A guerra dos Estados Unidos contra o Irã começou há cerca de seis meses, e já começa a impor problemas muito além do campo de batalha: a estratégia adotada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que foca na pressão militar e econômica, não levou o governo iraniano a ceder e, conforme o conflito continua, a capacidade norte-americana em manter a ofensiva passa a ser colocada em questão.
Análise da CNN norte-americana lista diversos sinais de desgaste, como relatos de redução significativa dos estoques de munições norte-americanos, preocupação de militares com a duração do conflito, pressão de aliados republicanos para que Trump encontre uma saída e problemas relacionados às condições de vida e à saúde mental de militares envolvidos em uma operação que se estende muito além do período inicialmente esperado.
A própria duração da guerra contraria a expectativa inicial do governo Trump, já que o presidente havia trabalhado com a perspectiva de um conflito relativamente curto, de quatro a seis semanas. Agora, a guerra entrou em seu sexto mês.
Um dos problemas mais sensíveis é o dos estoques de armamentos: informações reportadas pela imprensa norte-americana mostram que as Forças Armadas dos EUA já consumiram quase 80% dos interceptadores do sistema de defesa antimísseis THAAD disponíveis antes do início da guerra e aproximadamente metade dos interceptadores Patriot.
O problema não se limita à quantidade de armas disponível para continuar atacando o Irã. Munições de alta tecnologia precisam de tempo para serem repostas e, em um conflito prolongado, seu consumo pode comprometer a capacidade dos Estados Unidos de responder simultaneamente a outras ameaças.
Essa questão ganha dimensão estratégica porque Washington precisa considerar, por exemplo, a possibilidade de um adversário como a China interpretar uma redução dos estoques norte-americanos como uma oportunidade para agir em outra frente, como Taiwan.
Embora Trump negue publicamente que o exército está ficando sem munição, a existência de relatos sobre estoques críticos transformou a questão em uma das principais limitações para uma eventual ampliação da guerra.
A pressão também aparece dentro da própria estrutura que conduz a guerra: o presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, teria transmitido a outros assessores de Trump a avaliação de que o governo precisa encontrar uma saída para o conflito, diante do risco de que uma nova escalada produza resultados contrários aos objetivos norte-americanos.
A avaliação é particularmente importante porque a capacidade aérea, sozinha, pode não ser suficiente para alcançar todos os objetivos estabelecidos pela Casa Branca. Quanto mais longa a guerra, maior a necessidade de recursos, munições e pessoal para sustentar a operação.
Outro episódio que aumentou a pressão sobre a Casa Branca foi a revelação de que Trump teria deixado o avião presidencial por uma aeronave diferente durante sua saída da Turquia, diante de uma possível ameaça iraniana envolvendo um míssil portátil, o que gerou questionamentos sobre a segurança presidencial e sobre a discrepância entre a afirmação do governo de que as capacidades militares iranianas foram amplamente destruídas e a necessidade de adotar medidas de segurança desse tipo.
Essa contradição é politicamente incômoda para Trump. O presidente sustenta que os Estados Unidos destruíram grande parte das capacidades militares iranianas, mas o prolongamento do conflito mostra que Teerã ainda possui capacidade para resistir, atacar e negociar em condições que não correspondem à rendição esperada por Washington.
Entre aliados políticos de Trump, também surgem sinais de impaciência. Em meio a pedidos pelo fim do confronto, apoiadores passaram a argumentar que uma guerra sem prazo para terminar pode se transformar em um problema para os republicanos nas eleições legislativas de novembro, e uma guerra prolongada pode ampliar a insatisfação dos eleitores caso seus efeitos econômicos — especialmente sobre os preços dos combustíveis — se aprofundem.
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