O desafio da comunicação, por Francisco Celso Calmon

No ambiente virtual a esquerda ainda não encontrou o caminho para uma comunicação massiva e acaba falando para si mesma.

O desafio da comunicação

por Francisco Celso Calmon

A pandemia no Brasil cresce exponencialmente, podendo chegar a 200 mil mortos. O desemprego e a miséria aumentam linearmente, podendo chegar no final do ano ao somatório de 50 mil ou mais entre desempregados, subocupados e desalentados.

Apesar desse previsível pandemônio nacional, Bolsonaro consegue manter em torno de 25% de apoio, segundo pesquisas.

Considerando que a classe média alta (ganhos a partir de 10 mil reais/mês) e os ricos não chegam a 10% da população, quem e porquês apoiam esse genocida da pandemia e da economia?

Se apenas o 1% de ricos (patrimônio a partir de 10 milhões) pagasse 1% de imposto sobre suas fortunas e esse imposto fosse destinado à saúde, educação e a renda mínima, o Brasil seria uma democracia social.

Os sinais da reforma fiscal do governo indicam que os trabalhadores continuarão a pagar mais impostos e os ricos continuarão isentos. É a injustiça fiscal, é a política Robi Udi brasileira, tira dos pobres para aumentar as burras dos muito ricos.

Do jornal O TEMPO de BH, de 27/7, Patrimônio dos ricaços brasileiros cresce R$ 176 bilhões na pandemia. Enquanto a maior parte da população sofre para pagar as contas com a crise por causa da propagação do coronavírus, ricaços brasileiros tiveram aumento de patrimônio de 27,61%.  [Apenas] 42 bilionários aumentaram suas fortunas em US$ 34 bilhões no mesmo período, passando de US$ 123,1 bilhões para US$ 157,1, noticia o jornal.

O mercado financeiro não tem qualquer relação com a produção e com a renda, é um universo à parte, faça chuva ou sol, com ou sem crise, eles, os detentores do capital financeiro, concentram mais e mais riquezas e aumentam a desigualdade e o fosso entre ricos e pobres.

Um dos porquês do Bolsonaro ter ainda esse razoável apoio se deve às suas mentiras, aos ilusionismos verborrágicos do Paulo Guedes e as fakes news de sua quadrilha de áulicos e robôs.

Outro porquê é a censura da mídia golpista, principalmente da Globo, aos principais líderes da esquerda, particularmente ao Lula. Em decorrência a comunicação fica tendenciosa e, mesmo quando essa mídia faz críticas eventuais ao presidente a ao seu desastroso governo, esconde a crítica da oposição de esquerda, é a comunicação maneta e caolha.

A pandemia da covid-19 ao obrigar o isolamento e distanciamento social restringiu a esquerda e ao Lula a capacidade de comunicação. Situação que deve perdurar pelo menos até dezembro.

No ambiente virtual a esquerda ainda não encontrou o caminho para uma comunicação massiva e acaba falando para si mesma.

O presidente e seu governo desrespeitam a Constituição, fustigam os demais poderes republicanos, corrompem militares e policiais, destroem direitos dos trabalhadores, agridem os direitos humanos, aplicam uma política genocida aos indígenas e quilombolas, entregam o patrimônio nacional, substituem a soberania pela servidão aos EUA, e com esse quadro calamitoso, vergonhoso, há 1/4 de brasileiros  o apoiando e 3/4 em letargia a uma revolta social imperiosa.

Enquanto a Globo mantiver a censura a Lula e a outros líderes de esquerda, por um lado, e, por outro lado, a mídia aceitar ser pautada pelo delinquente Bolsonaro, a situação exige elaborar meios criativos de comunicação.

Qualquer provocaçãozinha que o sociopata do planalto faça, lá está a mídia dando cobertura, na crença de que o está desgastando, quando está fortalecendo-o junto aos seus apedeutas apoiadores e causando fadiga de matéria aos que já o desaprovam.

Coloca máscara, tira máscara, passeia de cavalo ou jet ski, abraça ou evita o contato, xinga jornalista ou acena, dá entrevista ou se nega, propagandeia a cloroquina, elogia Trump, etecetera, lá está a imprensa, que nem bedel, a anotar o que faz ou fala e transforma em furos de reportagem.

O saudoso Brizola, que como ninguém soube enfrentar a Globo, quando se viu sem espaço, comprou no jornal O Globo e lá escreveu seus artigos, apelidados de tijolaços.

A difícil unidade genérica da esquerda, pode encontrar comunhão num projeto alternativo de comunicação, num site, blog, horas de rádio ou tv e espaços em jornais.

E que seja um projeto capaz de furar o bloqueio da mídia golpista.  Possível é!

Francisco Celso Calmon é Advogado, Administrador; membro do canal Resistência Carbonária; Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; ex-coordenador nacional da RBMVJ

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