QAnon, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Programados pela ganância, os algoritmos não se importam com o mal que estão fazendo à sociedade. Os interesses dela não podem ser e não são computados.

QAnon

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Um programa da DW finalmente rompeu o silêncio da grande mídia sobre uma ameaça crescente que nasceu nos EUA se espalhou pela Europa e chegou ao Brasil: o QAnon.
Enquanto assistia o debate lembrei da cena final de um filme antigo.

Uma grande civilização não é conquistada antes de ser destruída por dentro.

Confesso que estou adorando ver o QAnon destruir os EUA por dentro. Suponho que esse processo de destruição ficará mais rapido quando o movimento conseguir se infiltrar no US Army, US Navy e US Air Force.

O mais fantástico é o papel que os algoritmos desempenham nessa história. Os donos do QAnon lucram espalhando desinformação, mas os donos das empresas de Big Data também auferem lucros com isso.

Programados pela ganância, os algoritmos não se importam com o mal que estão fazendo à sociedade. Os interesses dela não podem ser e não são computados. O mesmo não pode ser dito dos interesses daqueles que embolsam milhões de dólares todos os dias em razão da atividade frenética dos algoritmos.
A abundancia da prata de Potosí enriqueceu muito Império da Espanha nos séculos XVI e XVII. Resultado: os espanhóis se tornaram preguiçosos, arrogantes, vagabundos e arruaceiros acelerando o colapso de seu país.

Os EUA parecem estar condenados a ter um destino sombrio semelhante. O lucro fácil obtido com algoritmos pode ser considerado a prata de Potosí dos norte-americanos.

Uma coisa ficou evidente no programa da DW. A tentativa de invasão do Parlamento alemão por ativistas do QAnon provocou o início da reação política ao movimento naquele país. É provável que a Alemanha passe a monitorar o QAnon com mais atenção. A repressão aos ativistas violentos e o combate à desinformação serão intensificados na Alemanha.

No Brasil o QAnon parece estar intimamente ligado à família Bolsonaro. Felizmente para nós, através do Inquérito das Fake News o STF já começou a desmantelar o “gabinete do ódio” e a minar o esquema financeiro criado para obter lucro mediante a distribuição de desinformação e o incentivo à radicalização política.

Nos EUA, apesar da prisão de Steve Bannon por causa de corrupção, o QAnon não está sendo reprimido pelas autoridades. Muito pelo contrário, o movimento tem sido elogiado por Donald Trump.

De maneira geral podemos dizer que o Estado norte-americano não foi criado e dimensionado para reprimir a obtenção de lucro, algo que naquele país equivale à busca da felicidade e/ou à salvação religiosa. Além disso, as empresas de Big Data destinam uma parte dos lucros que obtém com o QAnon para os dois grandes partidos políticos.

Esse círculo fechado de interesses mesquinhos reforçados pela ideologia dominante amplificará o efeito devastador desse movimento nos EUA? A conferir.

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