Mais uma tentativa de golpe?
por Fernando Castilho
A tragédia no Rio Grande do Sul revelou, além da negligência do governador e de prefeitos de várias cidades atingidas pelas chuvas, incluindo-se a capital, Porto Alegre, o total descaso com relação às mudanças climáticas que já estamos vivendo.
Parlamentares da extrema-direita, doravante por mim nomeados de fascistas (porque é o que são, embora articulistas de direita e de esquerda relutem em reconhecer), porém, foram além do além ao utilizarem a dor dos gaúchos para espalharem fake news e, desta forma, tentarem obter dividendos políticos e likes em suas redes sociais. Como se não bastasse, buscam atrapalhar os esforços empreendidos pelo governo federal e pelo exército no socorro à população, constituindo-se, desta forma, em verdadeiros sabotadores que causam mais desespero e até mortes. E nem estou falando de seus projetos para piorarem mais adianta nosso clima.
Houve até um prefeito imitador de Elvis Presley que lacrou com uma conversa telefônica com o ministro Paulo Pimenta, como se sua cidade estivesse enfrentando enorme calamidade e o governo não enviasse recursos. Tudo isso foi desmascarado depois que o estrago foi feito, pois os fascistas souberam explorar muito bem a mentira.
Mas, qual o sentido disso? Seria apenas por maldade?
Não, leitor. Aquela mesma tentativa de golpe ocorrida em 8 de janeiro de 2023 ainda está em curso, desta vez disfarçada.
A ideia de deputados, senadores e influenciadores fascistas é tentar incutir na população de todo o Brasil que o governo Lula é inoperante e que mais atrapalha do que ajuda. Nunca mencionaram nem mencionarão a ajuda de 51 bilhões (quantia suficiente para quebrar um país) que está sendo enviada ao RS, conforme as prefeituras vão apresentando seus projetos de reconstrução.
Pelo contrário, tentam demonstrar que são pessoas comuns que salvam outras pessoas comuns e que são empresários como o veio da Havan que estão fazendo um trabalho melhor que o governo.
Desta forma, o Estado e, por conseguinte, o governo Lula, mas também o poder judiciário e, por que não, também o legislativo, já não têm importância. E se não têm importância, qual o sentido de existirem?
Se o estado democrático de direito não tem mais significância, o que deve ser colocado no lugar?
Bingo! Um mito que prefere brincar de jet-ski enquanto acontecem tragédias climáticas porque não adianta fazer nada devido à incapacidade do estado. Então deixem as próprias pessoas se ajudarem com as quentinhas.
Lógico que um dos objetivos por trás disso tudo é rapelar o país ganhando muito dinheiro com desmatamentos, garimpos ilegais, etc. E há pelo menos 25 emendas nesse sentido na Câmara Federal.
Enquanto o Ministério Público assiste passivamente a sabotagem ao socorro que os parlamentares e influenciadores fazem, o ex-presidente fugiu de novo. Seim, mas desta vez, não para os Estados Unidos porque está sem passaporte, mas para um hospital para tratar, ora vejam, de erisipela, doença tratável em casa. E já está lá há 10 dias com uma perna que um dia jurou que nunca seria vermelha!
É a reedição do que aconteceu em 8 de janeiro!
Paulo Gonet parece um PGR mais lerdo que Augusto Aras, somente. Enquanto este último engavetava celeremente processos contra Bolsonaro, Gonet, vai levando. Foi assim quando devolveu o caso das cadernetas de vacinação fraudadas à Polícia Federal para aprofundamento das investigações, quando já não havia mais nada a investigar, pois é o caso mais simples de ser resolvido e aquele com provas mais robustas.
Os outros casos como o roubo das joias, a tentativa de golpe de estado e as centenas de milhares de mortes pela Covid-19 jazem esquecidos em algum canto.
O ministro Alexandre de Morais fica de mãos atadas enquanto não recebe nenhuma denúncia do PGR.
No parlamento avança enquanto isso a urdidura de uma anistia para Bolsonaro.
Já cabe aqui a dúvida se toda essa lentidão não faz parte dessa trama.
O fato é que, ainda esta semana, pelo menos influenciadores propagadores de fake news têm que ser denunciados pelo Ministério Público e investigados pela PF. No mínimo.
Se isso não acontecer, podemos começar a acreditar que os fascistas já começam a vencer.
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.
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Gerson Jorio
14 de maio de 2024 5:53 pmEstamos vivenciando a uma guerra na qual a extrema direita tem ao seu dispor um arsenal poderosíssimo: internet, robôs, fake news, PIG (como dizia o saudoso Paulo Henrique Amorim), big techs, congresso nacional, gente com grande influência e poder no judiciário e muitos mais. Nós, só contamos com a lentidão, incerteza e a falta de ação.
Fernando Moreira de Castilho
14 de maio de 2024 7:08 pmObrigado pelo ótimo comentário.
Raul Mass
14 de maio de 2024 11:24 pmPô, Fernando, o que querem colocar no lugar é a plutocracia, vc não vê?