O curioso ataque sofrido por Lula, por J. Carlos de Assis

Lula sob ataque de uma promotoria incompetente e despeitada

J. Carlos de Assis

A revista Época produziu uma monstruosidade jornalística, replicada pela TV Record, acusando Lula de traficar influência, na condição de ex-presidente, em favor da Odebrecht, com base num fantasmagórico processo aberto pelo núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Brasília. Não sei qual das duas instituições, a revista ou a Procuradoria, esta escondida no anonimato, são mais cretinas. Tratam de coisas que não entendem direito e usam isso, com deslavada má fé, para atacar o mais aclamado ex-Presidente da República do Brasil.

Qual é o crime? Abrir espaço no mundo para uma empresa brasileira com capacidade técnica para gerir grandes obras e gerar milhões de dólares para o balanço de pagamentos do país. Será que Época e a Procuradoria não sabem que é justamente isso que fazem presidentes da República de países desenvolvidos, abrindo espaço no exterior para suas empresas? Será que o Governo americano, ou o Governo francês, ou o Governo sueco ficaram fora das negociações para a compra de caças pelo Governo brasileiro?

Décadas atrás, encontrei num evento no Rio o velho Norberto Odebrecht, então reputado como muito avesso a entrevistas e imprensa. Apresentei-me de qualquer maneira  como repórter do Jornal do Brasil. Perguntei-lhe como fora sua primeira e fracassada tentativa de ir para o exterior participando de  concorrência externa para construir uma hidrelétrica no Chile. “O que você quer?, me disse ele. Eu tinha melhor preço e competência para a obra. Acontece que Reagan ligou para Pinochet e o obrigou a contratar uma empresa americana.”

Leia também:  Possível candidatura de Lula não interfere no julgamento de Moro, avalia Gleisi Hoffmann

Uma testemunha desses eventos me contou detalhes adicionais. Estávamos em ditadura, no Brasil e no Chile, e os militares brasileiros, que haviam promovido a venda de armas leves para seus colegas chilenos, gozavam de grande simpatia entre eles. A equipe da Odebrecht recebeu, por conta disso, sem surpresa, a notícia de que a empresa havia ganho a concorrência. Surpresa maior  veio quando a americana foi declarada oficialmente vitoriosa no dia seguinte. O que se soube é que Reagan, antes mesmo de tomar posse, prometeu a Pinochet  eliminar nas relações com Chile, em troca da vitória americana, todos os embaraços criados por seu antecessor Jimmy Carter por conta de sua defesa de direitos humanos.

Tempos depois, caiu na antiga Iugoslávia um avião norte-americano. Nele estavam e morreram o Secretário do Comércio Brown e cerca de 12 grandes empresários da construção  pesada dos Estados Unidos. Era uma visita formal para promover no centro da Europa empresas de construção norte-americanas. Que eu saiba, nenhum americano se levantou para colocar sob suspeita essa iniciativa. Os americanos, ao contrário dos brasileiros, acham natural que seu Governo promova empresas fora do país. Nós as invejamos, quando isso acontece.

O financiamento tão criticado pelos idiotas para a construção do porto de Mariel, em Cuba, foi extremamente favorável ao BNDES, a fornecedores brasileiros  de equipamentos e ao Brasil. Enfim, à geração de emprego e renda no país. O BNDES financiou a obra em reais para receber em dólares com taxa de juros acima de seus custos.  Favoreceu o balanço de pagamentos do Brasil. Por se tratar de uma obra sofisticada, com grandes requisitos tecnológicos,  serviu para expor lá fora a bandeira de uma empresa brasileira de grande porte, talvez odiada no exterior por poder concorrer em grandes obras em qualquer parte do mundo.

Leia também:  QAnon, por Fábio de Oliveira Ribeiro

É o veneno da inveja e do despeito, somado ao oportunismo mais deslavado de vaidosos procuradores públicos, que coloca em primeira página de revista esse suposto crime de favorecimento de uma empresa privada por Lula. Acho que, fora do Brasil, muita gente, inclusive presidentes da República, ficaria muito orgulhosa de ter um grupo de grandes construtoras brasileiras com a capacidade operacional e tecnológica das nossas. Entretanto, os despeitados, invejosos do enriquecimento dessas empresas – o que indiscutivelmente é bom pra o Brasil -, não deixarão de latir como cães enquanto a caravana passa, mesmo que passe tumultuada pela Lava Jato, hoje atuando como um centro de destruição de riquezas e tecnologias do país em nome do combate burro à corrupção: o certo é criminalizar os empreiteiros, não as empresas!

J. Carlos de Assis – Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre Economia Política brasileira.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

11 comentários

  1. O MPF é hoje uma das grandes

    O MPF é hoje uma das grandes âncoras que seguram o desenvolvimento do Brasil.

    Claro que a maior das âncoras hoje continua sendo o PIG.

  2. Tudo que sempre foi de praxe

    Tudo que sempre foi de praxe aos políticos, como o uso de caixa-2, ou Lula viajar para fazer acordos de investimentos que só resultam positivos ao Brasil, enfim, qualquer coisa que não tenha saído da rotina política de anos anteriores, há de ter outras conotações se envolver o PT, e em especial Lula. 

    Outro dia uma das meninas do Jô, que parece odiar essa onda de jornalistas em favor do Impeachment de Dilma, disse que o PT também gritava fora-FHC, pra comparar os dois momentos. São situações incomparáveis porque os governos petistas jamais tiveram apoio da imprensa. Se tivesse tido, quem sabe aquela privataria não tivesse chegado ao nível em que chegou. Com o apoio da imprensa batia-se o matelo, vendia-se o que queriam, e estava resolvido o leilão das nossas empresas, sem que nada caísse na justiça para averguar a lisura do processo. Como o mundo mineral já sabe, o procurador-geral era um engavetador. 

    Ao tempo de FHC o jornal O Globo e a Revista Veja, pelo menos esses dois veículos sempre estavam presentes nos discursos dos tucanos no Congresso para enriquecerem suas falas. Muito ao contrário, o que temos observado desde o primeiro governo de Lula, até nosso dias, é assistirmos discursos dessa oposição ferrenha, com os mesmos subsídios, porém com viés distinto. Se a cada final de semana, principalmente, as revistas semanais e os jornalões vão encher suas páginas com mais um factóide, ótimo para quem não tem ideias próprias subir a tribuna para reproduzirem as baboseiras, sempre dando mote pra mais um convite de algum petista ou dele aliado pra se apresentar numa determinada CPI. A roda tem que rodar. 

    Não dizem que mesmo sem impeachement o que mais importa é ver Dilma sangrar. Pois é. A Época também dá a sua parcela de contribuição para isso. É a política da fofoca, do disse-me-disse. Até prova em contrário, alguém estará debaixo de acusações infundadas, tendo que se explicar para não ser amanhã um José Dirceu.

    Lula não sai de cena, ou por seus méritos, ou por ataques de quem tem por ele muita inveja, enquanto não conseguirá jamais chegar perto de sua capacidade, sendo a dor maior de muitos o fato incontestável dele ser semi-analfabeto – como querem – mas ter sabido falar para todos do mundo inteiro sem nos envergonhar de nada; pelo contrário.

     

     

  3. Ataque mau caráter seria melhor

    De curioso não tem nada, pois quem o promoveu sabia muito, mas muito bem o que estava preparando e sob qual motivação.

    Simplesmente não podemos deixar barato esse tipo de ação concatenada pelos orgãos de imprensa com seus partidos de preferência.

    Os reporteres envolvidos estão anos luz longe de serem ingênuos ou movidos pela honestidade. Ao contrário estão muito cientes e focados no que estão fazendo do jeito que estão fazendo: omitindo informações, deturpando fatos com propósitos muito claros.

    Portanto, ratificando, curioso, apesar de nem tanto também, é não acontecer nada mediante uma afronta à verdade dessas, pois senão atenta-se contra a libertinagem da imprensa.

    • Como falar idiotices com aparência de “inteligência”

      Basta generalizar chavões para abranger tudo sem dizer nada.

      Como as 2 afirmações da oneide: Criar uma organização criminosa … para se locupletar do estado.

      Pronto!

      Serve para desde curar o câncer até tirar chulé.

       

    • Ah, sei: você é experiente

      Ah, sei: você é experiente nesse assunto. Então conta para os leitores como  se cria tal organização!

  4. O curioso ataque sofrido por Lula

    O que não falta no Brasil é gente invejosa e despeitada de Lula,que com as graças e as bençãos divinas voltará a ser

    nosso Presidente a partir de 2018! Ainda mais porque do outro lado não existe ninguém,absolutamente NINGUÈM,que

    sequer lhe amarre a chuteiras!!!

    Parabéns ao autor pelo artigo.Obrigadíssima,escreva sempre.

  5. Uma imprensa vira-lata e um

    Uma imprensa vira-lata e um outro ex-presidente, o que ganha para falar mal do Brasil em palestras pelo mundo afora. Feitos um para o outro. Nunca vi um casamento tão perfeito como o do pig com o FHC.

    Ainda bem que o cara-metade do pig não tem credibildade internacional, ao contrário do outro. Prova disso é que o que fala nas palestras não tem efeito algum, e o Brasil é um dos destinos principais dos investimentos internacionais. Além do ingresso de suas palestras valerem umas dez vezes menos do que as do Lula

  6. Vazamentos criminosos

    Acho que o pior de tudo são os vazamentos sistemáticos de expedientes que deveriam correr em sigilo. Investigação se faz em segredo quando se quer alcançar a punição de um delito. A publicidade, a ampla defesa, o contraditório acontecem no processo judicial.

    Quem vaza estas informações não quer a punição legal mas sim criar fatos, ou melhor, factóides políticos.

    As instituições públicas estão se desmoralizando neste processo.

  7. O BISPO AGORA TAMBÉM TEM UMA NSA EVANGÉLICA? PIGmentou TAMBÉM?

    Ouvi dizer que a IURD tem um sistema de intelência não só para prosper fieis com muita grana, como para precionar. Será que querem usar os mesmos métodos da GLOBO de assassinar reputações, será? Estão criando um outro estado dentro do Brasil? Não basta a corja Global, agora vamos ter a corja Universal e pior, a Record deveria explicar a sonegação do negócio da TV pago depois na pressão, o BISPO  também já tentou da calote na recita federal, só pagou por medo da GLOBO. A IURD tem telhado de vidro quebradiço. Esse NEGÓCIO DE IGREJA É UMA MAMATA SÓ PARA ENRIQUECER PASTOR SEM PAGAR NADA DE IMPOSTO. Afinal não é para menos a passividade das leis brasileira para com os os charlatões e com o charlatanismo, é revoltante, atacam com uma mão e escondem a outra suja feito pau de galinheiro. A Record copia a GLOBO em tudo só que o que ela quer é abrir caminho para o EDUARDO CUNHA, a IURD ganha muito com a terceirização até da fé dos incautos. A coisa tá feia mesmo. Como disse o Chico Buarque de Holanda

    “Agora já não é normal
    O que dá de malandro regular, profissional
    Malandro com aparato de malandro oficial
    Malandro candidato a malandro federal
    Malandro com retrato na coluna social
    Malandro com contrato, com gravata e capital
    Que nunca se dá mal” completo; Malandros pregadores com TVs e apresentando telejornal, Igrejas de porte internacional e universal sugam dos incautos até com cartão de crédiro, boleto e até vale postal e nunca se dão mal.

    O Divino mau pregado, se volta para o mau pregador multiplicado por mil vezes mil, a credibilidade desonesta na terra não vale nem meio perdão no céu.

    “Todo mundo que ser rei, nas costas de um homem bom, todo mundo que voar além, mas nem tudo é só querer.”     Paulinho Pedra Azul

  8. O empréstimo foi realmente favorável?

    Compartilhei o artigo no Facebook e um amigo me fez um questionamento que achei pertinente: como saber se o empréstimo para a construção do porto de Mariel foi realmente favorável se as condições do contrato não são abertas?

  9. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome