
Preocupado em não descumprir a ordem judicial que o impedia de acessar documentos do caso em que foi envolvido e de voltar à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – à qual esteve ligado nos últimos 12 anos e desenvolveu uma “carreira meteórica” até ser eleito reitor – Luis Carlos Cancellier de Olivo, 59 anos, o Cau, isolou-se em casa, após deixar o presídio na tarde de sexta-feira, dia 15 de setembro.
Temia, como admite seu irmão mais velho, Acioli, descumprir a ordem do juízo: “ele morava a cerca de 20 metros da universidade. Atravessava a rua e entrava na universidade. Ou seja, se atravessasse a rua descumpria a ordem e corria o risco de ser preso”, resume o primogênito da família, 67 anos, doutor em engenharia mecânica e aeronáutica pelo ITA que, mesmo aposentado, continua a residir em São José dos Campos (SP).
Há uma semana, no domingo (08/10), durante a missa de sétimo dia em intenção do reitor, o padre William Barbosa Vianna se queixou de não ter tido acesso a Cau para lhe prestar assistência religiosa. Coordenador da Pastoral Universitária, ele é professor e chefe do Departamento de Ciências da Informação da UFSC.
A revelação, feita na homilia do ato religiosos na capela ecumênica da UFSC, surpreendeu a muitos dos cerca de 200 presentes e foi interpretada por jornalistas como se a proibição tivesse partido da Polícia Federal. Esta interpretação acabou se tornando “verdade” ao ser reproduzida com insistência, não apenas nas redes sociais. Só não foram checar com o padre o que realmente ocorreu.
Na realidade, em momento algum da homilia o religioso identificou autores do impedimento. Ao Blog, falou de um “aparato tal que, a meu ver, o deixou sozinho e abandonado”:
“O que está sendo divulgado, que eu falei sobre a Polícia Federal, não é verdadeiro. Até porque, tanto a polícia quanto os hospitais conhecem os procedimentos e nós, em geral, não temos problemas nas delegacias, presídios e hospitais. A situação foi específica. Ela se deu durante o período em que ele estava na casa dele, depois de ter sido preso e solto. Agora, é claro, não aparecerá nenhum responsável“.
A afirmação – “é claro, não aparecerá responsável” – envolve, na verdade, uma série de circunstância que contribuíram para o isolamento do reitor e a tragédia em si. Mas, em sã consciência não há como afirmar que a assistência religiosa a evitaria. Fica-se no campo da suposição.
Onde algum crime? – Cancellier foi preso em casa, no início da manhã de uma quinta-feira (14/09), acusado de tentar dificultar a investigação administrativa – não a criminal, deixe-se claro – no âmbito da Corregedoria da UFSC, em torno dos gastos nos programas de Ensino à Distância (EAD) e Universidade Aberta do Brasil (UAB).
Foi acordado por policiais federais de São Luiz do Maranhão, deslocados para a Operação Ouvidos Moucos, como relatou o jornalista Renan Antunes, de Florianópolis, na reportagem Deduragem de colegas foi o que mais doeu no reitor da UFSC e o fez desistir, publicada no Diário do Centro do Mundo – DCM.
Segundo Antunes, 105 agentes foram mobilizados para o cumprimento de sete mandados de prisão, cinco mandados de condução coercitiva e 16 de busca e apreensão.
As acusações de tentativa de interferência nas apurações no âmbito da Corregedoria Geral da UFSC são tênues. Antunes, na referida reportagem, diz que partiram de possíveis desafetos do reitor. A advogada de Cancellier, Nívea Dondoerfer Cademartori, garante que ele nem mesmo sabia que era investigado/suspeito.
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Ivan de Union
15 de outubro de 2017 9:11 pmExceto a delegada de merda…
Exceto a delegada de merda…
Ivan de Union
15 de outubro de 2017 9:14 pmTa faltando alguem com
Ta faltando alguem com coragem suficiente pra enfiar um tiro na cara de delegado de merda ou juiz de merda no Brasil…,
MAAR
16 de outubro de 2017 4:04 amENQUANTO É TEMPO
Urge despertar a consciência da sociedade acerca do inadiável dever de exigir total respeito aos princípios jurídicos e às garantias constitucionais.
A cidadania se encontra sob ataque e não pode permanecer calada diante dos indícios de abusos que negam na prática a prevalência do estado democrático de direito.
É preciso iniciar uma ampla mobilização política em prol da legalidade institucional, que se encontra em cheque. Enquanto é tempo. Nesse sentido, vale recordar os versos imortais que alguns atribuem ao poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa, e outros afirmam ser do escritor russo Vladimir Maiakóviski:
[…]
Na primeira noite eles se aproximam
E roubam uma flor
Do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
Pisam as flores,
Matam nosso cão,
E não dizemos nada.
Até que um dia,
O mais frágil deles
Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a luz, e,
Conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
Já nada podemos dizer.
[…]