4 de junho de 2026

Por que sou otimista em relação à “catástrofe” iminente?

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Por Gustavo Gollo

Dois fatos avassaladores e interconectados devem revolucionar nosso mundo em menos de uma década. Uma grande ruína financeira levará o ocidente ao caos ocasionando uma mudança no poder mundial, fazendo a balança pender para o outro lado do mundo.

Há algo de catastrófico nessa previsão, uma vez que nosso mundo gira em torno de um motor financeiro. Uma consequência óbvia e imediata, será a desarticulação econômica mundial, ocasionando escassez, desemprego, fome e miséria por todo o mundo, especialmente em periferias frágeis como a nossa. O que pode haver de bom nisso, então?

Tenho certeza que o choque inicial será duro e cruel, em vários sentidos será a pior crise vivida pela humanidade. A esperança decorre da constatação da loucura em que temos vivido, talvez o choque seja o amargo e desesperado remédio para ela. Vejamos o diagnóstico.

Temos vivido pelo dinheiro. Para a quase totalidade das pessoas, já há décadas, tudo em suas vidas gira em função do dinheiro. Há certa coerência nisso, precisamos do dinheiro, na sociedade contemporânea, para a alimentação, vestimenta, moradia, para eventuais cuidados médicos e todas as demais necessidades básicas. Precisamos de dinheiro, além disso, para ir a shows, viajar nas férias, e muitas outras atividades que nos alegram. Em nossa sociedade, o dinheiro pode ser trocado, virtualmente, por qualquer coisa, sendo assim utilíssimo e extremamente desejável para nós, sendo justificado que empreendamos bastantes esforços para consegui-lo.

Para a maioria de nós, no entanto, o dinheiro acaba se tornando uma obsessão, deixando de ser um meio para a obtenção de uma vida melhor, para se tornar um fim em si mesmo. Quando conseguimos obter uma enorme quantidade de dinheiro, podemos deixar essa e outras preocupações de lado e nos direcionar para viver uma vida feliz, mas raramente o fazemos. Os que conseguem muito dinheiro acabam, provavelmente, possuídos por ele, tornando-se seus escravos, mais que seus donos. Quererão, então, mais e mais dinheiro, com ainda mais avidez, ainda que possuam muito mais do que conseguirão gastar por toda a sua vida. Não há limites para a ganância que, frequentemente, supera qualquer absurdo.

Ao conseguirmos certa quantia de dinheiro, vamos nos tornando maníacos. As pessoas pobres estão sempre lutando pelo pão de amanhã, e quando o conseguem, buscam melhorar um pouquinho aqui ou ali, ou retribuir a quem lhe ajudou quando o pão faltou. Se conseguem um pouco mais, fazem um pé-de-meia para uma necessidade eventual, como uma doença, ou tentam guardar algo para quando chegar a velhice. Os ricos, no entanto, compram. Compram, compram, compram, não precisam ter nenhuma necessidade disso, compram por mania. Alguns se orgulham de comprar mil sapatos tendo só dois pés, outros compram uma imensa variedade de coisas que nunca usarão, compram porque são maníacos, compram com voracidade, mas sem nenhuma razão.

Um louco que se comportasse assim, séculos atrás, chamaria atenção seria recriminado, mas tido como desvairado. Hoje isso deve estar perto da norma, acho que quase todos compram por comprar, desejando objetos sem nenhuma necessidade; a necessidade é meramente de comprar.

Essa loucura poderia consistir apenas em um procedimento caricato; tolo e fútil, mas apenas risível. Esse comportamento desvairado, no entanto, está destruindo nosso mundo. Todos os problemas ambientais e ecológicos decorrem da mania alucinada de gastar mais e mais.

E qual teria sido a causa original desse desvario? Estupidamente, o consumo desenfreado é alimentada pela ganância dos lucros. Querendo lucrar sempre mais e mais, sem limites, uns loucos incentivam outros ao consumismo desmedido. O lucro deve crescer indefinidamente, isso justificará qualquer coisa. O consumo voraz se exacerba a extremos impensáveis, atestados por uma quantidade de lixo estupefaciente. Nenhum limite. A montanha de lixo que geramos surpreenderia muitíssimo os que viviam 30 anos atrás, e que já produziam uma quantidade de lixo injustificável aos olhos dos que viveram 30 anos antes. Podemos imaginar a porcariada que ainda vem por aí.

Sabemos que estamos tornando nosso mundo inviável para nossa existência, uma das causas disso, o aumento do gás carbônico na atmosfera decorre do consumo de petróleo. Sabemos que a queima de combustíveis fósseis aumenta a concentração de gás carbônico na atmosfera. Sabemos que isso gera outras emissões que alimentam ainda mais o problema. Sabemos que a continuidade das emissões de gases inviabilizará, então, nossas condições de vida no planeta, temos dúvidas, apenas, se já passamos de um ponto sem volta.

Mas continuamos levando nossas vidinhas idiotas, comprando, comprando, futilmente, sem nenhuma justificativa.

Estamos insanos. Centramos nossas vidas em uma obsessão tresloucada. Mas, nos acostumamos com qualquer coisa, e tão absurdo disparate nos parece natural e quase justificável. Aliás, o absurdo governa quase tudo em nossas vidas, e só não o percebemos por nos basearmos sempre no costume, esse vilão modorrento e fétido que nos desatina com a cortina da normalidade.

Os mais pobres sabem que seu dia será dedicado à busca do pão de amanhã. Os que garantiram o pão de amanhã não conseguiram encontrar mais nenhum propósito para a vida, e entristecem. Sem mais nenhum propósito, compram, fazendo disso a meta de suas vidas. E assim, nosso consumo insano vai destruindo as condições de vida no planeta.

Não vejo nenhuma graça nisso.

A catástrofe financeira que nos abaterá nos acordará para tudo isso. A mudança no eixo do poder desvelará um novo mundo. Cairá o pano, e com ele as mentiras acumuladas durante séculos.

Os meios de comunicação, esses instrumentos do poder, têm inventado uma história e o conjunto de rebeldias aceitáveis. Temos que nos conformar aos padrões estabelecidos por eles, ou a algum dos padrões de rebeldia que também nos oferecem. Temos que acreditar nas histórias que contam, ou em alguma das alternativas também permitidas por eles. O poder não tem apenas uma face, conta muitas mentiras.

Todas elas se fragmentarão, como um espelho partido.

A revelação das inúmeras mentiras que têm norteado nossas vidas nos deixará perplexos e irados. Talvez nunca mais consigamos encontrar um rumo. Alguns conseguirão. Serão rumos definidos por si próprios, conscientemente, e não mais os caminhos fúteis impostos pelos poderosos; alguns desgarrarão do rebanho e não mais serão tangidos pelos meios de comunicação.

O consumo tresloucado perderá o sentido que nunca teve. O dinheiro, ou a forma que tenha seu sucedâneo, retomará sua condição de meio, e não fim. E todas as formas de dominação serão questionadas, revelando inúmeros arreios atrelados exclusivamente com a finalidade inútil de perpetuar a dominação.

Toda a cultura será revolvida, todas as verdades postas em questão, estaremos criando um mundo novo, novas metas, novos propósitos. Haverá fúria e sofrimento, mas também haverá esperança.

É em nome da esperança que me alegro ao antever a tormenta imensa que se aproxima.

E viva a revolução!

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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9 Comentários
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  1. Alexandre Weber - Santos -SP

    2 de agosto de 2015 3:52 pm

    O que é dinheiro em si mesmo

    Esta foi a primeira intervenção minha aqui no blog do Nassif há uns bons anos atrás. Eu tinha um blog aqui, que sumiu, onde várias postagens explicavam a origem do dinheiro, que está no Logos Babilônico do Heródoto.

    Este artigo foi escrito por alguém que olvida esta origem, dai sua total inutilidade para entender e explicar o fenômeno do dinheiro na sociedade humana civilizada.

    Otimismo ou pessimismo aqui não fazem sentido, a raça humana sobreviverá e com o progresso cibernético e nas matemáticas de forma muito melhor do que nos primórdios de nossa civilização, eu garanto.

      1. Alexandre Weber - Santos -SP

        3 de agosto de 2015 12:53 am

        Não é o meu blog, sumiu mesmo
        Re: O Tabu do dinheiro – O que é dinheiro em si mesmo.

        sex, 08/04/2011 – 22:56 — Alexandre Weber – Santos -SP

        Uma história sobre o dinheiro, sua origem e como para entendê-la se tem de abandonar idéias pré-concebidas e se submeter a uma zona de desconforto mental. Tirada do Logos Babilônico do Heródoto.

         

        Uma pequena história.

        Racionalista – Está bem, até aqui parece-me plausível. O que eu não percebo – e essa é uma questão a queria voltar agora – é qual a relação que a “mais velha profissão”, de que se falou há pouco, tem com este assunto, já que ela não visa a produção de descendência. Pelo contrário: a atividade das prostitutas não é de forma nenhuma produtiva e, contudo, o dinheiro chove-lhes no regaço, se é permitida a expressão imagética.

        Realista – Também a prostituição foi, e penso que ainda é, parte das relações sacrificiais, com base nas quais se assegura o processo reprodutivo da nossa civilização, por mais estranho que possa parecer. Se ela é hoje o reverso de uma vida matrimonial civilizada, esteve-lhe, contudo, ligada no passado, enquanto prostituição sagrada, constituindo de certa forma o pressuposto necessário de uma vida matrimonial produtiva. De fato, temos notícia de que em Babilônia a prostituição fazia parte de um ritual de iniciação, no qual jovens donzelas adiquiriam primeiro que tudo a capacidade de matrimônio, tornando-se assim potenciais mães produtivas. Sobre esse assunto escreve heródoto, no Logos babilônico das suas Histórias:

        Heródoto – “Mas o costume mais ignominioso dos babilônicos é o seguinte: toda a mulher nascida no país tem de se unir a um desconhecido pelo menos uma vez na vida. Muitas, porém, que não pretendem misturar-se com as outras mulheres, porque se ufanam da sua riqueza, viajam em carrros cobertos até ao santuário e aí esperam, com grande séquito de criadagem. A maioria, porém, age da seguinte forma : com uma coroa de cordões em volta da cabeça, senta-se nos terrenos sagrados de Afrodite. São muitas mulheres, e umas aproximam-se e outras afastam-se. Formando-se corredores retilíneos por entre as mulheres, que conduzem em todas as direções, sendo estes percorridos por estranhos que aí fazem a sua escolha. Depois de aí se sentar, uma mulher não pode regressar a sua casa antes de um dos forasteiros lher ter lançado dinheiro no regaçõ e se ter unido a ela fora da circunscrição do santuário. Quando lhe atira o dinheiro, ele só tem que dizer: ” Invoco a deusa Milita” Milita é o nome que os Assírios dão a Afrodite. O quantitativo em dinheiro pode ser tão alto ou tão baixo quanto ele quiser. De forma alguma ela o rejeitará, pois tal não lhe é permitido, porque este dinheiro é sagrado. Pelo contrário, ela seguirá o que primeiro lhe lançar o dinheiro e a nenhum rejeitará. Mas depois de se ter entregue , ela fica liberta da obrigação sagrada para com a deusa, voltando então para casa”.

        Racionalista – Sendo assim, este coito é sagrado pela divindade?

        Realista – Assim é, de fato. Faz parte de um ritual de iniciação amplamente difundido da Índia até à Europa. Como componente de um rito nupcial, ele significa a despedida de uma sexualidade livre, que afinal nunca existiu, e, simultaneamente, a submissão da sexualidade às leis ECONOMICAS.

         

    1. Flavio Martinho

      2 de agosto de 2015 5:15 pm

      É verdade. Alguem vai

      É verdade. Alguem vai sobrevivar. Por enquanto, a humanidade como um todo não desaparecerá. Isto o autor fala quando diz  que o eixo do mundo sairá do ocidente. Haverá sobrevivente mas mutio choro e ranger de dentes. Será depois dos anos 20.

    2. Alexandre Weber - Santos -SP

      3 de agosto de 2015 1:16 am

      Alguma coisa aconteceu, frete marítimo da Asia para Europa -23%

      Something Just Snapped: Container Freight Rates From Asia To Europe Crash 23% In One Week

      One of the few silver linings surrounding the hard-landing Chinese economy in recent weeks has been the surprising resilience and strength of the Baltic Dry Index: even as Chinese commodity demand has cratered in 2015, this “index” has more than doubled in the past few months from all time lows, and at last check was hovering just over 1,100.

       

      Many were wondering how it was possible that with accelerating deterioration across all Chinese asset classes, not to mention the bursting of various asset bubbles, could global shippers demand increasingly higher freight rates, an indication of either a tight transportation market or a jump in commodity demand, neither of which seemed credible.

      We may have the answer.

      It appears that the recent spike in shipping rates was analogous to the dead cat bounce in crude oil prices: a speculator-driven anticipation for a sustainable rebound that never took place. And now, just like with crude prices, it is all crashing down…. again.

      According to Reuters, shipping freight rates for transporting containers from ports in Asia to Northern Europe dropped 22.8 per cent to $400 per 20-foot container (TEU) in the week ended last Friday, data from the Shanghai Containerized Freight Index showed.

      Freight rates on the world’s busiest shipping route have tanked this year due to overcapacity in available vessels and sluggish demand for transported goods. Rates generally deemed profitable for shipping companies on the route are at about US$800-US$1,000 per TEU. In other words, at current prices shippers are losing half a dollar on every booked contractual dollar at current rates.

      According to Shanghai data, it was the third consecutive week of falling freight rates on the world’s busiest route. Container freight rates have so far increased in 5 weeks this year but fallen in 23 weeks.

      In the week to Friday, container freight rates fell 24 percent from Asia to ports in the Mediterranean, fell 4.4 per cent to ports on the US West Coast and were down 3.7 per cent to ports on the US East Coast.

        

      Maersk Line, the global market leader with more than 600 vessels and part of Danish oil and shipping group AP Moller-Maersk, was one of the few container shipping companies to make a profit last year. The company controls around one fifth of all transported containers from Asia to Europe.

      Should the dead cat bounce in shipping rates indeed be over, and if the accelerate slide continues at the current pace, not only will shippers mothball key transit lanes, but the biggest concern for global economy, the unprecedented slowdown in world trade volumes, which we flagged a week ago, will be not only confirmed but is likely to unleash yet another global recession.

      Unless, of course, central planners learn how to print trade and quite soon at that…

  2. Elba Haydée Fraga

    2 de agosto de 2015 4:48 pm

    por que sou otimista

    Agradeço seu artigo pois comparto a opinião que explana. Elba

     

  3. shgg

    2 de agosto de 2015 7:08 pm

    Gostei

    Sempre esperei que a solução para esse mundo maluco viria de uma “catástrofe”. Drástico, mas parece ser a única esperança.

  4. Pedro Rinck

    2 de agosto de 2015 8:19 pm

    Mudanças de paradigmas.

     

    É como o Nassif sempre fala: O novo está chegando, mas antes precisamos nos libertar do velho. Será uma mudança de paradigmas, o que não será fácil para a maioria.

  5. hORA A VERDADE

    3 de agosto de 2015 12:05 am

    [    Temos vivido pelo

    [    Temos vivido pelo dinheiro. Para a quase totalidade das pessoas, já há décadas, tudo em suas vidas gira em função do dinheiro.[    Falso. O mundo vive de dívida. No Brasil é uma festa: cada real de dívida de bancária vira R$ 10,00 ao mês e até antes, sendo que o governo além de  ser o comprador mais voraz de tais dívidas, nas outra pona  financia a preço banana para se pagar  essas dívidas estratrosféricas artifcialmente criada pelo banqueiros, os maiores assalntes de toda história da humanidade 

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