17 de julho de 2026

Fortuna de Elon Musk é para lamentar ou comemorar?, por Petronio Portella Filho

Se Elon colocasse as notas de 100 dólares lado a lado, elas se estenderiam por 1,6 milhões de km e dariam 39 voltas na Terra.
Elon Musk em imagem gerada por ChatGPT

Elon Musk aumentou sua fortuna para 1 trilhão de dólares, valor equivalente a 31.688 anos em segundos.
Adam Smith defendia intervenção estatal, tributação progressiva e regulava mercados, diferente do atual capitalismo dos EUA.
A fortuna de Musk em notas de 100 dólares pesaria 10 mil toneladas e se estenderia por 1,6 milhão de km.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Elon Musk aumentou sua fortuna para 1 trilhão de dólares. É notícia para ser lamentada ou comemorada?

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Petronio Portella Filho

Um trilhão é uma quantia difícil de imaginar. Qual seria, por exemplo, a duração de um trilhão de segundos? Se Musk sacasse 1 trilhão em notas de 100 dólares, qual o peso das cédulas? Se colocasse as cédulas de 100 dólares lado a lado, a trilha iria até a China? 

Vou responder as três perguntas ao final. Antes gostaria de refletir sobre o personagem Elon Musk. Seus admiradores acreditam que ele seria um exemplo da mão invisível de Adam Smith. O pai da Economia escreveu que o indivíduo movido por interesses egoístas — através de uma mão invisível — estaria contribuindo para o bem coletivo.

Na verdade, o grande filósofo mencionou a “mão invisível” uma única vez nas 920 páginas de A Riqueza das Nações, e não como regra geral do capitalismo. Ele escreveu que um indivíduo que faça investimento na indústria local, em vez de no exterior, seria guiado por uma mão invisível a promover o bem coletivo. Sugiro aos leitores que confirmem o que escrevi na Amazon: Wealth of Nations (1776), Adam Smith, ClassicBooks, Livro IV, capítulo 2, versão kindle gratuita.

Adam Smith foi de fato um entusiasta do capitalismo competitivo e do comercio internacional, mas ele escreveu muitas coisas que causariam horror a Musk e ao politico que ele elegeu, Donald Trump. 

Smith foi, por exemplo, um crítico severo do imperialismo britânico. Ele registrou as injustiças sofridas pelos povos colonizados e o fato de que o povo inglês não usufruía das conquistas militares. Argumentava, citando números, que seria mais lucrativo para o Império Britânico se expandir fazendo acordos comerciais pacíficos em vez de guerras onerosas. A Inglaterra e os EUA não seguiram seu conselho; a China, sim. 

O liberalismo econômico defendido por Adam Smith em nada se parecia com a defesa do Estado Mínimo, muito menos com a apropriação do Estado por bilionários, como acontece hoje nos EUA. 

Smith defendia um papel forte do Estado impondo leis, tributação progressiva, regulação bancária, gastos públicos em infraestrutura e a educação pública e gratuita das massas. Ele temia que a divisão do trabalho transformasse os trabalhadores no operário oligofrênico retratado por Charles Chaplin em Tempos Modernos. 

Tal qual economistas de esquerda, Adam Smith elogiava os mercados competitivos e desconfiava dos monopólios e oligopólios. Quando, décadas atrás, o Brasil estava sendo explorado por um cartel de bancos credores, defendi a moratória da dívida externa citando entre outros Adam Smith: 

“Pessoas do mesmo ramo raramente se reúnem, ainda que para se divertirem, sem que a reunião termine em um conluio para aumentar os preços ou numa trama contra o interesse público.” 

Para terminar, vou explicar com exemplos o significado de um trilhão. Um trilhão de segundos são 31.688 anos. A fortuna de Musk em cédulas de 100 dólares pesaria 10 mil toneladas. Se Elon colocasse as notas de 100 dólares lado a lado, elas se estenderiam por 1,6 milhões de km e dariam 39 voltas na Terra.

Imaginem tal fortuna nas mãos do indivíduo que comprou o Twitter para divulgar fake news. E que, após comprar votos para eleger Donald Trump, fez saudação nazista durante a cerimônia de posse. 

Petronio Portella Filho é economista formado na UnB, com mestrado na Universidade de Minnesota e doutorado na Unicamp. Consultor concursado do Senado Federal, é autor dos livros A Moratória Soberana, Os Sapatos do Espantalho e Mentiras que Contam Sobre a Economia Brasileira.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados