Ódio aos Isentões – ou Os Judeus que Apoiam Hitler, por Élder Ximenes Filho

Os isentões, finalmente, tal como seu mais rematado tipo (os judeus colaboracionistas), são abjetos especialmente por isto: eles banalizam o mal!

Ódio aos Isentões – ou Os Judeus que Apoiam Hitler

por Élder Ximenes Filho

In memoriam do Herói Brasileiro e Cel. do Exército Antônio Alexandrino Correia Lima A

O revolucionário e filósofo Antônio Gramsci [1] – preso político no regime fascista de Roma há pouco tempo, odiava os indiferentes. Para ele viver “quer dizer tomar partido. Quem verdadeiramente vive, não pode deixar de ser cidadão e partidário. A indiferença e a abulia são parasitismo, são covardia… o peso morto da história”. O revolucionário e rabino Jesus Cristo [2] – preso político no regime imperial de Roma, há muito, também os desprezava: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente…! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca”. Raul Hilberg [3], o maior historiador do holocausto nazista denunciou: A neutralidade equivale a nada, além de ajudar o lado mais forte em uma luta desigual. Nosso Guimarães Rosa, também revolucionário [4], disse melhor, pois era artista: “O correr da vida (feita de poucas certezas e muitos dar-se um jeito) embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Grandes obras – científicas, políticas, literárias – necessariamente exigem engajamento, doação de si. Nem é preciso tanto. Não falo de heroísmos (embora às vezes necessários), mas da grandeza possível a cada um. O simples mostrar-se vivo verdadeiro, dia a dia, sem da morte depender a prova… isto exige coragem. Daí que para subir no monstruoso muro da indiferença, o primeiro degrau é a covardia e o último, a hipocrisia. Os de entremeio variam conforme a profissão, o grau de instrução ou a idade. O muro, sabemos, é construção antiga e coletiva: os tijolos das omissões e o cimento das desculpas prefabricadas. Para a pintura era tradicional usar o ingênuo autoengano – mas desde Freud está em falta. Substituiu-se pela tinta cor branco cidadão-de-bem, cada vez mais difícil de ver (para crer).

De todo modo, uma vez assentada a bunda na divisória de posições, encontra o isentão seu habitat. Sobranceiro, oscila a cabeça feito em partida de tênis e comenta as disputas preocupado pouco com as regras e nada com o resultado. O muro mantém a confortável distância e até confere a arquitetural respeitabilidade de quem discursa para baixo. Sua fala vem de recursos retóricos a gerarem empatia: “eu entendo os motivos de sua revolta”; “você sabe que estou de seu lado”; “pode contar comigo”. Porém, após a inicial anestesia vem a terrível penetração da conjunção adversativa! Sabem para que serve o “MAS” hoje em dia? Para marcar o que se pensa de verdade: esqueça tudo que foi dito antes. O que este tipo de gente deseja figadalmente é manter a imagem de justo árbitro. Todavia, existe uma falácia essencial: os pratos recebem quaisquer pesos, mas o fiel da balança precisa mostrar a diferença existente. Aristóteles [5] já considerava a equidade uma parcela ou um requisito da justiça ideal: mesmo com uma norma fixa, é preciso tratar os diferentes na medida da sua diferença.

Forçar o equilíbrio em situações assimétricas é trapaça pura e simples. Igualar empregado (quem vive de vender o próprio tempo) e patrão (quem dita o preço) – isto é maldade. Defender a displicência bélica dos policiais na favela, esquecendo que bala perdida não acha rico – isto é covardia. Defender a extrema-direita neofascista (aqui e agora) apontando o dedo para Stálin – isto é embuste. Ver com igual simpatia e garantir o “lugar de fala” do opressor (que goza no conflito) e do oprimido (que se defende quando pode) – isto é corrupção. Os exemplos são atualizados todo o tempo nas redes sociais. Confira. O que não muda é isto: aquele lá jamais defende o lado mais fraco!

Leandro Demori [6] imprecou contra os defensores de uma saída moderada pelo centro – mas que claramente pende para a direita e só contemporiza com estes radicais: “Parece fácil escrever que é preciso “retomar diálogo para evitar radicalismos e reencontrar equilíbrio”, se afastando dos polos como se fossem duas doenças incuráveis contra as quais, escrevendo artigos ilusórios em jornais, os autores nos receitam a cura. Então que saiam da toca de modo claro: a quem devemos confiar nossos votos? Quem é o novo fenômeno que em três anos fará 60 milhões de votos para derrotar o PT, o Bolsonaro e o diabo que seja? Estamos ouvindo. Enquanto isso não acontecer, sigam tomando o cafezinho dos imaculados que, daqui da calçada, podemos ver seus mindinhos em riste”. Atualiza-se o que talvez seja o pior efeito do isenteísmo militante: a apatia das massas. Notemos que para construir um muro sólido é preciso algum cultivo, uma base intelectual. O isentão não é um simples ignorante. Seus argumentos e posturas – aliás veiculados em revistas, vlogs, palestras e sentenças – influenciam as multidões perdidas, cegas pelo bombardeio de informações, opiniões e fake news. Mais muros. Ao fim e ao cabo, reproduzem a noção incapacitante de que as coisas são assim mesmo e de todo político é farinha do mesmo saco. É um refinado parasitismo da alma; reconforto nos velórios, óculos escuros em meio à guerra. Fatalismo onde deveria haver revolta; masturbação mental em lugar de planejamento racional.

Vamos logo aos Judeus do título (é que já estou na segunda página e ninguém lê na internet mais do que quatro). Entrego logo: aqueles foram os isentões paradigmáticos [7], na ascensão do nazismo. A escritora Ruth Weiss, ela própria fugida da Alemanha quando criança, escreveu um romance-rio em vários volumes. Uma série contando a história de uma família judia desde o tempo do Sacro Império Romano Germânico até o desvelamento dos neonazistas em 2015. São 350 anos de ficção com base histórica – mas o que interessa mesmo é o paralelo social entre as os anos 1930 e de agora. O jeitão das pessoas. Como após aflorarem as piores opiniões e estas serem toleradas pelos governos e pelos formadores de opinião, rapidamente passou-se às atitudes abertamente racistas e criminosas. Isto contando com o apoio explícito e, especialmente, com o silêncio de lideranças judaicas. Até ser tarde demais. Respondendo sobre riscos atuais para seu povo, com o fortalecimento do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), esta Senhora de 95 anos responde: entendo quando dizem que, de novo, vivemos de malas sempre prontas. Essa é uma expressão que ouvi de muitos judeus nas décadas de 60 e 70. Nos anos 80 e 90, isso simplesmente não estava em questão. Mas hoje é novamente assim. Isso é muito perigoso, não só para os judeus, mas também para o povo alemão. quando questionada sobre como me sentia no país, eu tinha uma resposta muito simples: a Alemanha de hoje não é a de 1930. Mas não posso mais dizer isso. Hoje, só posso dizer que 2019 não está muito longe de 1930”.

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Mas vejamos alguma conjuntura; lá e cá. À atual crise econômica do capital, tão cíclica e previsível como as outras, somaram-se as mazelas da globalização: mais efeitos simultâneos em mais lugares. Os governos passaram a seguir a receita única do FMI e quejandos – sem o contraponto do modelo soviético, que em vez de corrigir-se, caiu de podre. É o desmonte do estado social, abrindo mais mercados sobre os escombros dos direitos sociais e da proteção ambiental e desregulamentando a iniciativa privada. A maior concentração de renda da história veio de mãos dadas com o menor nível de organização dos trabalhadores. Enquanto sindicatos perdem filiados, empresas tornam-se mais fortes do que os Estados. Vocês sabem: quem paga, manda! Se a riqueza mais se transfere do que se cria e não existe força ativa para a distribuição, inexoravelmente aumenta o fluxo de capital retirado dos mais pobres. Isto se faz pelo velho desequilíbrio da balança comercial mas também pelo desmanche das políticas protetivas, de planos de desenvolvimento nacional e dos acordos internacionais destoantes daquela receita. Lembram do protagonismo do Brasil nos BRICS?

Quando não é o suficiente a manipulação (inclusive subornando e cooptando [8] lideranças), vale a sequência: golpe de estado e (não bastando) guerra aberta! Lembram dos livros de história? Conquistas de Alexandre o Grande e guerras napoleônicas e explorações das colônias? Para os contemporâneos também havia justificativas edulcoradas: civilizar os bárbaros, espalhar a verdadeira religião, dar serventia às terras que os vizinhos desperdiçavam… Acontece que o passar do tempo desnuda as razões verdadeiras. Pois é, as guerras de conquista continuam, agora sofisticadamente híbridas: terceirizadas no nível estratégico; sempre iniciando com ataques de mídia (mostrando a nobreza de propósitos) e pelo uso tático de armas de extermínio em massa das consciências (redes sociais + algoritmos) [9]. Nada de sujar as mãos, pois basta quebrar uma empresa ali e prestigiar outra acolá. Não precisa submeter o escravo se basta dourar as correntes. Para quê matar um governante se posse induzir ao suicídio uma nação? Tudo muito moderno e cheiroso.

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Mas há uma coisa que não muda: se a razão deve ser o guia da ação, a emoção é o combustível. Aliás, a neurociência vem mostrando que a emoção supera em muito a racionalidade. Medo e ódio, inseparáveis e poderosos. Manipule medo de algo (real ou fictício) e direcione o ódio. Pronto! Para realizar o parágrafo anterior é preciso escalonar os medos e eleger os inimigos. Existe uma genial charge de Laerte, ao estilo de Henfil. Mostra um operário reclamando do salário que nem dá para o de comer. O patrão pega o bife da marmita do operário ao lado e entrega ao primeiro. Quando o outro reclama, o empresário diz: olha, o teu colega não quer que você coma carne. Começa a briga entre os trabalhadores e ninguém mais reclama… Tão velho quão eficiente. Dividir para manter a conquista; deslocar de si a causa dos problemas; enfim, botar a culpa nos outros e interditar o debate.

Por definição, quem se opõe ao paradigma neoliberal entra na mira. Se fizer parte de um grupo social ou étnico que demande alguma política compensatória (indígenas, afrodescendentes, imigrantes) aí já nasceram com o alvo nas costas. O antissemitismo europeu é constitutivo de várias culturas. Está ali, no cio. Pode aflorar com vergonha ou com orgulho – depende da época. Entre nós, o racismo dirigido aos descendentes de escravizados. Em qualquer lugar em crise e/ou com grande fluxo migratório, o bode expiatório é o estrangeiro tomador de empregos. A questão é usar qualquer um desses ódios latentes e propagandear o inimigo idealizado. E tome fake news e pancada nos professores e jornalistas independentes. Lembremos disto: o totalitarismo não é um projeto alienígena. Ao contrário, é preciso contar com grande base social, com a adesão emocionada das massas. A direção vem de um grupo de elite, mas o combustível emocional flui de baixo para cima.

Agora é prosseguir com o script já testado. Chamar toda a oposição de esquerdistas, comunistas, corruptos e parasitas – sem explicar qualquer conceito. Adotar discurso moralista, pois, afinal, é preciso retornar a um passado mítico (reescrito conforme seus interesses). Dizer-se paladino contra a corrupção (dos outros, pois as infrações dos aliados/parentes não vêm ao caso). Estimular o militarismo, pois deseja um mundo uniforme, obediente e que pratique a violência sem refletir. Organizar diretamente ou incentivar organizações paramilitares, que espontaneamente intimidem os adversários [10], inclusive com práticas terroristas. Partir para a agressão física ou verbal (baixaria mesmo), não admitindo conversa, pois sabe que perderia num debate honesto. Este modus operandi, aliás, é ensinado por certo pseudo-filósofo [11] e praticado por “dignitários”[12] federais.

Praticamente tudo o que descrevemos aplica-se à Itália, à Alemanha e à Espanha no início do Século XX e, mutatis (pouco) mutandis, ao Brasil de agora. Convido o leitor a prosseguir com a listinha de paralelos [13], bastando curiosidade e estômago forte.

Firme nos requisitos socioeconômicos e semelhanças históricas, descrevo a sombra sebosa do colaboracionista judeu que o isentão projeta. A intenção é chamar à responsabilidade os que devem enfrentá-los, mas que ainda os têm em alguma conta. Se produzir asco, melhor.

Quem conhecia melhor os Judeus, seus nomes, endereços, profissões e propriedades? Eles próprios, claro, por suas lideranças legítimas. Então, quem melhor do que estas lideranças para elaborar as listas de bens a confiscar e de pessoas a enviar aos campos de extermínio? Por incrível que pareça, parte essencial da formidável máquina burocrática que industrializou a morte era formada pelos que deveriam morrer. Hoje em dia: negros contra as políticas de cotas; gays/lésbicas que negam a homofobia, mulheres antifeministas….

Voltemos à II Guerra. O Conselho Judeu de Teresienstadt [14], por exemplo, recebeu poderes absolutos sobre esta população. A SS dava as diretrizes sobre os deportáveis: quando, quantos de cada sexo, quais profissões e idades… O Conselho preparava as listas para Adolf Eichmann cuidar do traslado para Auschwitz-Birkenau e outros campos. Mais: distribuíam as infames estrelas para identificação, ensinavam a resignação entre orações e criaram até corpos policiais dentro da comunidade, evitando revoltas. Hilberg anota um discurso do Presidente do Conselho Judeu Holandês [15] (assombrosa a condescendência com os nazistas alemães e o desprezo pelos vizinhos): “O fato de os alemães terem cometido atrocidades contra os judeus poloneses não era motivo para pensar que eles se comportariam da mesma maneira em relação aos judeus holandeses, primeiro porque os alemães sempre consideraram os judeus poloneses com descrédito e, segundo, porque na Holanda, diferentemente da Polônia, eles tiveram de se sentar e prestar atenção na opinião pública”. A aniquilação veio para todos. Dizendo evitar um “mal maior” e a “desordem” estas pessoas respeitáveis trabalharam impavidamente contra o próprio povo. Salvaram alguns: em regra, a si próprios e aos membros da elite judaica. Estima-se que se não houvesse nenhum tipo de liderança, talvez 3 milhões teriam escapado do extermínio. Traição em sete dígitos. No pós-guerra, quando os ex-integrantes destes Conselhos foram confrontados (inclusive em tribunais), sempre defenderam-se repetindo: Mas o que podíamos fazer? Era melhor do que o caos. Demos algum conforto antes do fim… Mas nem sempre as desculpas colavam: “Durante a reocupacão soviética da cidade de Feodosiya, na Crimeia, no inverno de 1941-42, relatou-se que colaboracionistas foram mortos a machadadas após responderem “por que toleraram que os alemães fuzilassem os judeus?[16]””.

Hilberg também estudou as perseguições aos Judeus e aos membros da resistência Comunista na Romênia [17]: “Como os eslavos reagiriam à repentina aniquilação de todo um povo que vivia junto a eles? Esconderiam os judeus ou os entregariam às autoridades…? Atirariam nos assassinos ou ajudariam no extermínio? … Na realidade, o comportamento da população … se caracterizou por uma tendência à passividade. Essa inércia era produto de emoções conflitantes e condicionantes opostas. Os eslavos não gostavam dos vizinhos judeus … Ao mesmo tempo … a população eslava estava alienada e horrorizada com o espetáculo da “solução final” … O efeito final dessa constelação psicológica foi o escape à neutralidade”. Novamente, a tentação de evitar o confronto – e, se possível, apossar-se da casa do vizinho que foi morto.

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Os isentões, finalmente, tal como seu mais rematado tipo (os judeus colaboracionistas), são abjetos especialmente por isto: eles banalizam o mal! Usando a expressão consagrada de Arendt, conclui-se como os discursos dissimulados e silêncios eloquentes são extremamente úteis para os totalitários explícitos. Não denunciam os abusos nem a escalada da violência política, a censura ou a tortura –  pois querem “ouvir os dois lados”. Como tudo pode piorar e ninguém tem solução, o melhor é ficar parado. Assim, confundem a resistência com sofismas e ensinam aos oprimidos o conformismo despreocupado que alimenta os cemitérios.

A história repete-se. Mostra que não é possível “converter” um totalitário neofascista ou um isentão. Aquele pois se recusa ao diálogo e parte logo para a violência. Este porque jamais cessa de falar e não chega a uma conclusão. Não foram convencidos, mas foram derrotados antes. Serão de novo.

Élder Ximenes Filho – Membro do TRANSFORMA MP. Mestre em Direito Constitucional.  Promotor de Justiça

  1. La Città Futura, 1917, p. 1.
  2. Livro das Revelações, 3:15-16 (esculacho nos fiéis da Igreja da Laodicéia, que tentavam adaptar o cristianismo original aos costumes romanos, para melhor passarem)
  3. A Destruição dos Judeus Europeus (p. 355). Amarilys. Edição do Kindle
  4. Revolução Constitucionalista de 1932 – contra Getúlio Vargas. Quando diplomata na Alemanha, ele e, principalmente, sua esposa Aracy de Carvalho (heroína reconhecida por Israel) ajudaram na fuga de inúmeros judeus perseguidos. Trechos do Grande Sertão: Veredas
  5. “A mesma coisa, pois, é justa e equitativa, e, embora ambas sejam boas, a equitativa é superior.” Ética a Nicômaco.
  6. https://panoramadoestado.com.br/2019/12/08/artigo-o-extremo-centro-engana-bobo/
  7. Claro não existirem pessoas/fenômenos monodimensionais. Há tensões, vacilos e nuances. Usamos a ficção do tipo ideal como instrumento para melhor raciocinar, como Weber ensinou
  8. Polícia Federal brasileira recebe mensalão do governo dos Estados Unidos: https://csalignac.jusbrasil.com.br/noticias/354350802/policia-federal-brasileira-recebe-mensalao-do-governo-dos-estados-unidos
  9. Um pouco mais aprofundado: https://jornalggn.com.br/opiniao/morta-por-like-perdido-por-elder-ximenes-filho/
  10. Os Esquadrões de camisas negras da Itália fascista, as SA (depois SS) da Alemanha Nazista, as Falanges da Espanha Franquista, as milícias ou Gladiadores do Altar ou células neo-integralistas aqui e hoje
  11. Recentíssima: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/voce-e-uma-vagabunda-meu-encontro-com-olavo-de-carvalho-intelectual-da-extrema-direita-brasileira-por-leticia-duarte/ ; conferir também o mais completo: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/11/unica-coisa-rigorosa-no-discurso-de-olavo-sao-os-palavroes-diz-ruy-fausto.shtml
  12. https://www.youtube.com/watch?v=LRRCM5OEfoU
  13. Aqui existe uma: https://jornalggn.com.br/artigos/um-estrondoso-aplauso-por-elder-ximenes-filho/
  14. Hannah Arendt, em Eichmann em Jerusalém, Cia. das Letras, 1999, p. 136, 140-142, 187. A criação destes Conselhos repetiu-se, com variações, por toda a Europa. A “eficiência” maior ocorreu na Polônia, depois na Holanda
  15. A Destruição dos Judeus Europeus (p. 22). Amarilys. Edição do Kindle
  16. Raul Hilberg. Idem (p. 459)
  17. O mesmo (pp. 352-353)

 

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11 comentários

  1. Coincidência. Olha um isentão identificado aqui nesta página:

    “Christiano 13/01/2020 at 20:06

    Caro Rui. Observe meus textos e verá que em momento algum trato de USA neles!

    Trump é o que existe de pior na política do seu país nas últimas décadas. O sujeito é a versão original, e nós temos a cópia aqui pertinho em Brasília, do falastrão, fanfarrão e despreparado ‘político’ para assumir um cargo de tamanha importância.

    O Senhor de pele cor de cenoura, governa seu país no estilo House of Cards. Existe uma crise interna (impeachment), começa uma guerra ali do outro lado para mudar o foco!

    Nao sou daqui nem dali, sou do melhor que possa ter para a população, não importando lado, e sim, boa proposta, retidão, honestidade e acima de tudo, respeito por tudo e por todos. Minha discordância foi ao comentário crítico da manifestação dos país que repudiaram a prisão ao cidadão britânico que prestava sua homenagem às vítimas, apenas isso!

    Protestos são válidos em todos as Nações, momentos e causas! Não deve ser proibido JAMAIS. O que deve é ser realizado de forma ordeira!

    Acabo de voltar de Paris. O que presenciei ali foi algo honesto e respeitoso para todos. Digo para todos, pois assim como tem os favoráveis aos pleitos do protesto, existem aqueles que são contrários e AQUELES QUE NÃO QUEREM NEM SABER DISSO, querem apenas a cidade funcionando!

    A manifestação saiu do ponto A e foi ao ponto B, tudo previamente acordado! As pessoas que não queriam passar pelo atraso provocado pela passeata, evitaram o local, o comércio abriu normalmente, a vida seguiu normalmente, mesmo sem o transporte público que estava paralisado em 2/3.

    Terminado a manifestação, todos seguiram para suas casas. No dia seguinte, algo me chamou muita atenção, um grupo enorme de jovens, seguia o mesmo trajeto da passeata retirando adesivos colados no dia anterior. Isso é ser civilizado, isso é ser uma nação, isso é respeitar o outro! A MINHA ESPERANÇA SÃO ESSES JOVENS QUE NÃO ESCOLHEM POR DIREITA OU ESQUERDA, MAS PELO CORRETO!”.

    Antes de ler essa matéria, eu fiz um comentário chamando o Christiano de Isentão. O comentário ainda não foi publicado. Não sei se o será, pois alguns comentários por mim enviados não são publicados.

    Diria o Dante Alighieri que ‘the hottest places in hell are reserved for those who, in times of great moral crisis, maintain their neutrality’.

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  2. A Dilma ficou morninha durante todo o processo do golpe e em instante alguma fez uso da força para deter a marcha do golpe que hoje lança milhões na miséria. Locke já dizia que fazer uso do punhal contra a tirania não é imoral. DILMA, A MORNA.

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      • Ela podia ter mandado uma parte pra cadeia e outro tanto pro cemitério e entretanto nada fez. Ela como governante dispunha de polícia, forças armadas, caneta pra demitir Janot e outros mais instrumentos e não usou nada disso. Vc acha que os instrumentos pra uso de força de um governante servem pra que?

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        • Se o Salvador Allende tivesse feito isso, ele não teria sido morto nem o o Pinochet, em conluio com os EUA, teriam dado o golpe?

  3. Isentões, colaboracionistas, criadores de eufemismos e demais passadores de panos são bem mais nefastos do que bolsonaros, olavos-de-carvalho e que-tais. Mas costumam ter acesso à mídia, o que lhes faculta tachar quem se posiciona como “radicais”, “ideológicos” e até teimosos. Pragmáticos, os isentões defendem-se amiúde dizendo-se adaptáveis. Ou, como anotou o poeta, “vence na vida quem diz ‘sim'”. E aos que dizem “não”, colam, usando a falácia da autoridade (“Pô, se não fosse certo não estaria no Estadão.”, “Quem falou foi o William Bonner!” ou ainda “Ele é professor em Harvard, hein?”), a pecha de “negativos”.

    Mas o ódio a eles – e as ações relacionadas a esse sentimento – não ajuda em nada. O desprezo é muito mais eficaz. O ódio os prestigia e os engrandece enquanto o desprezo os destrói. Tanto é assim que o citado rabino os vomitou e não os combateu. Além do que, se o ódio aprisiona o odiador ao odiado, quem despreza seguem em frente e constrói o novo.

    Os EUA crescem quando são amados, ainda mais quando são odiados mas o que os destrói é o desprezo, o tal do “tchau, tenho mais o que fazer”.

    • Ódio ou desprezo?

      Estou na dúvida pois enquanto o Drummond diz, em “A Flor e a Náusea”:

      “(…)
      Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
      Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
      Porém meu ódio é o melhor de mim.
      Com ele me salvo
      e dou a poucos uma esperança mínima.
      (…)”

      enquanto o Brecht diz, em “Aos que virão depois de Nós’

      “Eu vivo em tempos sombrios.
      Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
      Uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
      Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.

      Que tempos são esses,
      Quando falar sobre flores é quase um crime.
      Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
      Aquele que cruza tranqüilamente a rua
      Já está então inacessível aos amigos
      Que se encontram necessitados?

      É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
      Mas acreditem: é por acaso. Nada do que eu faço
      Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
      Por acaso estou sendo poupado.
      (Se a minha sorte me deixa estou perdido!)

      Dizem-me: come e bebe!
      Fica feliz por teres o que tens!
      Mas como é que posso comer e beber,
      Se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
      Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?
      Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.

      Eu queria ser um sábio.
      Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
      Manter-se afastado dos problemas do mundo
      E sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra;
      Seguir seu caminho sem violência,
      Pagar o mal com o bem,
      Não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
      Sabedoria é isso!
      Mas eu não consigo agir assim.
      É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
      (…)”

      Prá piorar, ainda tem o Étienne de La Boétie soprando nos meus ouvidos:

      “I do not ask that you place hands upon the tyrant to topple him over, but simply that you support him no longer; then you will behold him, like a great Colossus whose pedestal has been pulled away, fall of his own weight and break in pieces”.

      • Definitivamente desprezo. Até pela falta de disponibilidade para odiar daqueles que preferem construir o novo.

        E se você prestar um pouquinho de atenção, caro Rui, notará que o isentão, afinal, é um situacionista enrustido. Pode até criticar a situação mas não está fazendo nada para mudá-la: a situação é boa para o isentão e não fosse assim ele não seria isentão. Já viu economista “americano” ou baseado nos EUA – brasileiros são os piores – criticando pessoas nefastas daquele país? Ou – mais comum, até – criticando cidadãos de outros países por cederem ao nefastao imperialismo? Quem acha ruim os EUA espoliando o Brasil mas compra discos do, sei lá… Frank Sinatra? Nem todo “metedor de pau” no Trump realmente o rejeita. Enfim, cuidado: tem hipócrita que engana aos outros porque engana a si mesmo. Mas tem os hipócritas conscientes, também.

        • “Nem todo “metedor de pau” no Trump realmente o rejeita”. – Renato Lazzari

          Os Imperialistas enrustidos não precisam defender/justificar o imperialismo, basta eles desqualificarem os inimigos dos imperialistas. Foi isso o que o comentarista Christiano fez nas discussões abaixo transcritas:

          “Rui Ribeiro 12/01/2020 at 10:28

          Em casa eles prendem Joaquin Phoenix, o Coringa, e Jane Fonda, entre outras pessoas, por se manifestarem contra as mudanças climáticas. No Irã, entretanto, as autoridades britânicas e norte-americanas são favoráveis aos protestos.”

          “Christiano 12/01/2020 at 12:01

          No local existia uma homenagem às vítimas do crime cometido pelos companheiros do regime (que juravam pelo seu deus que aquilo não tinha sido obra deles!?!?!) O cidadão britânico estava ali prestando sua homenagem, assim como em qualquer lugar do mundo se faz, exceto nesses ‘países’ bacanas da cor vermelha! Sua presença ali se dava como ser humano e não autoridade. Que poder um sujeito desse teria em incitar um protesto????? É lamentável que até nisso existe essa cegueira abusiva de alguns querendo sempre encontrar algo ‘semelhante’ para ‘aceitar’ a agressão feita!”

          “Rui Ribeiro 13/01/2020 at 07:50

          Eu não estou justificando um erro com outro, mas se liga aí, Christiano, que é hora da revisão:

          “Um ataque com drone dos Estados Unidos com o suposto objetivo de atingir um esconderijo do Estado Islâmico no Afeganistão matou pelo menos 30 civis que estavam descansando após um dia de trabalho no campo, conforme informações divulgadas por autoridades do país nesta quinta-feira (19).
          O ataque na noite de quarta (18) também feriu 40 pessoas depois de atingir acidentalmente agricultores e trabalhadores que acabavam de colher pinhões em Wazir Tangi, na província de Nangarhar, no leste do país, disseram três autoridades afegãs à Reuters.

          Um passatempo sinistro

          É mais um bárbaro crime do imperialismo, com rasa repercussão na mídia internacional. Os ataques com drones (aviões militares não tripulados) é um expediente ao mesmo tempo covarde e cômodo da maior e mais inescrupuloso potência bélica do planeta, pois não coloca em risco a vida de pilotos estadunidenses e passa desapercebido pela opinião pública, ao contrário do que ocorreu durante a guerra do Vietnã, que motivou protestos gigantes nos EUA”.

          https://ctb.org.br/noticias/internacional/em-ataque-com-drone-eua-assassinam-ao-menos-30-agricultores-inocentes-no-afeganistao/

          Traduzindo, as Lombrigas Imperialistas não têm autoridade moral para reprovar os Iranianos. Agem com hipocrisia ao reprovar algo que eles fazem mundo afora impunemente”.

          Christiano 13/01/2020 at 20:06

          Caro Rui. Observe meus textos e verá que em momento algum trato de USA neles!

          Trump é o que existe de pior na política do seu país nas últimas décadas. O sujeito é a versão original, e nós temos a cópia aqui pertinho em Brasília, do falastrão, fanfarrão e despreparado ‘político’ para assumir um cargo de tamanha importância.

          O Senhor de pele cor de cenoura, governa seu país no estilo House of Cards. Existe uma crise interna (impeachment), começa uma guerra ali do outro lado para mudar o foco!

          Não sou daqui nem dali, sou do melhor que possa ter para a população, não importando lado, e sim, boa proposta, retidão, honestidade e acima de tudo, respeito por tudo e por todos. Minha discordância foi ao comentário crítico da manifestação dos país que repudiaram a prisão ao cidadão britânico que prestava sua homenagem às vítimas, apenas isso!

          Protestos são válidos em todos as Nações, momentos e causas! Não deve ser proibido JAMAIS. O que deve é ser realizado de forma ordeira!

          Acabo de voltar de Paris. O que presenciei ali foi algo honesto e respeitoso para todos. Digo para todos pois assim como tem os favoráveis os pleitos do protesto, existem aqueles que são contrários e aqueles que não querem nem saber disso, querem apenas a cidade funcionando!

          A manifestação saiu do ponto A e foi ao ponto B, tudo previamente acordado! As pessoas que não queriam passar pelo atraso provocado pela passeata, evitaram o local, o comércio abriu normalmente, a vida seguiu normalmente, mesmo sem o transporte público que estava paralisado em 2/3.

          Terminado a manifestação, todos seguiram para suas casas. No dia seguinte, algo me chamou muita atenção, um grupo enorme de jovens, seguia o mesmo trajeto da passeata retirando adesivos colados no dia anterior. Isso é ser civilizado, isso é ser uma nação, isso é respeitar o outro! A minha esperança são esses jovens que não escolhem por direita ou esquerda, mas pelo correto!”

          Observe, Renato Lazzari, que o isentão Christiano inicialmente tentou defender o imperialismo ocidental indiretamente, isto é, atacando o Irã, por abater uma aeronave comercial e por prender o Embaixador Britânico, em razão deste Embaixador supostamente incentivar os protestos no Irã, enquanto em casa os Imperialistas prendem aqueles ousam se manifestar contra as mudanças climáticas. Quando ele foi colocado contra a parede, ele pediu arrego e saiu pela tangente atacando o Trump e os EUA. Ou seja, os isentões não precisam se dedicar à impopular tarefa de defender o imperialismo, basta eles atacarem os inimigos dos imperialistas.

          Veja que a indignação do Isentão é seletiva. Ataca o Irã por prender um manifestante britânico mas nada diz contra os EUA, que prendem artistas que se manifestam contra as mudanças climáticas

  4. “Os governos passaram a seguir a receita única do FMI e quejandos – sem o contraponto do MODELO SOVIÉTICO, QUE EM VEZ DE CORRIGIR-SE, CAIU DE PODRE”. – Coletivo Ministério Público

    “Enquanto o capitalismo e o socialismo existirem, não poderemos viver em paz. No fim, um ou outro terá de triunfar – um réquiem será cantado sobre a República Soviética ou sobre o mundo capitalista”. – Lenin

    Não ficarei surpreso se, futuramente, o Coletivo MP, ignorando/esquecendo-se que o Banco da Inglaterra impediu o Nicolás Maduro de retirar US$ 1,2 bilhão a fim de abastecer o mercado interno, afirmar que, em vez da Venezuela corrigir-se, caiu de madura.

    https://valor.globo.com/mundo/noticia/2019/01/28/venezuela-banco-da-inglaterra-impede-maduro-de-retirar-us-12-bilhao.ghtml

    Mas o saldo positivo do texto é maior do que o saldo negativo. Parabéns!

  5. Monbiot sabe que isso é um delírio rumo a “soylent yellow” para a população pobre, enquanto as ações forem apenas business dentro do contexto capitalista, que continuará promovendo a aceleração apocalíptica. As elites seguirão predando e se fartando do que bem entenderem.

    A omissão da alternativa agroecológica na discussão do rumo da agricultura só pode ser entendida como uma descrença na viabilidade de implantação em escala e velocidade capazes de apresentar resultados para fazer frente à realidade cada vez mais terminal do planeta. Um trabalho acadêmico citado por ele simplesmente desconsidera sistemas agrícolas complexos como as agroflorestas: “We were not able to examine complex agricultural systems (such as mixed farming or agroforestry) that might have relatively low externalities.”!!!

    Monbiot se desespera.

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