4 de junho de 2026

A grande mãe em dobro

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Jornal GGN – Em 2004, dois bebês foram trocados em uma maternidade em Sorocaba. Quando ficou provado o caso, a justiça determinou a destroca. Mas uma das mães rejeitou o próprio filho e a outra acabou conseguindo a guarda das duas crianças. No mês passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou sentença de primeira instância condenando a prefeitura, que administra a Santa Casa, a pagar pensão de um salário mínimo até que Giuliano atinja a maioridade

Do Estadão

Após troca de bebês, mãe assume os dois filhos em Votorantim

Por José Maria Tomazela

Rita da Silva lutou na Justiça até conseguir autorização judicial para ficar com as crianças; ‘mãe em dobro’ terá direito a indenização

SOROCABA – Uma troca de bebês na maternidade de um hospital de Votorantim, na região de Sorocaba, acabou tendo um final duplamente feliz para a dona de casa Rita Ribeiro da Silva, de 37 anos. Depois de ter sido determinada a destroca, ao ver que a mãe da outra criança recusava o próprio filho, ela lutou na Justiça até conseguir autorização judicial para ficar com as duas crianças. Agora, a Justiça acaba de reconhecer que a “mãe em dobro” tem direito a uma indenização pelo drama que viveu.

Rita deu à luz em 2004 na Santa Casa, mas logo percebeu que Giuliano, o filho que levara para casa, não tinha os traços da família. “Sou negra e o bebê era branquinho, de olhinhos claros. Aí o meu marido, também escuro, veio me acusando, dizendo que eu o tinha traído. Ele até saiu de casa.” Rita foi ao hospital e, depois de muita insistência, conseguiu que a troca fosse apurada. Logo se descobriu que seu filho podia ter sido levado por um casal de Piedade, cidade vizinha, já que a mulher dera à luz em horário compatível na mesma maternidade. Exames de DNA confirmaram que Vitor Hugo, a criança que estava com a outra mãe, era filho de Rita.

No processo de destroca, por determinação do Ministério Público, as duas mães conviveram com os filhos na mesma residência durante duas semanas e Rita observou que a outra mulher não tinha amor pelo filho biológico. “Quando recebi meu filho de volta, ele estava descuidado, com sarna, piolhos e até berne. Eu estava amamentando o Giuliano e passei a amamentar também o Vitor Hugo. Quando ela levou o Giuliano embora, fiquei com aperto no coração”, conta. Algum tempo depois, o menino voltou para casa. A mãe biológica admitiu que não teria condições de cuidar dele, o que foi comprovado por perícias pedidas pela Justiça.

De acordo com o advogado José Roberto Galvão Certo, que passou a cuidar do caso, as duas famílias são muito pobres, mas Rita tem um instinto maternal que a diferencia. Tanto que Giuliano também não queria viver com a mãe biológica, preferindo ficar com Rita. “A Justiça não teve dúvida em autorizar a adoção do Giuliano pela Rita, que passou a ser a mãe de direito das duas crianças.” Rita tem outros três filhos e, para cuidar das crianças, deixou de trabalhar, passando a viver com a pensão de R$ 1,4 mil deixada pelo ex-marido, que morreu há cinco anos.

No mês passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou sentença de primeira instância condenando a prefeitura, que administra a Santa Casa, a pagar pensão de um salário mínimo até que Giuliano atinja a maioridade. O município também foi condenado a pagar à mulher indenização de R$ 188 mil por danos morais. Não cabe mais recurso da decisão. A prefeitura informou que aguarda a notificação para se manifestar. A mãe, que mora em uma casa de tábuas, em Votorantim, disse que usará o dinheiro para dar uma vida de mais conforto para os filhos.

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3 Comentários
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  1. Ivo Flugel Mathias

    8 de maio de 2015 12:55 pm

    Lembrando do fim da guerra….

    Meu Pai me contou que há 70 anos atrás ele estava num cinema em Curitiba quando der repente um grito se ouviu. -A GUERRA ACABOU-, Ele e todos os que lá estavam saíram do cinema e Curitiba bem como muitas outras cidades pelo mundo afora, viu, não apenas a bandeira nacional, mas as bandeiras dos aliados e muitas e muitas bandeiras vermelhas. Havia então a clara consciência de quem havia suportado o peso da guerra, e onde estava enterrado o exército alemão.

    Até hoje, penso nas histórias que meu pai conta, e as histórias que volta e meia escapam da minha mãe.

    Meu pai era o escoteiro de Antonina, no litoral do Paraná, moreno, que junto com a tropa foi para as cidades de Santa Catarina, durante a guerra, para marchar com a bandeira brasileira e tirar o chapéu da cabeça dos alemães. Ele me fala dos navios, que vinham buscar minério de ferro e outros produtos no porto de Antonina.

    Ele me fala do cachorro dele, que perdeu uma pata, e por isso ficou conhecido como expedicionário. E muitas outras estórias.

    Já minha mãe, ela era a menina suíça, que era confundida com os alemães, e por isso brigava com as crianças brasileiras no norte do Paraná. Minha mãe era o inimigo.

    Lembro de ter visto centenas de filmes de guerra, de ver a guerra do Vietnam, de pensar que o mapa do Paraná no escritório do meu pai era o mapa do mundo, e de ficar procurando o Vietnam nele.

    Lembro de ir ao norte do Paraná, de um senhor muito gentil me oferecer doces, e vendo-me vestido com meu uniforme de soldado, com armas de brinquedo, me perguntou.

    O que você veio caçar?

    Alemães. Disse eu.

    Hoje 70 anos depois da guerra, me lembro ainda, do monumento à pracinha que está na praça central de Antonina. Simples e bonito.

  2. Alexandre Lopes

    8 de maio de 2015 2:09 pm

    Linda!

    Linda!

  3. Imparcial atento

    8 de maio de 2015 4:12 pm

    Essa sim ,pela atitude ,pode

    Essa sim ,pela atitude ,pode ser chamada de MÂE .

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