5 de junho de 2026

Cem dias de alegrias, por Angelita Matos Souza

Um aluno lembrou-me da criação do Ministério do Namoro, porém o presidente Lula só disse que no governo dele “todo mundo ia namorar”.

do Observatório de Geopolítica

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Cem dias de alegrias

por Angelita Matos Souza

Vou enumerar aqui algumas das alegrias dos últimos cem dias.

A inaugural foi uma ausência: a do inominável na festa da posse, bem substituído pela cadelinha Resistência.

Depois veio a ala feminina do governo: Nísia Trindade na Saúde foi a mais grata indicação; Marina Silva no MMA, ao lado do Lula, é perfeita; Simone Tebet despontou no processo eleitoral, merecia um ministério; Anielle Franco; Margareth Menezes; Sonia Guajajara; Ana Moser; Cida Gonçalves; Luciana Santos; Esther Dweck, todas escolhas excelentes. A Daniela Carneiro, devemos esperar, quem sabe surpreenda. É certo que se poderia ter nomeado uma mulher para o Ministério das Relações Exteriores, lamentavelmente não foi desta vez.

A invasão dos bárbaros em 8 de janeiro foi uma tristeza, contudo teve um desfecho que acabou em alegria, com a movimentação condenada pela maioria dos brasileiros e servindo para “fortalecer” a democracia.

Na política externa, a mudança foi da água para o vinho. O chanceler é um tanto insosso, no sentido de burocrata demais, porém tudo indica que é a dupla Lula-Amorim que vai conduzir a volta ao mundo do Brasil simpatia. Ao encontro dessa disposição veio a retomada da Argentina como primeiro país a ser visitado pelo presidente Lula, com direito à parada no Uruguai, vizinhos amigos que receberam a devida prioridade.

A viagem aos EUA, embora curta, foi muito boa, afinal o governo dos democratas ajudou na dissuasão de disposições golpistas no Brasil. Pode não ter rendido muito do ponto de vista material, mas politicamente é sempre conveniente ter boas relações com eles, como foi nos governos Lula anteriores. 

Diante da guerra Rússia-Ucrânia, muito acertadamente, o governo tomou partido explicitamente pela PAZ. Não se trata de ser a favor ou contra um dos lados, e sim pelo fim da guerra. Dessa forma, não tinha mesmo sentido enviar armas à Ucrânia.  

Por sua vez, a indicação da ex-presidente Dilma Rousseff para presidir o Banco do BRICS (NDB) propiciou um doce sabor de revanche. Espero apenas que ela leve a sério o critério do Banco de só financiar empreendimentos sustentáveis (nada de Belos Montes!).

Outras medidas que merecem menção são o aumentozinho no salário-mínimo, a elevação do limite de isenção no Imposto de Renda, reajuste para o funcionalismo, ampliação do Bolsa Família, aumento no valor das bolsas da garotada, dos recursos para a merenda escolar, suspensão da implementação do Novo Ensino Médio (NEM), de processos previstos de privatização de empresas públicas, entre outras medidas que não me recordo agora.

Um aluno lembrou-me da criação do Ministério do Namoro, porém o presidente Lula não prometeu um ministério, somente disse que no governo dele “todo mundo ia namorar”. O que deve ocorrer se a economia crescer, afinal, como ensinou Marx, as condições materiais de existência determinam até a disposição para o amor (leitura sintomal).

Portanto, tudo depende dos “técnicos” do Banco Central deixarem, algo difícil, pois todo mundo sabe que os técnicos costumam ser uma gente muito infeliz. Resta-nos torcer para os chineses ajudarem, até porque é o povo que entende de milagres.

Por fim, salvar os Yanomami foi maravilhoso, se só tivesse feito isso, os cem dias de governo já equivaleriam a um século.

Angelita Matos Souza. Cientista Social, Mestre em Ciência Política e Doutora em Economia  pela Unicamp. Livre Docente em História Econômica do Brasil pelo IGCE-Unesp e docente no IGCE-unesp.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. A publicação do artigo dependerá de aprovação da redação GGN.

Observatorio de Geopolitica

O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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2 Comentários
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  1. AMBAR

    14 de abril de 2023 5:22 pm

    Por que os meios hegemônicos de comunicação simplesmente não repetem essas verdades?
    Talvez porque sejam muito técnicos? “pois todo mundo sabe que os técnicos costumam ser uma gente muito infeliz. “

  2. josé Oliveira de Araújo

    16 de abril de 2023 3:00 pm

    Com relação aos técnicos, os do BCB se fossem espermatozoides, já teriam vazado na primeira ejacualção, pois nos 23 anos de existência, nunca acertaram a meta, e como se sabe, espermatozoide que não acerta o alvo, vaza!

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