, embora patética. Estamos em uma situação muito pior agora, e ninguém se manifesta. No ano de 2013, havia empregos bem remunerados sim, muito melhores que os de agora….Aquelas manifestações foram fabricadas sim, indícios existem aos montes, a começar pelas denúncias do J. E. Snondem em 2013, Provas cabais não existem, assim como nunca ninguém filmou alguém sendo torturado no tempo da ditadura, ou nos campos de concentração nazista.

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    • O encadeamento e consequência do que vivemos soa tão óbvio e similar ao que ocorreu em outros países e aqui mesmo em outros períodos, que não permite sequer elaborar conjecturas que no máximo se justificariam no campo das coincidências, sob pena de correr o risco da ingenuidade ser confundida com má fé. Falta o que exatamente pra corroborar análise de Lula? E esta ironicamente soa como uma autocrítica, justamente pelo excesso de ingenuidade.

  6. Ao atribuir 2013 aos EUA , Lula pretendeu acobertar a incompetência da esquerda, PT à frente, ao perdeur as ruas para a direita. Ao fazer isso, ironicamente, escancarou a suspeitíssima inação dos órgãos de informação e segurança sob governos petistas, que não impediram que uma potência estrangeira interferisse desembaraçadamente no processo político nacional, apesar dos avisos de Snowden, Putin e Erdogan.

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    • Não seria mais proativo considerar essa análise justamente uma autocrítica à atuação em relação aos pontos que você levanta (corretos por sinal)? Lula não esconde que saiu da prisão mais à esquerda e menos ingênuo, sua (a dele) análise é um contraponto à ingenuidade de um partido teoricamente bem mais à esquerda. Cobram tanto mea culpa dele, então aí está: fomos ingênuos e despreparados, mal contra-informados, e por quê não, insuficientemente incisivos nas respostas às questões de potencial manipulação.

  7. Bom, faltou recordar o perfil classe média dos manifestantes de direita que se apropriaram quase que imediatamente das manifestações e o papel decisivo da rede Globo insuflando esse pessoal. Não creio, portanto, que a acusação de Lula, de aparelhamento de 2013 pelo imperialismo estadunidense possa ser descartado com base nos argumentos expostos pelo Miguel, não obstante concordar com boa parte das críticas feitas ao desempenho político do Lula e do PT.

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  8. Ps: quanto à Sininho, os Boulos e Ciros da vida, acusar os militantes do PT de canalhas pela repercussão de fatos jornalísticos com fins políticos é que é uma verdadeira canalhice. Nesses tempos em que se propaga muito a necessidade de autocrítica do PT, nenhum dos três citados foi capaz de fazer sua própria autocrítica quanto as suas contribuições “involuntárias” dadas à favor do golpe de 2016 e a consequente destruição atual do país por um governo fascista dele decorrente. Para citar apenas um exemplo, com certeza, a situação dos usuários de transporte público, e não apenas a deles, hoje é pior do que era em 2013. Ainda sobre o PT não ter promovido ações de inclusão social, cabe lembrar o aumento vertiginoso do acesso dos mais pobres à universidade e a existência ativa de inúmeros conselhos populares, nas mais diversas áreas, instituídos pelo PT e ativos durante seus governos. Ou seja, ruim com o PT, muito pior sem ele.

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  9. Sou jornalista e, apesar de ninguém ter me perguntado, escrevi um texto sobre o tema, publicado no Blog Brasiliários: https://brasiliarios.com/artigos/1243-sobre-junho-de-2013-chico-buarque-e-que-estava-certo.

    Reproduzo abaixo. Observem que discordo, respeitosamente, do autor acima.

    Sobre junho de 2013: Chico Buarque é que estava certo!

    O Chico Buarque é que estava certo: Lula deveria ter criado o “Ministério do Vai Dar Merda”. Teria evitado diversos erros e dissabores durante os governos do PT. E a esquerda mobilizada nas redes sociais, principalmente aquela que se afastou dos governos do PT, deveria ter feito o mesmo: criado o “Facebook do Vai Dar Merda”. O “Twitter do Vai dar Merda”. E o “WhatsApp do Vai Dar Merda”.

    Mas não. Resolveram agir por conta própria. Tomar nas mãos as rédeas da “revolução” e provocar a onça – do mercado, da mídia conservadora, do poder econômico e financeiro – com vara curta. Seguiram o conselho de um monte de anúncios de TV, de refrigerante a whisky escocês, querendo provar que grupos como “O Gigante Acordou” e “Vai Pra Rua” eram demonstrações de democracia robusta, pois todos queriam “20 Centavos a Menos” e serviços públicos “Padrão Fifa”.

    Daí, logo passaram a protestar contra um governo popular de esquerda, que em 10 anos criou 20 milhões de empregos formais e retirou 36 milhões de pessoas da miséria.

    Pensei com meus botões: “Isso vai dar merda”. E não quis participar da brincadeira. Continuei a fazer o meu trabalho de formiguinha, num órgão da administração federal.

    Petralha! Vão gritar. Não me importo. Não mudei de ideia.

    Cinco anos depois, a herança: um governo fascista, entronizado “Contra Tudo o Que Está Aí” – inclusive as políticas sociais, o salário mínimo, a previdência dos pobres, os Direitos Humanos.

    Óbvio que entrar na onda das Jornadas de Junho de 2013 seria uma roubada. E por quê? Porque ainda me eram frescas as lembranças das manifestações dos Caras Pintadas, em 1992. Eu tinha 17 anos na época e saí para a rua, de cara preta e bandeira na mão, contra o “governo mais corrupto da história”.

    Lembro bem do resultado. Ao derrubar Fernando Collor e seu grupo político, o sistema rapidamente se reorganizou e após um curto governo de transição, conduzido por um vice-presidente do PMDB, alçado ao poder por um processo de impeachment (aos mais novos: ele não se chamava Michel, mas Itamar, o segundo de três presidentes “de fato”, mas não eleitos, do PMDB), o sistema entronizou o Neoliberalismo Mercadista de Fernando Henrique Cardoso, nosso “profeta”, carinhosamente conhecido como FHC.

    Um governo tão maravilhoso, tão maravilhoso, que sua grande marca foi permitir que a classe média desse uma volta na Disney, por causa da paridade dólar-real, e que a população pobre tivesse o privilégio de comer frango assado. Surpreendente.

    Depois, privatizar, privatizar, quebrar o país três vezes e doar dinheiro público para os bancos não quebrarem o país, de novo.

    Ah, sim, e o apagão! O grande presente do FHC ao país.

    *

    Não, definitivamente as Jornadas de Junho não me pareciam boa ideia. Se sair à rua para derrubar um governo liberal já tinha piorado substancialmente a vida dos brasileiros, sair para protestar contra um governo popular de esquerda só conseguia me causar uma péssima impressão, somada a um gosto amargo de ressaca cívica ultrapassada.

    Daí que não foi nada difícil, em junho de 2013, perceber o rumo errado que os protestos tomariam em poucos dias e o efeito desastroso que dele logo resultaria.

    Fiquei um bocado desconfiado das primeiras manifestações e, depois de muita confusão na Esplanada, desci, num fim de tarde, para assistir à mobilização em frente ao Congresso. O primeiro fato que presenciei envolvia duas meninas, de 16, 17 anos, ostentando um cartaz escrito: “Queremos a volta da Ditadura!”, além de diversos outros contra Dilma e o PT.

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    • e O EXECRÁVEL ARNALDO JABOUR MUDANDO RADICALMENTE DE OPINIÃO EM MENOS DE 24 HORAS?
      sERÁ QUE A DIREÇÃO DA GLOBO NÃO O HAVIA AVISADO COM ANTECEDÊNCIA DO QUE ESTAVA EM MARCHA?
      PENSO QUE O SUJEITO QUE ESCREVEU O POST ESTA VIAJANDO ATE´HOJE OU É INTEGRANTE DO PSOL.

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      • Concordo e acrescento: eu, que sou mais velho e vivi minha juventude no período mais acirrado da ditadura militar, logo percebi que aquelas “manifestações” de 2013 eram manipuladas e iam dar merda. Mesmo sem saber da opinião do Chico, meu contemporaneo( um pouco mais velho).

    • Sr. Torres, Lula não devia criar o Ministério do Vai Dar Merda: há um ministério, até hoje, do qual sabemos NADA e vejo NENHUM analista citar seu nome: a ABIN, o ministério do silêncio… O que a ABIN fez nos 13 anos do PT?? Lembremos que José Genoíno – até hoje, um dos deputados federais com número quase recorde de votos – foi preso, solto e participou na criação da agência…

  10. A pergunta que deve ser feita é: porque esses caras do MPL sumiram depois de 2013? “Venceram” o aumento da tarifa e, depois que o circo tinha pegado fogo, simplesmente desapareceram na bruma, fazendo um ou dois atos insignificantes depois, durante o interregno Temer, mesmo com aumentos muito maiores nas tarifas e perdas reais de direitos, como a deforma trabalhista. Se não foram “quinta coluna”, como afirma o articulista, podem muito bem terem sido uns laranjas manipulados pelo Capital pra desestabilizar o processo político. Seja como for, tendo o PT vacilado ou não no tratamento da crise deflagrada pelo MPL, Bolsonaro e o pesadelo em que vivemos estão inegavelmente na conta desse povo.

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  11. Lembro-me que ao tempo das manifestações de 2013, aparentemente sem lideranças, o Senador Pedro Taques convocou uma reunião de emergência e também foi ter com Dilma, pressentindo grandes aborrecimentos. Podia-se ver nas suas palavras, que o intuito daquelas manifestações era a tomada do poder.
    Talvez o que tenha faltado para o governo fosse direcionar o movimento. Em vez disso, preferiu contê-lo.
    A insatisfação com o governo, entretanto, foi lentamente cevada pelos meios de comunicação e o movimento de 2013 foi uma prova de poder, uma espécie de laboratório para testar a força da influência maléfica na desconstrução dos governos de esquerda.

    DOS JORNAIS DA ÉPOCA
    “Para aprovar rapidamente a lei que regulamenta as manifestações de rua e tentar fazer com que as regras valham para os jogos da Copa do Mundo que começam no dia 12 de junho, governo e Congresso decidiram nesta quinta-feira que vão tentar trabalhar juntos. No Parlamento, tramitam mais de dez propostas sobre o assunto. Em uma reunião hoje, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, apresentou os pontos considerados chave para o Planalto aos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)……………
    ………………………………
    O acordo, ao final, foi concentrar os trabalhos nas mãos do senador Pedro Taques (PDT-MT), autor de um projeto substitutivo no Senado que deveria ser votado esta semana na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas foi adiado para a quarta-feira. Cardozo reconheceu que a proposta apresentada por Taques, que tem a tramitação mais avançada, é também a de maior sintonia com o que o governo espera.”
    Ver mais : https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2014/04/10/interna_politica,517759/governo-apressa-regulamentacao-das-manifestacoes-de-rua.shtml

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  12. Apesar dos erros estratégicos do PT no tratamento da crise, conforme afirma o articulista (e com o que concordo) não deixo de me indagar sobre algumas questões: em primeiro lugar, por que, após a “vitória” sobre os R$ 3,20 e o caos político já instalado no país, o MPL simplesmente “evaporou”? Seus “líderes” simplesmente “desapareceram na bruma” e, já no interregno Temer, com aumentos muito maiores nas tarifas e reais perdas de direitos da população, o “movimento” só realizou tímidas demonstrações. O mesmo pode se dizer dos “black blocs”. Por que só surgem durante as manifestações da esquerda, dando ensejo para a PM bater em todo mundo e deslegitimar as pautas populares frente à opinião pública? E por que praticamente “sumiram” depois do golpe e agora contra o Bozo nada fizeram? Se esses movimentos não são “quinta coluna”, conforme afirma o articulista, porque essa atitude errática? Podem não ser uns infiltrados (tenho minhas dúvidas em relação aos black blocs, que podem muito bem terem sido infestados de policiais provocadores em seu meio), mas com certeza foram uns laranjas usados pelo Capital para por fogo no país. Bolsonaro e o pesadelo em que vivemos estão na conta desse povo.

  13. O professor foi correto no título que deu ao artigo. Realmente, dois tostões é o que vale o seu argumento de que “Não há nenhum indício de que os movimentos de transporte público estivessem (…) infiltrados, ou manipulados” por grupos de direita ou do imperialismo estadunidense, quando, no mesmo artigo, diz ele que uma ativista de esquerda radical pediu a libertação “en passant” [1] de “alguém que muitos anos depois revelou ser um terrorista de extrema-direita”.

    Pelo visto, o professor, com toda seu cabedal científico, está afirmando que Eduardo Fauzi não era um manipulador infiltrado em 2013 – vai ver, era só um idealista de esquerda como Sininho! – e “só muitos anos depois” converteu-se à extrema direita terrorista.
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    [1] Esta classificação “en passant” do professor (para o pedido de libertação do vagabundo) deveria fazer o professor acrescentar 1 tostão a mais no título da matéria, perfazendo seus três tostões.

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  14. Eu acho que parte da resposta está na estética e na análise do discurso de Sininho, seus seguidores e MPL (até onde eu sei Sininho não era MPL, mas era da galera que iniciou movimento contra Cabral). Não me aprofundei nos vídeos da época, mas seria interessante. Seriam eles anarcocapitalista?

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  15. Só um idiota completo não vê que as manifestações foram manipuladas e efetivadas por implemento americano e petrolífero do Departamento de Estado americano. Os black bostas eram na verdade os famosos P2 da PM paulista comandada pelo Alckimim. Você, Sr. Luiz Miguel, pode nos fornecer a informação sobre os processos que recaíram sobre os destruidores do patrimônio privado e público? Onde foram presos, quando foram condenados, por quais crimes, quanto ressarciram? Lembram-se dos Tenente da PM protegendo o manifestante que tentava acertá-lo com uma barra de ferro no metrô? Lembra-se que os soldado da PM retirou sua arma para alvejar o pilantra e o tenente não deixou? Lembra-se quando os PMs bateram em menores na greve das escolas públicas? Que maneira diferente não? Aqueles eram os P2 da corporação em ação. Tudo encenado em frente a uma câmera de TV Globo. As manifestações são uma repetição das manifestações de 1964. Talvez o senhor não tenha vivido nem lido sobre elas. A História se repete. Lula tem razão, mas com atraso, deveriam ter sido informados pela ABIN, talvez coniventes, deveriam ter tomado medidas extremas, como a prisão do Moro na Lei de Segurança Nacional. O Maduro tem suas razões. Fora Yanks.

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  16. Luis Felipe Miguel é um opiniólogo e não um cientista político ou social sério, apesar de ter um bom currículo. Não, Luis Felipe, a inclusão social não foi só pelo lado do consumo – o que já seria muito bom. Foi feita a partir de programas sociais de grande abrangência como o Minha Casa, Luz Para Todos, PROUNI, Bolsa Família e muitos outros. Foram eles que permitiram o início do resgate social e econômico de milhões de brasileiros e, ao contrário do que você afirma, da redução das enormes diferenças de classe. O resto a galera já respondeu.

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    • Está mais do que provado que não houve NENHUMA, NENHUMA, redução de desigualdade social nos governos petistas.

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      • O índice de Gini caiu continuamente durante os governos do PT. Se você não sabia disso, informe-se. Mas provavelmente você não sabe o que é esse índice, então vá aprender antes de escrever suas opiniões desinformadas.

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  17. Não dá pra esconder que ainda há gente no PSOL que está tentando justificar seu apoio canhestro àquelas manifestações. Nénão? Pura dor de cotovelo.

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  18. Acho que uma leitura obrigatória para compreender o papel externo nas mobilizações sociais é o livro de Moniz Bandeira :A segunda guerra fria. Neste livro se aprende o que se tem em comum com outras manifestações como as primaveras arabes e primaveras coloridas em vários países ao longo do Caucaso. Também neste livro se pode encontrar a a descrição da Cartilha Sharpe. Uma cartilha americana dando a receita de golpes de estado sem derramamento de sangue, indo das manifestações a golpes parlamentares e judiciais. Esta cartilha fala entre outras coisas como “atuar” com movimentos sociais e usar a mobilização das ruas. Isto não implica que MPL tenha sido um movimento ilegítimo e nem que tenha sido criado pela Cartilha, porém a sua afirmação de que não queriam ser um movimento político e sua rejeição de partidos foi muito útil politicamente para o próprio esvaziamento do movimento e para a abertura de espaço para criação de outras direções e lideranças. Isto é as cores são mais cinza do que preto e branco. Os movimentos sociais como MPL não foram capturados mas foram engolidos por interesses obscuros que se juntaram a interesses bem claros e bem explícitos.Não se pode esquecer da guinada monumental da Globo, quando Jabor um dia depois de chamar o MPL de movimento porra louca e irresponsável e anti democrático, aparece no dia seguinte fazendo loas as manifestações seguido de Waack, Bonner e companhia. As bandeiras restritas e pretensamente não políticas do MPL, logo foram esquecidas e outros atores com fortes ligações nos think tanks de alhures passaram a dar o tom político falando contra os políticos e focalizando um partido e uma presidenta. Estes sim seguiram o script da Cartilha Scharpe. Assim se Lula aponta o dedo para os interesses externos tem razões de sobra, e se Felipe chama de captura a politização e a tomada da liderança pelos movimentos de direita também não está errado.

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  19. Um misto de tristeza e raiva. São esses os sentimentos que sinto quando leio um texto a esse.
    O Consulado Americano no Rio de Janeiro, está situado na Avenida Presidente Wilson, no centro.
    Há época, Elisa Quadro foi presa, e os advogados contratados para defende-la, tinham escritório na Avenida Beira Mar, que fica próximo ao consulado. As “Revoluções/Troca de Regimes” Coloridas sempre utilizaram pessoas recrutadas e treinadas pela CIA e outras agências. Isso ocorreu com em 2013. Ocorreu com Serra (PSDB/SP), ocorreu com Michel Temer, Moro, Dallagnol; só para ficar nesses.
    O que fica claro no texto é que o autor aproveita para destilar ódio não somente ao Lula e ao PT, mas á esquerda em geral. Enfim mas um serviço prestado aos inimigos do Povo.
    Está mais que evidente o fomento estrangeiro nas manifestações de 2013.

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    • Eu pensei que você fosse falar que os “advogados contratados para defendê-la” tivessem escritório DENTRO do Consulado. Aí, sim, seria suspeito.
      Perdeste uma boa oportunidade pra escrever algo esclarecedor.

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    • Sim.

      2013-2018 foi a época do Brasil sofrer com uma Revolução Colorida, como muitos outros países do mundo. Foi um caso de livro-texto, todas as características estavam presentes: movimento “apartidário” e “horizontal”, grande adesão da juventude de classe média, agitação pelas redes sociais, apoio da mídia corporativa…

      Putin alertou Dilma que estava sendo espionada pelos EUA. E estava mesmo, por muitos anos. “Siga a grana” do Vem pra Rua, do MBL, que encontrará as evidências que procura.

      Negar oo processo de Revolução Colorida/Guerra Híbrida que derrubou Dilma e elegeu Bolsonaro com o objetivo de reduzir o Brasil a pouco mais de um gigantesco plantation miliciano gospel, isso sim que é canalhice.

      • O caso brasileiro poderia, sim, inserir-se no caso de forças políticas populares tornarem-se subalternas a forças políticas hegemônicas, senhoras do capital, ser-lhes servil e ainda pretenderem subsistir depois de crises econômicas. É a maior prova de idiotice, estupidez, capachice, que já houve em pelo menos um século. Entretanto, para não reconhecer que passaram recibo de imbecis, forjam contos da carochinha como este da insurreição promovida pelos MPL nas capitais. Os quais, por sinal, já existiam bem antes de 2013 e foram movimentos importantes em Salvador e em Florianópolis. Portanto, do lado popular, nada de novo. A novidade foi encontrar um governo de néscios, fraco, sem comando, que se considera derrubado por questões como essa. Seus defensores não percebem o quanto expõem a fraqueza do que defendem. Arrumem outro argumento, pois este só torna a situação do PT ainda pior.

  20. Além de absolutamente injusta para com Dilma, que se mostrou uma estadista naquele momento, tomando várias medidas ótimas, como o Mais Médicos, por ex.), a análise despreza várias coisas. Pode até ter começado com uma manifestaçao legítima do MPL. Que, porém, ERA ESPERADA. Na semana anterior, por “coincidência”, houve várias matérias na TV sobre os horrores dos transportes. Tb por “coincidência”, pouco antes a Globo reprisou Anos Rebeldes, romanceando manifestaçoes. A reaçao contra a manifestaçao foi extremamente violenta, e atingiu jornalistas. Para atiçar o fogo? Jabor nao estava por dentro, estrilou contra, deve ter sido avisado, voltou atrás espetacularmente, e o quê ENFIOU como reivindicaçao dos manifestantes? A defesa da liberdade de açao absoluta dos procuradores… Quantas coincidências! Sem falar os movimentos organizados de youtubers com um discurso completamente bilulu contra “o governo” (qual? genérico…), as produçoes tao criativas de imagens a favor do movimento (até o Nassif gostou e reproduziu aqui…): foram financiadas por quem? Ora, ora, tudo estava planejadíssimo.

  21. Haddad disse em entrevista que erdogan e Putin alertaram a dilma sobre ataques cibernéticos.
    Cambridge Analitics não é ficção ou é?
    O terrostista estava lá desde o comeco, um amigo dele, preso em 2013, aparece com 5 viagens aos eUa em 15 meses.

    evidências de que os gringos participaram? será que eles passam recibo?

  22. Ao fim da leitura de mais um corretíssimo artigo do professor LFM, conciso, esclarecedor, certeiro, repito a manifestação de júbilo que era empregada pelo fundador de um destacado sítio noticioso que, de uns tempos pra cá, descarada e desavergonhadamente, passou a fazer parte da “tropa de choque” lulista. E que, por meio de alguns artigos sórdidos de seus editores, também atacou calhordamente a militante Elisa Quadros:

    “Clap, clap, clap!”

    É texto, como se dizia, para ser emoldurado.

    Obrigado, Professor. Faço minhas …

  23. O discurso de que houve espontaneidade popular e que não tinha lideranças arquitetando as manifestações fica vazio quando se sabe que institutos americanos de direita financiaram núcleos de protestos.

  24. Todo apoio a Lula, cuja opinião a respeito do assunto está corretíssima. Peço licença para lembrar a primorosa análise de Gustavo Conde, neste site, em 2 de janeiro: ” A Complexa Arquitetura para Tirar o PT do Planalto”.

  25. OS ILUDIDOS DE SEMPRE -OU SACANAS, O QUE NÃO ACREDITO QUE SEJAM – acham que a esquerda fez algo importante em 2013 nas manifestações…
    ledo engano..
    o professor-autor já demonstrou que é sério intérprete da cena política brasileira,mas o lula nunca disse que houve plqnejamento e ação direta dos estrangeiros,,,,
    maS TODO MUNDO VIU ou sentiu o massacre produzido pela grande mídia golpista no chamamento compulsivo às manifestações…
    a manipulação foi evidente…um setor da esquerda que acha que participou do tal sucesso de 2013 erra duas vezes – por ter sido manipulada e coninuar tentando manipular o maior fracasso – o golpe decorrente dessa estupidez.
    dizer agora que o diálogo- lulismo – não é mais possível passa a ser muito fácil.
    aliás,à época muita gente boa achava que alguns doidos manifestantes eram vanguarda da libertação poliitica do país e quebraram a cara….
    e agora persistem no erro porque não podem mais admitir que foram iludidos pela manipulação infame da direita.

  26. As jornadas de 2013 foram tao golpistas quanto as primaveras mundo afora que, como sabemos, foram boas para os Eua e petroleiras patrocinadoras do golpe

  27. + comentários

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