Fernando Castilho
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.
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A popularidade de Eduardo Leite, por Fernando Castilho

É preciso aprender com essa tragédia que há mudanças climáticas em andamento e que o sul do país parece que será o alvo preferencial delas.

Foto: Mauricio Tonetto / Secom

A popularidade de Eduardo Leite

por Fernando Castilho

Acabo de ler a notícia da Folha: “Leite cresce em popularidade digital na tragédia e cola em Tarcísio no topo”.

Sim, leitor, você não leu errado.

A pesquisa da Quaest mostra que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aquele que está transformando a polícia do estado numa força matadora e cuja única grande realização até agora é privatizar a Sabesp, empresa estatal eficiente e lucrativa, ostenta 70,2 pontos, enquanto Eduardo Leite, corresponsável pela maior enchente da história no Rio Grande do Sul, vem logo atrás com 69,8 pontos. Romeu Zema, de Minas Gerais, está na terceira colocação desse ranking macabro.

Essa pesquisa, chamada de IPD (Índice de Popularidade Digital), que procura medir o quanto os governadores estão sendo comentados nas redes sociais, é feita diariamente pela empresa de consultoria.

Eduardo Leite estava em sétimo lugar em março e saltou para o segundo, mesmo tendo sido desmascarado por cortar ou alterar 480 pontos do Código Ambiental do RS e, 2019. Além disso, andou dando declarações que demonstram o quanto o neoliberalismo está fluindo em suas veias. Afirmou que a grande quantidade de doações poderia afetar o comércio em seu estado e que seu governo tinha outras agendas além da preocupação com as mudanças climáticas.

Parece que a fala empostada, o visual com colete laranja, o visível mal-estar com a presença de Lula e de Paulo Pimenta e o grande número de entrevistas que está dando, estão impulsionando seu nome, o que vai ao encontro da desesperada busca que a grande mídia empreende por um nome da terceira via para 2026, iniciada quando passou a considerar Tarcísio como um bolsonarista moderado.

O leitor pode estar questionando sobre se essa popularidade se traduzirá em votos, afinal, estar quase no topo não significa que há realmente apoios para uma eleição. É preciso lembrar de um bordão que Paulo Maluf emprestou de um certo Henry B. King, que chegou a presidente da Associação Americana de Produtores de Cerveja: “falem mal, mas falem de mim.” E não é preciso lembrar quantas eleições ele venceu.

Outra coisa a se comentar é a reconstrução do governo do RS, para a qual Lula não está medindo esforços.

O estado NÃO DEVE SER RECONSTRUÍDO!

É preciso aprender com essa tragédia que há mudanças climáticas em andamento e que o sul do país parece que será o alvo preferencial delas. Portanto, há que se construir o estado baseado nesse dado.

Para isso, torna-se necessário que uma equipe multidisciplinar composta de engenheiros civis, engenheiros climáticos, arquitetos, biólogos, geólogos e outros profissionais, trace um plano para a existência física do estado para as próximas décadas levando em consideração sua hidrografia a fim de reduzir danos para a população.

Se serão gastos 51 bilhões disponibilizados pelo governo federal, que sejam aplicados nessa enorme obra que seria uma das pioneiras no mundo, voltadas à contenção de danos das inevitáveis mudanças climáticas.

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

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Fernando Castilho

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

7 Comentários

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  1. Tudo isto é por demais suspeito. Como fazer uma pesquisa nas condições do Rio Grande do Sul. Seja digital ou pessoalmente, seria exigir muito do gaúcho que está lutando pela própria vida, tanto física quanto em todos os outros níveis. Me parece que um gaúcho se recusaria a responder por enquetes e claro que poderia reclamar de tudo, até de Deus. Mas os promotores da Quaest se especializam em fazer pesquisas sempre que há a chance de uma política governamental ser minimamente elogiada. Eles anseiam sobretudo preparar uma narrativa para a eleição de 2026. Na pesquisa quaest tudo menos a realidade do RGS, nem da vida importam. A quaest lança um resultado contra Lula sempre que suas ações são positivas. Mas agora mostrou de fato a que veio, lançar um resultado favorável a Leite neste momento é quase uma provocação, e mais um passo na tentativa de dizer que o eleitor brasileiro de fato não sabe o que quer nem é capaz de julgar. Mais uma vez mantém viva a esperança da direita troglodita. A quaest desta vez bateu recordes,usando todas as informações já coletadas, buscou sem duvida os nichos políticos para fazer sua “pesquisa”. Para fazer pesquisas hoje usam, com muito conhecimento, IA, machine learning e vão afinando as amostras conforme os resultados e não os resultados conforme as amostras. Mas desta vez vieram correndo dar apoio ao governador e ao prefeito que sem licitação contratam a mesma firma que pagou os serviços de Moro, Alvarez Marsal, e que extraiu lucros para si e para vários grupos com a tragédia do Katrina. Um instrumento do neo-liberalismo e da extrema direita que explodiu a concentração de renda por onde andou. O lema deles , é onde há desastre há lucro. O problema central é que os avanços científicos tem se tornado armas letais na mão de grupos de informações, que com os conhecimentos de ponta vão concentrando informação e fortalecendo grupos e empresas que sequer escondem a meta de criar o mundo de quem tem poder, a anticivilização, a lei do mais forte. È urgente uma luta para que estes mesmo conhecimentos científicos sirvam a outros fins. O conhecimento científico é um campo de luta , é objeto da cobiça destes grupos poderosos e precisa ser apropriado por forças progressistas e democráticas. Na sociedade tem que haver uma verdadeira luta para que este conhecimento não seja propriedade apenas de alguns. Pesquisas como a da Quaest são apenas um outro tentáculo de tantos movimentos que sem duvida passam pela guerrilha digital a que as instituições democráticas tem sido alvo. Mas das armas de guerrilha se passa agora a armamento bélico de peso. E usarão armas mais pesadas quão mais a narrativa for contrabalançada pela realidade. O meio ambiente tem seu curso, e como ás águas reclamaram o que lhe foi tomado, a natureza fará o mesmo, e esta guerra que travam no mundo virtual vai de qualquer forma ( trágica talvez) prestar contas para a realidade e se perdermos a guerra do conhecimento,poderá ser tarde. A ciência é um campo de conflitos e não um depositário de verdades usadas apenas por alguns. A imprensa divulga todos estes mal feitos, de forma neutra sabendo que participa desta destruição, mas como sempre esperando colher os frutos antes que apodreçam.

    1. Excelente comentário. A direita e, por conseguinte, o mercado, estão em busca desesperada por uma terceira via. Por isso, vão inflar o nome do Eduardo Leite que pode ser uma carta na manga contra Lula.

  2. É com muito desalente que tomamos conhecimento dessa pesquisa IPD, com representantes do neoliberalismo fálido e da extrema direita nefasta ocupando posições de destaque. Infelizemnte, continuamos assistindo a interferência da mídia comercial e o poder econômico influindo na visibilidade das candidaturas com compromissos que invariavelmente não estão alinhados com as necessidades da população.

  3. É com muito desalento que tomamos conhecimento dessa pesquisa IPD, com representantes do neoliberalismo fálido e da extrema direita nefasta ocupando posições de destaque. Infelizemnte continuamos assistindo a interferência da mídia comercial e o poder econômico influindo na visibilidade das candidaturas com compromissos que invariavelmente não estão alinhados com as necessidades da população.

    1. Excelente comentário. A direita e, por conseguinte, o mercado, estão em busca desesperada por uma terceira via. Por isso, vão inflar o nome do Eduardo Leite que pode ser uma carta na manga contra Lula.

    2. Eduardo Leite já foi nome da terceira via e vai ser poupado porque a busca por uma alternativa a Lula é ferrenha. Até agora não surgiu ninguém, por isso, o Tarcísio está sendo chamado de bolsonarista moderado.

  4. Antigamente se falava que “a mídia era o 4º poder”, hoje a gente vê na prática que ela é muito mais que isso, em especial agora que perderam completamente o pudor, e buscar disfarçar suas posições, nem se preocupam mais em omitir seu lado. Ontem a Folha de SP, publicou uma matéria, sobre o documentário que o cineasta Oliver Stone produziu sobre Lula, onde a família Frias, reclamava que “A OPOSIÇÃO NÃO FOI CONTEMPLADA NO DOCUMENTÁRIO!!!” – Observem a desfaçatez desmedida dessa gente ordinária. Eles sabem que aquilo não é uma matéria jornalística, trata se de um documentário!!! Eles acham pouco o espaço que a “OPOSIÇÃO” tem no jornal deles. Folha, Estadão, Globo, Veja, IstoÉ, Rede Globo, SBT, Record e Band, são pouco espaço para a oposição ladrar 24h por dia? Eduardo Leite, faz parte do clube, e não nos espantemos com sua popularidade após a tragédia…

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