Um Estrondoso Aplauso, por Élder Ximenes Filho

do Coletivo Transforma MP

Um Estrondoso Aplauso

por Élder Ximenes Filho

Então, é assim que a Liberdade morre? Com um estrondoso aplauso.” – 

Assim lamentou-se Padmé Amidala – Senadora, ex-Rainha e Guerrilheira. O filme é Star Wars III – A Vingança dos Sith, mas poderá ser o Brasil… Não é sequer improvável nem inusitado – mas plausível e à porta. Coisas assim aconteceram muitas vezes. Não no tempo em que os animais calavam, mas durante nossas vidas ou de nossos pais. Não em galáxia distante, mas aqui, nos vizinhos e na Europa.

Fala-se de fascismo hoje em dia – mas fala-se rápido, sem pensar nada e xingando muito. É o modo “rede social” de conviver. Aliás, melhor dizer só-viver. É que a recusa ao diálogo e a negação do outro como interlocutor aumentam a solidão das bolhas e isolam cada qual. Vamos nos afogando não em meio, mas por causa de milhões de amigos inúteis. Sem olho no olho. Sem palavras de conselho e sem mãos para fazer o que só os amigos podem: impedir nossas bobagens e “vacilos”. Um bom amigo: o espelho mais duro e necessário para o jovem rebelde seduzido pelo cio das cadelas velhas do fascismo.

Deixemos ao leitor a curiosidade de pesquisar conceitos deste e de outros Totalitarismos como o Stalinismo, o Nazismo etc… Recomendo Hannah Arendt – mas você pode ir de Wikipédia mesmo – e, por favor, chegue nos livros. O mais importante: nada de redes sociais nestas pesquisas, combinado? Proponho-me aqui a fazer uma resenhazinha da origem do Fascismo italiano2 com alguns dados, organizados cronologicamente.

Depois, rememoro fatos de nossa história contemporânea. Os fatos falam por si, se você quiser ouvir. Nem imagino exaurir o tema – para isto (ainda) há os livros de história.

Indico alguns links – mas as verdadeiras ligações, da mente e do coração, estas são opções do leitor. Somente você, meu amigo, poderá decidir se vai indignar-se ou dizer “tá errado, mas fazer o quê?” Você é quem saberá se enfrenta ou abraça a banalidade do mal, como o fez a sociedade italiana há exatamente cem anos.

Dou. Apenas. Poucos. Exemplos. Verifique as informações como se suspeitasse de fake news e faça a conferência básica: nome, data, local… Sugiro atentar para estas repetições que pouco têm de farsa, mas tanto de tragédia – inclusive a insistência brasileira em literalmente queimar os bens e os corpos dos miseráveis. O padrão surge por si só. Experimente!

Aviso logo que, ao final, saio pela ficção, conforme entrei linhas acima.

Falei!

ITÁLIA

24 de maio de 1915: a Itália entra na 1ª Guerra. Mussolini parte para a frente de batalha. Já havia sido expulso do Partido Socialista anos antes e desenvolvia idéias nacionalistas de extrema direita. Usará para sempre a imagem de “herói de guerra”.

23 de março de 1919: na Praça San Sepolcro, funda o Fascio Milanese di Combattimento (Esquadrão Milanês de Combate) – grupo político de características paramilitares. Começam a espalhar-se pelo país e disputar eleições.

1921: Transformação gradual dos Esquadrões de Combate em partido fascista; no mês de maio, elege-se deputado e faz o primeiro discurso em 21 de junho: nacionalismo, militarismo, xenofobia, missão e moralismo – como repetirá até o final.

28 de outubro de 1922: início do Golpe de Estado. Entre 25 e 30 mil “Camisas Negras” marcham sobre Roma, após dominarem pontos estratégicos em vários pontos do país, inclusive na planície do rio Po. O primeiro ministro Luigi Facta declarou Estado de Sítio, mas o rei Vitorio Emanuel III anula o ato, temendo uma guerra civil.

30 de outubro de 1922: o rei “convida” Mussolini a formar o novo governo, havendo já o gabinete anterior renunciado. Formalmente Primeiro Ministro, torna-se ditador na prática, mas o parlamento e os partidos ainda funcionavam. Recrudescimento de violência contra a oposição: espancamentos, ameaças, incêndios e homicídios começam a amiudar-se. Os alvos iniciais são as esquerdas e suas publicações. Os fascistas portam armas de fogo e brancas ostensivamente (gostam de um modelo padronizado de punhal, aliás).

21 de abril de 1921: Ferrugio Ghinaglia, líder do Partido Comunista, é morto com um tiro na cabeça no meio da rua. Funeral e enterro duram dois dias e mobilizam toda a cidade, clamando por justiça. Unanimemente Mussollini é acusado como mandante. A investigação é uma farsa e os fascistas simplesmente ignoram-na. Não há polícia, magistratura ou ministério público que os enfrente – restando em posições de relevância apenas os fascistas de fé e os covardes.

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10 de junho de 1924: Giacomo Matteotti, deputado do Partido Socialista, é sequestrado, apunhalado e deixado para morrer exangue num bosque nos arredores de Roma. Ele havia publicado um livro e proferido no parlamento dois discursos3 bem fundamentados em provas e argumentos jurídicos contra o fascismo. Há novamente clamor popular, discursos, notas em jornais, artigos inflamados… mas nenhuma greve geral ou revolta popular prolongada. Três suspeitos são condenados e logo depois perdoados pelo rei. O chefe deles, Emilio De Bono, comandante dos Camisas Negras da cidade sequer foi indiciado. O caso é reaberto apenas após o final da grande guerra – https://it.wikisource.org/wiki/Italia_-_30_maggio_1924,_Discorso_alla_Camera_dei_Deputati_di_denuncia_di_brogli_elettorali

03 de janeiro de 1925: Mussolini é questionado no Parlamento sobre tamanha escalada de violência e num discurso orgulhoso, admite ser o responsável por tudo e especificamente confessa a ordem para matar Matteotti. O país está diante de um criminoso indubitável, mas nada acontece além da confirmação de seu poder absoluto sobre tudo o que fosse diferente. Ouve-se um grande aplauso.

12 de janeiro de 1923: constituição do Grande Conselho do Partido Nacional Fascista (que viria a se tornar Órgão Estatal “absoluto” com a fajuta constituição de 1928).

20 de julho de 1925: Giovanni Amendola, jornalista e professor de filosofia, é massacrado a pauladas em Pistoia, após uma série de intimidações anteriores. Morre dos ferimentos, alguns meses depois, no exílio. Não era de esquerda. Eleito pelo Partido da Democracia Liberal é depois fundador do Partido Democrático Italiano; ocupara cargo no governo anterior. Torna-se um líder da oposição liberal remanescente e critica a própria elite econômica italiana por sua adesão ao fascismo. Um dos idealizadores do Manifesto dos Intelectuais contra o Fascismo (jornal Il Mondo).

03 de Abril de 1926: fundação da Opera Nazionale Balilla (ONB), órgão oficial destinado à assistência e educação da juventude conforme os princípios fascistas. Controle do magistério, obrigado a formar a versão latina da “juventude hitlerista”.

31 de Outubro de 1926: em Bolonha, o adolescente de 15 anos Anteo Zamboni, simpatizante do anarquismo, desastradamente atira contra “Il Duce” durante um desfile, sendo linchado na hora. O ataque é usado como desculpa para o endurecimento do regime. O Parlamento emana uma série de leis visando à “defesa do estado”: supressão dos partidos e dos jornais da oposição. Ditadura aberta e formalizada. Situação parecida ocorrerá na Alemanha, após o incêndio do Parlamento, com o Decreto à Proteção do Povo e do Estado” e a “Lei do Apoderamento”.

11 de fevereiro de 1929: assina o Tratado de Latrão: reconhece a soberania do Vaticano; paga-lhe indenização por territórios perdidos; o catolicismo passa a ser a religião oficial; ensino religioso obrigatório e garantem-se privilégios para o clero. O Papa fornece apoio político e silêncio… muito… silêncio.

3 de outubro de 1935: início da guerra da Abissínia; militarismo em alta; em parte foram ensaios para 2ª Guerra, como a guerra civil Espanhola.

9 de maio de 1936: Mussolini funda o Terceiro Império Romano, já com a oposição destruída e a população condicionada a ou aplaudir ou calar.

18 de julho de 1935: aliança firmada com o ditador espanhol General Franco.

25 de setembro de 1937: primeira visita de Mussolini à Alemanha. Neste ano a Itália ameaça desligar-se da Sociedade das Nações, que tentava evitar a barbárie e era acusada de agir contra os interesses nacionais (exatamente como a ONU).

15 de julho de 1938: lançamento do manifesto das “diferenças raciais” entre italianos e judeus, com restrições a direitos políticos e econômicos; são análogas aos ataques legislativos perpetrados na Alemanha.

10 de junho de 1940: declara guerra à França; invade a Somália e o Djubiti.

27 de setembro de 1940: Alemanha, Itália e Japão firmam o Pacto Tripartite – formalizando o nascimento do “Eixo”.

28 de outubro de 1940: a Itália invade a Grécia e poucos meses depois são rechaçados por tropas inglesas ali e na Líbia, precisando pedir ajuda à Alemanha, o que foi considerado uma humilhação. Passam a sofrer sucessivas derrotas até o fim da guerra.

11 de Dezembro de 1941: a Itália declara guerra aos Estados Unidos, com mais efeitos de propaganda interna; continuam perdendo territórios e batalhas, sendo vistos pelos alemães como subalternos incompetentes.

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24 de julho de 1943: reunião do Grande Conselho do Fascismo depõe o governo e chama o rei Vittorio Emanuele III a reassumir plenos poderes; Mussolini é preso e exilado no dia seguinte.

12 de setembro de 1943: tropa de elite alemã resgata Mussolini da ilha de Gran Sasso. A Alemanha, na prática, invade a Itália e passa a enfrentar os aliados e também a renascida oposição Italiana – agora com redobrada brutalidade contra a própria população, privada de condições básicas de vida, para uso dos recursos no esforço de guerra (além da destruição dos meios de produção e da infraestrutura durante a retirada dos alemães). Vilarejos inteiros foram massacrados pelos nazistas. Milhares morreram de frio e fome. Outros tantos foram deportados para o campo de concentração de Mauthausen-Gusen, na Áustria (um dos mais brutais e um dos últimos a serem liberados).

18 de setembro de 1943: Mussolini anuncia a constituição da República Social Italiana na região Norte e tenta retomar o poder no resto do país.

10 de janeiro de 1944: um tribunal de exceção em Verona condena todos os membros do Grande Conselho do Fascismo que se opuseram a Mussolini, inclusive seu genro

16 de junho de 1944: desembarque de nossos heróis (mesmo!), os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira em Nápoles.

16 de dezembro de 1944: discurso no teatro de Milão: numa coerente caricatura, reafirma os princípios que esposara desde seu primeiro discurso; avançam as tropas aliadas; foge disfarçado.

27 de abril de 1945: reconhecido e preso por guerrilheiros partisans. Nos dois dias seguintes são metralhados ele, sua companheira Claretta Petacci e outros assessores. Os cadáveres são expostos à execração pública.

 

PINDORAMA

20 de abril de 1997: o índio Galdino Pataxó é queimado vivo em Brasília – exatamente no aniversário de 108 anos de Hitler

Entre abril e junho de 1997: quatro mendigos são feridos com fogo no Rio de Janeiro, mais dois casos de tentativas de incêndio humano –https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff210641.htm

31 de outubro de 2010: insatisfeita com resultado de Eleição, a estudante de Direito Mayara Petruso prega no Face que nordestinos deveriam ser mortos afogados. Postagem com milhares de “curtidas”. Posteriormente, houve repercussão negativa: perdeu o emprego e em 2013 sofreu condenação judicial (pena alternativa) – https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/justica-condena-estudante-mayara-petruso-por-preconceito-contra-nordestinos/

25 de fevereiro de 2012: dois moradores de rua são incendiados em Brasília – http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2012/02/morre-um-dos-moradores-de-rua-que-teve-corpo-queimado-em-brasilia.html

dia incerto de 2013: lançamento em mídias sociais do O Sentinela, grupo abertamente nazista.

20 de junho de 2013: protestos contra-sindicais e contra-partidários (diferentes de a-partidários) – http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2013-06-20/militantes-com-bandeiras-da-cut-sao-expulsos-de-protesto.html

21 de junho de 2013: – grupos organizados de “carecas musculosos” hostilizam partidos em protestos – http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/06/manifestantes-pediram-a-volta-da-ditadura-e-queimaram-bandeiras.html e http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/21/hostilidade-a-partidos-e-tom-de-balada-marcam-7-manifestacao-em-sao-paulo.htm

1º de janeiro de 2015: mais dois moradores de rua são incendiados vivos em Taguatinga, mas sobrevivem – http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/03/video-mostra-moradores-de-rua-em-chamas-apos-ataque-no-df-veja.html

20 de abril de 2015: nova publicação do Jornal Nazista brasileiro O SENTINELA – http://osentinela-blog.blogspot.com.br/2015/04/126-anos-do-milenio-de-hitler-profeta.html

14 de outubro de 2015: – manifestações de Intolerância durante o enterro de José Eduardo Dutra – http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-naturalizacao-do-mal-que-semeia-o-fascismo-3579.html

10 de novembro de 2015: casal de moradores de rua é incendiado vivo no Rio de Janeiro – http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/11/dois-moradores-de-rua-sao-queimados-no-rio-de-janeiro.html

03 de dezembro de 2015: sósia de Hitler apóia projeto de filho do Messias na Câmara do RJ – http://www.brasilpost.com.br/2015/12/07/hitler-camara-rio_n_8740216.html e http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-12-03/grupo-de-simpatizantes-do-regime-militar-revolta-vereadores-na-camara.html

12 de fevereiro de 2016: morador de rua de Taubaté é atacado com fogo enquanto dormia – http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2016/02/morador-de-rua-tem-corpo-incendiado-enquanto-dormia-em-taubate-sp.html

12 de março de 2016: sede da UNE em São Paulo é pixada – http://www.jb.com.br/pais/noticias/2016/03/12/sede-da-une-e-pichada-em-sao-paulo/

17 de março de 2016: sedes CUT e PT em Curitiba atacadas – https://www.facebook.com/caftaufc/posts/568481679996543:0?__tn__=K-R

19 de março de 2016: sede PT em MG depredada pela 3ª vez – https://www.facebook.com/caftaufc/posts/568481679996543:0?__tn__=K-R

11 de abril de 2016: Centro Acadêmico de História Frei Tito (UFCE) é depredado – https://www.facebook.com/caftaufc/posts/568481679996543:0?__tn__=K-R

14 de abril de 2016 (descontinuada): página partido nacional socialista brasileiro – http://nacionalsocialismo.comunidades.net/index.php

17 de abril de 2016: durante a votação do Impeachment-OU-Golpe, o Messias homenageia torturador/estuprador. A maioria dos parlamentares aplaude e um,  cospe.

26 de abril de 2016: – Assembléia Legislativa de Alagoas derruba veto do Governador ao Projeto de Lei da “Escola sem Partido”, que passara por unanimidade. A polêmica repete-se Brasil adentro.

22 de julho de 2016: Ministério Público sustenta a inconstitucionalidade dos projetos que defendem a “Escola sem Partido” – http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/pl-que-institui-escola-sem-partido-e-inconstitucional-defende-pfdc

Leia também:  E como ficam as mulheres? O caso do DIU e o cerceamento das mulheres às melhores práticas em saúde no Brasil, por Sônia Lansky

21 de junho de 2016: STF recebe denúncia contra o Messias por incitação ao crime de estupro – http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=319431&caixaBusca=N

23 de maio de 2017: dois moradores de rua queimados até a morte em Salvador – https://g1.globo.com/bahia/noticia/casal-em-situacao-de-rua-que-teve-corpo-queimado-morre-em-salvador-diz-hospital.ghtml

14 de março de 2018: homicídio da Vereadora do PSOL Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Sob intervenção federal o Estado do Rio de Janeiro não finalizou ainda as investigações.

18 de agosto de 2018: instados em redes sociais, inclusive com fake news, população de Pacaraima agride, queima bens, inicia linchamento e expulsa do Brasil cerca de 1.200 refugiados venezuelanos – https://www.cartacapital.com.br/revista/1018/ataques-a-venezuelanos-em-roraima-mostram-como-a-xenofobia-se-alimenta

24 de agosto de 2018: mais um morador de rua é incendiado em Belo Horizonte – http://www.itatiaia.com.br/noticia/morador-de-rua-e-atacado-e-tem-parte-do-corpo

06 de setembro de 2018: facada no Messias durante passeata.

09 de setembro de 2018: tiros com balas de borracha no candidato Renato Almeida, do PT, em Curitiba, aparentemente ao arrepio da legislação –  https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2018/parana/candidato-leva-dois-tiros-de-bala-de-borracha-da-guarda-municipal-2ghkpz1l102aa1tu6705yfpji

11 de setembro de 2018: turma do STF rejeita denuncia do MPF contra o Messias, por racismo (caso dos Remanescentes de Quilombolas) –https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/11/politica/1536684954_057287.html

13 de setembro de 2018: Presidente do STF Min. Dias Toffoli nomeia Assessor o general aposentado Fernando Azevedo. Parte da imprensa fala em “interlocução” com os militares, outra, em “tutela” mesmo – https://odia.ig.com.br/colunas/coluna-esplanada/2018/09/5575515-general-no-stf-toffoli-sabe-onde-pisa.html

16 de setembro de 2018: em plena barca Rio-Niterói, a candidata Talíria Petrone, do PSOL, sofre constrangimento ilegal e apreensão abusiva de material de campanha, por um PM de arma em punho – https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2018/08/5567553-pm-que-apreendeu-material-de-campanha-de-taliria-petrone-e-autuado-por-abuso-de-poder.html#foto=1

HOJE: páginas nas redes sociais apregoam ser o nazismo a salvadora e apartidária “terceira via”. Elogiam o falecido Enéas Carneiro, atacam banqueiros judeus, imigrantes quaisquer, minorias em geral e até o “moderado” Olavo de Carvalho. Divulgam livros afirmando que os Judeus não foram queimados dos campos de concentração – http://www.osentinela.org/ e outros…

AMANHÃ: ante a apertada derrota nas urnas para a aliança ampla de centro-esquerda, a agora oposição não reconhece o resultado e afirma que entrará com pedido de Impeachment no primeiro dia de mandato do novo governo e convoca “a grande marcha de Brasília, por Deus e pela família”, no dia da posse; militares da reserva declaram que haverá “segunda revolução gloriosa” caso o governo não atenda à série de exigências prévias do “Manifesto do Clube Militar”; nas redes sociais diversos perfis clandestinos são bloqueados após lançarem a campanha “uma Marielle em cada canto” – pregando o extermínio das esquerdas; partidos e sindicatos começam a barricar suas sedes, aproveitando o ressurgimento da militância; aumenta a tensão nas fronteiras com a condenação à invasão da Venezuela; as cúpulas do Judiciário e do Ministério Público evitam fazer comentários e decidem aguardar o desenrolar dos fatos, confiando no funcionamento das Instituições…

AMANHÃ: ante a apertada derrota nas urnas para a extrema direita, a frente ampla de centro-esquerda não reconhece o resultado das urnas e afirma que enfrentará o neofascismo por todos os meios, inclusive fazendo o novo governo provar do próprio remédio do Impeachment; militares da reserva declaram que haverá “nova revolução gloriosa” caso a oposição atrapalhe a implementação das medidas constantes do “Manifesto do Clube Militar”, incluindo o final de todas as políticas inclusivas ou compensatórias; nas redes sociais diversos perfis clandestinos são bloqueados após lançarem a campanha “uma Marielle em cada canto” – pregando o extermínio das esquerdas; o novo governo afirma pelo twitter que não precisa de alianças com os partidos do congresso, que avalia retirar o Brasil da ONU e que pretende aumentar para 23 o número de Ministros do STF; aumenta a tensão nas fronteiras com a apoio  à invasão da Venezuela; as cúpulas do Judiciário e do Ministério Público evitam fazer comentários e decidem aguardar o desenrolar dos fatos, confiando no funcionamento das Instituições…

Ah, uma última informação: o mote (ou “meme”) dos fascistas italianos era ME NE FREGO, que significa NÃO ESTOU NEM AÍ (para o sofrimento do outro).

Hoje, poderia até ser slogan de campanha, não é?

Élder Ximenes Filho – Membro do MP TRANSFORMA. Mestre em Direito Constitucional / UNIFOR. Promotor de Justiça.

 

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