21 de maio de 2026

Para Proteger e Servir… Será?, por Luís Antônio Waack Bambace

Lema “Para Proteger e Servir” que se vê nos filmes policiais, não deveria implicar em todas as polícias do Brasil terem uma postura similar?
Imagem gerada por IA

O autor questiona a falta de equipamentos não letais e treinamento adequado para policiais no Brasil.
Sugere uso de drones e tecnologia para reduzir riscos e melhorar contenção de criminosos armados.
Defende medidas como obrigar policiais a portar armas não letais para evitar mais casos fatais no país.

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Para Proteger e Servir… Será?

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por Luís Antônio Waack Bambace

     Quando eu era criança, os policiais andavam não só com armas de fogo mas também os cassetetes, não usavam boinas mas capacetes. Numa discussão banal, usariam cassetetes, que venhamos não são ante ao que se tem hoje, eficazes. Tivesse a policial Yasmin Cursino Ferreira gás pimenta, uma arma de choque Taser, e treinamento adequado ao uso deste tipo de equipamento, teríamos o desfecho fatal? É normal que um cidadão atingido por um espelho de carro de polícia ou alguém próximo a ele se irrite. Não é normal que não se tenha a disposição de policiais meios adequados para conter a situação, nem preparo pra tal. A alegação de que uso de câmaras corporais em novatos não é adequada, também é estranha, não seria justamento o caso do novato usá-las para que eles possam ter realimentação de falhas em seus procedimentos, e possam ser treinados para corrigi-las?

     Quando ocorre um acidente aéreo, o CENIPA, busca não punições, mas uma apuração detalhada que permita se evitar a repetição de um acidente semelhante no futuro. Graças a isto se tem taxas de riscos abaixo de um acidente com morte para cada 7 milhões de decolagens na aviação comercial, e provavelmente menos de um acidente com fatalidades para cada 10 milhões de decolagem.  O lema: “Para Proteger e Servir” que se vê nos filmes policiais americanos, não deveria implicar em todas as polícias do Brasil terem uma postura similar?

     O próprio sistema de patrulhamento, não poderia usardrones de forma mais ampla, para reduzir a exposição de policiais a riscos desnecessários? A contenção de criminosos armados poderia ser feita com drones e armas não letais? Prendendo um traficante pé de chinelo, com o uso de equipamentos telecomandados, não facilitaria a obtenção de informações quanto a chefes do tráfico, lavagem de dinheiro do tráfico e afins? Um óculos 3D num policial distante, um par de câmaras para gerar dados de visão binocular,encoders no corpo de policial, e sincronizadores baseados em motores trifásicos, um para o movimento dos membros de um equipamento de aspecto humano, e outro no bojo deste equipamento e conectado a motores de passo, motores de passo que reproduzem a posição doencoder do policial acionador, e tal equipamento reproduz todos os movimentos de alguém que está longe. Já na década de 1950, manipuladores de material radioativo usavam esquema de dois motores trifásicos chamados de sincronizadores para que a manipulação fina destes materiais, fosse feita por alguém longe deles. E por incrível que pareça, é um método simples e barato. Um motor trifásico ficava nas luva ou no braço de quem manipulava outro na mão artificial ou braço robótico, e bastava a fiação para unir os motores. Os motores podiam até ter tamanhos diversos no mesmo par. Esta tecnologia na manipulação radioativa é a chamada master-slave manipulators technology, ou tecnologia de manipulador de mestre e escravo em Português. O truque é que motores trifásicos ligados adequadamente um com o outro, param na mesma posição angular. Ajustes de centro de gravidade e o equipamento que replica movimentos do policial não cai. Melhor que ficção científica de Robocop.

     Disse Einstein: “A imaginação é muito mais importante que o conhecimento, porque o conhecimento é limitado e a imaginação ilimitada”. Dizia um professor de introdução a engenharia da Politécnica da USP nos anos 70: “O primeiro passo para se resolver um problema é saber que ele existe”. Diz a carta aos Romanos no capítulo 12: “Não vos conformeis com este mundo”. Em Lucas 12:48 tem-se:”A quem muito foi dado, muito será cobrado”. Mas muita gente de poder de modo farisaico se omite da responsabilidade de pensar em como melhorar as coisas, tal e qual fazem as pessoas ligadas na segurança aeronáutica. Tem em mente que seu sistema é perfeito, quando não é, afinal diz a nossa fé que só Deus é perfeito. E venhamos e convenhamos, dar ao policial um Taser ou spray de pimenta para fazer o papel do cassetete de contenção sem uso de armas letais, é algo que não precisa muita imaginação. A responsabilidade de dar meios adequados ao trabalho do policial é do comando? Ou cada policial tem de ser precavido e comprar por conta própria seu equipamento não letal?

     Em Londres já se usa Tasers há décadas, teve o episódio do brasileiro morto no metrô com excesso de choques deste tipo de equipamento, por ter sido confundido com um terrorista. Mas por mais que não se queira reconhecer, o risco de morte de uma pessoa qualquer com uso de um equipamento assim é muito menor do que com uma arma de fogo, e o risco de um policial acuado sem nada a mais para se proteger que uma arma de fogo se sentir impelido a atirar sempre será alto. Errar é humano, e dizem que insistir no erro é burrice. A nível de pessoa isolada, humilde aprende com seus erros, o soberbo os ignora, acha-se acima dos outros e não se preocupa com as pessoas comuns. Uma instituição que não aprende com seus erros, tem que ser questionada, afinal conflitos internos fazem qualquer instituição ter mais dificuldade de ajustar seus rumos que uma pessoa isolada, e sem pressão externa, ela pouco se mexe em função destes conflitos.

     Temos muitos problemas em muitas instituições mundo afora. Regulação dos mercados, polícias, sistema político, e tudo o mais. Vale se ampliar a frase da série da Netflix sobre a Game Stop: “Mercados são conjuntos de pessoas,  como as pessoas não são perfeitas, mercados também não podem sê-lo” para “Qualquer instituição humana depende de um conjunto de pessoas,  como as pessoas não são perfeitas, nenhuma instituição não pode o ser”. Mas o fato de não se poder nunca chegar a perfeição não impede a ninguém de tentar melhorar as coisas. A grande pergunta é sempre se aqueles que estão em condição de mudar os rumos de modo a melhorar as coisas querem de fato o fazer? Um é acomodado, outro sem esperança, outro não liga para o problema, outro tem objetivos totalmente desconexos com a necessidade de melhoria.

     No tempo de Herodes, o povão nada sabia sobre o que rolava nos palácios. A segurança real era só para ele e seus amigos. Para o povão bastava na cabeça de Herodes penas pesadas e achar um bode expiatório. Bandido que não era bobo, passava a aprontar em outro canto e parecia que o coitado acusado injustamente era de fato culpado, afinal os crimes tinham sido reduzidos. Dois mil anos depois, será que esta ideia ainda persiste? Ou variações dele, onde se deturpa aquela estória de que: “a mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”, para “a mulher de César não precisa ser honesta, basta parecer honesta” quando o assunto é segurança? Segurança que é na maior parte dos crimes responsabilidade dos governadores dos estados. Que parece que não querem ingerência federal nos seus sistemas de segurança, e nem mesmo normas que os forcem a corrigir seus erros.

     Outra pergunta é porque gente que precisa de voto, não se preocupa com o bem estar da população que o elege. Em tese, ele vai perder votos com descontentamento desta população. Mas parece que tal e qual o sapo na panela que esquenta devagar, e achando que todo político é igual, a população não reage e cozinha no fogo brando, ficando cada dia em situação pior. Quem sabe soltando uma medida provisória que obrigue todo o policial a portar também armas não letais a partir de uma data futura razoável, não se faz as coisas melhorarem. As polícias militares do país tem cerca de 405 mil membros, equipar a todos com armas não letais, mesmo que sejam os cassetetes de novo, leva tempo. Com armas Taser e spray de pimenta, mais tempo ainda, mas se nada for feito, teremos muito mais casos assim país afora.

Luís Antônio Waack Bambace. Engenheiro Mecânico. PhD em Aerodinâmica Propulsão e Energia.

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