O Brasil de janeiro a dezembro, por Willian Novaes
Meu nome é Janeiro estou muito triste, mataram a Anna Carolina, de 8 anos, no Parque Esperança, em Belford Roxo, no estado que leva o meu nome. Eu me chamo fevereiro também aconteceu comigo, dessa foi vez foi a pequena Nicole de 3 aninhos, em Bangu.
Quem fala aqui é Março, o sol está indo embora, como a minha alegria, fuzilaram uma inocente de 10 anos, a Duda, em Belfort Roxo e uma pequena vida de 3 aninhos e nem o nome dela acharam, lá pelos lados de São Gonçalo. Abril, juro que não vou mentir, estraçalharam uma menina linda aqui São Gonçalo de novo, ela fez 3 anos poucos dias antes do seu fim.
Me conhecem pelo mês da noiva, mas na real sou frio, estranho e sangrento, mataram um anjo chamado João Pedro no Salgueiro. Junho cheguei gelado e acabado, estamos no meio do ano e não para de morrer pequenos indefesos nesta terra de São Sebastião, foram pro outro lado Douglas, de 4 anos, Kauã de 11, Rayane, de 10 e Ítalo, de 7.
As férias de julho chegaram num ano que está tudo parado. Menos os gatilhos de quem mata. Jaz mais uma criança em algum canto. O desgosto de agosto é sobreviver todos os dias, num calor absurdo, num medo terrível do bicho, numa morte comum, mas mataram Kaio de 8 anos na Baixada.
A primavera vai florir um mundo melhor, sqn, a porra toda está desembestada, mataram a doce Maria Pétala, que nunca mais vai sorrir e nem desabrochar, morreu com um tiro no peito, em Santa Cruz da Serra. Outubro é mês das crianças e de Nossa Senhora Aparecida, juro que ela olha por nós, mas os assassinos estão livres.
Novembro onde tudo promete acabar, acaba mesmo, dessa vez com vidas inocentes e puras. Dezembro, ó dezembro que tanto custa a passar, os seus dias escorrem pelo tempo, como as lágrimas das famílias das primas-irmãs Emily e Rebeca, um tiro que aniquilou de uma vez centena de familiares e milhões de brasileiros em Duque de Caxias.
No final das contas, eu sou o ano, choro mês a mês, a morte de quem deveria simplesmente viver… O Fogo Cruzado registrou 22 mortes de crianças baleadas apenas na Região Metropolitana do Rio em 2020.
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