1 de julho de 2026

Repatriamento do acervo “Brasil: Nunca Mais”

Do O Globo

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Centenas de documentos do acervo “Brasil: Nunca Mais” serão repatriados e disponibilizados na internet

Adauri Antunes Barbosa  

SÃO PAULO – Uma solenidade na tarde desta terça-feira, em São Paulo, marcou o repatriamento do acervo (documentos e microfilmes) “Brasil: Nunca Mais”, um projeto desenvolvido clandestinamente no período da ditadura militar, entre 1979 e 1985, pelo na época arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, e pelo pastor presbiteriano Jaime Wright. O acervo, contendo um milhão de fotocópias de 707 processos do Superior Tribunal Militar (STM) e que revelou a extensão da repressão política na época, foi enviado pelo arcebispo ao Conselho Mundial das Igrejas (CMI), nos Estados Unidos, e agora retorna ao Brasil. O conteúdo estará disponível na internet, através da página do Arquivo Público do Estado de São Paulo.naocasNa ocasião, os religiosos ficaram sabendo que os processos da Justiça Militar poderiam ficar até 24 horas com advogados dos envolvidos e realizaram fotocópias dos documentos, enviados aos Estados Unidos por medida de segurança. Um kit dessas cópias foi colocado para pesquisa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 1988, mas parte das páginas de alguns processos sumiram, principalmente a com o nome de torturadores.

Segundo Marcelo Zelic, do Armazém Memória, o repatriamento aconteceu durante um convênio com o Arquivo Público do Estado de São Paulo, os autores do projeto “Brasil: Nunca Mais” e o Ministério Público Federal (MPF). Ele ressalta que o projeto é importante no resgate da história do país e permite que novas gerações saibam o que aconteceu naquela época, para que isso não se repita.

– Nas salas de aula, a meta fundamental será cumprida para o nunca mais no Brasil – salienta.

Para o procurador regional da República em São Paulo Marlon Weichert, o projeto é resultado de seis anos de trabalho. Ele ressalta que são 543 rolos de microfilme cuja impressão totaliza 12 volumes de 6 mil páginas. Na Unicamp, é a pesquisa mais procurada, segundo Weichert.

Atualmente, o “Brasil: Nunca Mais” está na 37ª edição. Lançado em 15 de julho de 1985, ele foi reimpresso mais de 20 vezes nos dois primeiros anos.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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