4 de junho de 2026

Brasileiros acusam Bolívia de agressão

O governo investiga denúncias de ações truculentas nos últimos dias contra brasileiros que vivem em território boliviano, por membros do Exército do país vizinho.

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Os militares teriam expulsado os brasileiros de suas propriedades na região da fronteira com o Acre, agredido colonos e destruído e incendiado casas.

O Itamaraty enviou à cidade de Capixaba (AC) o encarregado de negócios na Embaixada do Brasil em La Paz, Eduardo Sabóia, para conversar com os cerca de 30 brasileiros que apresentaram a denúncia ao governo do Acre.

O Ministério da Defesa também afirma ter enviado um capitão do Exército para averiguar as informações de que militares bolivianos teriam entrado no Brasil armados, para buscar mantimentos e abastecer veículos.

Se confirmada, a ação contraria norma internacional que prevê solicitação prévia para a movimentação de forças armadas em outro país.

Um batalhão de Brasileia com cerca de 35 militares também foi enviado a Capixaba, em uma “ação de caráter preventivo”, segundo o ministério.

A ação dos bolivianos contra os brasileiros teria começado no fim de semana. O colono José Carlos Caldas, que vive no seringal Fortaleza, do lado boliviano, disse ter sido surpreendido por militares ao voltar do Brasil.

“Saímos no último sábado da Bolívia para vir a Capixaba. Quando voltamos, na segunda, encontramos o Exército boliviano. Fomos recebidos por militares apontando fuzis. Invadiram nossa casa, prenderam cavalos, mataram porco e gado”, disse.

 

RECOLOCAÇÃO

De acordo com a lei boliviana, estrangeiros não podem ter terras em uma faixa a 50 km da fronteira.

A presença de brasileiros na região é motivo de tensão entre os dois países desde a posse do presidente da Bolívia, Evo Morales, em 2006.

O Itamaraty estima que cerca de 300 famílias de brasileiros vivem hoje nesta faixa do lado boliviano.

Cerca de 160 outras já teriam sido assentadas nos últimos anos -no interior da Bolívia e no Brasil- por meio de um acordo firmado entre os dois países e a OIM (Organização Internacional para Migrações).

A parceria prevê o repasse de verbas brasileiras para a organização comprar imóveis longe da faixa de fronteira.

“Vamos apurar as denúncias. Uma vez apuradas, vamos fazer chegar às autoridades bolivianas a nossa insatisfação. Depois queremos avançar no reassentamento dos brasileiros para que possam sair rapidamente”, disse Sabóia, que, se reuniu ontem com representantes do governo do Acre, da prefeitura de Capixaba, do Exército e da Polícia Federal.

Procurado, o Ministério do Interior boliviano não respondeu, até o fechamento do jornal, se a ação de expulsão havia sido ordenada pelo governo vizinho. (Folha de São Paulo)

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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