O ódio é o melhor instrumento de controle de massas, por Daniella Nefussi

Arte Banksy

O ódio é o melhor instrumento de controle de massas

por Daniella Nefussi

Extermínios étnicos (nome inventado que diz mais sobre o exterminador do que sobre os exterminados) existem à rodo desde o colonialismo, justamente porque era a principal forma de aquisição de escravos ou roubo de terras. Aliás, foi nesse banho de sangue que as terras em que vivemos hoje foram “distribuídas”, que foram inventadas essas nações que tanto inflam nossos peitos nacionalistas!

Por algum motivo inexplicável, os exterminadores sentem necessidade de justificar seu terrorismo e criam as mais variadas teses, que vão de religiosas à cientificas, para sustentar a melhor forma de subjugação e controle do ser humano: o ódio.

No século 19 foram desenvolvidas as mais malucas teses cientificas para transformar a imagem dos seres humanos vindos do continente africano na de animais descontrolados e incapazes de discernimento. Como se o branco estivesse no seu juízo perfeito ao dizimar, escravizar, torturar outros seres humanos.

Apesar de passados 2 séculos, ainda reproduzimos esse ódio, que foi camuflado em diversas outras teses, cientificas, econômicas ou religiosas. Países como o Brasil e os EUA são os melhores exemplos desse extermínio continuado.

Hoje temos o exemplo de Israel e EUA construindo teses históricas e religiosas para criar a imagem de que muçulmanos são fanáticos e descontrolados, quase animalescos, chamados “terroristas”, para também invadir terras economicamente estratégicas e exterminar toda uma população, como é o caso dos palestinos há mais de meio século, nem todos muçulmanos, diga-se de passagem.

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Assim como vamos encontrar outros terriveis exemplos no continente africano, com bandeiras cristãs dizimando diferentes grupos, há décadas.

Ou no clássico exemplo do nazismo, que cresce ainda hoje, contra judeus, negros e lgbts. Uma perseguição orquestrada por interesses politico-economicos.

Nem vou citar o massacre de mulheres. Ok.

O ódio é, desde sempre, o melhor instrumento de controle de massas. Ele é milimetricamente construído através de mecanismos já conhecidos por nós, mas que ainda não sabemos evitar.

Poucos conseguem desconstruir, destruir o “ódio ao outro” porque exige um trabalho violento dentro de si. Nada a ver com alimentar o amor, porque amor não é a antítese do ódio. Nem mesma natureza eles possuem. Achar que se cura o ódio com o amor é não ter entendido nada sobre nenhum dos dois, e alimentar teses religiosas compassivas que de nada serviram para melhorar essa situação.

Tem que pegar o touro à unha dentro de si, bem ali no núcleo das suas crenças mais profundas, mais arraigadas, e enxergar a hipocrisia que as sustenta!! Entender que o ódio é construído através das narrativas, cientificas, filosoficas, teológicas, que você internalizou e que te submetem a comportamentos contra a vida. E vida é a sua e a do outro.

Não há saída para nós se cada um não fizer a sua parte em profundidade. Não se elimina o ódio cultivando o amor, porque amor não dá em árvore, não precisa de cultivo.

É no resgate da Ética que renascem a igualdade, o respeito e o amor, naturais à vida.

Daniella Nefussi é atriz

4 comentários

  1. O ódio funciona porque é o irmão gêmeo do MEDO

    tão usados pelos mídias e senhores do capital. Aumento de ansiedade, síndromes do pânico, suicídio e depressão são efeitos colaterais. Não sem razão, o Lula para ganhar a primeira eleição para presidente teve de usar o mote do “SEM MEDO de ser feliz”

  2. Sim, cara Daniella, é

    Sim, cara Daniella, é importante perceber que o medo e o ódio estão em você, em mim, em cada um de nós. Ódio e medo são sentimentos e não há outro lugar que sentimentos existem exceto nas pessoas. Mas não sei se é uma boa odiar ao ódio. Mesmo correndo o risco de chover no molhado, tem uma história conhecidíssima e um pouco “naive” que conta o seguinte: um sufi, ensinando num oásis, disse às pessoas que a todo momento conviviam dentro dele dois cães: um amoroso, fiel, bravo defensor de seu dono, e outro, raivoso, destruidor, bestial, capaz de morder o próprio dono. E quando uma pessoa das que ouviam o sufi lhe perguntou qual dos cães orientava seu proceder, o sufi repondeu que o que ganhasse a luta entre eles dois, o que fosse o mais forte.

    – “Mas qual deles é o mais forte?”, insistiu o perguntador.

    – “O que eu melhor alimentar.”, respondeu o sufi.

    (Já ouvi essa história trocando o sufi por rabi, monge, etc.)

    De qualquer forma, meu ponto é que para destruir o destruidor, melhor do que brigar contra ele é parar de alimentá-lo. Claro que ele vai reclamar, ameaçar… já viu qual é a política dos EUA para aqueles que não aceitam elegê-los como líder? Mas quanto mais a gente se mentiver no propósito de desprezá-lo, mais rápido o venceremos. E sem briga.

    Veja, não é fingir que não existe. É o contrário. Ninguém é capaz de desprezar o que não existe. É saber que existe e não alimentar, deixar minguar.

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