do Observatório de Geopolítica
Cem dias de alegrias
por Angelita Matos Souza
Vou enumerar aqui algumas das alegrias dos últimos cem dias.
A inaugural foi uma ausência: a do inominável na festa da posse, bem substituído pela cadelinha Resistência.
Depois veio a ala feminina do governo: Nísia Trindade na Saúde foi a mais grata indicação; Marina Silva no MMA, ao lado do Lula, é perfeita; Simone Tebet despontou no processo eleitoral, merecia um ministério; Anielle Franco; Margareth Menezes; Sonia Guajajara; Ana Moser; Cida Gonçalves; Luciana Santos; Esther Dweck, todas escolhas excelentes. A Daniela Carneiro, devemos esperar, quem sabe surpreenda. É certo que se poderia ter nomeado uma mulher para o Ministério das Relações Exteriores, lamentavelmente não foi desta vez.
A invasão dos bárbaros em 8 de janeiro foi uma tristeza, contudo teve um desfecho que acabou em alegria, com a movimentação condenada pela maioria dos brasileiros e servindo para “fortalecer” a democracia.
Na política externa, a mudança foi da água para o vinho. O chanceler é um tanto insosso, no sentido de burocrata demais, porém tudo indica que é a dupla Lula-Amorim que vai conduzir a volta ao mundo do Brasil simpatia. Ao encontro dessa disposição veio a retomada da Argentina como primeiro país a ser visitado pelo presidente Lula, com direito à parada no Uruguai, vizinhos amigos que receberam a devida prioridade.
A viagem aos EUA, embora curta, foi muito boa, afinal o governo dos democratas ajudou na dissuasão de disposições golpistas no Brasil. Pode não ter rendido muito do ponto de vista material, mas politicamente é sempre conveniente ter boas relações com eles, como foi nos governos Lula anteriores.
Diante da guerra Rússia-Ucrânia, muito acertadamente, o governo tomou partido explicitamente pela PAZ. Não se trata de ser a favor ou contra um dos lados, e sim pelo fim da guerra. Dessa forma, não tinha mesmo sentido enviar armas à Ucrânia.
Por sua vez, a indicação da ex-presidente Dilma Rousseff para presidir o Banco do BRICS (NDB) propiciou um doce sabor de revanche. Espero apenas que ela leve a sério o critério do Banco de só financiar empreendimentos sustentáveis (nada de Belos Montes!).
Outras medidas que merecem menção são o aumentozinho no salário-mínimo, a elevação do limite de isenção no Imposto de Renda, reajuste para o funcionalismo, ampliação do Bolsa Família, aumento no valor das bolsas da garotada, dos recursos para a merenda escolar, suspensão da implementação do Novo Ensino Médio (NEM), de processos previstos de privatização de empresas públicas, entre outras medidas que não me recordo agora.
Um aluno lembrou-me da criação do Ministério do Namoro, porém o presidente Lula não prometeu um ministério, somente disse que no governo dele “todo mundo ia namorar”. O que deve ocorrer se a economia crescer, afinal, como ensinou Marx, as condições materiais de existência determinam até a disposição para o amor (leitura sintomal).
Portanto, tudo depende dos “técnicos” do Banco Central deixarem, algo difícil, pois todo mundo sabe que os técnicos costumam ser uma gente muito infeliz. Resta-nos torcer para os chineses ajudarem, até porque é o povo que entende de milagres.
Por fim, salvar os Yanomami foi maravilhoso, se só tivesse feito isso, os cem dias de governo já equivaleriam a um século.
Angelita Matos Souza. Cientista Social, Mestre em Ciência Política e Doutora em Economia pela Unicamp. Livre Docente em História Econômica do Brasil pelo IGCE-Unesp e docente no IGCE-unesp.
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AMBAR
14 de abril de 2023 5:22 pmPor que os meios hegemônicos de comunicação simplesmente não repetem essas verdades?
Talvez porque sejam muito técnicos? “pois todo mundo sabe que os técnicos costumam ser uma gente muito infeliz. “
josé Oliveira de Araújo
16 de abril de 2023 3:00 pmCom relação aos técnicos, os do BCB se fossem espermatozoides, já teriam vazado na primeira ejacualção, pois nos 23 anos de existência, nunca acertaram a meta, e como se sabe, espermatozoide que não acerta o alvo, vaza!