1 de julho de 2026

Os diálogos da Vazajato e o país dos pusilânimes, por Luis Nassif

O maior pecado da Lava Jato não estava em meia dúzia de procuradores provincianos, deslumbrados pelo próprio poder, mas na falta total de diretrizes dos escalões superiores

A última reportagem da Folha-The Intercept revela dois pontos:

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  1. Em que pese seus erros, no caso JBS, o procurador Marcelo Miller era a voz de bom senso no grupo, ao chamar a atenção para as críticas que a operação sofreria, se levasse à inviabilização da Odebrecht.
  2. Os diálogos mostram que conseguiu convencer o grupo, até o irascível Carlos Fernando dos Santos Lima, da importância de preservar empregos, apontando para o desgaste dos colegas americanos com a quebra da Enron. Mas comprova também a absoluta incompetência dos escalões superiores para encontrar uma saída que preservasse empresa e empregos.

Se até os cabeças-duras paranaenses entenderam a importância de separar empresa de controladores, porque nenhuma medida racional foi para frente?

E aí, o jogo salta para o Procurador Geral da República Rodrigo Janot e o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

O caminho razoável seria impor uma multa enorme aos controladores, obrigando-os a se desfazer da empresa para poder quitar a multa. Mudaria o controle do grupo, mas a empresa não seria inviabilizada, nem os empregos perdidos, nem a economia brasileira destruída.

Quando se começou a trabalhar nesse caminho, uma capa da IstoÉ, e uma entrevista de Carlos Fernando, inspiradas no movimento punitivista em marcha, fez com que Janot recuasse, cada qual tratasse de preservar a própria pele eximindo-se de suas responsabilidade.

Confirma apenas que o maior pecado da Lava Jato não estava em meia dúzia de procuradores provincianos, deslumbrados pelo próprio poder, mas na falta total de diretrizes dos escalões superiores. Deixaram os rapazes montar a lambança com medo de serem apanhados pela onda punitivista irracional que tomou conta do país.

É um país de pusilânimes. Com medo de irem contra a onda, que eles mesmo criaram, permitiram que milhares de empregos fossem destruidos.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Mauro Moura

    22 de setembro de 2019 11:14 am

    A destruição da Odebrecht pode não ter sido apenas o resultado da incúria e açodamento de gente incompetente e covarde, mas o resultado de um esforço deliberado, capitaneado por quem tinha interesse em que isto ocorresse. Não é necessário ser um Sherlock Holmes para inferir que a cooperação do Departamento de Justiça americano poderia ser tudo, menos desinteressada. No Grande País do Norte a traição aos interesses nacionais, real ou imaginária, como ficou demonstrado, por exemplo, na execução do casal Rosenberg, é punida exemplarmente. O vira-latismo e o entreguismo são apenas formas edulcoradas de traição à pátria…

  2. Julio

    22 de setembro de 2019 11:59 am

    A lava jato pode ser vista como a tropa de choque de uma luta intra burguesa, em que o capital produtivo e tecnológico foi o alvo… há um panorama maior nisso tudo d Não por acaso na sequência os EUA levaram a Embraer embora.
    No futuro muito provavelmente essas estratégias envolvendo interesses geopolíticos e a estreiteza ou alinhamento de visão de parte do sistema de justiça brasileiro serão conhecidos.

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