
O país do “somos todos Ronaldinhos”…, por Eduardo Ramos
…o país do “somos todos Ronaldinhos”… ou “do narcisismo nonsense enquanto doença social perversa…” . Não há muita diferença intelectual e psíquica entre Ronaldo-Fenômeno, cracaço de bola brasileiro e os brasileiros de nossa elite social e classe média alta. Se observarmos os argumentos de nossos amigos e familiares, mesmo os com grande cultura acadêmica, mestrados, doutorados, viagens pelo mundo afora, percebemos apenas que o “VERNIZ” destes últimos é mais requintado que o verniz do ex-jogador, apenas isso. No mais, são ABSOLUTAMENTE SEMELHANTES, no orgulho que sentem em pertencer à classe social dos dez milhões de brasileiros com mais dinheiro – em nossa cultura, significando tal fato, pertencer “à casta dos vencedores” – a turma NARCÍSICA por excelência.
Não preciso ler estatísticas para afirmar que a maioria desses brasileiros veio de uma condição social inferior à que ocupa hoje. Ora, conheci ao longo da vida milhares dessas pessoas, muitas com belas histórias de vida, de lutas, esforço, superação, vitórias justas, insofismáveis! Orgulham-se disso, e não consigo ver nisso um demérito, não mesmo. Vejo DEMÉRITO IMENSO, imperdoável, do que fizeram a si mesmos, por conta de suas vitórias pessoais na vida, os MUROS de indiferença que foram construindo em torno de si, suas famílias e de sua classe social. Veremos como tem muito a ver com o verdadeiro nojo, repulsa que sentem, por exemplo, em relação a Lula…. – um nojo jamais devotado ao repulsivo e inócuo Aécio Neves, que nada tem a apresentar de bom em sua biografia, pessoal ou política, um ser medíocre, violento, covarde, envolvido até a medula em diversas corrupções já provadas pelos blogs na internet.
Apenas um exemplo óbvio, que todo o furor, a selvageria com que as vezes desperta essa nossa elite e classe média, NADA TEM A VER com “política” (apesar de suas ações serem políticas no sentido de destruir uma ideologia e levantar outra….) nem com “combate à corrupção” ou coisa que o valha, esses são apenas “motes”, por eles levantados, para que sua nudez torpe, obscura, preconceituosa, narcísica, fanática, odiosa mesmo, não apareça a eles mesmos, diante dos espelhos.
Qual o significado para Ronaldinho, de ser aceito nas rodas sociais de Aécio, ser celebrado, amado, “fazer parte de…”? – Significa a superação de todos os complexos que vivenciou até os 17 anos, família paupérrima, o pertencer à classe social das pessoas “invisíveis”, as que podem apanhar da polícia ou mesmo serem mortas, sem que ninguém se importe, o “Brasil que não conta” é alvo de crueldades, humilhações insuportáveis, torna a vida algo INDIGNO…
Ora, se Lula era o ícone da “MERDA” para os brasileiros dessas classes sociais finalmente a ele acessíveis, unamo-nos ao coro! – gritará sua mente, inconscientemente, por instinto de defesa, de sobrevivência, de não querer ser o “ET” do novo grupo, das boates caras, das mulheres lindas, de um status tão inatingível, e finalmente às mãos.
Dos dez milhões de brasileiros com mais renda social entre os 40 e 60 anos, nem 10% tiveram pais com o mesmo grau de luxo e conforto que hoje usufruem, e são esses brasileiros, apenas CINCO POR CENTO de nossa população, os mais selvagens odiadores de Lula, PT, programas sociais. Entre estes, 85% mais ou menos votaram em Aécio nas últimas eleições, provavelmente, número igual dos que foram às ruas pelo impeachment, a prisão de Lula, o “fora PT”, o endeusamento de Sérgio Moro.
O que essa turma tem de semelhança com Ronaldo? A auto-estima exacerbadíssima, o narcisismo elevado à lua, pela sensação de “vitória”, de “ser exceção no país de perdedores”, a sensação inebriante de “ter chegado lá pelos MEUS méritos…” – o que lhes dá esse desprezo inequívoco de quem precisa da presença do Estado, de cotas, de FIES, de PRÓUNI, para galgar os degraus que eles subiram, muitos, diga-se, realmente com esforço gigantesco. Essas pessoas SE RECONHECEM, frequentam os mesmos clubes, viajam as mesmas viagens, têm o prazer de trazer lembranças e fotos na bagagem, seus filhos se conhecem, estudam nas mesmas escolas, fazem parte do “Brasil que conta”, não precisam, de fato, do Estado para nada, apenas para a segurança pública, seu único pedido real a qualquer governante, que mantenha suas ruas seguras e o rentismo de suas poupanças, o resto, “eles se viram”.
O que Lula e seu jeito caipira, sua fala errada, sua figura tipicamente nordestina, seu jeito eminentemente simples de ser tem a ver com essa turma? Nada! Sentem por ele um desprezo inominável, beira ao NOJO, acham-no ABJETO, um usurpador, alguém que “jamais deveria ter chegado onde chegou”, um “sortudo”, um ser acanalhado, que “aproveitando-se do nível rasteiro desse contingente enorme de miseráveis”, entrou na política “para se dar bem”, o “ladrão, o canalha….” – é assim que Lula é visto por essa gente, em seu narcisismo doentio, maligno, perverso, preconceituoso, fanático!
São todos “Ronaldinhos”, felizes, felizes, por se sentirem mais próximos da classe social de um Aécio, um FHC, do que dos “perdedores”, os fracos, os pobres, os “sem força de vontade”, que aceitam viver “porque assim querem”, em condições sub-humanas! . Hoje, li três textos fantásticos no GGN, O do Nassif, do professor Aldo, o do André Araújo. Meu coração entrou no mais absoluto DESESPERO, à medida em que lia, pensando em gente que amo profundamente, gente que respeito, admiro, chega a ser engraçado e paradoxal, gente que me faz “olhar para cima”, porque melhores do que eu em pontos cruciais da vida… E no entanto, nessa área específica, tornaram-se monstruosos, toscos, ignaros, DESCONSTRUÍRAM parte de sua humanidade linda, tornaram-se esponjas vivas receptoras desse esgoto fétido que vem da mídia e de seus pares sociais, tornaram-se injustos, prepotentes, desejosos do mal alheio independentemente daquilo ser justo ou injusto, baseado em verdades ou falsidades, não lhes importa, uma coisa doida, perderam seus valores, desejam é que “SATANÁS SEJA DESTRUÍDO”, ao preço que for…
Meu desespero deveu-se ao fato dos três textos serem lindos, humanos, lúdicos, esclarecedores da verdade, tudo ali tão óbvio e escancarado a quem amasse a verdade e a desejasse, e eu sabia que ele jamais leriam, se lessem, talvez não entendessem, devido ao bloqueio em suas mentes enfermas, e se entendessem, rejeitariam, devido ao fanatismo, ao ódio…
Nesse aspecto, não me lembro de ter passado por sofrimento semelhante em minha vida, nada tão nonsense, tosco, aviltante do ser humano, como um pesadelo sem fim…
Seguirão esses brasileiros nessa toada, não tenho mais esperança em relação a isso, virou doença psíquica e doença social! Seguirão votando em Dória Jr., Aécio, Bolsonaro, Serra, a escória da escória do nosso país, homens abjetos, que qualquer sociedade civilizada, com conhecimentos de Sociologia, História, rejeitaria como o lixo do lixo em seu meio…
Seguirão chamando a bolsa família de “bolsa esmola”, numa indiferença desumana com os miseráveis, Seguirão em sua ignorância enfim, Seguirão sorridentes, ostentando camisetas como a de Ronaldinho, orgulhoso: “Eu não tenho culpa, eu votei no Aécio” – Jesuis, dizer o que a quem tem a coragem de votar em Aécio Neves?!? – Pior, se orgulha disso?! Jamais saberão que destruíram nosso país, o jogaram numa vala fétida de esgoto moral, social, político, existencial. Jamais saberão que a dupla Moro/Janot quebrou nossas maiores empresas, esmagou nossa democracia, destruiu direitos fundamentais, fez com que nosso país se tornasse motivo de um espanto ruim lá fora, onde hoje, somos vistos com desprezo, com horror pelos povos civilizados…
Seu narcisismo primário, feroz, complexado, doentio, foi e é a porta de sua morte. Jamais apreenderão essa verdade, porque se acham “bons”, “educados”, “gentis”, pela forma como se tratam uns aos outros, na família, nas rodas sociais…..eventualmente, alguns estendendo esse comportamento aos brasileiros que os servem, garis, porteiros, empregados domésticos, etc. etc. – no que, provavelmente, acham-se “o máximo”.
Contra essa classe social, só cabe uma atitude: A MAIS RADICAL E DETERMINADA GUERRA POLÍTICA! Lula e Dilma acreditaram num “Brasil conciliatório”, acreditaram no “republicanismo das instituições”, deu no que deu….. uma golpeada, o outro massacrado, odiado, prestes a ser preso por Moro.
Somos um país ODIOSO, onde a luta de classes é UMA REALIDADE DRAMÁTICA, SECULAR! . O narcisismo patológico desses brasileiros da Casa Grande impedirá sempre o diálogo, a luta é política, e politicamente deve ser lutada. Com todas as forças que puderem ser aglutinadas em torna das candidaturas progressistas, que representem aqueles que entre nós, de fato, precisam do Estado até para sobreviver, para que a miséria não os leve à morte, à indignidade absoluta. Lutemos por estes! É isso!
(eduardo ramos)

Atreio
28 de março de 2017 4:49 pmse eles optaram pelo golpe,
se eles optaram pelo golpe, aptamos por derrotá-los. pior pra eles e os seus.
com golpista não se argumenta, se derrota.
não vai levar 21 anos de novo. o levante já começou – e será lindo!
bravos permanecem ao lado dos justos, aos canlhas restam os covardes.
Marcelo33
28 de março de 2017 6:43 pmAonde ???
Eu não estou vendo
Aonde ???
Eu não estou vendo nada.
cláudio Alves Nunes
28 de março de 2017 4:51 pmsomos todos Ronaldinhos e o sentimento de pertença
Belissimo artigo e ao mesmo tempo uma lamentável constatação do nosso infortúnio como nação.
Luciano Prado
28 de março de 2017 5:03 pmVerdade Cláudio.Mas o pior
Verdade Cláudio.
Mas o pior mesmo é a ausência de capacidade de reflexão.
Depois que o sujeito se tranforma num Ronaldinho ele chuta a escada e perde a noção de que um dia sofreu para por o pé no peimeiro degrau.
Zarastro
28 de março de 2017 5:58 pmSão coisas que não param de
São coisas que não param de me assombrar.
Primeiro, a incapacidade total de pararem por um minuto, por cinco segundos, e se fazerem a pergunta: “será que isso que estou pensando é verdade? Será que esses pensamentos que reproduzo têm fundamento?”
Segundo, o paradoxo de que o conhecimento está literalmente nas pontas dos dedos das pessoas – e elas escolhem ser ignorantes, e espalharem mentiras e falsidades.
Isso ainda vai fundir minha cuca. Trabalho numa multinacional e todos os meus colegas têm curso superior. Como se informam? Pelo “fantástico”.
Marcelo Nascimento
28 de março de 2017 4:56 pmNas minhas viagens
Nas minhas viagens internacionais, sempre um estrangeiro me pede pra descrever a diferenca social que existe no Brasil. Depois de ouvir meu depoimento muitos estrangeiros me perguntam, O povo nao se revolta e nao faz uma revolucao?
Nao faz, e vai continuar assim pq a midia é controlada. A figura do capitao do mato ainda existe camuflada em forma de PM e o pobre e preto vai continuar morrendo.
O apartheid no Brasil nunca foi implementado pq nao houve necessidade de oficializar uma coisa que na pratica ja funciona.
Luciano Prado
28 de março de 2017 4:56 pmBingo!
Marly
28 de março de 2017 4:58 pmBravo, Eduardo!
Como sempre. brilhante! E repito aqui sua resposta ao Serjão, hoje no Fora de Pauta;
Haja tristeza para vermos nossa sociedade tão enferma, tão narcisista em suas ” convicções ” . Eduardo Ramos.
carlos Taurus
28 de março de 2017 5:05 pmSinto vergonha dos coxinhas
Deixei de conviver com parte da família pois sinto VERGONHA da ignorância política deles. Leitores de Veja e telespectadores da Globo, massas de manobra, incultos, desconhecem a nossa história, a história da américa latina… em suma, uns ASNOS!
Marcos K
28 de março de 2017 5:12 pmAcho difícil retocar o
Acho difícil retocar o texto.
Esses dias assisti um documentário sobre o controle da mente onde um pesquisador dizia que a verdadeira guerra do século XXI é a guerra pela mente. Acho que é isso. Essas pessoas citadas perderam a guerra para um tipo de narrativa. A narrativa do ódio, preconceito e desprezo pelo ser humano.
Acho que a coisa é pior ainda. As pessoas que descreveu são o verdadeiro retrato do brasileiro, com ou sem diploma: preconceituoso, violento, obtuso, ignorante, egoísta… Um ser nojento, como bem foi dito…
Acho que não fracassamos com civilização ou sociedade. Existiram civilizações e sociedades piores. Mas para nós a tragédia é pior. Fracassamos como seres humanos. Fracassamos porque aceitamos coisas numa época em que tais coisa são inadmissíveis.
HELI FONSECA
28 de março de 2017 5:18 pmSomos todos Ronaldinhos
Brilhante! È tudo que eu penso dos brasileiros de classe média pra cima.
Paulo Athaydes
28 de março de 2017 5:24 pmMídia
A maioria dessas pessoas somente obedece ordens do seu sub-consciente, implantadas por essa mídia canalha.
Se é para entrar em guerra, não adianta tentar liquidar com os zumbis, tem de acabar com a fábrica de zumbis.
Essa mídia obsoleta é a verdadeira culpada pela destruição do povo, com seus sonhos e esperanças.
Acabem ou neutralizem essa mídia (Globo e outras) e a paz e a prosperidade terão alguma chance.
O Lula teve sua oportunidade e resolveu ser republicano, deu no que deu.
Espero que na próxima não repita esse erro.
Silvana Neumann Alves
28 de março de 2017 5:50 pmNota 10!
Excelente o texto!!
Pedro ABBM
28 de março de 2017 5:53 pmElite é um totem
O pessoal se acostumou com uma dicotomia Elite X Povo que supostamente explica todos os nossos males, jogando-os na conta da elite. Mas o autor desse artigo sub-repticiamente nega essa tese ao acusar os novos membros da classe média de emular as características da elite. Aliás, o título foi bem escolhido, pois me lembro bem quando Lula, então no auge da popularidade, confrontado com o enriquecimento ilícito de seu filho, respondeu cinicamente que ele era o “Ronaldinho dos negócios”. Parece-me uma amostra típica do deslumbramento de que o autor acusa os homens do povo que conseguiram acender socialmente…
A verdade, porém, como o próprio autor reconheceu (talvez sem querer) é que essa dicotomia não existe. A elite brasileira não desceu de um disco voador chegado de Marte. Conforme reconheceu Júlio Chiavenatto em seu ótimo estudo do fenômeno do coronelismo (fonte insuspeita porque o autor é de esquerda) a única diferença entre a elite e o povo é a renda, pois de resto ambos são assemelhados cultural e psicologicamente. A Elite, nos discursos dos comentaristas, não passa de um totem, uma entidade sobrenatural que encarna todos os males, mas que ninguém sabe dizer exatamente o que é, exceto que seus integrantes são sempre os outros. Referindo-se à definição dos dicionários do termo elite, não faz nenhum sentido afirmar que a elite é pior do que o resto da população. Uma elite ruim é apenas o sintoma de uma média pior ainda.
Chamou-me também a atenção o afã do autor em renegar o mérito daqueles que ascenderam socialmente. Se ele dissesse que aqueles indivíduos acenderam sem ser por mérito próprio, seja por trambiques ou puxados por suas ligações familiares, ele estaria pondo em dúvida a legitimidade de um mérito. Mas ele faz questão de deixar claro que aquilo que ele contesta é o mérito em si, considerado por ele um atributo negativo. Na escala de valores atualmente em uso, tal opinião é definida por uma só palavra: inveja. Mas em uma escala de valores invertida, o mérito é ruim e o demérito é bom. OK, vocês são livres para construir uma escala de valores conforme as suas opiniões particulares. O problema é que só vocês partilham dessa escala de valores, e nem percebem a repulsa que causam ao senso comum afirmar de cara limpa que aquele que acendeu por conta própria e com grande esforço é um mau exemplo. Vocês estão cada vez mais confinados em forum´s e blog´s onde reverberam suas opiniões, e cada vez mais se convencem que esse é o mundo real. Não é. Gostem ou não, a grande maioria da população, ricos e pobres, não pensa assim, e continua considerando o mérito louvável e a inveja execrável. Mas a fé que vocês têm nos blog´s é tamanha que já perderam o senso da realidade. Eu percebi isso naquela cômica afirmação: diversas corrupções já provadas em blog´s da internet.
Então agora blog prova alguma coisa?
Zarastro
29 de março de 2017 1:18 amDireto do texto (grifos meus)
Não preciso ler estatísticas para afirmar que a maioria desses brasileiros veio de uma condição social inferior à que ocupa hoje. Ora, conheci ao longo da vida milhares dessas pessoas, muitas com belas histórias de vida, de lutas, esforço, superação, vitórias justas, insofismáveis! Orgulham-se disso, e não consigo ver nisso um demérito, não mesmo. Vejo DEMÉRITO IMENSO, imperdoável, do que fizeram a si mesmos, por conta de suas vitórias pessoais na vida, os MUROS de indiferença que foram construindo em torno de si, suas famílias e de sua classe social.
Ou seja, o autor diz exatamente o contrário que você escreveu no seu terceiro parágrafo. Ele admira a trajetória de crescimento dessas pessoas, mas não entende porque, durante esse crescimento, deixaram outros valores pelo caminho.
De resto, “Ronaldinho dos negócios” é uma figura de linguagem, em que Lula pai atribui ao filho a mesma competência para negócios que o craque Ronaldinho teve com a bola. Exagero? Talvez. De qualquer forma, o escândalo da carne veio e ninguém veio dizer que o Lulinha era dono da Friboi. E até onde sei, os filhos de Fernando Henrique Cardoso e José Serra também vão muito bem nos negócios, obrigado, e ninguém como você nunca se atreveu a questioná-los. Porque eles são supostamente de uma elite política e intelectual – atributos que você, com seu preconceito, nega a Lula, ele próprio um exemplo acabado de “self-made man”.
Sobra seu segundo parágrafo, igualando “povo” e “elite”. Esse é mais simples ainda de desconstruir. Duante a maior parte de nossa história, foi sempre a elite – econômica, política, imperial – que decidia como e quando o Brasil seria explorado^W vilipendiado ^W construído. O voto só deixou de ser censitário definitivamente a partir de 1946 – ou seja, há pouco mais de 70 anos, e isso porque os analfabetos – na época – não podiam votar. Então está aí, a dicotomia “elite” vs “povo”. O Brasil que temos hoje é resultado histórico do que as elites de Portugal (estas durante pelo menos 389 anos, se levarmos em conta que D. Pedro II era muito mais europeu que brasileiro) e do Brasil quiseram durante pelo menos 446 anos. Sendo que depois de 1946, ainda tivemos mais um interregno de 25 anos sem democracia e sem eleições livres. E durante todo esse tempo, negou-se ao povo a autonomia que ele sempre mereceu ter, com insurreições suprimidas na base da fogo, da bala e da morte.
E você tem a coragem de vir me dizer que povo e elite são a mesma coisa?
Pronto, blog serve para provar.
Referẽncias:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Farrapos (Veja o quadrinho no lado direito. Bastante ilustrativo!)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sufr%C3%A1gio_censit%C3%A1rio
Zarastro
28 de março de 2017 5:54 pmDo luto. À luta?
Não conseguia expressar em palavras esses sentimentos, até que um amigo recente matou a charada: estou de luto pela maior parte de meus (ex-)amigos, que no decorrer dessa crise política tiveram a chance de mostrar o pior de si mesmos para o mundo. Dentre esses (ex-)amigos, muitas pessoas que foram decisivas no meu processo de me tornar adulto e que me mostraram tantos caminhos no passado me decepcionaram muito. Em alguns casos, me decepcionaram muitíssimo. Por conta das besteiras que escrevem no facebook e que volta e meia escuto de suas bocas.
O que faço eu com essas pessoas? Por enquanto, prefiro deixá-las num limbo, sem um rompimento definitivo mas também sem muito contato, com um distanciamento que aos poucos vai aumentando. Talvez com a esperança de que algum dia recobrem o juízo e voltem a ser, pelo menos em parte, as pessoas que me ensinaram tanto em minha vida.
Agora, que é soda, isso é. Eu penso como se fossem pedaços de minha alma que vão se desprendendo de mim, e deixando buracos que não estão sendo tapados. E isso não porque votem em X, Y ou Z, mas porque vejo que lhes faltam a compaixão e a fraternidade e, mais ainda, um sonho para o futuro. Um sonho que vá além da pura idealização de “um país sem corrupção”.
Maria Luisa
28 de março de 2017 6:07 pmO Pais da Meritocracia
Eh, somos o Pais dos meritocratas. O problema desses que pensam que venceram na vida porque ganharam dinheiro e subiram na pirâmide social é que eles não têm muita cultura, conhecimento historico de seu Pais e de mundo. Fale com eles sobre musica? So conhece os comerciais. Fale sobre politica e tente, por exemplo, falar na Era Vargas? Um desastre, se saem com clichês. Fale sobre Historia. Conhecem pouco. Não leram praticamente nenhum autor classico brasileiro, apenas resumo para vestibular. Enfim, acreditam saber muito sobre tudo, são os pseudo-esclarecidos da Globo News e da Veja e soh pensam mesmo em ganhar mais dinheiro. Quem não ganha é porque é preguiçoso ou burro…
Zarastro
28 de março de 2017 6:35 pmEis parte de um pequeno desabafo que escrevi
Conforme fui migrando para outros empregos, vi as pessoas ao meu redor “emburrecendo” – no sentido se tornarem reacionárias, não entenderem que o único jeito de o Brasil se transformar numa nação próspera é ampliar os direitos das pessoas e fazerem os direitos humanos – que foram pronunciados pela primeira vez em 1789! – finalmente saíssem do papel. Hoje em dia, a maior parte dos meus colegas de trabalho acha ótimo que o país regrida aos tempos do império – alguns, creio eu, talvez pensem que a lei do Talião seria a melhor coisa a acontecer neste país. Hoje, praticamente todos odeiam os políticos e crêem na vinda de um “salvador da pátria” que dê jeito aos problemas da classe mé(r)dia. Não querem um presidente para construir o Brasil com eles. Querem um ditador que construa o Brasil PARA eles (e só para eles). E pior que odiar os políticos, eles odeiam a política – sem perceberem que é ela que define suas vidas cotidianas.
(Esse processo de emburrecimento pegou inclusive outras pessoas que não eram necessariamente de minha área profissional e que eu considerava muito – em alguns casos, considerava muitíssimo – e que de certa maneira me ajudaram a definir quem eu sou. Então essas pessoas me decepcionaram duplamente nesse sentido. Porque num momento de minha vida o que falavam tinha todo o sentido, e no final das contas ficaram iguaizinhos à massa vestida de amarelo-nojo.)
Bem, OK, não dá pra falar de política. E de outras coisas? Música? Necas, não conhecem nem a MPB (antiga ou recente) e muito menos jazz ou música clássica. Literatura? Táis brincando. Artes plásticas, teatro? Coisa de viado. Fotografia? Câmeras sim (basicamente, quantos megapixels, se Canon é boa, etc.); a fotografia como representação do mundo, nem. (Me lembro de ter falado que achava a fotografia digital sem graça porque ela tirava algo que só o filme permitia – a materialização, transformação em matéria mesmo!, de algo imaterial – a imagem. Ficaram me olhando como eu se eu fosse um alien). Em resumo, no geral são pessoas que levam vidas mesquinhas e, pelo menos nas conversas que mantemos no almoço e no café, são guiadas por necessidades exclusivamente materiais. Ah sim! E saúde, academia, malhação, pois quem não tem saúde, não pode consumir.
Klaus Balogh Fagundes
28 de março de 2017 7:10 pmMuito bom!
Ainda que angustiante, sua reflexão e capacidade de percepção me saltou aos olhos. Acredito que essa sua angustia é compartilhada por muitos. Inclusive por mim. Falasse das artes, cultura. Concordo e não a toa a extinção do Minc ainda está por vir, aguardemos.
Wilton Santos
28 de março de 2017 6:13 pmO fenômeno não acerta uma fora de campo…
Cesar L
28 de março de 2017 6:46 pmParabéns
Parabéns pelo excelente post, sr. Eduardo Ramos.
Precisas suas observações do momento atual de nosso pais.
joel lima
28 de março de 2017 7:51 pmpouquíssimos esportistas têm
pouquíssimos esportistas têm consciência política de verdade – e não oportunismo, como é o caso de Ronaldinho. Gente dum quilate de Sócrates e Afonsinho são avis rara. Um esportista como Ali o Brasil nunca teve.
mauro silva 2
28 de março de 2017 9:19 pmcriatiano ronaldo
já notou, joel, como cristiano ronaldo é odiado pela mídia venal?
por que?
porque é o oposto a ronalduchos e neimares…
I. Cayapó
28 de março de 2017 9:16 pmSinto Igual
Tive progenitores defensores da direita a mando da igreja, contra o comunismo (sem saber o que é cooperativismo, que a maioria do que usamos é em comum, do ar, à agua, a rua, as praças, as calçadas, as pontes, os mares, os rios, o INSS, os hospitais, os ônibus, a cultura). Mesmo eles, guiados pela igreja, me passaram um senso de honsetidade, de verdade, de respeito com o outro, contra retirar o que é alheio sob pretexto algum, de trabalhar muito, e estudar um pouco. As igrejas não recomenda que filhos de classes trabalhadores estudem muito além do mínimo para exercer certas atividades ditas mais nobres e fiquem só com as mais pobres.
Aí foi só o começo das diferenças e do querer saber mais e mais da geografia à física quântica, das estrelas à sociologia, da música aos problemas da escravidão e genocídios de índios nas invasões planeta à fora. Esse rompimento com o velho mundo (entenda como velho mundo aqui o jeito de pensar submisso que presidentes do Brasil sempre tiveram até dezembro de 2002.
Pensando de forma revolucionária, e vendo muito claramente e sentindo o mesmo que você Eduardo, sinto que há um lado bom em ter tudo mais claro, trata-se de uma mudança que pode ser milenar. Mudar o que ocorreu em milênios como certo e normal (escravidão, barbáriea, matanças, pena de morte, explorações) leva século. Os séculos do esclarecimento foram vários até diminuir um pouco a escravidão.
O século XX, foi um pouco de ilusão com as ciências, os carros, os rádios, as TVs, os computadores, os foguetes e a internet. Agora, no século XXI, ainda negros são mortos com prazer nos EUA, na África do Sul, no Brasil sabemos que estas mortes de fiferentes graus, deste os comentários sobre os cabelos, cor da pele, posicição sócio econômica até a bala mesmo. Então este é mais um século de esclarecimento. Seu texto tem esse papel, os 3 que você leu também. Obrigado por sintonizar seus sentimentos com os nossos. Somos milhões, sejamso claros e coerentes sempre como tu dizes, e enfrentemos a prisão e até a morte para continuar com o compromisso de sermos melhores humanos, sem hipocrisias, demagogias e também sem tomar o poder e virar as costas para a maioria por conta de uma aliança com fascistas escravocratas.
Esse blog e vários outros estão rodando o Brasil e o Brasil está um pouco mais esclarecido. Ainda não é suficiente. Vou imprimir seu texto e enviar para alguns amigos difusores de pensamentos que não acessam a internet.
Wagner
28 de março de 2017 9:45 pmO destino dos brasileiros
https://www.youtube.com/watch?v=RLxQ1UyHDD4
Gonzales
29 de março de 2017 2:26 amA republica …
…
Lula e Dilma são muito republicanos, a origem da republica é o resultado de alienças oligarquicas regionaís para criar o Estado, basta ler sobre a unificação dos Estados europeus, é mais nítido ainda quando se lê a era de Otton Von Bismarck, alianças para se angariar um poder maior com a espoliação de outras nações, republica democrática é a republica com o jogo criado pelas oligarquias, do que valeu 12 anos de construção de uma sociedade menos desigual através da conciliação de classes para ser liquidado em 1 ano ?
Republica é isto e não tem jeito os anarquistas estão certos !