O mal em estado puro, por Carlos Motta

Com eles no poder, o Brasil caminha rapidamente rumo a uma tragédia de proporções inimagináveis

Imagem: Andre Coelho/Getty Images

O mal em estado puro

por Carlos Motta

A Medida Provisória editada na noite de domingo pelo governo (?) Bolsonaro, permitindo que as empresas suspendam, por quatro meses, o contrato de trabalho de seus funcionários, sem nenhuma obrigação de pagá-los, é o ápice da interminável lista de maldades que vêm sendo despejadas sobre os brasileiros desde o golpe de 2016.

A medida, anticonstitucional, certamente foi sugerida pelos empresários que levaram os milicianos ao poder, como aquele desprezível ser humano alcunhado “Véio da Havan” – há vários outros do mesmo naipe espalhados pelo Brasil.

Com ela, tais “homens de bens” pretendem ganhar um fôlego em seus negócios, muitos à beira da falência por causa do empobrecimento geral da população e mera incompetência administrativa.

Pessoas sem nenhuma visão estratégica, de inteligência limítrofe, sem traços mínimos de educação e cultura, eles – milicianos no poder incluídos – não se ativeram ao mais básico princípio lógico, o de que sem dinheiro circulando não há consumo.

E sem consumo, como as suas empresas vão sobreviver?

Os efeitos da MP genocida serão múltiplos: empobrecimento da população, falência fiscal do Estado, explosão social, aumento do número de mortos pela pandemia do covid-19…

Países do mundo inteiro estão fazendo esforços tremendos para preservar, nestes dias trágicos, a saúde financeira de empresas e empregados e da população mais fragilizada – desempregados, sem-teto, trabalhadores informais…

É o Estado no seu papel de prover o bem-estar dos cidadãos.

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No nosso país se dá justamente o contrário.

O ultraliberalismo, essa praga que destrói o planeta, faz tudo para tornar ainda pior a vida dos brasileiros e ainda mais desgraçada a sorte dos desassistidos e miseráveis.

A edição da MP revela ainda que os milicianos estão absolutamente perdidos nesta crise, sem nenhuma noção do que devem fazer para ao menos dar a impressão de que se dispõem a enfrentá-la.

Mostra também a urgência de se afastar, de qualquer maneira, esse bando de psicopatas criminosos que assumiu o poder graças a uma eleição fraudada e à cumplicidade de parte de vários setores da nação – Judiciário, Ministério Público, Forças Armadas, polícias, imprensa…

Com eles no poder, o Brasil caminha rapidamente rumo a uma tragédia de proporções inimagináveis.

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