Sobre a ordem neoliberal, sua realidade e sua agressão à Venezuela, por Franklin Frederick

A Atlas Network, o Atlantic Council e o Departamento de Estado dos EUA não estão de brincadeira no seu envolvimento com o Brasil e Bolsonaro é o Governo DELES

Sobre a ordem neoliberal, sua realidade e sua agressão à Venezuela

por Franklin Frederick

Desde a eleição de Hugo Chávez como Presidente em 1999, a Venezuela tem estado sob ataque constante da ordem neoliberal internacional com sede nos EUA. Até agora, à exceção de uma invasão militar, todos os meios possíveis foram utilizados para derrubar Chávez e agora seu sucessor Maduro: tentativas fracassadas de golpe de estado como em 2002 contra Chávez e as mais recentes contra Maduro; guerra econômica e midiática; sabotagens de toda ordem, desestabilização da moeda; bloqueio e sanções econômicas.

Um relatório recentemente publicado pelos respeitados economistas Jeffrey Sachs, diretor do «Center for Development» da Universidade de Columbia, consultor especial do Secretário Geral das Nações Unidas, Antonio Gutierres; e por Mark Weisbrot, co-diretor do «Center for Economic and Policy Research» (CEPR) com o título de «Sanções Econômicas como Punição Coletiva: o caso da Venezuela», estima em 40.000 o número de mortes até agora causados na Venezuela pelas sanções econômicas impostas pelos EUA e seus aliados. Weisbrot e Sachs consideram que estas sanções correspondem à definição de punição coletiva de uma população civil tal como descrita pelas convenções internacionais de Genebra e de Haia, as quais foram assinadas pelos próprios Estados Unidos. Portanto, estas sanções são ilegais não só do ponto de visto do direito internacional mas também do ponto de visto do direito norte-americano. Os autores afirmam que é criminoso tomar como refém a população de um país como fazem atualmente os EUA e seus aliados. A grande imprensa mundial, subserviente ao império, como seria de se esperar, quase não mencionou este relatório e suas conclusões, continuando a culpar o governo do «ditador» Nicolás Maduro pela situação econômica na Venezuela. A alternativa defendida pelo império para a Venezuela é, claro, o modelo neoliberal já imposto à maioria dos países latino-americanos. As promessas de desenvolvimento econômico e social do neoliberalismo diferem muito, contudo, da sua realidade, como podemos constatar através de uma breve descrição das realizações dos governos neoliberais de Ivan Duque na Colômbia, Mauricio Macri na Argentina e Jair Bolsonaro no Brasil, os principais aliados na América Latina dos EUA em sua agressão à Venezuela.

A Colômbia, para o império o modelo preferido a ser seguido pelos demais países latino-americanos, é hoje o país mais perigoso do mundo para sindicalistas, defensores de direitos humanos e movimentos sociais em geral. De acordo com o Centro Nacional da Memória Histórica, os grupos paramilitares colombianos ligados à oligarquia a aos interesses das grandes empresas transnacionais foram responsáveis por 94.754 mortes nos últimos 50 anos na Colômbia. O jornalista político W.T. Whitney num artigo publicado em COUNTERPUNCH, assim descreveu a situação na Colômbia:

«Um relatório sobre ataques paramilitares em 2003 concluiu que estes foram responsáveis pelo assassinato de 120 camponeses nos últimos 4 anos. (…) Entre janeiro de 2016 e março de 2019, 498 pessoas foram mortas, incluindo 113 líderes comunitários, 18 lideranças de movimentos políticos, 9 líderes de trabalhadores, 7 defensores ambientais, 6 sem terra, 5 defensores de direitos humanos, 31 lideranças indígenas, 28 lideranças camponesas e 24 lideranças afro-colombianas.(…) Durante os últimos 10 anos, 5000 crianças da etnia Wayúu morreram de fome no estado de La Guajira onde 58% das pessoas são pobres e 25% consideradas em situação de extrema pobreza. A proporção de pobres vivendo em Buenaventura, na costa do pacífico, é de 80%; 41% destes vivendo em extrema pobreza; 71% tem acesso limitado à água; 40% vivem sem saneamento básico e 65 % são desempregados. Metade dos colombianos vivem com menos de 6 dólares por dia; 4% com menos de 2 dólares por dia.»

Este é apenas um pequeno retrato da realidade do neoliberalismo na Colômbia. Mas de acordo com o mesmo autor, o povo colombiano tem resistido:

« No início de março (2019) povos indígenas da região sudoeste da Colômbia convocaram uma Minga – palavra quechua que significa um esforço coletivo pelo bem comum. Mais de 15.000 pessoas se reuniram em Cauca e bloquearam a auto estarada Pan-Americana entre Popayan e Cali por 25 dias. Em abril o Presidente Ivan Duque recusou um encontro com os indígenas. A polícia e o exército foram acionados e houve mortos e feridos. (…) A Greve Cívica Nacional de 25 de abril reuniu ativistas de várias organizações incluindo a Minga (…) Houve protestos contra os assassinatos, contra os ataques aos sindicatos, aos direitos rurais e à educação pública(…)» E sobretudo, houve protestos contra o uso do  território colombiano para ataques políticos e militares à Venezuela. É uma ironia que um dos principais obstáculos à participação das forças armadas da Colômbia numa eventual intervenção militar conduzida pelos EUA na Venezuela seja a necessidade cada vez maior do atual governo da Colômbia de utilizar suas tropas para defender-se de sua própria população!

Já na Argentina o  Presidente Mauricio Macri e seu partido foram praticamente uma criação da influente Atlas Network, uma das principais instituições internacionais  para a difusão do pensamento neoliberal, como escrevi em outro artigo. 

O fato é que a Argentina de Macri já é hoje bem mais pobre do que a Argentina de sua antecessora  Cristina Kirchner. Em apenas 3 anos de governo o Presidente Macri conseguiu aumentar a dívida externa da Argentina em 320 bilhões de dólares e a inflação prevista para este ano chega aos 54,7%. Os aumentos nas tarifas tem sido constantes e abusivos. De acordo com José Rigane do Sindicato Central Autónomo da Argentina (CTA-Autónoma), de janeiro de 2016 até agora, o custo da eletricidade aumentou mais de 3600%, o gás mais de 2400%, a água 1118% e os transportes 500%. Há mais de 3 milhões de novos pobres na Argentina e 1 milhão a mais de sem teto. Por todas estas realizações, o Presidente Macri foi homenageado com o “Global Citizen Award” de 2018 pelo Atlantic Council, outra influente instituição comprometida com a defesa e a imposição da ordem neoliberal como descrevi no artigo citado acima. A ironia neste caso é que o risco-país da Argentina – como é chamado o ágio que os investidores cobram para emprestar dinheiro – superou os mil pontos, ficando atrás, na região, apenas da… Venezuela!

Ou seja, enquanto a Venezuela enfrenta uma verdadeira guerra econômica apoiada por virtualmente toda a comunidade financeira internacional, a Argentina, com o apoio explícito desta mesma comunidade, consegue o feito de ter o seu risco-país classificado como o segundo pior da região! É um verdadeiro prodígio! Enquanto a economia agoniza e o sofrimento dos mais pobres aumenta, grande parte das riquezas pública da Argentina já foi privatizada, como manda a ordem neoliberal. Como na Colômbia, o empobrecimento da Argentina é um resultado da transferência das riquezas argentinas para o capital privado internacional – o que sempre foi um dos objetivos da ordem neoliberal.

Mas também como na Colômbia, cresce na Argentina a mobilização popular contra a política neoliberal do Governo Macri. No dia 30 de abril passado aconteceu última greve geral organizada por mais de 30 setores diferentes. Em Buenos Aires 200 mil pessoas foram às ruas. A jornalista Tanya Wadhwa assim escreveu para o People’s Dispatch  sobre esta greve:

“Em seguida à massiva mobilização muitas pessoas continuaram seu dia de luta e marcharam para a Embaixada da Venezuela que membros da oposição de direita venezuelana tentavam ocupar, seguindo a frustrada tentativa de golpe de Juan Guaidó. Ativistas de organizações argentinas se colocaram dentro e fora da Embaixada protegendo-a dos ataques. A polícia – que durante todo o dia esteve presente no local protegendo o grupo de opositores que tentava ocupar a Embaixada pela força – começou a reprimir os ativistas e a atacá-los com gás lacrimogêneo e pancadas. Muitos foram feridos e 4 foram presos (…) “

Como na Colômbia, o povo argentino se solidariza e defende a Venezuela e o seu governo e sabem muito bem por quê! As manifestações contra os governos neoliberais de Ivan Duque e Mauricio Macri não foram manipuladas a partir dos EUA e de uma imprensa internacional subserviente ao império, mas sim organizadas pelas instituições e movimentos sociais locais expressando a indignação da população com os seus governos. No caso da Venezuela, um ridículo “auto-proclamado” presidente procura em vão “mobilizar” a população local contra o Presidente eleito  Maduro e qualquer meia-dúzia de opositores é saudada pela grande imprensa como uma “vitória do povo” e “prova” da ineficiência do governo. Mas as mobilizações reais do povo contra os seus governos estão acontecendo nos grandes símbolos das conquistas neoliberais, Colômbia e Argentina, não na Venezuela. Sobre algumas das realizações da Venezuela a favor de sua população, sobretudo os menos favorecidos, é muito revelador o que a própria CIA tem a dizer em seu site.

O investimento social da Venezuela durante a administração CHÁVEZ reduziu a pobreza de aproximadamente 50% em 1999 para cerca de 27% em 2011; aumentou a frequência escolar e diminuiu sensivelmente a mortalidade infantil; melhorou o acesso à água potável e ao saneamento através de investimento social. As “missões” dedicadas à educação, nutrição, saúde e saneamento foram financiadas com os lucros do petróleo. Entretanto, a manutenção destes programas permanece questionável já que eles dependem da prosperidade da indústria petroleira da Venezuela. Os gastos com educação e saúde podem aumentar o crescimento econômico a longo prazo e reduzir a desigualdade (…)”

As sanções e as agressões contra a Venezuela por parte dos governos neoliberais subservientes ao império vieram justamente para combater e se possível destruir o desenvolvimento da Venezuela e o sucesso de seus programa sociais descritos pela CIA. Pois o neoliberalismo é sobretudo uma guerra aberta CONTRA o desenvolvimento, seu pressuposto básico sendo o de que as riquezas públicas – o bem comum – devem ser colocadas à serviço do desfrute privado e não do desenvolvimento social. A grande ameaça representada pela Venezuela é a de ser um “mal exemplo”: imaginem se  outros países começarem a utilizar suas riquezas para o seu próprio desenvolvimento e não para a ganância do capital internacional ou para locupletar algumas poucas empresas transnacionais?

Seguindo a narrativa “fake” da imprensa neoliberal, tornou-se comum dizer, pejorativamente, que nenhum país quer transformar-se numa “Venezuela”. Faz muito mais sentido porém afirmar que os venezuelanos não querem que o seu país se transforme numa Argentina, numa Colômbia ou num … Brasil.

Na ordem neoliberal imposta pelo império, o Brasil do Governo Bolsonaro é um caso único e exemplar.  Em nenhum outro país da América Latina o neoliberalismo se apresenta com tal pureza e é portanto no Brasil que podemos com mais clareza discernir os reais propósitos e objetivos da ordem neoliberal, bem como suas estratégias de dominação.

A ascensão do Bolsonarismo começa com a preparação para o golpe contra a Presidente Dilma Rousseff onde a Atlas Network e suas instituições afiliadas no Brasil tiveram um importante papel. Segundo um estudo realizado por Aram Aharonian e Álvaro Verzi Rangel, co-diretores do  Observatory in Communication and Democracy (OCD) e do Latin-American Centre of Strategic Analysis (CLAE), são estas as principais instituições ligadas à Atlas Network no Brasil:

– Movimento Brasil Livre (MBL)

– Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP) no Rio de Janeiro. No conselho editorial desta instituição encontra-se Yves Gandra Martins que teve um papel importante tanto no desenvolvimento dos argumentos para o impeachment da Presidente Dilma Rouseff quanto  para a defesa do impeachment de Michel Temer.

-O Instituto Millennium, localizado no  Rio de Janeiro, que participou ativamente na promoção das passeatas contra a Presidente Dilma Rousseff.

– O Instituto Liberal, também localizado no Rio de Janeiro.

Além do apoio às manifestações contra a Presidente Dilma e contra a “corrupção” do PT, estas instituições ajudaram a divulgar e legitimar o pensamento da direita, como o estado mínimo e as “virtudes” do setor privado, tendo ampla penetração na imprensa e nas universidades. Estas instituições também apoiaram  a Operação Lava Jato que foi igualmente fundamental tanto para o golpe contra a Presidente Dilma quanto para a ascensão do Bolsonarismo. As ligações desta operação com o Departamento de Estado dos EUA e com o Atlantic Council são conhecidas. A Lava Jato culminou com a prisão do Ex-Presidente Lula para inviabilizar a sua candidatura à presidência da República. Toda esta articulação tem um objetivo valioso: o acesso, via privatizações, aos recursos naturais do Brasil e às suas riquezas públicas. A principal tarefa do Governo Bolsonaro é de realizar este projeto neoliberal que, na prática, transformará o Brasil numa neocolonia do capital financeiro internacional. É um erro ver Bolsonaro e o seu governo como tendo alguma remota ligação com o desenvolvimento do país ou com um projeto de nação. Bolsonaro não é um Presidente, é um administrador colonial e o seu governo representa com muita clareza este fato. Por isso vivemos no Brasil uma distopia completa, o neoliberalismo em estado puro, sem máscaras.Temos no Governo um Ministro das Relações Exteriores preocupadíssimo em dar todos os sinais possíveis de submissão ao Governo Trump, a quem já chamou de “salvador do ocidente”, em detrimento até mesmo das relações comerciais do Brasil com outros países. Temos um Ministro da Educação cuja tarefa principal é acabar com a qualidade do ensino e sobretudo com a Universidade Pública. Temos uma Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que, em pleno século XXI, pretende repatriarcalizar o país e acabar com todos os direitos conquistados pelas mulheres, pelos homossexuais e com todos os avanço da sociedade civil dos últimos 150 anos, pelo menos. Já o Ministro do Meio-Ambiente está empenhado em eliminar toda e qualquer barreira à exploração e à destruição da natureza pelo capital.E por fim temos um Ministro da Fazenda que quer privatizar absolutamente TUDO, para alegria do capital  internacional. Este conjunto não é resultado de “más escolhas” ou falta de articulação do atual Governo. Os ministros escolhidos e as decisões tomadas até agora pelo Governo Bolsonaro visam reforçar o caráter neocolonial do Brasil que é o objetivo central da ordem neoliberal. Que depois de pouco menos de 5 meses de governo o Brasil de hoje se encontre num verdadeiro caos e já esteja mais pobre do que na época da Presidente Dilma não é um problema, é uma evidência de que este governo, do ponto de vista do capital internacional e da ordem neoliberal, esta dando certo, como deixam claro os elogios e o apoio de Steve Bannon e de Trump ao Bolsonaro e aos seus filhos. Quando alguém como Bannon manifesta publicamente seu apoio ao Governo Bolsonaro podemos ter certeza de que há implicações sérias neste tipo de “apoio”. Creio ser razoável supor, por exemplo, que assim como a própria Presidente Dilma foi espionada pelas agências de informação dos EUA – o que gerou um escândalo e um pedido de desculpas de Barack Obama quando esta fato se tornou público – que muitos outros políticos, líderes empresariais, altas patentes da hierarquia militar, lideranças importantes das igrejas evangélicas, parlamentares, etc. TODOS tenham sido alvos de espionagem pelos EUA. E estas informações, se pertinentes, sempre podem ser usadas no futuro para chantagear ou impedir movimentos que, principalmente vindo da direita, procurem derrubar o Governo Bolsonaro. A Atlas Network, o Atlantic Council e o Departamento de Estado dos EUA não estão de brincadeira no seu envolvimento com o Brasil e Bolsonaro é o Governo DELES, ideal para os seus objetivos. Para a resistência resta seguir o caminho das ruas e da mobilização popular contra tudo que este governo representa. E provar que apesar de tudo o povo deste país ainda é mais forte do que os interesses que o oprimem. E assim como os colombianos e os argentinos, solidarizar-se com a luta da Venezuela e com o sonho de Simon Bolívar de uma América Latina livre, unida e soberana.

Franklin Frederick

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2 comentários

  1. legal este artigo denunciando esse esquema
    gringo de compra de apoio interno para o golpe
    contra os governos progresistas.
    deve funcionar assim: os comprados internamente compram
    outros caras daqui pra engrossar as fileiras desses
    institutos tipo milenium etc e tal ou para entrarem
    nos facebuques para emplacarem materias de interesses desses organismos internacionais….
    pois é difícil entender como um cara que era progressista antes passa a ter um discurso completamente oposto…
    isso só pode ser por dinheiro, talvez para sobreviver inclusive ao desemprego na área do jornalismo…..

  2. O NAZISMO GUERREAVA NA EUROPA E ÁFRICA, ESCRAVIZANDO E ELIMINANDO JUDEUS E DESTRUINDO A RÚSSIA no caminho para Moscou. Aí chegou ao seu próprio Inferno em Stalingrado, e à sua própria destruição e da Alemanha. Em 1942 na 5ª edição de “Psicologia do Inconsciente”, Jung, na Suíça neutra, reeditava a melhor descrição em palavras magistrais, APLICÁVEIS HOJE 77 ANOS DEPOIS, AO BRASIL, AMÉRICA E MUNDO:

    “…O HOMEM CIVILIZADO AINDA É UM BÁRBARO…UM AÇOITE DE FERRO ESTÁ À ESPERA, caso ainda se tenha a veleidade de responsabilizar o vizinho pelos seus próprios defeitos. A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. …Em tempo algum meditar sobre si mesmo foi uma necessidade tão imperiosa…como nesta catastrófica época contemporânea.”

    “ …Muitos ainda procuram fora de si mesmos, UNS ACREDITAM NA ILUSÃO DA VITÓRIA E DO PODER,,,O autoconhecimento…a volta do ser humano às suas origens, AO SEU PRÓPRIO SER E À VERDADE INDIVIDUAL E SOCIAL, EIS O COMEÇO DA CURA DA CEGUEIRA QUE DOMINA O MUNDO DE HOJE.”
    —–
    Em junho de 1942, um dos médicos de Hitler apresentou a Jung na vizinha e neutra Suíça, que “um núcleo de oficiais alemães de alta patente estava preocupadíssimo com o COMPORTAMENTO CADA VEZ MAIS IMPREVISÍVEL DE HITLER, SOBRETUDO POR QUE ELE COMEÇARA A BEBER MUITO”. [A citação e as que seguem, são do livro “Jung, uma Biografia”, de Deirdre Bair, volume 2, páginas 164 e seguintes].

    Queriam que Hitler fosse discretamente observado e avaliado, de preferência por um psicanalista de um país neutro. COM O RELATÓRIO, “ESPERAVAM CONVENCER OUTROS FUNCIONÁRIOS E MILITARES AINDA HESITANTES, A JUNTAREM-SE A ELES NA DEPOSIÇÃO DE HITLER e para por fim a uma guerra que sabiam estar perdendo”, depois de Stalingrado. Jung recusou “citando não só as dificuldades em viajar atravessando fronteiras fechadas, mas também a saúde enfraquecida pelas privações da guerra. As desculpas foram aceitas e ele nunca mais teve notícias de ninguém tão próximo a Hitler.”

    “Wilhelm Bitter, um psiquiatra alemão… tornou-se membro dessa conspiração”…e solicitou a participação de Jung, A PEDIDO DO GENERAL WALTER SCHELLENBERG, O NÚMERO UM DO SERVIÇO DE INTELIGÊNCIA. “Logo depois da derrota de Stalingrado, Schellenberg confessou que achava o Nazismo ‘inteiramente errado’”. Bitter disse “que só uma rendição incondicional imediata poderia salvar a Alemanha de uma futura ocupação Russa”.

    “QUANDO JUNG SE RECUSOU A DIAGNOSTICAR HITLER, O GENERAL PEDIU A DE CRINIS QUE O FIZESSE, ESPERANDO QUE ELE DESCOBRISSE A CONDIÇÃO DE INSTABILIDADE MENTAL DO DITADOR… uma vez que os patriotas alemães achariam mais fácil DEMOVER UM LÍDER DOENTE do que apoiar um golpe traiçoeiro”… “O objetivo era persuadir os conspiradores em potencial de que Hitler estava se tornando tão incapaz que ERA DEVER DELES contradizer suas ordens. Com ou sem seu consentimento esperavam chegar a um armistício… Schellenberg e os demais conspiradores achavam que o plano tinha boa chance… seria atraente para os ingleses.” Bitter foi escolhido para entrar em contato com Jung. Mas o plano se dissipou em agosto e os conspiradores tiveram que abandonar o projeto. Bitter se exilou na Suíça. Por esse malogro a guerra prosseguiu com seus horrores cada vez maiores, e em 20 de julho de 1944 o vice-almirante Canaris e seu grupo conseguiram explodir uma bomba para matar Hitler em reunião de alto comando, infelizmente apenas ferindo-o.

    Os horrores do Inferno aumentaram, havendo até o impensável, o “unthinkable”, “a Abominação da Desolação”, os Estados Unidos inauguraram (mau augúrio) a Era da Guerra Atômica explodindo duas bombas atômicas no Japão. Visando uma tentativa de hegemonia do Império Americano, mas conseguindo apenas a bipolarização do poder mundial com a Rússia. Depois vieram corridas armamentistas, imperialismo neocolonial americano sobre o Oriente Médio e outros. Após o fim da União Soviética, o parcial hegemonismo imperial do “Exceptionalistan”, com a fantástica doutrina do Excepcionalismo Americano, que é endossada por muitos pelo mundo afora. Finalmente, todos os desastres que ainda sofremos no mundo em consequência até hoje, mesmo passados 73 anos. E agora, com a volta da pressão Imperial Americana sobre a América do Sul, como estratégia geopolítica à progressiva decadência e problematização do poder do Império no Oriente Médio, de forma a continuar dominando importantes fontes de petróleo
    —–
    HÁ MENOS DE DOIS ANOS ATRÁS SE CRIOU NO OCIDENTE UM SEGUNDO PRECEDENTE: Em 2017 nos Estados Unidos, UM GRUPO DE PSIQUIATRAS ELABOROU UMA SÉRIE DE ENSAIOS ANALISANDO A SAÚDE MENTAL DE TRUMP, editados no livro “O PERIGOSO CASO DE DONALD TRUMP”, pela professora de psiquiatria da Universidade de Yale, DRA. BRADY LEE. (Artigo de 05/01/2018 “Congressistas consultam psiquiatra sobre saúde mental de Trump”, em Mundo G1).

    57 DEPUTADOS (30% DO TOTAL), a maioria Democratas, e um senador Republicano, após alguns dizerem que estavam PREOCUPADOS COM O RISCO QUE REPRESENTAVA O PRESIDENTE PARA O PAÍS E PARA O MUNDO, COM SUA INSTABILIDADE MENTAL, redigiram um projeto de lei para uma comissão parlamentar especial sobre a “incapacidade presidencial” para determinar se “O PRESIDENTE ESTAVA PSICOLOGICAMENTE OU FISICAMENTE CAPACITADO PARA CUMPRIR SUAS FUNÇÕES”, INCLUSIVE COM O POTENCIAL DE DECLARAR GUERRA E COMANDAR AS FORÇAS ARMADAS AMERICANAS.

    Na Constituição Americana, além da possibilidade do impeachment do presidente, há a 25ª emenda que PERMITE AO VICE-PRESIDENTE COM A METADE DO GABINETE DECLARAR QUE O PRESIDENTE “É INCAPAZ DE EXERCER O PODER E CUMPRIR COM OS DEVERES DO CARGO, No caso de o presidente contestar a decisão baseada na 25ª emenda, o Congresso pode confirma-la por ao menos dois terços dos votos”.

    Em uma reportagem, disse o psicólogo John Gartner, professor da John Hopkins, “…Trump não tem apenas um, mas três transtornos mentais descritos no DSM – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria”. Ele conclamou outros especialistas de saúde mental em 2017 a pedir o afastamento do Presidente. “… A combinação de transtornos torna a sua personalidade mais sombria.“ Gartner disse que a postura antiética é a dos profissionais que estão calados. “Trump é um perigo iminente para qualquer um no planeta… Minha obrigação de avisar sobre o risco sobrepõe…”.

    Em um seu artigo, o psiquiatra Spitznas, em junho de 2017, falou de Trump como tendo uma paranoia delirante e transtorno de personalidade antissocial (ASPD) (sociopata), com impulsividade, megalomania, mitomania, irritabilidade e agressividade, falta de remorso, tudo segundo o “padrão ouro“ americano que é o DSM – 5. Pessoas assim “exibem cronicamente seus comportamentos negativos, e seus sintomas PREJUDICAM SIGNIFICATIVAMENTE SUA CAPACIDADE DE FUNCIONAR… Não se pode confiar em um indivíduo paranoide que não consegue discernir perigos reais daqueles que apenas imaginam. UM SOCIOPATA, POR DEFINIÇÃO SEMPRE ATUA EM SEU PRÓPRIO INTERESSE, ARRISCANDO A SEGURANÇA E O BEM ESTAR DE TODOS…”

    “Essa exposição de Trump eleva meu grau de certeza… o diagnóstico… não exige alto grau de sofisticação para ser feito… Um indivíduo imparcial que seja Bacharel em Ciências ou em Psicologia poderia chegar às mesmas conclusões que eu…”.

    “Mas tempos desesperados exigem medidas desesperadas [denúncias]…aderi ao movimento Dever de Advertência…”

    Em outra reportagem, a Dra. Brady Lee lembra que “… muitos dos sintomas apresentados por Trump são muito comuns… MAS É INCOMUM ENCONTRAR UMA PESSOA COM SINAIS DE PERIGO NA PRESIDÊNCIA.”.

    No Brasil de hoje enfrentamos caso mais grave.

    Entretanto Trump demonstrou esperteza, oferecendo-se para fazer um teste cognitivo Montreal, o MOCA, sendo aprovado nesse ligeiro teste de 10 minutos, o que desarmou o movimento da sociedade e dos deputados. Mas o neuropsicólogo David Morales afirma que esse método é pouco adequado… ”CHAMA A ATENÇÃO QUE TENHA SIDO UTILIZADO ESSE TESTE, PORQUE É COMO VOCÊ FOSSE AO MÉDICO E TIRASSEM A PRESSÃO SANGUÍNEA. É uma coisa muito elementar e simples”.

    No Brasil os militares há muitos anos atrás liberaram o DRAGÃO. Nos nossos dias o apoiaram pensando controlá-lo e aproveitá-lo para seu próprio poder. Agora, NA CASA DO SEM JEITO, ESTÃO VENDO SEM NADA FAZER, o resultado fugir a qualquer controle. DOENÇA requer medidas de emergência, face à possível INTROMISSÃO EM DESASTROSA GUERRA, QUE DE QUALQUER FORMA DEIXARÁ SEQUELAS DE ÓDIOS CÁ NO SUL POR MAIS DE 50 ANOS PELO MENOS. Os Estados Unidos podem se dar a isso, como com os Árabes, em que ódios já perduram por 70 anos, como reconheceu Bush, com alto grau de ingenuidade e desfaçatez. Quem será JORGE agora? Quem representará JORGE depois, nos próximos e difíceis anos? Alertem-se os militares que a CIA e a NSA podem assassinar como já fizeram várias vezes antes, altos comandantes.
    —–
    De acordo com a Enciclopédia Wikipaedia, verbete em inglês traduzido livremente, O TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOTÍPICO é caracterizado por severa ansiedade social, DESORDEM DO PENSAMENTO, IDEIAS PARANOIDES, NÃO ENTENDIMENTO CORRETO DA REALIDADE, PSICOSES PASSAGEIRAS E FREQUENTES CRENÇAS NÃO CONVENCIONAIS. Pessoas assim sofrem de extremo desconforto em manter relações próximas com outras, principalmente porque elas pensam que seus parceiros guardam pensamentos negativos em relação a elas, e assim elas evitam formar relações próximas. Maneirismos peculiares na fala e estranhos modos de vestir são também sintomas dessa desordem mental. Podem reagir estranhamente em conversas, não responder ou falar para si próprias. Frequentemente interpretam situações como sendo estranhas ou tendo significado incomum para elas; crenças supersticiosas e paranormais são comuns. Tais pessoas frequentemente procuram atenção médica para ansiedade ou depressão ao invés de para suas desordens de personalidade.

    O TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOTÍPICA OCORRE EM APROXIMADAMENTE 3% DA POPULAÇÃO E É MAIS COMUM EM HOMENS (4,7% DOS HOMENS E 3,7% DAS MULHERES NOS EUA). É classificada como Transtorno de personalidade do Cluster A (ou Grupo A) (transtornos estranhos ou excêntricos). É amplamente entendida com sendo do “ESPECTRO DA ESQUIZOFRENIA”. É caracterizada por uma comum DEGRADAÇÃO DA ATENÇÃO EM GRAUS VARIADOS. Ocorre concomitantemente com maiores transtornos depressivos, distimia (permanente humor depressivo) e FOBIA SOCIAL e pode ocorrer com transtorno obsessivo compulsivo, APRESENTANDO POUCAS CHANCES DE CURA. Mais frequentemente ocorrentes com o transtorno esquizotípico são os transtornos esquizoide, paranoide, evitante e border line. ALGUNS DESENVOLVEM ESQUIZOFRENIA, mas muitos não o fazem. DÉFICITS DE COGNIÇÃO SÃO SIMILARES AOS DE ESQUIZOFRENIA, MAS QUANTITATIVAMENTE MAIS SUAVES, mas um estudo de 2004 não apoia integralmente o modelo de que o transtorno esquizotípico seja simplesmente uma forma aliviada de esquizofrenia.

    NO CASO DE USO DE METANFETAMINAS PESSOAS COM O TRANSTORNO TÊM GRANDE RISCO DE DESENVOLVER PSICOSE PERMANENTE.

    A American Psychiatric Association, Associação Psiquiátrica Americana, descreve em sua caracterização DSM-5, que a Desordem de Personalidade Esquizotípica é definida como um “pervasivo” (penetrante, dominante) padrão de déficits social e interpessoal marcado por agudo desconforto com, e reduzida capacidade para, relacionamentos próximos, bem como por DISTORÇÕES E EXCENTRICIDADES DO COMPORTAMENTO COGNITIVO E PERCEPTUAL, INICIANDO NA PRIMEIRA FASE DA IDADE ADULTA e presente em uma variedade de contextos.

    Pelo menos CINCO SINTOMAS DEVEM ESTAR PRESENTES ENTRE OS SEGUINTES: (a) Ideias de referencia (delírios interpretativos de coincidências ou fatos corriqueiros); (b) Crenças estranhas ou pensamento mágico; (c) Experiências perceptuais anormais; (d) Modo de pensar e de falar estranhos; (e) Paranoia; (f) Afetos inapropriados ou constritos; (g) Comportamento ou aparência estranhos; (h) Falta de amigos próximos; (i) Excessiva ansiedade social que não diminui e resiste, de paranoia mais do que de julgamentos negativos sobre si próprio.

    Já a Organização mundial da Saúde World Health Organization, através da classificação ICD -10, que usa o termo “Desordem Esquizotípica”, classifica-a como DESORDEM CLÍNICA ASSOCIADA COM A ESQUIZOFRENIA, mais do que uma desordem de personalidade como no DSM-5. Define o ICD-10: Uma desordem caracterizada por comportamento excêntrico e anomalias do pensamento e do sentimento (afeto) QUE PARECEM COM AQUELAS VISTAS NA ESQUIZOFRENIA, embora não tenham ocorrido anomalias esquizofrênicas características em algum momento.

    Não há distúrbios dominantes ou típicos, mas alguns dos seguintes podem estar presentes: (a) Sentimento (afetos) não apropriados ou restringidos (o individuo parece frio ou distante, indiferente); (b) Comportamento ou aparência que é estranho, excêntrico ou peculiar; (c) Pobre relacionamento com outros e uma tendência a recuar ou retrair socialmente; (d) Crenças estranhas ou pensamento mágico, influenciando o comportamento e incongruentes com normas subculturais, ou inconsistentes; (e) Ideias cheias de suspeição ou paranoides; (f) Ruminações obsessivas sem resistência interior; (g) Experiências perceptuais incomuns incluindo ilusões somato-sensórias (corporais) ou outras, de-personalização (destacamento de si próprio, ficando o mundo fora da realidade, em experiência conturbadora) ou de-realização (alteração na percepção, mundo fica parecendo irreal, sem colorido emocional, sintoma dissociativo); (h) Modos de pensar vagos, circunstanciais, metafóricos, super-elaborados ou estereotipados, manifestados por falas estranhas ou em outras formas sem incoerência crassa; (i) EPISÓDIOS QUASE PSICÓTICOS OCASIONAIS E PASSAGEIROS com intensas ilusões, alucinações auditivas ou outras e ideias semelhantes a delírio (delusion-like), usualmente ocorrendo com provocação externa

    A desordem percorre um curso crônico com flutuações de intensidade. OCASIONALMENTE ELA EVOLUI EM ESQUIZOFRENIA ABERTA. Não há início ou ataque definido e sua evolução e curso são aqueles de uma desordem de personalidade. É mais comum em indivíduos aparentados a pessoas com esquizofrenia e é acreditado como sendo parte do ‘ESPECTRO’ GENÉTICO DA ESQUIZOFRENIA. 3 ou 4 dos sintomas acima citados devem apresentar-se continuadamente ou episodicamente no mínimo dois anos.
    13 de maio de 2019

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