O “Selo Verde” e o futuro do Brasil, por André Motta Araujo

O Brasil já irá pagar o alto preço dessa irresponsabilidade quanto ao meio ambiente, antes que o ano acabe. Reações começam sutis e, uma vez iniciadas, dificilmente deixarão de aumentar.

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O ‘Selo Verde’ e o futuro do Brasil

por André Motta Araujo

A política anti-ambientalista do Governo brasileiro ainda está no seu início, mas as reações da geopolítica internacional irão se manifestar a partir de que a consciência do desmonte dos programas ambientais do Estado brasileiro chegue ao centro do grande consenso estratégico mundial, no ambiente do G-20 e das nações que, do ponto de vista civilizatório, representam o epicentro dos movimentos geopolíticos da ordem global.

Ao conjunto dessa percepção política e de seus reflexos REAIS na operação da economia e da diplomacia chamamos de “SELO VERDE”. Se o Brasil perder o “selo verde”, a economia brasileira sofrerá sérias consequências e a imagem e prestígio do País irão por água abaixo, com reflexos políticos e econômicos.

1.EXPORTAÇÕES DO BRASIL – Grande exportador da matriz alimentos, o Selo Verde é importante para a faixa dos consumidores classe A que é um grupo crescente ano a ano. Carne e demais proteínas, frutas, café e cacau são importantes na pauta de exportação do Brasil. Se o Brasil perder o Selo Verde continuará a exportar esses ítens MAS para uma classe mais baixa de exigência e preço, sempre há mercado mas o mercado tem níveis diferenciados de qualidade e o Brasil pode cair de patamar se for considerado pais ambientalmente irresponsável, percepção que já teve sua partida.

2.INVESTIMENTOS NO BRASIL – Como nas exportações, há diferentes tipos de investidores. As corporações mundiais de primeira linha têm hoje códigos de adesão a políticas de sustentabilidade e irão considerar essa referência para investir em países problemáticos com o meio ambiente. Seus acionistas e consumidores são exigentes quanto à questão de sustentabilidade, há nessas corporações Vice Presidências específicas para a  questão sustentabilidade.

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O tipo de “investidor” que é hoje o padrão para o Brasil é do fundo especulativo, um tipo de investidor de risco e que quer retorno a curto prazo, todos os grandes fundos especulativos de Nova York hoje rondam o Brasil à caça de pechinchas e jogadas que geram alto retorno para entrar e sair. É o investidor sócio dos “mercados” brasileiros porque geram comissões imediatas. Para o País é o pior tipo de investidor, não cria nada, nem empregos ou ativos bons. Políticas irresponsáveis de meio ambiente não incomodam esse grupo, mas são alerta ruim para as empresas importantes do capital produtivo.

As estatísticas de investimento estrangeiro do Banco Central NÃO diferenciam a qualidade do investidor, que é um dado essencial. O Brasil tem a ganhar com um investimento na produção e nada a ganhar com fundos especulativos ou abutres que rondam o Brasil pelas mãos dos “mercados”, especialmente dos parceiros do Rio de Janeiro e que hoje estão se preparando para o banquete das privatizações, que não irão gerar um único emprego.

O desmonte das políticas ambientais, já em acelerado processo, acendeu luz vermelha na Europa. Os dois países doadores do Fundo Amazônia, Noruega e Alemanha, manifestaram por carta sua inconformidade com a destituição da administradora do Fundo, funcionária do BNDES e com a ideia absurda do Ministro do Meio Ambiente de usar o dinheiro do Fundo para indenizações judiciais e não para ações ambientais. A próxima etapa será a liquidação do Fundo porque os países doadores não irão aceitar o desvirtuamento dos objetivos do Fundo pelo MMA.

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Já está claro para todo o mundo civilizado que a atual política brasileira para o meio ambiente é negar o conceito ambientalista, aliás louve-se a honestidade da autoridade brasileira que nunca escondeu sua adversidade ao próprio conceito de meio ambiente, vendo a Amazônia como terreno a ser devastado e aberto para mineração e capim.

O valor da biodiversidade da Amazônia e do Pantanal é 1.000, o valor da destruição da floresta é menos zero, mas isso não muda essa visão primitiva.

O Brasil já irá pagar o alto preço dessa irresponsabilidade quanto ao meio ambiente, antes que o ano acabe. Reações começam sutis e, uma vez iniciadas, dificilmente deixarão de aumentar.

A pretendida entrada do Brasil na OCDE poderá encontrar sérias barreiras no poderosíssimo lobby ambientalista de Bruxelas. É só uma questão de tempo. A candidatura será apresentada e poderá ter bola preta, situação muito pior para o Brasil do que não se candidatar.

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